Leandrinho tem categoria, mas não foi o líder que o time precisava (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Divulgação Santos FC)

Parece que os Meninos da equipe Sub-20 do Santos, eliminados ontem pelo Bahia, em plena Vila Belmiro, nas quartas-de-final da Copa do Brasil, não entenderam bem a importância da competição que disputavam. Ano do Centenário do clube, oportunidade de seguir adiante em um título essencial para os que almejam crescer na profissão, o jogo era aqueles em que o jogador deveria até comer grama para vencer.

Com uma idade em que a maioria dos bons jogadores já mostram qualidades que os credenciam ao profissionalismo, e jogando por um clube no qual o técnico dos profissionais, o professor Muricy Ramalho, não é lá muito amigo de jogadores vindos da base, o mínimo que os garotos do Santos deveriam ter mostrado contra o Bahia é uma tremenda vontade de vencer.

Mas o time começou como se estivesse treinando. Os jogadores se moviam preguiçosamente e rolavam a bola sem nenhuma intenção clara. Aos 19 minutos, em lance sem pretensão, surgiu um escanteio para o Bahia. A bola foi cobrada na pequena área, todo mundo da defesa do Santos ficou olhando, o goleiro não saiu debaixo das traves e um jogador baixinho do tricolor baiano fez o gol, de cabeça.

Como o primeiro jogo tinha sido empate de 1 a 1, o gol do Bahia obrigava o Santos a ganhar a partida se não quisesse disputar a classificação na cobrança de tiros da marca do pênalti. Mas os Meninos, atrapalhados, demoraram para perceber que tinham de acelerar o jogo ou seriam eliminados em casa, diante da pequena e mal humorada torcida que compareceu ao Urbano Caldeira.

Para resumir, tive a impressão de que esses garotos poderiam jogar mais 20 anos e não fariam o gol de empate. Faltava precisão nos passes, precisão e potência nos poucos chutes a gol, precisão nas cobranças de escanteio; faltava – o que na verdade distingue um amador de um profissional – decidir pela jogada certa. Sim, pois quando era para correr com a bola, paravam; quando era para parar, corriam; quando tinham de passar, tentavam o drible; quando tinham de tentar o drible, passavam.

Enfim, nenhum deles me deu a impressão de que está perto de ser um profissional. Sei que Leandrinho, Geuvânio e Gustavo Henrique treinam com os profissionais, mas o primeiro, que tem alguma categoria, se escondeu do jogo e da responsabilidade; o segundo faz tudo certo até ter de dar o último passe, ou chutar a gol, e Gustavo parece mais gostar de atacar do que de defender (lento, chegou atrasado e fez uma falta na entrada da área que poderia ter dado o segundo gol ao Bahia).

Mas eu sei que é preciso dar tempo ao tempo. Esses rapazes estão em uma fase da vida em que as evoluções podem vir muito rapidamente. Não só a evolução física e intelectual, mas, principalmente, a de caráter, no sentido de personalidade. Pois, mais do que tudo, foi justamente esse espírito que faltou aos santistas para continuar na Copa.

Faltou aquele líder que, desde o começo, contaminasse o grupo com a vontade e a volúpia da vitória. Não sei se, como o empate sem gols dava a classificação ao Santos, este foi o único objetivo do time ao entrar em campo – objetivo que se desfez ao sofrer o patético gol de escanteio.

E os garotos do Bahia tiveram justamente esse espírito que forma os vencedores e os campeões. Foram guerreiros, mostraram-se homens feitos – corajosos e inteligentes – e mereceram sair da Vila Belmiro com a classificação. Aos santistas ficou uma imensa incerteza quanto ao futuro.

E você, o que achou da eliminação do Santos na Copa do Brasil Sub-20?