Que criança não quer bater uma bola com Neymar, o craque do Santos?

Se as pesquisas de torcidas de futebol têm, entre seus objetivos, o de direcionar o investimento de empresas patrocinadoras no mercado esportivo, então o poder aquisitivo dessas torcidas e a região geográfica na qual elas se encontram no Brasil são dados essenciais, que nunca deveriam ser negligenciados pelos marqueteiros.

Chamo a atenção para o fato de que os três mercados mais ricos do País são a capital e o Interior do Estado de São Paulo e o Estado do Rio de Janeiro. Como seriam as divisões das torcidas nesses mercados?

Em primeiro lugar, não se discute a superioridade de momento das massas torcedoras de Flamengo, Corinthians e São Paulo. As três superam as de santistas. Porém, comprovo, com fatos e argumentos, que o Santos tem mais torcedores do que Vasco e Palmeiras nestes três mercados.

Comecemos pelo Rio. Lá, segundo pesquisa da Pluri Consultoria de janeiro de 2012, o Vasco tem 15,63% dos torcedores, o que significa 2,5 milhões da população total do Estado, que é de 16 milhões de pessoas. É claro que nem todos gostam ou acompanham o futebol, mas, por falta de pesquisas mais detalhadas, fiquemos com o número cheio.

Ok, o Vasco tem 2,5 milhões de torcedores no Rio. Quantos teriam Palmeiras e Santos? Não sabemos ao certo. Sei que o Rio de Janeiro é a quinta cidade que mais acessa este blog, mas isso não prova que todos que acessam são santistas. Então, diremos que o número de santistas e palmeirenses no Rio seja insignificante e, como não queremos chutar, fiquemos apenas com a informação de que no Rio o Vasco tem 2,5 milhões de torcedores.

Na cidade de São Paulo, segundo pesquisa da Stochos Sports & Entertainment, o Santos tem 7,74% dos torcedores, enquanto o Palmeiras tem 13,5%. A mesma Stochos Sports pesquisou também no Interior de São Paulo e chegou à conclusão de que o Santos tem 14,2% da torcida interiorana, contra 11% do Palmeiras. Tanto na capital como no interior de São Paulo o número de vascaínos é insignificante e, como ocorreu no Rio com Santos e Palmeiras, não serão levados em conta.

Se a capital de São Paulo tem 11 milhões de habitantes e o Santos tem a preferência de 7,4% de seus torcedores, então o montante de santistas na cidade é 814 mil. E se o Palmeiras tem 13,5%, isso quer dizer que há 1,485 milhão de palmeirenses na metrópole paulistana.

O rico Interior paulista tem 30 milhões de habitantes, dos quais 14,2% são santistas, o que dá 4,260 milhões. O Palmeiras tem 11% do total, ou 3,300 milhões. Somando-se capital e interior paulistas, o Santos tem 5,074 milhões de torcedores no Estado, contra 4,785 do Palmeiras.

Temos, então, o resultado final dos torcedores de Santos, Palmeiras e Vasco nos três mercados mais ricos e de maior poder aquisitivo do Brasil: 1 – Santos, 5,075 milhões de torcedores; 2 – Palmeiras, 4,785 milhões e 3 – Vasco, 2,5 milhões.

Sinais evidentes de crescimento da torcida do Santos

Olho o ranking do “Movimento por um Futebol Melhor”, lançado com estardalhaço por Ronaldo Fenômeno, ídolo que depois de veterano se bandeou do Flamengo para o Corinthians, e constato que a vantagem do Santos na liderança aumentou. De cerca de dois mil sócios a mais, a diferença já está chegando a quatro mil. O Santos tem 49.268 sócios, contra 45.386 do alvinegro paulistano.

Terceiro colocado, o Cruzeiro vem lá atrás, com 17.425 sócios, cerca de um terço dos santistas. E só em quarto aparece o São Paulo, com 15.729 sócios. O Fluminense está em quinto, com 14.297; o Palmeiras em sexto, com 10.155 e depois vem o Vasco, em sétimo, com 6.547, sete vezes menos do que o contingente de torcedores do Alvinegro Praiano.

Fico aqui, nesta quarta-feira de cinzas, olhando esses números e matutando sobre que tipo de torcida realmente vale. A que participa ativamente da vida do clube, associando-se a ele, acompanhando seus passos, ou aquela distante, que diz que torce mas não faz nada, ou quase nada, pelo time do seu coração.

Penso nisso porque estou diante de outros dados significativos. Estamos apenas no dia 13 de fevereiro e cerca de 6,915 milhões de volantes da Timemania já foram preenchidos com o “time do coração” de cada apostador. Quando se sabe que a maioria das 5.570 cidades brasileiras têm casas lotéricas, não se pode duvidar da abrangência dessa enquete. Pois bem, e por ela o Santos, repetindo o que ocorreu em 2013, continua como o quarto time mais escolhido, com 257.387 votos, que representam 3,73% do total.

À frente do Santos estão Flamengo, o primeiro colocado, com 414.908 votos (6,01% do total), o Corinthians, com 369.597 (5,35%) e o São Paulo, com 271.499 votos, ou 3,93% do total. Note que uma distância de apenas 0,20% separa o continente de santistas do de são-paulinos.

