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Carlos Goffi ao lado de John McEnroe, no final dos anos 70, e hoje, com Vanessa Riche. Joshua com o papai Pelé e hoje, treinando no seu time do coração: este é santista desde criancinha mesmo.

Como diz a Suzana, não há coincidências, e na vida e no mundo está tudo ligado. Passei a manhã de sábado conversando com Carlos Goffi, brasileiro que no seu primeiro emprego de professor de tênis, na academia de Port Washington, Nova York, foi designado para treinar John McEnroe, então um adolescente de 14 anos acima do peso.

Falamos de McEnroe, claro, mas falamos também de Josh, filho de Carlos, hoje diretor de tênis da prestigiada Universidade de Carolina do Sul. E, talvez pela coincidência de nomes, lembramos de Joshua, filho de Pelé, que acaba de ser inscrito na categoria sub-17 do Santos.

“McEnroe é do mesmo planeta de Pelé. São casos inexplicáveis”, pontuou Carlos em meio a um cafezinho sem açúcar no Macksoud Plaza.

Sim. Como explicar um garoto que vai à Europa para jogar a chave juvenil de Wimbledon, ganha um convite para a chave dos profissionais, perde apenas para Jimmy Connors na semifinal e volta para o hotel da garotada mordido, pois achava que tinha de vencer o número dois do mundo? Sem contar que duas semanas antes, em Roland Garros, tinha experimentado jogar duplas mistas entre os profissionais e terminara por levantar a taça, ao lado da também juvenil norte-americana Mary Carillo?

Carlos conhece a vida de McEnroe, de quem é amigo até hoje, desde o princípio. E acompanhou a carreira de Pelé inteirinha, pois já vivia em Nova York quando o Rei semeou a paixão pelo futebol entre os norte-americanos.

Obviamente não quis saber sua opinião sobre Joshua, a quem Carlos nunca deve ter visto jogar, como eu também não vi. Porém, se levássemos o conhecimento do tênis para o futebol, eu posso apostar que Carlos Goffi diria algo como:

“Se ele tiver o dom do pai, saberemos logo. Pois os homens de outro planeta não demoram para mostrar a que vieram à Terra”.

Eu completaria lembrando que mesmo Pelé não nasceu sabendo. Teve dois mestres pacientes que tinham sido exímios jogadores, como Dondinho, seu pai, e Waldemar de Brito, seu técnico no Baquinho. E no Santos Pelé ainda teve o apoio de Zito, seu protetor e conselheiro na Vila Belmiro.

Além do dom natural e de mestres incomparáveis, Pelé revelou dois atributos indispensáveis aos campeões: gostava de treinar, de se aperfeiçoar, e era extremamente competitivo. Buscava a vitória em qualquer momento e sob qualquer circunstância, e por isso inverteu tantos resultados nos últimos instantes da partida. Sua presença estressava os zagueiros por 90 minutos mais os acréscimos.

Mesmo que Joshua tenha habilidade e seja bem aconselhado, ainda precisará estar disposto a treinar mais do que os outros e, em campo, querer vencer acima de tudo, pois é dessa receita de dons naturais, bons mestres, dedicação incansável e absoluta obsessão pela vitória que são feitos os campeões.

Quanto tempo deveremos esperar para saber do que é feito Joshua? Difícil dizer, pois Felipe Anderson, que completará 20 anos em 15 de abril, ainda é uma incógnita. De qualquer forma, se os atletas extraordinários vêm de outros planetas, então na Vila Belmiro deve haver um portal de tempo ligado a algum recanto abençoado da galáxia que nos trouxeram Pelé, Edu, Coutinho, Robinho, Neymar… Tomara que Joshua também tenha vindo de lá.

Veja esta entrevista feita há oito meses, quando Joshua morava e jogava nos Estados Unidos e vinha ao Santos apenas para se aperfeiçoar:

Quanto tempo devemos esperar para ter uma opinião definitiva sobre um atleta jovem?