Jogo difícil, adversário querendo vencer para completar a festa programada por sua torcida, que lotou o Pacaembu. Mas, em campo, o Santos vencia por 1 a 0 – gol de Felipe Anderson aos 35 minutos do primeiro tempo – e na metade da segunda etapa começava a bloquear bem o ataque corintiano e, ao mesmo tempo, criar bons espaços para contra-atacar.

Por incrível que pareça, Patito Rodriguez já tinha feito duas ou três boas jogadas pela direita, apoiado por Felipe Anderson. Na direita, Bruno Peres encostava em Victor Andrade e, com o apoio de Arouca, o Santos conseguia por ali algumas brechas para chegar à linha de fundo, ou mesmo penetrar pela área adversária. Era possível prever que a qualquer momento o Alvinegro Praiano teria uma oportunidade para chegar ao segundo gol e deixar a vitória bem encaminhada.

Mas eis que por volta de 30 minutos do segundo tempo o técnico Muricy Ramalho resolveu tirar Patito Rodriguez e colocar o volante Adriano, com a clara intenção de “fechar mais o meio”. Ora, imediatamente o alvinegro de Itaquera adiantou a sua defesa – já que Patito era o único atacante santista que estava realizando alguma coisa – e comprimiu o Santos no seu campo.

Por baixo havia mesmo muitas pernas, mas nos cruzamentos pelo alto a defesa santista não inspirava confiança. Rafael, que já tinha falhado bisonhamente em uma saída no primeiro tempo, no segundo soltou uma bola fácil dentro da pequena área. Parecia mesmo bastante improvável que o Santos garantisse a vitória jogando os últimos minutos exclusivamente na defesa.

Aos 34 minutos, como era de se esperar, o adversário chegou ao empate com um gol de cabeça do zagueiro reserva Wallace, após cobrança de falta. O rapaz saltou no meio de dois zagueiros do Santos e cabeceou no canto, diante de um estático Rafael.

O gol animou o alvinegro da capital, enquanto o Santos parecia sem forças para reagir. Uma das últimas esperanças de gol era Felipe Anderson. Mas pouco depois Muricy o tirou para a entrada de Gérson Magrão. Nesse gesto ficou evidente que o máximo que o técnico almejava era mesmo o empate o empate de 1 a 1.

Destaques e decepções

Creio que o destaque do Santos tenha sido Arouca, que parece muito motivado com o prestígio de ser convocado para a Seleção. Acho também que Felipe Anderson está cada vez mais maduro. E estava gostando do Patito Rodriguez quando ele foi substituído.

Desculpe se não cito ninguém da defesa, mas é um bolo lá trás, com tanto encontrão e chutão pra frente, que não sei se podemos chamar a isso de jogar bem. Quanto aos laterais, tiveram espaço, principalmente Bruno Peres, e não souberam o que fazer com ele. E vi ambos – ele e Juan – tomarem dribles desconcertantes, que poderiam ter gerado outros gols ao adversário.

Nem vou falar do goleiro Rafael, que esteve muito inseguro. Outra decepção, de novo, foi André. Tabelou com Felipe Anderson no lance do gol. Só. Muito lento, parece um jovem-velho, outro investimento ruim dessa diretoria. O garoto Victor Andrade não conseguiu muito, mas ao menos fuçou bastante e segurou uns dois zagueiros do adversário na defesa. E tem a indiscutível desculpa de ter apenas 17 anos.

Aliás, esse é um detalhe que merece atenção: com três atacantes, como começou a partida – Patito, André e Victor Andrade –, o Santos ao menos manteve o adversário temeroso de sofrer gols. A partir do momento em que se tornou um time preocupado apenas com a defesa, abdicando do seu decantado DNA, o Santos perdeu também a vontade de ganhar e não inspirou nenhum temor ao oponente, que passou a atacar sem qualquer receio.

Essa falta de vontade de chegar ao segundo gol ficou evidente justamente dos 15 aos 30 minutos do segundo tempo, quando havia espaço – principalmente para fazer o manjado um-dois pela direita –, mas o Santos só girava a bola, até recuá-la para o seu próprio campo. Faltou a ordem de ir pra cima deles quando estivesse próximo da área adversária.

O empate foi um castigo ao time mais medroso. O adversário, mesmo aos trancos e barrancos, quis mais a vitória e por isso mereceu o empate. Muricy começou fazendo a coisa certa e por isso seu time estava ganhando. Pena, porém, que seu lampejo de coragem não tenha durado os 90 minutos.

Veja o gol de Felipe Anderson.Lembra o de Ghiggia, o segundo do Uruguai na decisão da Copa de 1950. A bola passa entre o goleiro e a trave:

http://youtu.be/y6O2XaYI5lQ

E você, o que achou do empate do Santos com o alvinegro de Itaquera?