Muitos leitores têm me pedido para criticar a diretoria do Santos por não contratar jogadores de prestígio. Querem Robinho, Montillo, Nenê… mas temem que outros clubes atravessem o negócio e, como tem acontecido, deixem o Alvinegro Praiano a ver navios. Porém, antes de simplesmente cair de pau, sugiro que analisemos com calma a situação.

Como exigir um alto investimento sem saber ao certo a real situação financeira do clube? Se a dívida for muito alta, uma contratação milionária vai afundar ainda mais o buraco. Lembro que uma receita infalível para levar um clube à inadimplência é gastar muito mais do que arrecada. A história do futebol brasileiro está repleta de exemplos do que não se deve fazer.

Parece brincadeira, mas nos seus 23 anos de fila, em que era um resplandecente saco de pancadas do Santos, o alvinegro paulistano gastou o que tinha e, principalmente, o que não tinha, para montar times que pudessem fazer frente ao melhor do mundo: Garrincha, Almir Pernambuquinho (apelidado de “Pelé Branco”), Paulo Borges, Flávio, Buião, Ado… Muito se investiu, desordenadamene, em busca de vitórias e títulos que jamais se concretizaram.

Pois o que vale, mesmo, não é contratar por contratar, não é contratar pelo nome, mas sim pelo rendimento técnico e físico do atleta e pela necessidade tática e psicológica do time. O Santos precisa, prioritariamente, de jogadores – um ou dois – que tenham categoria, visão e personalidade para comandar a equipe a partir do meio-campo. Um jogador estilo Riquelme, Ganso, Marcos Assunção (desde que não tenham problemas físicos).

Um outro aspecto a ser analisado é que esta diretoria e este comitê gestor, positivamene, não são do ramo, ou seja, não sabem avaliar jogadores. Neste mesmo blog estampamos o escandaloso título “Bill Não!”, tentando prevenir para a bola fora que seria comprar 100% dos diretos do terceiro reserva corintiano. Mas ninguém nos ouviu e o negócio foi feito. Hoje, meses depois, perguntamos: onde está Bill, que pouquíssimo foi utilizado? Quem se responsibilizará por esse prejuízo anunciado aos cofres santistas?

Quem se responsabilizará, ainda, pela contratação milionária de Ibson, que depois foi trocado por Galhardo e David Braz, que praticamente não jogaram no Santos e hoje já estão indo embora? Quem se responsabilizará pela troca de Elano pelo descartável Miralles? Enfim, o torcedor perdeu totalmente a confiança nas decisões do departamento de futebol e no comitê gestor do Santos.

Por fim, ainda resta ao time a estrela-guia que se chama Neymar, o Menino de Ouro capaz de mudar a sorte de jogos aparentemente perdidos… Ainda restam também bons goleiros, zagueiros experientes, o incansável Arouca e o emergente Felipe Anderson. Nem tudo está perdido. Algumas poucas contratações, porém cirúrgicas, poderão gerar uma equipe que ao menos brigará pelos títulos das competições menores.

Dos nomes aventados, qual eu gostaria? É difícil analisar de longe, sem saber a real condição física e clínica de cada atleta e sem estar a par do exato investimento requerido. Mas eu analisaria a possibilidade de ter Montillo ou Marcos Assunção no meu time. Creio que, taticamente, seriam mais importantes do que Robinho e Nenê. Mas esperarei com calma pela melhor decisão.

E você, acha que contratar sempre é bom, ou é preciso estudar bem antes de investir?