Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: dezembro 2012 (page 2 of 4)

Um Feliz Natal aos santistas! E aos outros também!


Por falta de um cartão de Natal específico, utilizo-me daquele que o RPN fez para o blog no Natal de 2010, quando a CBF unificiou os títulos brasileiros. Mas sou eu quem agradece a todos pelo prestígio!

Gosto do Natal. É um momento de reflexão, de amor, de tranqüilidade. Momento de estar ao lado de quem amamos e que nos ama (e que outra definição melhor pode haver para a sensação de felicidade?).

Momento de analisar o que fizemos – de bom e de errado – e tentar melhorar. Sempre.

De tentar ser mais compreensivo com os que pensam diferente de nós, dos que torcem para outros times, por exemplo.

Você sabe que prefiro conviver com santistas, pois reconheço neles o mesmo senso estético e ético que aprecio, mas também tenho amigos que ainda não encontraram e talvez nunca encontrem o caminho da justiça e da verdade. Paciência. Tento entendê-los mesmo assim.

Se não dermos o primeiro passo em busca do entendimento, a vida e o futebol prosseguirão uma eterna guerra. Por mais fanáticos que sejamos às vezes, sabemos que a paixão por um time não pode ser mais importante do que o carinho e o respeito entre as pessoas.

Se em algum momento, durante este ano, eu infringi estas regras, e sei que as infringi, penitencio-me. Peço desculpas a quem ofendi. O fato de torcer para o time mais espetacular que já existiu não me dá o direito de me achar melhor do que ninguém. Cada torcedor traz no seu coração os motivos de seu amor, e isso deve ser respeitado. Amalucados torcedores do Alvinegro de Itaquera, um abraço para vocês!

Que vença sempre o talento, a arte, a eficiência. Enfim, que vença o melhor e que saibamos, todos, reconhecer esse mérito.

E, o que é mais importante, saibamos reconhecer também o mérito e o esforço dos perdedores, pois sem eles não há o maravilhoso arrebatamento da competição.

No começo deste ano, por julgar importante não interferir na veia crítica deste blog, e por fazer com que ele se tornasse uma voz independente entre os santistas, fui punido pela diretoria do clube, que me excluiu do filme do Centenário e me destituiu do cargo de coordenador do Centenário do Santos.

Não é agradável lembrar isso agora, mas é bom saber que nada impediu que este espaço continuasse aberto, vivo, fiscalizador. Creio que daqui partiu a veia crítica que hoje faz os santistas serem mais exigentes com essa diretoria que muito prometeu e pouco, ou nada, fez.

Mas, como em todo Natal, a esperança está mais viva do que nunca. Os anjos trarão um 2013 cheio de realizações. Nós merecemos. Pode fazer o seu pedido!

Feliz Natal!

E você, que pedido fará ao Papai Noel?


Magia da CBF põe o ranking nacional de ponta-cabeça

Desculpem, mas tenho de tirar o chapéu para a CBF. Os caras não são fracos, não. Sabe aquele número de magia em que um espectador escolhe uma carta, o mágico embaralha pra cá e pra lá, manda alguém da plateia cortar o baralho e ao tirar a carta esta é justamente a que tinha sido escolhida?! Pois é. A CBF tem esse incrível dom e o demonstrou, mais uma vez, ao elaborar o seu novo ranking de clubes.

Em primeiro lugar, não é preciso ter poderes extraordinários para perceber que, neste país, quem domina a política do futebol tem a sua vida facilitada também no campo de jogo. E também não é preciso ser bidu para notar que dos quatro times grandes de São Paulo, dois vivem períodos de privilégios por parte da CBF – o alvinegro de Itaquera e o tricolor do Morumbi –, enquanto os outros dois, perseguidos indisfarçadamente, tentam sobreviver ao momento desfavorável.

Os próprios leitores deste blog já me alertavam: com a influência de Mano Menezes, Andrés Sanchez, Ronaldo e Lula, abençoados pela Rede Globo, e a presidência da CBF caindo no colo do medalhista são-paulino José Maria Marin, podíamos esperar medidas que favoreceriam esses dois times, em detrimento do Alviverde e do Glorioso Alvinegro Praiano. Eu lia, mas não queria acreditar – assim como costumamos não acreditar nas mágicas que vemos nos circos da vida, até que elas acontecem.

Pois note, o senhor e a senhora e todo o distinto público, que a CBF transformou um ranking nacional que tinha o Palmeiras em primeiro, o Santos em segundo, o Corinthians em sexto e o São Paulo em nono, em um ranking no qual Santos e Palmeiras foram os que mais caíram e adivinhe só qual foi a dupla que mais subiu? Isso mesmo, o alvinegro de Itaquera e o tricolor do Morumbi.

