Não pode haver atração melhor do que o Santos de Neymar e Montillo, hoje, às 19h30m, no Sportv (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Um leitor do blog escreve sugerindo que eu reforce o boicote dos santistas e outros torcedores contra o jogo que a TV Globo transmitirá neste domingo, entre o Mirassol, último colocado do Paulistão, e os reservas do alvinegro de Itaquera. Eu pergunto: e precisa? Que atrativo pode ter um joguinho desses se comparado à exibição do líder Santos, às 19h30m, com Neymar, Montillo & Cia, em estádio lotado, contra o Bragantino, em Bragança Paulista? Ah, e com transmissão do Sportv.

Até um amigo, corintiano dos mais fanáticos, acaba de ligar me convidando para uma partida de tênis bem na hora do jogo de seu time. Ele disse: “Odir, você acha que depois de campeão do mundo eu vou ficar duas horas diante da tevê vendo um bando de reservas contra o “poderoso” Mirassol? Se ainda fosse a Libertadores, tudo bem”. E completou: “Mas depois a gente pode tomar uma cervejinha e ver o jogo do seu time e aquele garoto inferrrrnaaal”. Sim, ele é corintiano, mas é fã do Neymar”.

É mesmo muito estranha essa opção da Globo. Tricampeão paulista, caminhando para um tetra que seria extraordinariamente histórico, o Alvinegro Praiano será escalado com tudo que tem de bom: Rafael, Bruno Peres, Neto, Durval e Guilherme Santos; Arouca, Renê Júnior, Cícero e Montillo; Neymar e André.

Neste time há simplesmente o melhor jogador das Américas, outros dois ou três de Seleção Brasileira e ainda Montillo, nome certo das próximas convocações da Seleção Argentina. É um elenco que por si já garante uma exibição de alto nível. Sem contar que depois do que fez no meio da semana, todo mundo quer saber o que Neymar aprontará hoje.

Escolher uma outra partida para transmitir é mesmo muito estranho, mas sabe-se lá quais são os desígnios da TV Globo, ainda mais maquiavélicos agora que o jornalista esportivo Luiz Fernando Lima foi substituído na direção de esportes por Renato Ribeiro.

Uma sugestão para acabar com o monopólio

De qualquer forma, a Globo paga, dizem, e tem o direito de fazer o que quiser com o futebol brasileiro. É como aquele milionário que acende o charuto com notas de 100 dólares. Acham que se ela quiser ir contra a vontade popular, pode; se quiser jogar dinheiro pela janela, também pode; se quiser usar sua influência para tentar tornar alguns clubes de futebol tão populares como o Domingão do Faustão e o Big Brother, pode tentar… Mas, até quando?

Até que os torcedores e os outros clubes se rebelem, ou até que ela entenda que a melhor maneira de lidar com a paixão do torcedor é adotar o critério do mérito esportivo e o real grau de atratividade de cada jogo para fazer a sua grade futebolística.

Ou que surja um novo modelo que não permita mais o monopólio das transmissões de futebol a apenas uma emissora. Como seria isso? Simples: outros canais não se interessam pelos direitos de transmissão do futebol? Pois então, por que escolher só um e desperdiçar o dinheiro que esses outros querem investir no esporte?

A fórmula, que eu já sugeri neste blog há dois anos é a seguinte: a emissora que ganhasse a concorrência não teria o monopólio, mas sim a prioridade na escolha da partida a ser transmitida na rodada. A emissora que fizesse a segunda melhor proposta poderia escolher uma outra partida, com exceção, é claro, da que já foi escolhida antes, e assim por diante.

Na prática, funcionaria assim: digamos que a Globo tenha vencido a concorrência, com a Record em segundo e a RedeTV! em terceiro. Neste domingo poderíamos ter a seguinte situação: a Globo faria o jogo do lanterna Mirassol contra os reservas do alvinegro de Itaquera; a Record poderia escolher Palmeiras x Penapolense, e a RedeTV! faria Bragantino x Santos.

Três grandes do futebol paulista estariam na tevê aberta no mesmo dia. O jogo que despertasse maior interesse certamente atrairia maior audiência. Teríamos uma concorrência justa, os grandes clubes manteriam uma visibilidade equivalente e ainda ganhariam mais por isso.

A escolha dos jogos a serem transmitidos seria feita logo que a tabela ficasse pronta, para dar às TVs o tempo necessário para se programar para as coberturas. Ver futebol na tevê, hoje uma diversão elitizada, se tornaria novamente uma opção barata e democrática. A manipulação da popularidade dos clubes seria menor. Todos os grandes teriam mais tempo para serem vistos e divulgarem seus patrocinadores.

O que você acha dessa proposta?

E não se esqueça, amanhã, 18h, lançamento do Almanaque do Santos

No post de amanhã contarei um pouco da história desse Almanaque fantástico que o autor Guilherme Nascimento e a editora Magma Cultural lançam amanhã, às 18 horas, na Loja da Vila, no estádio Urbano Caldeira. Descerei a serra para a festa e espero encontra-lo lá. Não é todo time que pode contar com o melhor Almanaque do Mundo com as fichas completas de todos os jogos realizados em um século de futebol arte.

E hoje, o que esperar do Santos de Neymar e Montillo em Bragança?