Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: fevereiro 2013 (page 1 of 4)

Trocar Muricy por Autuori não refresca nada

Dizem nos corredores da Vila Belmiro que Muricy Ramalho subiu no telhado. Este blog defende que ele deveria ter sido demitido há 14 meses, quando tomou aquela goleada do Barcelona e disse que não tinha aprendido nada. Mas foi ficando e o Santos ainda renovou o seu contrato (?!). Agora, depois de Pelé dizer que o professor deveria usar mais os jogadores da base, coisa que Muricy não gosta ou não sabe fazer, parece que não há mais ambiente para o cliente mais assíduo do restaurante do CT do Santos. O problema é que a diretoria quer contratar Paulo Autuori, um técnico decadente que vive do nome.

Aos 56 anos, Autuori tem se especializado em trabalhar no rico, mas indigente futebol do Qatar. Na verdade, tem passado a maior parte do tempo no exterior desde 2000, quando foi treinar o Vitória de Guimarães, de Portugal. De lá pra cá voltou apenas quatro vezes ao Brasil, e para atuar apenas uma temporada, às vezes abandonando o clube antes do final do Campeonato Brasileiro. Assim foi em 2001 (Botafogo), 2005 (São Paulo), 2007 (Cruzeiro) e 2009 (Grêmio).

Bem falante, costuma se valorizar e exige altos salários, mas É FRIA!, principalmente para um time como o Santos, que precisa de um técnico disposto a um trabalho de no mínimo médio prazo, que saiba motivar e burilar jovens talentos. Bem mais interessante seria apostar em treinadores menos caros, mais identificados com o Santos e dispostos a aproveitar a oportunidade para fazer história no clube.

Por isso, prefiro, de olhos fechados, técnicos como Jorginho (do Bahia), 47 anos; Sergio Guedes, do XV de Piracicaba, 50 anos; Giba, do Paulista, 50 anos, ou Alexandre Gallo, 45 anos, na Seleção Brasileira Sub-20. Não descarto a possibilidade de o Santos trazer Paulo Roberto Falcão, um craque que deve saber valorizar um garoto bom de bola.

Nem falei dos técnicos estrangeiros porque devem ser caros, mas, se possível, adoraria ver o Santos treinado por Jorge Sampaoli ou Marcelo Bielsa. Creio que não seria bom apenas para o Santos, mas para o futebol brasileiro. Os técnicos nacionais estão defasados e supervalorizados, ou seja, ruins e caros.

Um bom elenco, sim senhor

Se formos analisar bem, o Santos pode formar dois times respeitáveis. Vejamos o que tem jogado: Rafael, Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Renê Junior, Cícero e Montillo; Neymar e Miralles.

Pois ainda teríamos: Aranha, Galhardo, Jubal, Neto (ou Gustavo Henrique) e Émerson Palmieri; Leandrinho, Marcos Assunção (ou Alan Santos); Felipe Anderson e Patito (ou Victor Andrade); Giva e André.

E ainda ficariam no banco de reservas os goleiros Vladimir e Gabriel Gasparotto; os laterais Guilherme Santos, Douglas e Paulo Henrique; os meias Pinga, João Pedro, Alison e Pedro Castro e o atacante Geuvânio.

Agora me diga, sinceramente, se Paulista e Ponte Preta, que venceram o Santos por 3 a 1; e o XV de Piracicaba, que perdeu mas jogou melhor do que o Alvinegro Praiano em plena Vila Belmiro, têm jogadores em mais qualidade e quantidade? Claro que não!!! Tiveram mais técnico, só isso.

Portanto, não é preciso ser nenhum gênio para fazer o Santos jogar bem melhor; voltar a ser um time ofensivo, capaz de aplicar redentoras goleadas de vez em quando e, o que mais alegra o santista, revelar novamente jogadores talentosos, atrevidos e com fome de vitórias e títulos.

Mas, se tiver de pagar uma gorda multa para demitir Muricy e ainda contratar um técnico caro e pouco criativo como Paulo Autuori, então o mais sensato é agüentar o professor mais alguns meses. Nada me faz crer que Autuori terá rendimento melhor, com o agravante de que pegará o boné e irá cantar em outra freguesia logo que os árabes acenarem com outro contrato milionário para dirigir um time que mal sabe andar em campo.