Na verdade, quem subiu mais, mesmo, foi o Fluminense, que saltou de décimo-segundo para primeiro, enquanto o alvinegro paulistano subiu de sexto para segundo; o tricolor paulista pulou de nono para quarto; o Palmeiras caiu de primeiro para oitavo e o Santos, de segundo para nono.

É que agora, em uma decisão que só foi divulgada há dois meses, o ranking só vai contar os últimos cinco anos! A explicação do diretor de competições da CBF, Virgílio Elísio, é a de que o ranking pretende representar melhor o momento presente dos times. Tudo bem. Mas por que cinco anos? Se vivemos em uma sociedade decimal, em que o tempo é dividido em décadas e seus múltiplos – séculos, milênios –, por que cinco anos?

Se este novo ranking já estava decidido desde o início de 2011, por que a CBF esperou 2012 inteiro para só então divulgá-lo? Só sei dizer que se contasse de 2002 a 2011, ou mesmo só de 2007 a 2011, o Santos estaria entre os primeiros. Excluir 2002 e 2007 fez o Alvinegro Praiano ficar bem abaixo do que poderia. Teria sido apenas coincidência?

O torcedor do Santos sabe que seu time é um dos melhores do País e nos últimos 11 anos participou de sete Libertadores, ganhou dois títulos brasileiros (e foi duas vezes vice), uma Copa do Brasil, uma Libertadores (e foi uma vez vice), cinco Paulistas, uma Recopa e foi a equipe de futebol do Brasil que mais jogadores cedeu à Seleção Brasileira, além de revelar Robinho, Diego, Neymar, Alex, Arouca… Que nos desculpem os adversários, mas ver o Santos em nono lugar em um ranking nacional, atrás de tantas equipes que nesse período só tiveram alguns lampejos, só pode ser magia. Negra.

Mas, por outro lado, a capacidade de fazer rankings da CBF – que deve ser a mesma de sortear chaves de competições eliminatórias – deixa o torcedor brasileiro otimista. Se os sorteios dos jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo forem elaborados com tanta perícia, certamente a Seleção Brasileira terá grandes possibilidades de ser campeã. Não fique surpreso se, em um mesmo grupo, caírem, por exemplo, Alemanha, Espanha, Argentina e Holanda, enquanto o Brasil for sorteado contra Camarões, Japão e Costa Rica… Espere e verá.

E você, o que achou do novo ranking mágico da CBF?


Contratar por contratar não adianta

Muitos leitores têm me pedido para criticar a diretoria do Santos por não contratar jogadores de prestígio. Querem Robinho, Montillo, Nenê… mas temem que outros clubes atravessem o negócio e, como tem acontecido, deixem o Alvinegro Praiano a ver navios. Porém, antes de simplesmente cair de pau, sugiro que analisemos com calma a situação.

Como exigir um alto investimento sem saber ao certo a real situação financeira do clube? Se a dívida for muito alta, uma contratação milionária vai afundar ainda mais o buraco. Lembro que uma receita infalível para levar um clube à inadimplência é gastar muito mais do que arrecada. A história do futebol brasileiro está repleta de exemplos do que não se deve fazer.

Parece brincadeira, mas nos seus 23 anos de fila, em que era um resplandecente saco de pancadas do Santos, o alvinegro paulistano gastou o que tinha e, principalmente, o que não tinha, para montar times que pudessem fazer frente ao melhor do mundo: Garrincha, Almir Pernambuquinho (apelidado de “Pelé Branco”), Paulo Borges, Flávio, Buião, Ado… Muito se investiu, desordenadamene, em busca de vitórias e títulos que jamais se concretizaram.

Pois o que vale, mesmo, não é contratar por contratar, não é contratar pelo nome, mas sim pelo rendimento técnico e físico do atleta e pela necessidade tática e psicológica do time. O Santos precisa, prioritariamente, de jogadores – um ou dois – que tenham categoria, visão e personalidade para comandar a equipe a partir do meio-campo. Um jogador estilo Riquelme, Ganso, Marcos Assunção (desde que não tenham problemas físicos).

Um outro aspecto a ser analisado é que esta diretoria e este comitê gestor, positivamene, não são do ramo, ou seja, não sabem avaliar jogadores. Neste mesmo blog estampamos o escandaloso título “Bill Não!”, tentando prevenir para a bola fora que seria comprar 100% dos diretos do terceiro reserva corintiano. Mas ninguém nos ouviu e o negócio foi feito. Hoje, meses depois, perguntamos: onde está Bill, que pouquíssimo foi utilizado? Quem se responsibilizará por esse prejuízo anunciado aos cofres santistas?

