Um amigo me desafiou a dizer qual seria, então, a fórmula justa de divisão de cotas de tevê. Pois é muito simples: da verba da tevê destinada à Série A do Campeonato Brasileiro, 30% do valor seria distribuído igualmente entre os 20 participantes da competição; 40% seria dividido conforme a classificação dos clubes no campeonato e 30% de acordo com a audiência obtida na tevê.

Com essa fórmula estaria garantida a competitividade e o estímulo ao mérito e à competência, pois para ganhar uma cota maior um clube teria de ser o campeão, ou ficar entre os primeiros. A audiência não seria esquecida, mas teria peso um pouco menor.

“Mas se um time grande for campeão, provavelmente também dará mais audiência e com isso continuará ganhando muito mais do que os outros. Isso não manterá o desequilíbrio?”, quis saber ele.

Bem, mas aí os ganhos maiores desse clube seriam provocados unicamente por seus méritos, e não haveria nada a reclamar, já que os outros tiveram as mesmas chances e foram superados. O que é injusto e provoca a reação negativa dos torcedores é a reserva de mercado para alguns clubes, o que fere as regras do jogo.

Do jeito que está hoje, uma equipe menor, como a Ponte Preta, pode apresentar um time e um futebol fantásticos, dar grandes espetáculos, bater recordes de audiência na tevê, ser finalmente campeã nacional, e mesmo assim ganhará uma cota infinitamente inferior do que quase todos os clubes considerados grandes no Brasil. Isso é justo?

Não haveria adiantamento de verba

Para que o sistema funcionasse, os clubes também deveriam se organizar, pois a única verba passível de ser adiantada pela tevê seria a de 30% referente à participação na Série A. Os 40% subordinados à classificação das equipes e os 30% da audiência só poderiam ser pagos ao final da competição.

Hoje há muitos clubes que já pediram cotas adiantadas e por isso certamente seriam contrários a um sistema que impedirá esse hábito tão maléfico ao futebol brasileiro. Porém, essa dificuldade teria de ser superada para se chegar a essa fórmula que não tiraria de ninguém, mas daria ao torcedor brasileiro a confiança de voltar aos estádios e acreditar novamente na força do nosso futebol.

Veja que com essa nova divisão de cotas, feita de forma cristalina, sem contratos sigilosos, a tevê estaria contribuindo para a evolução do futebol brasileiro, estimulando os clubes a serem cada vez mais organizados, competentes, melhores. Em pouco tempo a própria tevê deixaria de ser olhada com desprezo – como ocorre hoje – para ser respeitada. Quanto aos torcedores, os verdadeiros amantes do futebol, eles apoiariam essa fórmula que inibiria as retrancas, os jogos com cartas marcadas, pois os times teriam de entrar para vencer, para subirem na tabela, ou não conseguiriam verba para continuarem competitivos.

Bem, é isso o que eu penso sobre cotas de tevê. E você, o que acha?