Miralles corre para “abraçar” a torcida depois de marcar um gol no clássico. Ele ganhou a camisa 9 pelo voto popular (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Sim, antevi três gols do Santos contra o São Paulo porque essa é a diferença atual entre os dois times, apesar de reconhecer um bom nível no adversário. Mas enquanto o Santos tem uma equipe mais experiente e conta com jogadores que decidem, entre eles Neymar, o São Paulo anda tateando há algum tempo e ainda se desfez do único jogador acima da média, Lucas. Com todo o respeito, a verdade é que o tricolor paulistano virou um freguês assíduo do Alvinegro Praiano e o clássico na Vila mostrou que por mais que os dois times jogassem, o vencedor seria um só.

Os gols saíram com tanta facilidade – Miralles no primeiro tempo, e Neymar (pênalti) e Miralles de novo no segundo -, que se realmente precisasse de mais, sinto que o Santos faria. A falta de Rogério Ceni deixa a defesa do São Paulo com as calças na mão. O veterano Lúcio não teve fôlego para acompanhar Neymar, Miralles e Montillo. Ganso virou um Dodô, uma ave que não voa mais.

Como toda criança já previa, foi só Miralles ser escalado desde o começo de uma partida e já ganhou a posição. Fez dois gols, voltou para ajudar o meio-campo, passou, tabelou. É bem mais versátil do que o estático André, cuja única qualidade, segundo Muricy Ramalho, é saber “jogar de costas para o gol”. Também acho admirável saber jogar de costas, mas de frente não fica mais fácil fazer gols?

E Montillo? Bem, inteligente como é, Montillo está sentindo o peso da camisa 10 do Santos, aquela que era usada pelo melhor jogador de todos os tempos. Se fosse um ignorante, provavelmente não sentisse nada. Mas o gringo pensa… De qualquer forma, tenho fé de que logo desencantará…

No ataque, Neymar serviu como garçom para os dois gols de Miralles. O terceiro foi de um pênalti indiscutível em Neymar, que ele mesmo cobrou, e muito bem. Só faltas que Neymar não acerta uma. Deveria permitir que outros companheiros cobrassem. Sua gulodice está ficando chata.

Mas o Santos ganhou o jogo na defesa. O zagueiro Neto e o volante Renê Junior voltaram a jogar muito bem. Mas os laterais Bruno Peres e Guilherme Santos também melhoraram. Durval foi o mesmo rebatedor de sempre e Rafael pulou tarde em uma falta cobrada do meio da rua, no único gol do tricolor.

Arouca e Cícero foram discretamente bem. Montillo errou passes, perdeu bolas, mas deixou Miralles e Neymar de frente para o goleiro. Não fosse tão narcisista e tivesse a velha humildade em gol, e Neymar faria o quarto, de esquerda, logo após driblar o arqueiro. Mas quis dar o breque e driblar novamente o zagueiro, acabando por perder a bola. Esse individualismo às vezes atrapalha.

Há quem diga que o excesso de compromissos com patrocinadores e com garotas tem diminuído a velocidade e o arranque de Neymar. Não sei se é isso, mas ele está tendo muita dificuldade para driblar, mesmo quando fica no chamado mano a mano com o zagueiro. Boas noites de sono, alimentação balanceada e um pouco de paz de espírito também são essenciais a um craque. Que os mentores do garoto conversem sobre isso com ele.

Miralles teve um aproveitamento excelente e não pode sair do time. Felipe Anderson entrou no fim – no lugar de Arouca, que saiu machucado –, mas desta vez mostrou disposição. É outro que tem potencial para jogar muito. Basta que o professor deixe de agir como feitor e haja como o mentor que deve ser.

Por que a Vila não fica lotada

Se alguém tem uma cadeira cativa na Vila Belmiro e não vai ao estádio nem para assistir a um clássico contra o São Paulo, com tantas atrações em campo, quando irá? Essa é a pergunta que não quer calar depois de vermos tantos lugares vazios na seção das cativas do Santos. O que acontece com esses proprietários? Não gostam mais de futebol? Preferem ficar em casa e ver pela TV? Morreram?

O certo é que um público de apenas 14.283 pagantes (renda de R$ 383.960,00) para um jogo como este depõe contra a grandeza do tradicional Sansão. Que providências sejam tomadas. Não há sentido em jogar um clássico na Vila sem que o estádio esteja lotado. Que o clube recompre essas cativas, ou dê um jeito de que os lugares sejam vendidos.

Santos: Rafael; Bruno Peres, Neto, Durval e Guilherme Santos; Arouca (Felipe Anderson), Renê Júnior, Cícero e Montillo; Neymar e Miralles.
Técnico: Muricy Ramalho.

São Paulo: Denis; Paulo Miranda (Douglas), Lúcio, Rhodolfo e Cortez; Wellington (Cañete), Denilson, Jadson e Ganso (Aloísio); Osvaldo e Luís Fabiano. Técnico: Ney Franco.

Gols: Miralles aos 38 minutos do primeiro tempo; Neymar aos 3, Jadson aos 19 e Miralles aos 24 do segundo.

Arbitragem: Flávio Rodrigues Guerra, auxiliado por Herman Brumel Vani e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo.

Veja os melhores momentos de Santos 3, São Paulo 1:

http://youtu.be/FV_PgL_FcsE

Para você, quem jogou bem e quem jogou mal no Sansão?