Quem se responsabilizará, ainda, pela contratação milionária de Ibson, que depois foi trocado por Galhardo e David Braz, que praticamente não jogaram no Santos e hoje já estão indo embora? Quem se responsabilizará pela troca de Elano pelo descartável Miralles? Enfim, o torcedor perdeu totalmente a confiança nas decisões do departamento de futebol e no comitê gestor do Santos.

Por fim, ainda resta ao time a estrela-guia que se chama Neymar, o Menino de Ouro capaz de mudar a sorte de jogos aparentemente perdidos… Ainda restam também bons goleiros, zagueiros experientes, o incansável Arouca e o emergente Felipe Anderson. Nem tudo está perdido. Algumas poucas contratações, porém cirúrgicas, poderão gerar uma equipe que ao menos brigará pelos títulos das competições menores.

Dos nomes aventados, qual eu gostaria? É difícil analisar de longe, sem saber a real condição física e clínica de cada atleta e sem estar a par do exato investimento requerido. Mas eu analisaria a possibilidade de ter Montillo ou Marcos Assunção no meu time. Creio que, taticamente, seriam mais importantes do que Robinho e Nenê. Mas esperarei com calma pela melhor decisão.

E você, acha que contratar sempre é bom, ou é preciso estudar bem antes de investir?


Os riscos proibitivos de um estádio em Cubatão


Vale a pena construir um estádio ali só porque o terreno é de graça?

Tana Blaze é o psedônimo de um respeitável santista que há anos vive na Europa. Experiente em várias áreas, ele nos concede, com o texto abaixo, uma visão profissional, imparcial e profunda da possibilidade aventada da construção de um estádio em Cubatão. Publico-o e assino embaixo, pois considero este texto o mais esclarecedor sobre a questão “construção de estádios de futebol” que já li.

Por Tana Blaze, um santista internacional

1 – O mau e o bom exemplo do Palmeiras para o Santos

A queda do Palmeiras é resultado do desequilíbrio financeiro de longa data. Ao ser rebaixado foi obrigado a pedir mais um adiantamento de 10 milhões de reais à Rede Globo, dinheiro que faltará no futuro e que deve se somar ao montante de pagamentos antecipados de cotas da Globo de 67 milhões de reais, já existentes no passivo do balanço de outubro de 2012. As dívidas financeiras do Palmeiras também são nitidamente superiores às do Santos. No exercício de 2011 as despesas financeiras líquidas alviverdes atingiram 26 milhões de reais.

Mas, ao contrário do que se possa imaginar, os investimentos na nova Arena Palestra não contribuíram com nenhum centavo para a situação precária do alviverde, pelo menos na fase da construção, pois são feitos por conta e risco da WTorre. Também porque ninguém neste mundo daria crédito ao Palmeiras, muito menos no montante do investimento no novo estádio.

Foi com base na ótima localização do Parque Antártica, em região central e valorizada de São Paulo e ligado ao metrô, que a WTorre resolveu construir o estádio por conta própria, que deverá se amortizar com eventos, jogos de futebol de mando do Palmeiras e vendas de camarotes e cativas. A WTorre, para a qual foi passada a escritura do terreno, será proprietária do estádio durante 30 anos, arcará com os custos de manutenção e reterá um percentual significante das receitas da venda de ingressos de jogos de futebol e outros eventos.

Apesar das críticas da administração Tirone à predecessora, o contrato com a WTorre é em princípio um bom negócio para o Palmeiras. Mas com os adiantamentos da Globo já torrados e com dívidas muito altas e imóveis penhorados, a retenção da receita de bilheteria pela WTorre, não irá facilitar a vida do clube. O risco de falência do Palmeiras persistirá no futuro próximo, menos por causa da construção do estádio e mais devido à dívida imensa acumulada antes da construção.

Indubitavelmente, além do tamanho da torcida, a ótima localização do imóvel do Palmeiras foi determinante para o investimento inteiramente financiado por terceiros, com ótimas possibilidades de ser autossustentável e mais do que isso, altamente rentável.

O exemplo do Palmeiras mostra duas coisas ao Santos:

Primeiro como é perigoso um clube permanecer excessivamente endividado e que a atual administração do Santos fez muitíssimo bem em priorizar o saneamento financeiro.

Em segundo lugar o exemplo do Palmeiras mostra que se o estádio do Santos for construído numa localização ótima, haverá a possibilidade de um investimento por conta de terceiros, sem garantias por parte do Santos, caso este não se amortize para o investidor no prazo esperado.

A retenção de parte das receitas de bilheteria por um investidor nos jogos de mando do Santos, seria justificável, visto que a receita de bilheteria atual da Vila Belmiro não chega a ser alta, podendo ser compensada por outras vantagens decorrentes do estádio, como o aumento do número de sócios. Portanto é perfeitamente possível construir um estádio, sem que os cofres do Santos sejam onerados na fase de construção. Desde que a localização do terreno seja ótima.

