Os grandes jogadores, além da técnica, têm personalidade, detestam perder. E esse é um detalhe que me chamou atenção em Cícero, 28 anos, que estava no São Paulo e o Santos acaba de contratar, por empréstimo, até o final de 2014. Seu passe é do Tombense, de Minas Gerais, e o Santos terá prioridade de compra. Outro jogador de enorme vontade de vencer é Marcos Assunção, que não renovou com o Palmeiras e está negociando com o Santos.

De técnica indiscutível e, para mim, o melhor cobrador de faltas do futebol brasileiro – ao lado de Rogério Ceni –, Marcos Assunção, jogador de fibra e espírito de liderança, tem outra qualidade inquestionável: é santista de coração. Ele chegou à Vila em 1996, vindo do Rio Branco de Americana. Foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1997 e depois se transferiu para o Flamengo.

Pelo seu estilo de jogo, sua idade pouco importa. Tem 36 anos (fará 37 em 25 de julho), não pode correr como antes, mas seu senso de colocação em campo e, principalmente, sua perícia ao bater na bola, são inigualáveis. Como Jair da Rosa Pinto em 1956, Assunção pode ser o cérebro, o passe e o arremate que o Santos precisa para brilhar em 2013. Será ótimo esperar cada cobrança de falta com uma expectativa de gol, algo que o santista não sente há muito tempo.

Sua pedida é um salário de R$ 300 mil, R$ 200 mil a menos do que queria o limitado Nenê, que ainda pedia R$ 5 milhões de luvas. Creio que não há dúvida de que Marcos Assunção é mais negócio. Não só pelo jogador, mas pelo ser humano, pelo santista que é.

Não sei não, mas não estou lembrando de nenhum meio-campo de time brasileiro que tenha o nível de um formado por Cícero, Arouca, Marcos Assunção e Montillo, com a opção de fazer entrar mais um volante (Adriano ou Alan Santos) e adiantar Montillo para jogar mais à frente, ao lado de Neymar.

Com um time-base de jogadores mais técnicos e experientes, os garotos poderão ser lançados com calma e aprenderão mais rapidamente. Há vaga para mais um bom atacante, e é aí que Victor Andrade e Gabigol deverão brigar por uma vaga. Mas com calma, sem precipitações.

A festa da Europa para o Terceiro Mundo aplaudir

Quando ouvi o grupo de dançarinos cantar que o Rio de Janeiro é a capital da capoeira, quase caí da poltrona. Caramba, agora querem mudar até a história da capoeira. Te cuida, Salvador!

A tentativa de dizer que os organizadores da Copa do Mundo de 2014 estão pensando na ecologia e por isso escolheram como símbolo um animal ameaçado de extinção me pareceu patética. Seria mais fácil explicar que o tatu é o único animal que se transforma em uma bola. “Bola”, deu pra sacar? Quantos por cento dos milhões de reais que ganharem com o evento eles doarão para institutos de ecologia?

Por falar em milhões, alguém duvida que as obras da Copa serão superfaturadas? Alguém duvida que os estádios poderiam ser erguidos com menos da metade do dinheiro que será gasto para isso?

Pois é justamente essa “generosidade” que fez a Fifa fazer uma concessão ao país exótico da América do Sul em que homens seminus andam pelas ruas tocando berimbau e dançando capoeira. Uma concessão ao país de vira-latas que deixa seus ídolos de lado para votar e bajular os ídolos europeus.

O País de um governo que tinha tantas outras coisas para fazer – como cuidar da educação e da saúde de seu povo – mas vai promover a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, duas monumentais farras do boi, para que não falte recompensas para ninguém do comitê organizador.

Messi, tudo bem. O carinha sem carisma merece. Mas que gol melhor do mundo é aquele? O Tadeu Schmidt, do Fantástico, já escolheu melhores nas peladas por esse Brasil afora. Ficar parado e chutar de primeira uma bola que vem na nossa direção, até eu faço. E uma hora entra no ângulo. Mas vir do seu campo e driblar três zagueiraços do Inter e ainda tirar a bola do goleiro, não é para qualquer um.

Enfim, começou a pressão para que Neymar se “convença” de que a Europa é o paraíso do futebol, e que a Espanha, em que a crise de desemprego é braba e os grandes clubes sobrevivem às custas de benesses do governo, é um verdadeiro eldorado. Pressão para que o garoto ache que o seu sonho deve ser o de ser escolhido, um dia, na festa mais brega do mundo, como o melhor jogador do planeta. Eu diria que quem é, é, não precisa ser escolhido.

E se é para escolher, não consultem torcedores. É óbvio que a torcida que mais se mobilizar acabará elegendo quem quiser. Imagine no dia em que a China tiver um concorrente: 2 bilhões de votos… O certo é reunir um júri de gente especializada em futebol, competente e neutra.

Isso é o que pretende o jornal uruguaio El País, que ouviu 300 jornalistas de jornais, revistas e agências de notícias para escolher o “Rei do Futebol da América”. E como lá eles não precisam babar ovo para a Rede Globo ou para algum time local, o escolhido foi, adivinhe, Neymar, do Santos, com 199 votos, quatro vezes mais do que o segundo colocado, o peruano Paolo Guerrero, do Corinthians, com 50 votos. Depois veio Lucas, ex-São Paulo, com 21, e Ronaldinho Gaúcho, do Atlético Mineiro, com 12. A entrega será amanhã, em um hotel no centro de Montevidéu. Será que o Sportv vai cobrir?

Veja se alguém faz isso:

No handebol, Alexandra é a nossa Messi:

E você, o que acha de Cícero, Marcos Assunção, Neymar e gols bonitos?