Depois aparecem o Grêmio, em quinto, com 231.935 votos (3,36%); o Vasco, em sexto, com 255.688 (3,27%); o Palmeiras, em sétimo, com 224.200 (3,25%), seguido por Internacional (208.865, 3,03%), Fluminense (187.846, 2,72%) e, completando os dez mais, o Botafogo, com 183.305, ou 2,66%.

Note que também na Timemania exige-se uma participação do torcedor. É preciso que ele esteja disposto a ir até a casa lotérica e desembolsar algum dinheiro para fazer a aposta. Será que os santistas podem representar uma torcida menor do que algumas outras em números absolutos, mas são mais participativos e por isso se sobressaem além do esperado?

Tenho uma forte convicção que sim. Recentemente, aqui mesmo neste blog, Álvaro de Souza, membro do comitê gestor do Santos, revelou que o livro do Centenário do Santos, produzido pela Magma Editora, vendeu mais exemplares do que o livro do Centenário do Corinthians, produzido com o mesmo carinho pela mesma editora.

Eu completo dizendo que o cruzeiro do Centenário do Santos, mesmo divulgado apenas na Internet, teve a lotação total de 1.700 pessoas e, apesar da bebida à vontade e do show de rock pauleira do Charlie Brown Junior, transcorreu às mil maravilhas, sem nenhum incidente e com reuniões concorridíssimas que discutiam a história do Time dos Sonhos com a presença de ídolos lendários do Alvinegro Praiano.

Para mim, tudo isso comprova que a torcida do Santos é um pouco mais sofisticada do que a maioria, se preocupa não só com o momento, mas com a preservação da história do clube, está entre as que têm maior poder aquisitivo e que mais crescem no País.

Mais evidências desse crescimento…

Além da capital e do interior do Estado, a torcida do Santos tem grande presença no Paraná, em Minas Gerais, Mato Grosso e em variadas regiões do País. Esses dados geralmente passam despercebidos nas matérias sobre torcidas, mas como este é um blog atento aos números e às questões relativas ao Santos, trago informações que comprovam a força e o potencial da torcida do Santos também no restante do Brasil:

Em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, com 805.397 habitantes, o Santos tem 5,41% dos torcedores, contra 1,17% do Vasco. Na faixa etária de 16 a 24 anos os santistas representam 8,62%, ou dez vezes mais do que os 0,86% dos vascaínos (Vetor Pesquisas).

Em Salvador o Santos tem 6,60% dos torcedores, contra 5,70% dos vascaínos (Pesquisa Correio/Futura).

Em Pernambuco, segundo a Plural Pesquisas, santistas são o dobro de vascaínos na faixa etária de 16 a 24 anos.

Em Manaus o Santos é o segundo time paulista com mais torcedores, com 13%, contra 9% do Palmeiras (Instituto de Pesquisas do Norte – IPEN).

Em Londrina, principal cidade do Norte do Paraná, com 801.756 habitantes, os santistas representam um dos maiores contingentes, com 8,02% dos torcedores, quase o dobro dos flamenguistas, que contam com 4,71% (Instituto Paraná Pesquisas).

Em Curitiba, capital do Paraná, com 1,770 milhão de habitantes, o Santos tem 1,28% dos torcedores, contra apenas 0,28% do Vasco (Instituto Paraná Pesquisas).

Em Maringá, terceira cidade mais populosa do Paraná, com 690.376 habitantes, o Santos conta com 9,79% da torcida local, contra 6,10% do Flamengo (Instituto Paraná Pesquisas).

Na região de Três Lagoas e outras cidades do Mato Grosso do Sul fronteiriças com São Paulo, os santistas somam nada menos do que 13,50% dos torcedores, enquanto os flamenguistas chegam a apenas 5,56% (Vetor Pesquisas).

Em 2004, Interior empurrou o Santos para o título Brasileiro

O Santos tem uma dívida com o Interior de São Paulo, pois em 2004, quando foi punido insistentemente com perdas de mandos de campo e não pôde mais jogar nem na Vila Belmiro, nem no Pacaembu, os estádios do Interior Paulista, tomados por uma torcida apaixonada que dificilmente podia acompanhar o Santos, assumiu o seu papel de empurrar o time em busca de seu oitavo título brasileiro.

Com jogos em Presidente Prudente e São José do Rio Preto, o Santos caminhou firme em busca do caneco, conquistado finalmente em São José do Rio Preto, após vitória de 2 a 1 sobre o Vasco.

Na caminhada, o Santos goleou o Fluminense por 5 a 0, diante de 21.760 pagantes, em São José do Rio Preto. Robinho e Deivid estavam endiabrados e marcaram dois gols cada. Dirigido por Vanderlei Luxemburgo, o Santos jogou com Mauro, Paulo César, Leonardo, André Luís e, Léo; Fabínho, Ricardo Bóvio (Zé Elias), Ricardinho (Marcinho) e Elano; Robinho (Basílio) e Deivid. Reveja os gols:

E você, já tinha idéia da verdadeira dimensão da torcida do Santos?