2 – A localização para a construção de um estádio sem ônus para o Santos

Se indagados sobre quais seriam os três critérios mais importantes para a escolha de um imóvel em ordem decrescente, corretores imobiliários de qualquer parte do mundo possivelmente dariam aquela resposta clássica: primeiro a localização, segundo a localização e terceiro a localização.

Com o maior respeito por Cubatão, sofrido pela poluição química e visual, para que milhões pudessem ser beneficiados com aço e produtos químicos, acho que mesmo com a redução exemplar da emissão de poluentes, Cubatão não entusiasmará nenhum investidor sério a construir um estádio na base de risco próprio, como fez a WTorre. E se arriscar, vai ter um risco alto de se dar mal. Imagino até que a diretoria do Santos disponha de um estudo de mercado que viabilize um estádio em Cubatão. Infelizmente muitos estudos definem mercados ao gosto de quem os encomenda. Muitos investimentos fracassados foram baseados numa apreciação do mercado furada, um “wishful thinking“. Tanto um shopping center, como um centro de convenções ou um hotel ligados a um estádio em Cubatão seriam facilmente ofuscados por equivalentes em locais mais aprazíveis em Santos ou Guarujá, perto da orla. Tampouco paulistanos irão descer a serra, pagar pedágio apenas só para ir a um shopping center.

O fato de o Santos, em jogos de mando principalmente na Vila Belmiro, MESMO COM O NEYMAR, ter um dos três ou quatro piores públicos do Brasileirão, prova cabalmente que 1) a torcida do Santos na Baixada disposta a ir aos estádios é pequena e 2) que torcedores santistas do planalto pouco descem a serra para assistir aos jogos. Então construir um estádio gigante para poucos espectadores na Baixada?

A Aglomeração Urbana de São Paulo, incluindo Campinas, Baixada Santista e Mogi das Cruzes, têm cerca de 30 milhões de habitantes. Destes, menos de dois milhões estão na Baixada Santista e 28 milhões no planalto. Ademais, grande parte da torcida santista está em regiões interioranas do além Campinas e chega mais facilmente a São Paulo do que a Cubatão. Então de qual lado da barreira representada pela Serra do Mar construir o estádio? Não em porcentagem, mas em número há comprovadamente mais torcedores santistas em São Paulo do que na Baixada.

3 – A vantagem estratégica do Santos em ser o último da fila, podendo “pagar para ver”

Por ser o último dos grandes paulistas a construir um estádio grande, o Santos terá o privilégio de poder incluir itens que sejam mais competitivos que os do Morumbi, Palestra e Itaquerão. Poderá obsoletar com uma só cartada os monstros de concreto armado dos rivais.

O Morumbi já nasceu obsoleto para o futebol, porque os assentos estão muito distantes do campo, devido à pista de atletismo. Além do mais, tem hoje muitos pontos cegos. O Vilanova Artigas nunca deve ter ido a Epidauro e ao alçapão. Uma temeridade o São Paulo investir mais de 300 milhões de reais neste complexo obsoleto. O sucesso do Morumbi se deveu unicamente ao fato de que não tinha concorrência. Os três estádios rivais não terão muitos estacionamentos. O Palestra e o Morumbi, ao contrário de como se auto intitulam, são apenas parcialmente multiuso, porque o céu aberto e o gramado representam limitações. A parte dos dois estádios que é coberta além da arquibancada e tem forma de meia elipse formará o anfiteatro, que permite shows, mas não serve para jogos de cancha coberta sobre outros pisos.

O Itaquerão nem se define por multiuso. A AEG, Anschutz Entertainment Group, que promove eventos ao vivo, e que fechou um contrato com a WTorre, teria se recusado a fechar com o Corinthians por considerar o Itaquerão muito distante do Centro, numa região pouco atraente.

Quais seriam os itens que permitiriam a um estádio do Santos superar em termos de competitividade os três estádios rivais? Fora os sempre comentados, como maior numero de estacionamentos, existem os dois itens que levariam a um multiuso mais amplo, mas requereriam um investimento maior: a cobertura completa e o gramado trocável por outro piso, atualmente existente apenas em quatro estádios do mundo.

