Pedro Castro comemora o seu gol de pênalti que abriu a vitória, seguido por Neilton, que faria o segundo (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Divulgação Santos FC).

O maior objetivo de uma equipe de base é revelar jogadores, mas ganhar títulos mostra que, além de jogar bem, o time é unido e determinado. Depois de campeões paulistas de 2012, nesta sexta-feira de aniversário de São Paulo os Meninos da Vila venceram o Goiás de maneira inapelável por 3 a 1, em um Pacaembu com mais de 25 mil santistas, e deram ao Alvinegro Praiano o seu segundo título na prestigiada Copa São Paulo de Futebol Junior.

Com domínio total do jogo no primeiro tempo, o Santos foi para o intervalo com a vantagem de 2 a 0 – Pedro Castro, cobrando pênalti, e Neilton, penetrando livre e tocando na saída do goleiro – e parecia que o jogo estava definido.

Mas o valente Goiás voltou para a segunda etapa pressionando a saída de bola do Santos e marcou aos 2m50s, com Arthur, que entrou no lugar de Allef, penetrando pelo meio da defesa do Santos e batendo cruzado. Cinco minutos depois, em uma bobeada de Wallace, que acabou cometendo pênalti, Liniker teve o empate nos pés, mas acabou chutando para fora.

Aliviados, e incentivados pela torcida, os Meninos reagiram bem. Voltaram ao ataque e aos 17 minutos, após uma roubada de Giva, que tabelou com Neilton, o próprio Giva penetrou pela direita e bateu cruzada para fazer 3 a 1.

Dois gols atrás, o Goiás foi todo à frente e o Santos recuou, preocupado apenas em se defender e especular algum contra-ataque. Cansados e com dores, Léo Cittadini e Giva foram substituídos por Paulo Ricardo e Diego Cardoso. Leandrinho chegou a pedir substituição, mas acabou ficando em campo, assim como Neilton, que sentia o músculo da coxa, mas se segurou até o finalzinho, quando saiu para a entrada de Lucas Crispim.

A vitória e o título foram justíssimos. Mais experiente do que em outras oportunidades, este Santos Sub 20 é um time que tem categoria, mas não se esquece de que campeões também são feitos de muita garra.

Atuações dos campeões da Copa São Paulo

Gabriel Gasparotto: Calmo, seguro, desta vez saiu bem do gol quando preciso. Só precisa caprichar mais na reposição da bola. Pouco exigido – Nota 6,5.

Alison: É mais um volante do que um lateral. Apoia pouco, mas briga muito lá atrás – Nota 6.

Jubal: Foi a referência do Santos na defesa. Tranqüilo, preciso na maioria dos lances. Teve uma pequena falha no gol do Goiás, mas nada que comprometa sua boa performance – Nota 7.

Wallace: Tinha uma atuação discreta, até cometer a grande falha que gerou o pênalti do Goiás, em lance que poderia empatar o jogo. Poderia ter despachado a bola de primeira. Zagueiro não pode perder muito tempo na área – Nota 5.

Emerson Palmieri: O melhor do Santos no primeiro tempo. O pênalti que abriu o marcador se deveu à sua luta e inteligência. Caiu na segunda etapa, quando deixou de apoiar e também se cansou. Não é tão bom na marcação como no ataque, mas mesmo assim merece treinar entre os profissionais – Nota 7.

Lucas Otávio: Não fez uma de suas melhores partidas, mas lutou bastante, roubou bolas e com isso atrapalhou o meio-campo do Goiás – Nota 6.

Leandrinho: Não há dúvida de que tem muita categoria, mas precisa se empenhar mais na luta pela bola e caprichar mais nos passes – Nota 6.

Pedro Castro: Não é um craque, mas sua garra e experiência foram decisivas para o Santos controlar o meio-campo e, a partir daí, o jogo. Incansável, participou tanto de jogadas defensivas como ofensivas. Não cobrou bem, mas abriu o marcador com o gol de pênalti e apareceu na frente para finalizar em outras oportunidades. Há alguns anos lutava por um título como este pela categoria de base do Santos e acabou premiado – Nota 7,5.

Leo Cittadini: Não rendeu o que se espera dele. Errou passes no ataque e era facilmente driblado quando ajudava na marcação. Dá a impressão de que lhe falta mais resistência e força – qualidades que uma boa preparação física podem trazer. Mas roubou a bola que gerou o gol de Neilton – Nota 5,5.

