neymar voador
Neymar voltou voando. O tetra é um sonho mais do que possível (Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

No jornalismo diário, quando o fechamento se aproxima e não dá mais tempo para obter novas informações sobre determinado assunto, o jornalista sabe que tem de fazer a matéria com o que está à mão. E mesmo assim o resultado final costuma ser interessante. Este mesmo dilema está agora diante do técnico Muricy Ramalho, Neymar e demais atletas do Santos. Não há mais o que pensar, nem pra onde correr. O time que buscará o histórico tetracampeonato paulista é esse que ontem, com alguma dificuldade, venceu o Guarani por 2 a 1, na Vila Belmiro. O resto são bromélias.

Rafael; Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Emerson Palmieri; Renê Júnior, Arouca, Cícero e Montillo; Neymar e André (depois Giva). O elenco ainda conta com Miralles, Patito Rodríguez, Felipe Anderson, Giva, Léo, Aranha, Jubal, Gustavo Henrique, Leandrinho, Victor Andrade, Pedro Castro… Dá para ser campeão com esse grupo? A resposta só pode ser uma: CLARO QUE DÁ!

Neymar voltou jogando bem, com um espírito mais coletivo. O segundo gol santista foi uma obra-prima de solidariedade. O Menino roubou a bola no meio-campo, driblou dois adversários e serviu com açúcar e com afeto para André só empurrar para as redes.

Montillo também parece mais solto, assim como Giva. Se analisarmos bem, o time titular está com quatro Meninos da Vila (Rafael, Émerson Palmieri, Neymar e André, ou Giva), três veteranos (Edu Dracena, Durval e o meio veterano Arouca), três contratados com experiência (René Junior, Cícero e Montillo) e Bruno Peres. É uma boa receita para um time campeão.

Há adversários que merecem respeito, obviamente. Os três grandes da Capital, mais a Ponte Preta, têm elencos e motivação para chegar ao título também. Mas o ex-trio de ferro hoje divide as atenções com a Copa Libertadores, o que é uma vantagem para o Santos, que pode focar apenas no Estadual.

Mesmo o Grande Santos viveu momentos difíceis

Confesso que também imaginava uma vitória folgada sobre o Guarani. Mas ganhar por apenas 2 a 1, na Vila Belmiro, de um time que está em penúltimo lugar, não deve ser motivo de desespero. Mesmo o Grande Santos dos anos 60 passou por dissabores bem mais dolorosos.

Creio que poucos saibam que em 1963, ano em que conquistou quatro títulos – Rio-São Paulo, Brasileiro (Taça Brasil), Copa Libertadores e Mundial Interclubes), o Santos sofreu derrotas acachapantes no Campeonato Paulista.

Logo depois de ser campeão do mundo, ao derrotar o Milan, no Maracanã, o Alvinegro Praiano voltou para o Campeonato Paulista e em um período de duas semanas – de 24 de novembro a 8 de dezembro – perdeu três vezes na Vila Belmiro para times considerados pequenos: 1 a 4 para o Botafogo de Ribeirão Preto, 1 a 2 para o Guarani e 1 a 5 para a Ferroviária (Duvida? Consulte o Almanaque do Santos, do professor Guilherme Nascimento, na página 131).

Portanto, recuso-me a enxergar o apocalipse nesta vitória apertada sobre o Guarani, um time de tradição, que está lutando ferozmente para não ser rebaixado. Até porque, se aproveitasse metade das chances que criou, o Santos teria goleado.

E você, acha que dá para o Santos ser tetra com o time que tem?