A possibilidade de cobertura completa e de variação dos pisos permitiria jogos de quadra coberta, utilizando apenas uma metade do campo e montando uma arquibancada móvel no meio do campo, ou em outra posição desejada, para “fechar” a quadra, podendo assim realizar campeonatos de tênis, basquete, vôlei, handebol, lutas e outros. O estádio aberto poderá assim se converter num ginásio para jogos de quadra coberta. Fora toda a gama de esportes e shows, os estádios comportam hoje missas, circos, rodeios, tractorpulling, corridas speedway, motorcross, de monstercars, stock-cars e touring-cars, sem falar dos esportes sobre neve e gelo artificial. Tudo sem necessitar estragar o gramado.

Quem nunca viu gramado rolando para fora ou dentro do estádio, para alternar com outro piso, poderá ver no Youtube “Making of Stadium- Rolling Field”, mostrando o estádio da Glendale University em Phoenix, Arizona, finalizado em 2009, que é um dos quatro no mundo do gênero. O seu campo de grama para futebol americano foi plantado sobre uma bacia gigante de aço que pode ser rolada hidraulicamente para fora do estádio, abrindo espaços para outros eventos. Um quinto estádio, o Grand Stade Métropole em Lille, com 50.000 lugares para jogos de futebol e de rugby, inaugurado em 2012, adotou outra solução. Uma metade do gramado pode ser içada a uma posição acima da outra metade do gramado fixa, abrindo assim o espaço de uma metade do campo para outros eventos, denominada por “Boîte à Spectacles”.

A Arena Veltins em Gelsenkirchen na Alemanha do Schalke, com 61.000 lugares para eventos nacionais ou 54.000 pelo padrão da FIFA, inaugurada em 2001 e utilizada na Copa de 2006, cujo gramado também pode se rolado fora do estádio e com cobertura que pode fechar completamente, é um estádio verdadeiramente multiuso. A arena custou de 350 milhões de Marcos, ou seja, 179 milhões de Euros e estará amortizada ao cabo de 17 anos em 2018. À taxa de câmbio atual e considerando a inflação acumulada na Alemanha de 20% no período de 11 anos, custou a valores atuais cerca da 600 milhões de reais.

A Arena do Schalke é também palco em perímetro reduzido para jogos de quadra, como handebol, e já foi palco em perímetro completo com teto fechado de duas lutas dos irmãos Klitschko com público de até 61.000 espectadores por luta. Sem falar dos biathlons sobre neve artificial e de óperas. Se considera “a maior casa de ópera do mundo”, já tendo passado Aída, Carmen, La Traviata, Turandot.

Outra vantagem do gramado rolante é a velocidade com a qual o estádio pode ser readaptado. Seria possível jogar uma final de basquete ou tênis e poucas horas depois promover um jogo de futebol no gramado intacto e refrescado pelo ar livre.

Não postulo que o investidor aliado ao Santos tenha de construir um gramado que possa rolar para fora do estádio e um teto que feche completamente, mas pelo menos poderia construir de tal forma que estes itens possam ser agregados no futuro, sem que sejam necessárias demolições.

O desafio do Santos será competir com a proximidade do metrô dos estádios rivais.

4 – Como investir a poupança do Santos. Ou: a localização do estádio é tudo

Em vez de fazer uma loucura pelo Robinho, que tem poucos anos de futebol pela frente, utilizaria os 15 milhões de euros, dos provavelmente 30 milhões de redução de dividas ao término da atual gestão, na compra de um terreno favorável para a construção de um estádio num local bem servido por transportes públicos no planalto paulista. Terrenos costumam até valorizar e em caso de imprevisto podem ser revendidos. A recusa da AEG de fazer uma parceria com o Corinthians por causa da localização do Itaquerão mostra mais uma vez a importância preponderante do critério localização.

O Grêmio também não caiu na tentação de uma oferta gratuita de um terreno por parte de município que não tenha a localização adequada. Abandonou o estádio Olímpico porque não era autossustentável. Comprou um terreno por 50 milhões de Reais, ou seja, cerca de 17 milhões de euros, para construir uma arena multiuso com ótimas possibilidades de ser autossustentável.

Se o Santos não estabelecer uma presença no lado da barreira da Serra do Mar, no qual estão 28 milhões de habitantes, só por causa de uma oferta de terreno gratuita em Cubatão, daqui a 20 anos arriscará voltar a ser um time que só terá presença na Baixada, como antes de 1955. Antes do advento do Neymar a sua torcida com idade menor de 24 anos, vinha caindo na Grande São Paulo de 10% da era Pelé para 3%.

O Santos terá que agir como o Grêmio e comprar um terreno muito bem localizado, para, como o Palmeiras, poder arranjar um investidor que construa o estádio por conta própria. Se não em Diadema perto da Imigrantes, talvez no local de uma fábrica velha perto de uma estação da Ferrovia Santos-Jundiaí. Ou mesmo em São Paulo nas imediações da Estação de Metrô Santos –Imigrantes, perto da Imigrantes e da Anchieta. O nome da estação de metrô dedicado ao Santos parece até convite para construir neste local, por sinal bem melhor que Itaquera. NOMEN EST OMEN, nome é destino!