E você, que técnico contrataria para o lugar de Muricy?


Rivalidade X Intolerância

Em um de seus últimos programas no Sportv, Armando Nogueira me entrevistou sobre o livro “Heróis da América”, que escrevi e a Editora Planeta lançou pouco antes dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Era para o Paulo César Vasconcelos participar do bate-papo, mas ele não pôde e ficamos, Armando e eu, conversando por uma hora sobre o Pan e as perspectivas dos atletas brasileiros. O grande cronista estava um tanto deprimido, percebi, e logo soube as razões.

Eu já sabia que ele andava meio adoentado, e que a coisa era grave. Três anos depois ele morreria, vítima de câncer no cérebro, diagnosticado naquele mesmo ano de 2007, pouco antes do nosso encontro. Mas no dia do nosso bate-papo ele continuava espirituoso, aos 80 anos. No intervalo das gravações conversamos sobre o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha, nossos times do coração, protagonistas de duelos inesquecíveis, nos quais preponderava a arte e o respeito.

Levei uns livros para ele autografar. Para quem trabalhou na equipe de esportes do Jornal da Tarde, Armando Nogueira era indubitavelmente o melhor texto do jornalismo esportivo brasileiro. Sensível, artístico, amante do futebol e de seus personagens, um cronista de verdade. Em determinado momento, porém, revelou-me algo que o magoava:

“Hoje os leitores reagem muito agressivamente. Você não pode escrever nada que eles xingam. Está ficando chato escrever sobre futebol…”.

Entendi perfeitamente o que ele queria dizer. Antes as respostas dos leitores vinham através de cartas, de quem, presumivelmente, apreciava ler e escrever e tinha o mínimo conhecimento das palavras e dos efeitos que elas provocam. Hoje as reações chegam pelo mundo difuso da Internet, que tanto pode abranger pessoas educadas e esclarecidas, como sórdidos bandos abrutalhados sedentos de ódio.

Lembrei-me num relance dos tempos em que comecei a ser encantado pelo futebol. Tempos em que a TV Record, a mais poderosa da época, transmitia jogos do Santos quase todos os finais de semana. Era o melhor time, o campeão, o que tinha muitos craques e entre eles o Rei Pelé. Como transmitir outra partida?

Não me lembro de nenhum outro torcedor ter reclamado da preferência da TV Record. Pois era óbvia e condizia com a cultura da época, que valorizava o espetáculo mais bonito e interessante. Ponto. Ninguém citava pesquisas de torcida, mesmo porque elas não significariam nada. A qualidade, o mérito, suplantavam tudo.

Havia rivalidade, mas não intolerância. Era possível assistir a um jogo no estádio sentado ao lado do torcedor contrário. Ambos podiam comemorar os gols de seus times diferentes sem correr risco de vida. Ainda não se sabia o que era torcida organizada, agrupamentos que só surgiram no final dos anos 60.

Os jornalistas, alguns tão parciais como os de hoje, eram, entretanto, mais respeitados. Ninguém seria maluco ou selvagem a ponto de ameaçar fisicamente um homem da comunicação. Estes, por sua vez, costumavam tratar os times com a devida consideração. Se a Portuguesa ganhasse um clássico, ela seria a capa do jornal, e não uma outra equipe que apenas contasse com um número maior de torcedores.

Enfim, a mensagem que chegava ao público era a de que o mérito servia de parâmetro para a cobertura da imprensa, e os torcedores aceitavam essa premissa numa boa. Hoje, ao contrário, os veículos de comunicação tentam empurrar goela abaixo a filosofia de que ter mais torcida é mais relevante do que ter um time melhor. É claro que uma imposição tão antinatural não pode provocar boas reações…

Escrevo sobre isso porque no trágico episódio do garoto boliviano morto, os torcedores do Corinthians querem apenas que o time se safe da punição da Conmebol, os que torcem para outros times querem que a punição seja a mais dura possível, e só mesmo os familiares e amigos choram a morte de Kevin, a única vítima real dessa história. Ficou faltando empatia e humanismo, propriedades que distinguem o homem dos animais; ficou faltando aquele espírito dos bons tempos do jornalismo esportivo brasileiro; ficou faltando um cronista como Armando Nogueira para contar esse caso para a história.

