Sexta-feira passada, 28 de dezembro, em que a Espanha comemorou o “Dia dos Inocentes”, uma espécie do nosso “Dia da Mentira”, o jornal Sport, da Catalunha, região em que se localiza a cidade de Barcelona e, conseqüentemente, o time de mesmo nome, publicou uma entrevista com Neymar pai, em que ele teria dito que após a Copa de 2014 o filho irá para a Europa e, provavelmente, para o time catalão. Como para muitos formadores de opinião do Brasil mentira ou verdade é a mesma coisa, a “entrevista” teve grande repercussão por aqui.

Bem, eu já escrevi várias vezes que o que é bom para o futebol europeu não é bom para o Brasil. A ausência de Neymar não será ruim apenas para o Santos, mas também para o futebol brasileiro, que já começa a ter uma visibilidade que incomoda os europeus.

Com Neymar mais crianças e adolescentes gostarão do futebol e as competições internas serão mais valorizadas, darão mais ibope e tornarão o Campeonato Brasileiro um produto mais caro e mais requisitado pelo mercado internacional. Sem Neymar, tudo será mais árido, mais difícil, mais pobre.

Mas um pool de empresas patrocinadoras, o próprio Santos e, quem sabe, a Rede Globo – que teria um show de melhor qualidade para vender – podem impedir que o maior astro do nosso futebol vá embora. É só querer. Neymar é uma atração que se paga. Perdê-lo para o mercado espanhol será constrangedor em uma época na qual o Brasil tem uma economia mais forte do que a do país ibérico.

O bumbo e a gaita

Não se espante com o sub-título acima, falarei de contratações. Não dizem que um bom time de futebol joga por música? Pois falemos de jogadores-instrumentos. Veja que por mais que gostemos e respeitemos o grave desempenho do bumbo, sabemos que o tal não consegue solar uma canção. Fica naquele bum-bum o tempo todo.

Por outro lado, há os instrumentos harmônicos, como o violão, o piano, a harmônica (ou sanfona), a gaita de boca, que acompanham, solam, fazem o baixo. Estes se bastam, podem, sozinhos, dar um recital. É deste jogador-instrumento que o Santos precisa. Por isso, entre Robinho, Montillo e Nenê, sou obrigado, como alguém que entende música de ouvido, a preferir o argentino. Mas há pontos a ponderar…

Montillo não é um meia prendedor de bola e distribuidor de jogo, como seria o substituto ideal de Ganso. É mais um ponta de lança, como Robinho e Nenê, mas não tem, para o santista, um décimo do carisma de Robinho. O ideal seria mesmo Riquelme, se estivesse em plenas condições clínicas. E, mesmo que não fosse para atuar em todas as partidas, e aceitasse um salário menor, eu chamaria Marcos Assunção para conversar. Está na hora de o Santos transformar faltas na entrada da área em gols.

Há 20 dias enviamos 25 perguntas a Álvaro de Souza

Importante membro do comitê gestor do Santos, Álvaro de Souza recebeu 25 perguntas desde blog no dia 10 de dezembro, portanto, há 20 dias. Como explicou o assessor de imprensa do Santos, Arnaldo Hase, as respostas deveriam demorar mesmo algum tempo, já que Souza é conselheiro de várias empresas importantes – entre elas a problemática Gol – e só depois de cumprir seus compromissos de final de ano com essas empresas é que se debruçaria sobre as perguntas enviadas pelos santistas deste blog.

Continuamos aguardando pacientemente pelas respostas. Sugiro que da mesma forma que presta contas às outras empresas para as quais trabalha, Souza deveria encarar essas respostas como uma prestação de contas à gigantesca comunidade de santistas que ou lê o blog, ou acaba sabendo dos temas tratados aqui.

Para alegrar o domingo, trago uma homenagem dos compositores Ricardo Peres e Bio Peres – e muitos intérpretes de valor – à alegre, orgulhosa e irreverente cidade geradora de craques. Veja e ouça “Santos, obra-prima da mãe natureza”:

E você, o que acha disso tudo?