Se a localização for ótima, seria possível que investidores participem também no financiamento do terreno. Com um estádio verdadeiramente multiuso, pode-se angariar multi-patrocínios. Aos dos que patrocinam o futebol, poderiam se juntar os que patrocinam jogos de vôlei, basquete, tênis, lutas e outros. Multiuso não é moda nem luxo, é investir mais para aumentar a ocupação do estádio de forma significante, diluindo os custos e reduzindo o tempo de amortização.

Mesmo que o público de apenas 15.000 pessoas, que foi ver o show da cinquentona Madonna, que veio pouco depois da Lady Gaga, tenha sido considerado pequeno, a receita de bilheteria de estimados três milhões de reais, assumindo-se um preço médio de 200 reais por ingressos, foi superior a qualquer renda de jogo de Brasileirão. A grande importância financeira dos eventos, acaba de ser manifestada com o desespero do São Paulo em investir um valor superior a 300 milhões de reais no Morumbi obsoleto, copiando o ”anfiteatro” do Palestra, para tentar salvar o possível face à nova concorrência do Parque Antártica. Investimento que não é feito para os torcedores da arquibancada superior, que ficaram 50 anos no sol e na chuva, mas para os que visitam os shows. Os preços de ingressos para certos eventos chegam a ser múltiplos dos preços de ingressos do futebol.

O Santos deveria tentar tocar um projeto baseado num terreno ótimo, bem servido por transportes públicos, junto a incorporadores, investidores e diversas entidades esportivas e de eventos que se interessem por compartilhar uma arena multiuso. Pena que o beisebol, o rugby e o futebol americano não sejam populares no Brasil, porque o estádio Sapporo Dome no Japão, no qual foram realizados jogos da Copa de 2002, tem um gramado rolante para os jogos de futebol do Consadole Sapporo e um gramado sintético rolante para partidas de beisebol do Hokkaido Nippon, dois clubes que ali mandam as suas partidas e dividem os custos.

5 – Melhor nada fazer, que deixar um legado ruinoso

Apesar da opinião contrária de muitos santistas, a Globo informou em 7 de dezembro que o Projeto Cubatão continua na mira da direção do Santos. Parece que a direção do Santos está preparando a torcida para um estádio em Cubatão, soltando pequenos “press releases”, que acabam virando um fato consumado.

Receio o mesmo raciocínio que fez a direção mirar o Bill. Num caso mirou a gratuidade dos direitos do Bill, noutro caso estaria mirando o preço vantajoso do terreno em Cubatão. Sem considerar que o custo de oportunidade poderá ser ruinoso para o Santos, na medida em que a torcida santista do planalto não comparecer e empresários não conseguirem colocar eventos de valia econômica.

Melhor que deixar um legado ruinoso em Cubatão ou do tipo arrendamento do Pacaembu, seria aguardar e deixar a decisão para uma administração futura, com base numa melhor oportunidade e um projeto bem fundado.

Esperava-se desta administração, com seu Comitê de Gestão composto por executivos de topo, familiarizados com grandes transações, em contato com os setores importantes da economia, como foi o Luiz Gonzaga Belluzzo no Palmeiras, e com um presidente que se rotula como um dos maiores peritos em assuntos imobiliários no Brasil, um projeto bem estruturado e ofensivo com um grupo de trabalho e análise e desenvolvimento de diversas opções no que se refere à questão do estádio. Nada disso parece acontecer.”

Existindo a chance histórica de superar os estádios do trio da capital, com terceiros financiando parte do projeto por conta própria, seria nefasto o Santos se apequenar para escanteio em Cubatão.

Você acha que o Santos ter estádio em Cubatão, ou escolher uma localização melhor?


Para o Datafolha, torcidas de Fluminense e Lusa têm o mesmo tamanho

Sou Cunha, portanto tenho um pé lá na terrinha e nutro alguma simpatia pela Portuguesa, mas até os torcedores mais fanáticos da Lusa estão a rir desta última pesquisa do Datafolha que coloca empatadas, no 12º lugar, as torcidas do campeão brasileiro Fluminense; do popularíssimo Bahia e dela, a humilde e batalhadora Portuguesa, as três com 1% dos torcedores do Brasil.

A divulgação da pesquisa gerou até uma resposta – muito bem educada, por sinal – do jovem e competente presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, que depois de expor fatos e argumentos irrefutáveis a respeito da grandiosidade da torcida bahiana, terminou com o parágrafo lapidar:

“O Esporte Clube Bahia espera que o Datafolha aprofunde os seus métodos de pesquisa na próxima vez em que for abordar este tema, para que o resultado não fique tão longe da realidade, o que acaba arranhando a imagem e credibilidade desta nobre instituição”.