E para você, por que a intolerância superou a rivalidade no futebol?


Giva foi bem, mas quando será escalado de novo?

giva - xv
Se o Santos tem Giva (foto), por que trazer Moreno? A pouca valorização dos garotos da base tem feito o clube gastar demais com jogadores medianos (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

O garoto Giva, 20 anos, revelou-se o atacante santista mais eficiente na virada dramática sobre o humilde XV de Piracicaba, na Vila Belmiro. Ágil, esperto, criou boas jogadas e cabeceou a bola que ia entrando quando André empurrou para as redes, no gol da vitória. No entanto, conhecendo bem a cabeça do técnico Muricy Ramalho, o torcedor sabe que ir bem não quer dizer nada, pois os Meninos da Vila Jubal e Émerson Palmieri também já atuaram bem entre os titulares, mas o técnico nunca mais os escalou.

Muricy não é o técnico que costuma dar sequência de jogos aos garotos vindos da base. Usa-os em momentos de emergência, mas depois os esquece. O curioso é que muitos se sairam melhor do que os titulares que vinham jogando, mas mesmo assim foram esquecidos.

E o técnico Muricy continua insistindo com o goleiro Rafael, que voltou a falhar ontem; com os veteranos Edu Dracena, Durval e Léo; com o lateral Bruno Peres, péssimo marcador, e com o próprio André, que apesar dos dois gols, não jogou tão bem (um foi de pênalti e no outro a bola já ia entrar).

A teimosia de Muricy quase faz o Santos perder sua terceira partida seguida no Paulista, o que seria um recorde negativo. No primeiro tempo o XV foi melhor e no começo da segunda etapa abriu o marcador com Cesinha, que penetrou livre pelo estático miolo da defesa santista e cabeceou fraco para vencer o atrapalhado e desatento Rafael.

O empate e a virada vieram aos 25 e 29 minutos, só depois que Patito entrou no lugar de Cícero e deu mais velocidade aos contra-ataques. Outro recém-contratado que não tem correspondido é Montillo, que depois de perder muitas bolas e errar muitos passes, acabou substituído por Marcos Assunção.

A verdade é que você olha no time no XV e no seu banco de reservas e não encontra nenhum jogador de destaque. Todos são esforçados operários, apesar de dominarem o jogo na Vila por boa parte do tempo. A única diferença está no técnico: o time de Piracicaba é treinado por Sérgio Guedes, que se tivesse um elenco como o do Santos, jamais tomaria um sufoco desse XV.

Sim, o Santos levou mais um sufoco, apesar das muitas contratações que fez para 2013. O pior é que nem a torcida pôde ajudar muito, pois apenas 5.105 pagantes foram ver a partida, proporcionando uma renda de R$ 139.593,00, que não paga nem seis dias de trabalho do professor Muricy.

Com a vitória o Santos sobre para quarto no campeonato. O líder é o São Paulo, que ainda tem um jogo a menos. Renê Junior levou mais um cartão amarelo e não poderá enfrentar o Corinthians, na próxima rodada. O jogão será no Morumbi. Reserve seu ingresso o mais rápido possível.

Não espere ver Giva no clássico, a não ser que o time esteja perdendo e Muricy coloque o garoto nos últimos cinco minutos. A defesa que sofreu sete gols em três jogos deverá ser a mesma: Rafael, Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Léo. Ou seja, teremos fortes emoções. A maior vantagem é que Neymar voltará. A esperança é que Cícero jogue como nas primeiras partidas no Santos, e que Montillo e Marcos Assunção resolvam finalmente começar o ano.

