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Amanhã o Almanaque do Santos será lançado em Mongaguá, cidade do professor Guilherme Nascimento – que estará à espera dos amigos e dos santistas da região para lhes transmitir conhecimento sobre a maravilhosa história do Santos. Não perca!

Veja a lista dos 20 jogadores mais bem pagos do mundo. O único não europeu é Neymar, em uma surpreendente quinta colocação. Graças ao trabalho de sua trupe pessoal e do marketing do Santos, o garoto de 21 anos recebe 20 milhões de euros por ano e só ganha menos do que, pela ordem, David Beckham, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Samuel Eto’o. O que isso quer dizer? Ora, que é possível ser ídolo e milionário sem jogar na Europa. E é justamente por essa verdade escancarada que tantos querem que o Menino de Ouro se torne mais um maria-vai-com-as-outras.

Lucas, o impetuoso ex-são-paulino, está na lista dos top twenty? Não, o pobre rapaz, que desembarcou em Paris dizendo que queria ser o melhor do mundo, é apenas o terceiro jogador mais badalado do Paris Saint Germain, justamente o time do primeiríssimo Beckham e também do sueco Zlatan Ibrahimovic, que fatura 17,5 milhões de euros por ano e é bem mais amado pelos torcedores do PSG do que o rápido, driblador, mas imaturo e ingênuo Lucas.

Entre os 20 ainda há outro brasileiro? Sim, Kaká, do Real Madrid, é o décimo-terceiro de maior salário anual, com 14,5 milhões de euros. Mas Kaká, que já foi escolhido como o melhor do mundo, está valorizado na Europa? Infelizmente não. Muitíssimo ao contrário. O técnico Mourinho, por sinal o mais bem pago do planeta, com 12 milhões de euros anuais, já colocou o brasileiro à disposição do mercado, mas não saiu negócio. Nenhum clube pagou o que o Real queria.

Ou seja: fora da Europa Neymar ganha mais dinheiro, é mais respeitado e influi mais no futebol mundial do que todos os seus compatriotas que ralam as canelas pelos gramados sedosos do velho continente. O impacto do brasileiro nos jovens, mesmo sem sair do Brasil, é muito maior do que o obtido por quase todos os mais famosos jogadores em atividade nos grandes times europeus.

Porém, se a Europa estivesse esperando Neymar de braços abertos, cheia de amor para dar, talvez eu ficasse sem jeito de sugerir que ele ficasse por aqui, mas não é isso que ocorre. O lendário Johan Cruyff, jogador e técnico de renome, que contribuiu muito para o estilo insinuante de jogo do Barcelona, disse que o time catalão não precisa de Neymar e que ele só serviria para jogar para o Messi…

Ora, perder Neymar para o Barcelona já seria constrangedor, quanto mais vê-lo obrigado a ser garçom de Messi, o argentino que joga muito, mas é tão carismático como uma feijoada vegetariana.

Que seja o início da resistência sul-americana

Torço para que Neymar, se tiver de ir, que vá para a Europa só nas férias, ou quando tiver 36, 37 anos, como este Beckham que acaba de ser contratado pelo PSG. Não digo isso só porque sou santista, mas porque aprendi a ver o futebol brasileiro – e sul-americano – como o melhor, o mais técnico do mundo.

Dá muita pena ver os grandes clubes do continente de chapéu na mão. Cadê os poderosos argentinos? Cadê o Nacional e o Penãrol, que podiam vencer qualquer time na Terra? Pois eles, assim como os outros grandes clubes sul-americanos, jamais se erguerão enquanto perdurar a filosofia de se vender novos jovens talentos para o exterior.

E essa resistência, obviamente, não pode ser exercida apenas por um clube ou um jogador. É preciso que toda a comunidade futebolística americana – dirigentes, patrocinadores, atletas, imprensa – se una em torno deste objetivo.

Eu começaria pela reestruturação das competições sul-americanas, a começar pela Copa Libertadores. É preciso dar segurança às equipes e aos jogadores que disputam esses torneios.

E é preciso que os investidores e os meios de comunicação percebam que sem um futebol sul-americano poderoso, o esporte continuará penso, capenga, sem a arte e a emoção de seus melhores tempos.

E pra você, qual a saída para o futebol sul-americano?