Sim, vamos torcer, presidente, para que as próximas pesquisas tenham resultados menos absurdos, mas não estou nada otimista. Não se vê nenhuma pesquisa repetir o resultado de outra, ou ao menos ser coerente com outra. A cada uma realizada por estes institutos, grandes surpresas nos esperam.

Falta muito mais abrangência nessas pesquisas

Nesta última pesquisa a Datafolha diz ter consultado 2.588 pessoas, de 160 cidades brasileiras. Isso quer dizer que ouviu 0,001% dos habitantes do País, que moram em 2,7% das cidades brasileiras. Ou seja: das 5.565 cidades do território nacional, 5.405 não tiveram uma viva alma ouvida nessa pesquisa.

Dizem que o grande obstáculo para uma pesquisa de torcidas mais abrangente é o investimento necessário, pois para se consultar moradores de mil cidades seria necessário mais de um milhão de reais. Mas, se é para fazer de uma maneira precária, como tem sido, é melhor não fazer nada – até porque esses resultados distorcidos acabam sendo utilizados espertamente pelos clubes beneficiados.

Os que defendem essas pesquisas dizem que são “científicas” e por isso conseguem, de um microscópico estrato da população e dos municípios, traçar com perfeição o quadro geral de um país continental como o Brasil. Porém, só o fato de chegar à conclusão de que as torcidas de Fluminense e Bahia têm o mesmo tamanho dos aficionados da Portuguesa já mostra que há algo de muito errado nesse método.

Para mim, devido às particularidades do povo de cada região deste País, das características próprias de cada cidade, é impossível dar uma idéia geral das preferências do brasileiro consultando um universo tão pequeno de pessoas. Muitos fatores podem fazer com que habitantes de cidades próximas, de mesma classe social, idade e poder econômico, tenham preferências diversas.

Para melhor elucidar o que estou dizendo, lembrarei uma recente pesquisa da própria Datafolha, sobre a mesma questão das torcidas de futebol, desta vez nos bairros de São Paulo: divulgada este ano, a pesquisa mostra que no bairro de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da Capital, o Santos tem 11% dos torcedores (1% a mais do que o Palmeiras, 1% a menos do que o São Paulo), e em dois bairros contíguos, Penha e São Miguel, têm 7%. Ora, como explicar uma queda de 36,3% em uma região com as mesmas características de população? Ou, como explicar que haja tantos mais santistas em Ermelino Matarazzo?

Bem, cada cidade, bairro, vila ou aldeia deste País, como eu disse, tem um comportamento e uma história que nem sempre é similar ao comportamento e à história de seus vizinhos. Que fato, que situação, fez com que o número de santistas fosse maior em Ermelino Matarazzo não se sabe, mas o fato é que essa foi a constatação da pesquisa do Datafolha, que ouviu 25.534 moradores da cidade de 11.316.000 habitantes entre 5 de maio e 10 de agosto.

A importância da Timemania como pesquisa de torcidas

Em 2012 a Timemania teve, até o sábado passado, dia 15 de dezembro, 125.217.741 apostas. Cada apostador, como se sabe, marcou no volante o seu “time do coração”.

Não se sabe quantas pessoas participaram da Timemania em 2012, mas em um único teste, o de número 376, de sábado, jogaram 776 mil pessoas.

Pesquisas da Caixa Econômica Federal com relação à Mega Sena demonstram que mais de 98% dos apostadores preenchem apenas um cartão. Acredito que a porcentagem de apostadores únicos da Timemania seja a mesma, ou maior.

Há dois anos, 62,8% das 5.565 cidades brasileiras tinham casas lotéricas. Tudo indica que essa abrangência aumentou, pois o número de casas lotéricas saltou de 9.000 para 11.321 no período.

Em 2010 e 2011 a ordem dos seis times mais votados na Timemania continuou a mesma. Em 2012 houve duas mudanças – sobre as quais falarei a seguir – mas o grupo continuou o mesmo.

Dentre os argumentos de quem teima em negar a importância da Timemania como termômetro do real tamanho das torcidas nesse continental Brasil, há o de que boa parte das apostas é decidida por pela “surpresinha”, na qual o apostador deixa o computador escolher seus números. Sim, mas antes o apostador já escolheu o seu “time do coração” e isso explica porque a ordem dos clubes mais votados não tem sofrido alteração, ano após ano.

