Vencer na estreia do Campeonato Paulista por 3 a 1, com a estreia de muitos jogadores, no campo do adversário, diante dos olhares secadores do ex-presidente Lula e do presidente da CBF José Maria Marin, e com grande exibição de Neymar, é claro que é bom. Mas o Santos poderia ter feito um pouco mais e dado menos susto no seu torcedor diante do São Bernardo.

Às vezes parece que os jogadores do Alvinegro Praiano não têm a consciência de que para os times considerados pequenos o Campeonato Paulista é uma verdadeira Copa do Mundo e por isso nunca desistirão de uma partida. Foi o que o bravo São Bernardo mostrou ontem, lutando como um tigre mesmo quando passou a ter um jogador a menos, já que Dudu levou dois amarelos por confundir as canelas de Neymar com a bola.

Apesar da incrível diferença de currículo dos times e dos jogadores, sem falar dos salários, era previsível que o São Bernardo venderia muito caro a derrota. Por isso, quando, aos 18 minutos de jogo, Bruno Peres puxou o contra-ataque para servir Neymar, pela esquerda, e este, em jogada característica, chutou entre as pernas do zagueiro para inaugurar o marcador, o torcedor respirou aliviado. O normal era que o adversário se abrisse e o Santos, mais experiente e de melhor nível técnico, controlasse a partida e ampliasse a vantagem. Porém, quando parece que o jogo vai ficar menos difícil, o Santos complica.

Um minuto após o gol de Neymar, o centroavante André, que parece estar fazendo alguns esforços para perder peso e ganhar agilidade, segurou demais a bola e tentou cavar uma falta em um contra-ataque precioso. A bola acabou com Bady, que driblou Durval como quis e cruzou para Naldinho empatar.

A torcida engoliu a euforia e o adversário se assanhou. Aos 30 minutos Dudu acertou um chute forte de bem longe e acertou o travessão. Dois minutos depois, porém, São Neymar veio em auxílio do Alvinegro e provocou a expulsão do mesmo Dudu, com o segundo cartão amarelo. Para variar, todos os cartões amarelos do São Bernardo entraram na conta do Menino de Ouro.

Mas de nada adiantaram as muitas faltas próximas à área do São Bernardo se Marcos Assunção ainda está no estaleiro e o Santos não consegue marcar gols aproveitando essas infrações. E assim o São Bernardo se encolheu todo e só passou a se arriscar em contra-ataques rapidíssimos.

Veio o segundo tempo e Muricy Ramalho não mexeu no time. Já era evidente que André, sem mobilidade, só embolava o meio do ataque, e que Cícero, o mais discreto dos estreantes, não tinha mais função. As entradas de Miralles e Patito já se faziam necessárias, mas o técnico só as realizou a 15 minutos para o final, depois que Montillo, duas vezes, e Neymar, uma, já tinham perdido grandes oportunidades de gol.

Mas, a bem da verdade, Montillo jogou bem e deu mais equilíbrio ao meio-campo do Santos. Ele joga um futebol simples e eficiente. Desmarca-se para receber e toca para quem está livre. Esta é a regra de ouro que muito jogador puta velha ainda não consegue executar. O gringo precisa arrematar melhor, pensar e agir mais rápido quando está na pequena área. Mas foi apenas a estreia. Logo os reflexos voltam.

Mais rápido e decisido que André e Montillo, Miralles teve ótima oportunidade aos 34 minutos, driblou o goleiro e desempatou a partida. Acho que ganhou a camisa de titular com este gol. Depois, aos 45 minutos, Neymar se aproveitou de uma furada do zagueiro, penetrou e sofreu pênalti, que ele mesmo converteu, igualando-se na artilharia do Campeoanto com Guaru, do Penapolense, que também marcou dois gols na vitória de seu time sobre o Ituano por 3 a 0.

Atuações dos santistas

Rafael – Não teve culpa no gol e nem fez nenhuma defesa difícil. Mas cismou de reclamar do árbitro em um lance longe de sua área e recebeu um cartão amarelo de graça. Nota 6.
Bruno Peres – Apoiou bem, servindo Neymar no primeiro gol. Não cometeu erros graves na defesa (a não ser uma furada no final da partida). Nota 6.
Neto – Não comprometeu, mas pareceu meio deslocado, à procura do chamado “posicionamento” ideal. Nota 6.
Durval – Não comprometeu, mostrou personalidade, mas falhou no gol do São Bernardo e chegou atrasado no lance em que levou cartão amarelo. Nota 6.
Guilherme – Lutou, correu, mostrou que tem mais vitalidade do que categoria. Nota 6.
René Junior – Para a estreia, marcou bem e errou poucas saídas de bola. Nota 7.
Arouca – Regular, manteve o bom rendimento de sempre, sem nada de especial. Nota 7.
Cícero – Discreto, não comprometeu, mas apareceu pouco. Nota 6.
Montillo – Inteligente, dá mais regularidade ao toque de bola no meio de campo. Perdeu dois gols, mas deu passes importantes. Boa estreia. Nota 7.
Neymar – De novo o melhor em campo. Dois gols, muitas jogadas e muitos amarelos aos brucutus do São Bernardo. Nota 8.
André – Depois da dura do Muricy ele andou treinando mais no meio da semana. Ótimo. Mas tem de virar um hábito para dar resultado. No jogo ele continuou sem mobilidade, o que facilita a marcação da defesa. Prendeu demais a bola em alguns lances e ao perde-la simulou falta. Em um desses lances o São Bernardo aproveitou o contra-ataque para fazer o gol. Merecia ter sido substituido antes. Nota 5.
Miralles – Entrou no lugar de Cícero e, mesmo com apenas 15 minutos para jogar fez o gol da vitória e deu mais movimentação ao ataque. Nota 7.
Patito Rodriguez – Entrou no lugar de André e, a exemplo de Miralles, tornou o Santos mais rápido e incisivo. Nota 6.
Muricy Ramalho – Demorou para mexer no time, mas substituiu bem e fez melhor ainda ao dar duras em André e Bruno Peres, que em jogadas normais ficaram caídos, fingindo contusões mais graves. Nota 7.

O público, muito bom para um estádio que no máximo comporta 17 mil pessoas, somou 13.436 pagantes, com renda de R$ 345.645,00. A atuação do árbitro Thiago Duarte Peixoto foi boa, tanto no aspecto técnico quanto disciplinar. O Santos volta a campo na próxima quinta-feira, às 21 horas, contra o Botafogo de Ribeirão Preto, na Vila Belmiro.

Veja os melhores momentos de São Bernardo 1, Santos 3:

http://youtu.be/MASlU3s1sw0

E você, o que achou da estreia do Santos no Campeonato Paulista?