Veja os melhores momentos de Santos 2, XV de Piracicaba 1:
http://youtu.be/oDkkhsfolgs

Ranking das torcidas que mais mataram

O site Lancenet divulgou o ranking das torcidas organizadas que mais assassinaram torcedores rivais. Veja:

1º Corinthians – matou 13 pessoas
2º Goias – matou 11
3º Fortaleza /Palmeiras/ São Paulo/ Vasco – mataram 8
7º Atlético MG/ Cruzeiro – mataram 6
9º Ceará/ Grêmio/ Vila Nova – mataram 5
12º Flamengo/ Paysandu – mataram 4
14º Bahia/ Sport/ Remo – mataram 3
17º Atlético-PR/Santa Cruz/Botafogo – mataram 2
20º Brasil de Pelotas/ Internacional/ Coritiba/ Fluminense/ Avaí/ Guarani/ Ponte Preta/ Santos – mataram 1

E pra você, o que deduzir de Santos 2, XV de Piracicaba 1?


Veja o petardo que matou o garoto boliviano


Atingido no olho direito por um sinalizador apontado para ele pela torcida do Corinthians, morreu ontem o jovem boliviano Kevin Beltrán Espada (foto), de 14 anos, torcedor do San José, que assistia ao jogo do seu time contra o Corinthians. O homicídio gerou uma onda de protestos dos bolivianos contra os brasileiros. Os mais revoltados pedem que os quatro torcedores corintianos presos sejam condenados à morte. Até os jornalistas brasileiros tiveram de ser protegidos pela polícia. Entre as punições previstas ao Corinthians está sua expulsão da Copa Libertadores.

Veja o petardo que matou o garoto boliviano:

E pra você, o que a Justiça deve decidir neste caso?


Moedas no Ganso, o mal que veio para o bem


Chuva de moedas pode ser uma boa… (Colaboração de Jacob Samuelson)

Multa de 10 mil reais e perda de um mando de campo na Vila Belmiro – esta foi a punição que o Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo reservou ao Santos pelas moedas atiradas no jogador Paulo Henrique Ganso quando este defendeu o São Paulo no clássico do dia 3 deste mIes, na mesma Vila Belmiro.

O Santos vai recorrer, mas dificilmente impedirá a punição. O que mais tem indignado os santistas é que o jogo que terá o local alterado é justamente o clássico contra o alvinegro de Itaquera – jogo que se fosse realizado na Vila teria um favoritismo natural do Alvinegro Praiano, que no seu campo costuma vencer 70% dos confrontos que faz contra o rival.

De qualquer forma, ser obrigado a mandar esse jogo no Interior de São Paulo, ou mesmo em outro Estado (Norte do Paraná, por exemplo), pode ser providencial neste momento em que a torcida santista cresce em todo o País. Como mandante, o Santos pode e deve reservar para seus torcedores no mínimo 90% dos lugares do estádio escolhido. Isso será uma ótima oportunidade de mostrar, ao vivo, pela tevê, em rede nacional, a força da massa santista.

Não creio que seja coincidência que justo o jogo de maior rivalidade no futebol paulista tenha de sair da Vila Belmiro. Se o processo fosse julgado mais rapidamente, a partida a ser mudada de local seria outra.
Mas parece que esperaram o momento exato de dar o bote…

Lembro ainda que na última partida entre ambos Neymar já não pôde jogar, suspenso. Só quero ver quando vão julgá-lo desta vez e que punição darão ao melhor jogador brasileiro. Se o tirarem de novo do duelo com o alvinegro paulistano, ficará muito na vista…

Creio que o Santos possa vencer o rival mesmo sem Neymar e em qualquer campo. Portanto, o local da partida pouco me interessa. Mas isso não impede que eu recrimine a atitude dos que jogaram as moedas no ex-ídolo Paulo Henrique Ganso.

Ir ao campo para jogar moedas em um jogador é coisa de mentecapto. Integrantes de torcidas organizadas são muito criticados, mas duvido que façam algo assim. Quem faz essas bobagens são, geralmente, os espectadores bem-nascidos, das tribunas, cativas ou numeradas, que se julgam acima das leis. Pois essas pessoas mais uma vez envergonham e prejudicam o Santos e a Vila Belmiro.

E você, o que achou da punição ao Santos no caso das moedas?


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