Outro argumento dos opositores é que a Timemania revela apenas o percentual de apostadores entre os idosos, pois, segundo eles, esta faixa de público é a que mais se utiliza de jogos lotéricos. Bem, esta é apenas uma meia verdade, pois, segundo a Caixa, 25,4% dos apostadores brasileiros têm 55 anos ou mais, ou seja, apenas um quarto do total.

Por outro lado, só mesmo pessoas ignorantes e preconceituosas podem considerar brasileiros com mais de 55 anos inferiores, ou afastados dos destinos das instituições. É nesta fase da vida que as pessoas são mais cultas, ponderadas, civilizadas e, geralmente, ocupam cargos mais importantes na sociedade. Para quem não sabe, a média de idade do brasileiro acaba de alcançar 74 anos e 29 dias e é entre os chamados idosos que estão os líderes e as pessoas mais relevantes deste País.

Números coerentes com a realidade do nosso futebol

O que faz com que muitos desconfiem dos resultados das pesquisas dos institutos é que, mesmo adotando, supostamente, os mesmos métodos científicos, jamais chegam a resultados similares, quase sempre apresentando discrepâncias inexplicáveis, como este empate entre as torcidas de Fluminense e Portuguesa.

Na Timemania, ao contrário, as evoluções são quase imperceptíveis e obedecem a fatores mais palpáveis, que parecem se basear na popularidade anterior de cada agremiação, mas também leva em conta a fase que o time atravessa. Você não verá, na Timemania, um time em ascensão, com títulos e ídolos, ver o seu percentual de torcedores diminuir, assim como não será surpreendido por porcentagens exageradas para equipes que andam brigando contra o ostracismo.

Revelarei, agora, o resultado do teste de sábado. Antes, porém, gostaria de checar o seu feeling, prezado leitor e prezada leitora: você acha que diante dos últimos acontecimentos, o Corinthians, segundo colocado, estaria mais perto do Flamengo, o líder, mesmo um dia antes na final do Mundial de Clubes? E quanto à briga de Santos e São Paulo pelo terceiro lugar, você acredita que com o título da Copa Sul-americana e as últimas boas exibições do Tricolor, ele superou definitivamente o Santos? E com relação a Palmeiras e Grêmio, que disputam o quinto lugar, quem será que ficou na frente no teste de sábado?

Bem, você já sabe as respostas, porque são lógicas. O Corinthians teve 43.664 apostas como o time do coração e ficou com 5,62% das apostas, apenas 0,13% abaixo do Flamengo, com 44.686 apostas. O São Paulo assumiu o terceiro posto, com 3,77%; o Santos está em quarto, com 3,60%, seguido por Grêmio, com 3,35% e Palmeiras, com 3,20%. Depois, até o décimo, seguem, pela ordem: Vasco da Gama, 3,10%; Internacional, 3,02%; Fluminense, 2,76% e Botafogo, 2,62%.

Note, porém, que o resultado de um único teste é o instantâneo do momento, que pode ser influenciado pela euforia dos vencedores e a depressão dos vencidos. Por isso, prefiro valorizar mais o resultado que mostra a posição dos times ao longo de todo o ano, ou, como define a Timemania, o “acumulado”.

Pelo retrospecto geral em 2012 só há uma mudança de posição com relação ao último teste: o Palmeiras ocupa o lugar do Grêmio na quinta posição, e o clube gaúcho cai para sexto. Não há qualquer surpresa desde que se analise o ano todo e não apenas o resultado final do Campeonato Brasileiro. Não se pode esquecer que neste ano o Palmeiras foi campeão invicto da Copa do Brasil, conquistando o seu primeiro título nacional após uma década de infortúnios.

Confira os times preferidos dos apostadores da Timemania em 2012

1º FLAMENGO 5,80% 6.624.991 votos
2º CORINTHIANS 5,60% 5.969.075
3º SAO PAULO 3,80% 4.493.437
4º SANTOS 3,60% 4.397.880
5º PALMEIRAS 3,20% 4.052.811
6º GREMIO 3,40% 3.914.036
7º VASCO DA GAMA 3,10% 3.788.776
8º INTERNACIONAL 3,00% 3.564.018
9º FLUMINENSE 2,80% 3.262.373
10º BOTAFOGO 2,60% 3.236.101
11º CRUZEIRO 2,20% 2.910.504
12º ATLETICO 2,30% 2.853.302
13º BAHIA 2,20% 2.553.664
14º FORTALEZA 1,80% 2.268.664
15º GOIAS 1,50% 1.845.687
16º VITORIA 1,50% 1.845.581
17º CORITIBA 1,20% 1.724.565
18º CEARA 1,30% 1.722.566
19º ABC 1,60% 1.663.901
20º AMERICA 2,50% 1.552.700

E você, acha que as torcidas de Fluminense e Portuguesa têm o mesmo tamanho?


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