Desencanta Montillo! Algo me diz que neste domingo o gringo faz o seu (foto do treino de sexta-feira tirada por Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Por que você deve reservar a sua tarde-noite de domingo de Carnaval para ver o Santos, no Pacaembu, contra o Paulista? Eu poderia dizer que é porque o time jogará completo e ainda terá as voltas de Edu Dracena e Marcos Assunção. Ou seja, será o Santos que veremos lutando por títulos neste ano. Mas eu direi que, mais do que tudo, o Santos merece ser visto porque é um time que persegue o futebol-arte e isso faz com que possa encontrá-lo a qualquer dia e qualquer hora, que incluem um domingo de Carnaval contra o Paulista, em uma rodada ordinária do Campeonato Estadual.

Nos meus cursos de redação jornalística com criatividade eu ensino que tentar produzir um texto criativo já torna o autor criativo, pois querer inovar é o primeiro passo na fuga dos lugares-comuns que infestam o jornalismo, principalmente o esportivo. Note que ainda dizem “marcar sob pressão”, quando na verdade deveriam dizer “marcar por pressão”, pois se um time marca “sob pressão” quem está sendo pressionado é ele próprio. Bem, mas não perderei tempo com os vários exemplos de maltratos à língua. Vamos ao que interessa, que é a intenção de criar.

A mesma intenção vemos no Santos, time no qual a obsessão pela criatividade tomou, ano após ano, um caminho estético que leva à arte. Sim, o bailado dos corpos, a geometria da bola ligando os flexíveis pontos humanos do grande tabuleiro cria desenhos que resistem ao tempo, ganham a memória e a versão dos torcedores e ficam eternizados como momentos únicos do futebol.

Todo time pode ter craques habilidosos e jogar bonito, como o Santos, mas só o Santos tem essa meta como necessidade vital. Por isso, ao Santos não basta ganhar dois títulos por ano e nem lotar estádios. É preciso produzir jogos de futebol como os grandes compositores produziriam suas melhores óperas, ou os grandes poetas fariam seus mais bem acabados sonetos. O jogador do Santos deve subir aqueles últimos degraus do túnel que leva ao gramado como o maestro se mostra ao púlpito.

E não importa quem seja o adversário, pois a capacidade de produzir uma obra de arte no futebol independe do rival. Quem viu aquele Santos (sem Neymar) 9, Ituano 1, no Campeonato Paulista de 2010, no mesmo Pacaembu que neste domingo abrigará o confronto com o Paulista, sabe que o Santos tem essa capacidade de transformar pedra em ouro, ou um domingo preguiçoso de Carnaval em um momento inesquecível de ousadia e refinamento.

Só o Santos explica Neymar. E vice-versa

É inútil querer que Neymar jogue na Seleção, ou em qualquer outro clube, como joga no Santos. Em que outro time ele pode, com a maior tranqüilidade do mundo, parar a bola em frente a dois, três zagueiros, e tentar o drible que lhe der na teia? E tentar uma, duas, três vezes, até que funcione e abra o caminho para mais um gol?

O santista tem a tolerância necessária que o futebol e a personalidade de Neymar exigem, pois essa é a cultura que embalou o Alvinegro Praiano desde a sua fundação. Meninos irreverentes, bons de bola, extremamente ousados e criativos – esta é a definição que serve para as gerações mais vitoriosas do Santos, em 2012, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010.

Quase um estranho no ninho na Seleção Brasileira, Neymar está em plena harmonia com o jeito de ser e com o caráter do Santos e do santista. Houve época em que a Seleção mantinha esse mesmo caráter ofensivo e atrevido e não era à toa que os santistas também a dominavam, a ponto de somarem oito titulares em alguns jogos do Escrete. Hoje valoriza-se o pragmatismo dos resultados, a eficiência das defesas, o toque rápido que muitas vezes só faz com que a bola seja perdida mais rapidamente. Neymar é um Garrincha dos tempos modernos. Como entendê-lo?

Na Europa, alguns técnicos o mandariam para o banco de reservas depois de duas ou três tentativas mal-sucedidas de jogadas individuais. No Santos, errar três vezes seguidas é sinal de que, estatisticamente, a próxima dará certo. Esse é um dos fortes motivos que faz o santista acreditar que Neymar jamais deixará o carinho de quem o compreende para enfrentar a insalubridade dos pretensiosos europeus, que parecem o querer ter apenas pelo prazer de rejeitá-lo depois.

Eu vou, e você?

Acabei de comprar meus ingressos para Santos e Paulista. Estarei com a Suzana no setor laranja do Pacaembu. Comprar ingressos pelo site do Sócio Rei funciona mesmo. Atendimento rápido, perfeito. E a idéia de que sócio pode adquirir mais um ingresso, a preço normal, para um convidado que ainda não é associado do clube, merece todos os elogios. Simples e eficiente, a sugestão do “Sócio + 1” é do leitor Douglas Aluízio, de Guarulhos, que encaminhei ao Arnaldo Hase, do setor de imprensa do Santos.

A oportunidade de ver o Santos completo, com Neymar, Cícero, Montillo e talvez Marcos Assunção não pode ser perdida. O Paulista merece respeito, mas prevejo uma grande atuação do Alvinegro Praiano. A arbitragem será de Leandro Bizzio Marinho, auxiliado por Fabricio Porfirio de Moura e Claudenir Donizeti Gonçalves. Que atuem bem e, se errarem, que seja contra o Santos. Detesto ver o time ganhar com ajuda da arbitragem. Algo me diz que nada impedirá mais uma noite gloriosa do Santos no Pacaembu.

Era um domingo qualquer de uma rodada qualquer do Campeonato Paulista de 2010. Desfalcado de Neymar o Santos enfrentava o Ituano, no Pacaembu. Veja o que ocorreu:

E você, que pressentimento tem para o jogo contra o Paulista?