Um conceito que este blog sempre defendeu é que o futebol europeu não é tão poderoso e perfeito quanto alguns jornalistas de tevê por assinatura querem fazer parecer. Hoje isso ficou evidente. Com uma determinação inquebrantável, um equilíbrio psicológico surpreendente e uma disposição tática elogiável, o Corinthians mereceu vencer o Chelsea por seu resultado preferido – 1 a 0, gol do ótimo Guerrero –, acabou com o sorriso presunçoso do técnico Rafa Benitez e deixou lições que devem ser aprendidas e saboreadas pelos grandes times brasileiros, como o nosso querido Santos.

Tudo bem que o Barcelona é um time bem superior ao Chelsea, mas os santistas devem estar se perguntando se realmente não havia nada a fazer contra o esquadrão espanhol no ano passado – como fez transparecer o técnico Muricy Ramalho meses antes da decisão – ou era possível, sim, criar um sistema tático e um clima motivacional que pudesse levar o Glorioso Alvinegro Praiano à vitória, como esse trabalhador Tite elaborou para o alvinegro de Itaquera.

É importante destacar que o Chelsea, campeão europeu de 2011, ao bater surpreendentemente o Barcelona, tem um elenco caríssimo – a ponto de manter Oscar no banco de reservas –, é patrocinado pelas libras suspeitas do bilionário russo Roman Abramovich, dirigido pelo badalado Rafa Benitez e mesmo assim, depois de uma superioridade inicial, foi sendo dominado aos poucos pelo alvinegro paulistano, chegando a manter-se na defensiva em boa parte do segundo tempo. Esta partida mostrou que um bom e motivado time sul-americano ainda pode levar a melhor sobre o campeão europeu.

Esse resultado deixa evidente, para mim, que uma Conmebol mais organizada, capaz de emprestar segurança e valorização às competições sul-americanas, tornará plenamente possível a realização de espetáculos à altura dos que hoje só se pode assistir nos gramados europeus.

Note ainda que entre os jogadores corintianos não há nenhuma estrela. O elenco do Santos, por exemplo, é considerado mais valioso do que o do rival (algo que deveria ser repensado). Quase todos os jogadores do atual campeão do mundo vieram de equipes menores do Brasil. O que isso prova? Que não é um ou outro grande nome que garantirá o sucesso de uma equipe, como parece ser a filosofia da diretoria santista. O rendimento excepcional vem do conjunto, da harmonia entre os jogadores e da motivação geral que cria a sinergia necessária para os grandes triunfos.

A contratação da maioria dos jogadores corintianos não dependeu de fortunas, e sim de pesquisa de mercado e trabalho. Nenhum deles foi tão caro como Elano ou Ibson, por exemplo.

Veja que Santos e Corinthians têm potenciais parecidos, tanto que este ano, em cinco jogos, o Alvinegro Praiano saiu com o saldo positivo de uma vitória (venceu no Paulista e no Brasileiro e teve mais dois empates), sem perder nenhum dos dois jogos que fez no Pacaembu, com torcida contra. A única derrota, na Vila, pela Libertadores, por um mísero 1 a 0, acabou determinando a diferença radical do desempenho dos dois times no resto do ano. Eu diria que aquela semifinal apontou o caminho das duas equipes no segundo semestre.

Sei que muitos santistas prefeririam que eu não falasse deste Mundial e do título do Corinthians. Respeito a dor dos que têm bons motivos para torcer contra o alvinegro que ganhou um estádio de graça do governo, além de seguidas benesses típicas de um país populista. Mas, se queremos que um dia o futebol volte a ser como era, em que os méritos alheios eram reconhecidos, isso tem de começar desde já, mesmo em um blog de santistas. E a verdade é que a conquista foi merecida, o Corinthians ganhou o seu primeiro título mundial sem nenhuma contestação e realmente merece o status de melhor time do mundo em 2012.

E assim como o alvinegro de Itaquera aprendeu muito com sua queda para a Série B do Brasileiro em 2007, que o Santos faça um balanço de suas virtudes e defeitos desde a final do Mundial de 2011 e se prepare para manter a excelente média de dois títulos por ano em 2013. O bom do futebol é que a vida segue e o tempo cura todas as feridas. Vai Santos!

E você, o que aprendeu com o título do outro alvinegro?