Paulo Ricardo: Não teve muito tempo, mas mostrou mais disposição do que Cittadini – Nota 6.

Neilton: Não reeditou a excelente atuação contra o Palmeiras, mas se movimentou bastante, fez um gol com inteligência e deu ótimo passe para Giva marcar o terceiro. Mais franzino do que o seu ídolo Neymar, apanhou tanto ou mais do que o menino de Ouro. Valente, terminou o jogo com dores na coxa – Nota 7,5.

Lucas Crispim – Sem nota.

Giva: Não jogou tudo o que pode, mas lutou como sempre e devido à sua persistência foi premiado acabou roubando uma bola da defesa que gerou o seu gol, aquele que definiu a partida – Nota 7.

Diego Cardoso: Teve pouco tempo, mas entrou com vontade. Ajudou a defesa e participou de contra-ataques – Nota 6.

Claudinei Oliveira – Não foi teimoso. Teve a sensibilidade de deixar Stefano Yuri no banco e manter Neilton entre os titulares. Armou bem a equipe, substituiu bem, enfim, fez um trabalho competente – Nota 7.

O desabafo contra a TV Globo

No final da partida a torcida que compareceu ao Pacaembu protestou novamente contra a decisão da TV Globo de não transmitir o jogo em canal aberto, algo que já estava previsto pela Federação Paulista de Futebol. Assim, pelas paredes históricas do belo Pacaembu ressoou o grito “Chupa Rede Globo, é o meu Santos campeão de novo!.

Considero essa uma manifestação legítima e espontânea do povo. Sim, santista também é povo e representa muitos milhões de brasileiros – fora os que não são santistas, mas se interessam por assistir ao futebol dos Meninos e queriam muito apreciar esta final. Como toda ação provoca uma reação, a decisão da Globo, se contentou alguns, certamente descontentou os aficionados do Santos e os que gostariam de ver a partida. Nada mais natural, portanto, que a torcida reagisse como o fez.

Como se sabe, este blog não concorda com a divisão das cotas de tevê promovidas pela Globo e nem a preferência que ela dá a um ou outro clube. Esses privilégios ferem o mérito esportivo, razão principal do esporte. Acho que assim como a torcida do Santos, outras deveriam ter coragem de protestar.

A problemática venda de ingressos

Na hora da entrega de troféus e medalhas – que teve como ponto alto a figura carismática de Neymar – os cartolas aparecem todos sorridentes. Lá estavam José Maria Marin, Marco Pólo del Nero… Mas no momento de resolver a eterna questão da venda de ingressos, o torcedor se sente abandonado.

Se a Federação Paulista de Futebol tivesse determinado que houvesse mais do que apenas um guichê no Ginásio do Ibirapuera e no Pacaembu, o público de hoje tomaria totalmente o Pacaembu. Milhares de santistas desistiram de ir ao jogo depois de passarem horas nas filas de quarta e quinta-feira.

Ficha técnica da decisão da Copa São Paulo de 2013

Pacaembu, 25 de janeiro de 2013, às 10 horas

Santos : Gabriel Gasparotto; Alison, Jubal, Walace e Emerson Palmieri; Lucas Otávio, Leandrinho, Pedro Castro e Léo Cittadini (Paulo Ricardo); Neílton (Lucas Crispim) e Giva (Diego Cardoso). Técnico: Claudinei Oliveira.

Goiás: Paulo Henrique; Péricles, Felipe, Allef (Arthur) e Mário Sérgio; Túlio, Rodrigo, Liniker e Jarlan (Murilo); Paulo (Caio) e Erik. Técnico: Augusto. César

Gols: Pedro Castro aos 34 (pênalti) e Neílton aos 37 minutos do primeiro tempo. Arthur aos 2 minutos e Giva aos 17 minutos do segundo..

Árbitro: Leonardo Ferreira Lima, auxiliado por Fabrício Porfilho de Moura e Marcos Rodrigues Monteiro.

Cartões amarelos: Léo Cittadini e Leandrinho (Santos). Cartão vermelho: Péricles (Goiás).

Público: 25.152 torcedores

Reveja os gols de Santos 3, Goiás 1:
http://youtu.be/4-y7nBDySzw

O coro do Pacaembu que promete se espalhar pelo Brasil:

E você, o que achou do título, da atuação dos Meninos e do protesto contra a Globo?