Neste domingo tem Santos e Corinthians pela final do Sub-13

Olá amigos do Blog do Odir: neste domingo, às 10h15m, no campo do Jabaquara, haverá o primeiro jogo da final do Paulista Sub-13, entre Santos e Corinthians. A torcida do alvinegro da capital está se mobilizando para descer a serra. Precisamos convocar a torcida santista para apoiar os nossos meninos.

Ricardo Boulhosa

Fico aqui, nesta tarde ensolarada da conflituosa São Paulo, imaginando qual seria a preleção de Muricy Ramalho para o jogo das 19h30m, na Vila Belmiro, contra o rebaixado Figueirense.

O técnico já disse que não gosta de discursos motivacionais (como se o esporte não dependesse de motivação contínua). Tudo bem, então deve dizer: vão lá e façam o que vocês treinaram durante a semana. Mas o problema é que o Santos treina pouco, não faz exercícios táticos ou de fundamento no nível que se espera de uma equipe profissional. Então, o que será que o técnico mais bem pago do futebol brasileiro diz?

– Vão lá e joguem o que vocês sabem, pô! E vê se não machuca, pô! Esse jogo não vale nada, pô!

Desculpe se fui um tanto prolixo ao retratar o discurso de nosso técnico, mas imagino que seja mais ou menos assim. Fico, então, divagando, nesta tarde calma, em que ladrões e policiais devem estar descansando de mais uma batalha sangrenta na noite anterior em minha dolorosa e amada cidade, se não seria esta depressão crônica do professor que faz seus alunos entrarem em campo como se carregassem fardos de 500 quilos nas costas.

Nem preciso lembrar aos queridos parceiros e parceiras deste blog, que o Santos vem de um resultado humilhante, ao perder de virada, com o time completo, do rebaixado Atlético Goianiense. Hoje temos novamente uma equipe rebaixada pela frente e por isso as luzes amarelas deveriam estar piscando na Vila.

Mas não vale nada, diriam alguns. Eu responderia, com toda a tranqüilidade e paciência deste mundo: NÃO VALE NADA O ESCAMBAU! O amor por um time, a paixão do menino pelo time que será seu por toda a vida, nasce de tardes assim, sem propósito e às vezes sem muita expectativa (ou o termo correto seria esperança?). Engana-se quem acha que a paixão do torcedor brota apenas nos momentos grandiloquentes, de sorrisos, abraços e lágrimas de alegria. Não, começa assim, em uma tarde, que será noite, como esta.

Malditos rebaixados!

E Muricy, casos e caras, não dá sorte com times rebaixados. Não sei se sorte é o termo certo, pois mesmo o destino pode ser encaminhado por boas doses de competência. Digo isso porque em 2009, quando o amigo Sérgio Quintanilha me deu a honra e o prazer de ser o editor nacional da revista FourFourTwo, fui à Academia do Palmeiras fazer um perfil de Wagner Love e pude testemunahr o clima festivo pela aproximação do título brasileiro.

Lá estava Muricy e sua comissão técnica, à beira do gramado, observando um longo e animado dois toques. Com sua barriga já saliente, mãos às costas, sempre acompanhado de seu estado-maior, parecia um general preparando-se para as árduas e decisivas batalhas daquela que tinha tudo para ser a grande conquista palmeirense de toda uma década.

O time estava cinco pontos à frente do segundo colocado e a tabela, teoricamente, lhe favorecia. Mas o Palmeiras ganhou apenas cinco pontos dos últimos 18 que disputou e acabou em quinto lugar, perdendo até a vaga para a Libertadores.

Hoje revejo a tabela do Brasileiro de 2009 e percebo que no segundo turno do campeonato o Palmeiras não venceu nenhum dos quatro times rebaixados naquele ano: empatou com o Sport no Parque Antártica (2 a 2) e, fora de casa, foi derrotado três vezes sem marcar um único gol (Santo André, 2 a 0; Náutico, 3 a 0, e Coritiba, 1 a 0).

Por isso, hoje, mesmo com Neymar e Arouca, e contra um time que perdeu para o Santos em Florianópolis, não consigo ficar muito otimista. Se jogar como se deve, motivado como um jogador profissional sempre deve ser, o Santos goleará, mas se for levado pelas anti-preleções de Muricy Ramalho, o homem que não sabe motivar para os jogos teoricamente menos difíceis, então vamos sofrer de novo.

E você, como motivaria o Santos para enfrentar o Figueirense?