Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: abril 2013 (page 1 of 5)

A batalha será em Mogi Mirim

estadio do mogi
Aqui o Santos buscará a sua quinta final consecutiva no Paulistão

Chegou-se a noticiar que a semifinal entre Mogi Mirim e Santos seria no Pacaembu, com toda a renda para o time do Interior. Esta ao menos era a proposta do vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues. Mas o presidente do Mogi Mirim, Wilson Bonetti, não aceitou. Insistiu que a partida do próximo sábado, às 18h30m (ao vivo pelo Sportv) tinha de ser mesmo no estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira, o “Romildão”, premiando a melhor campanha do Mogi Mirim.

Sim, mesmo de posses bem limitadas, se comparado ao Alvinegro Praiano, o Mogi Mirim conseguiu realizar campanha melhor no Campeonato Paulista e ganhou o direito de jogar a semifinal em casa, em um confronto que está sendo anunciado pela imprensa local como “O jogo do século”.

Com uma vitória a mais (36, contra 35), menos gols sofridos (19 a 21), mais gols marcados (36 a 35) e melhor saldo de gols (17 a 14), o Mogi teve um rendimento melhor do que o Santos até aqui e quer aproveitar essa vantagem para tentar, em casa, uma inédita classificação para a final do Paulista.

Dos 16 mil ingressos colocados à venda, seis mil serão destinados aos torcedores do Santos, com a renda dividida entre os dois times. Para buscar a sua quinta final consecutiva no Paulistão, o Santos terá de fazer mais uma semifinal no campo do adversário, o que ocorreu no ano passado, quando venceu o São Paulo, no Morumbi, por 3 a 1.

Desta vez, porém, o time treinado por Muricy Ramalho se vê na obrigação de crescer nos jogos decisivos, pois até aqui não tem apresentado um rendimento tão equilibrado como o do ano passado, em que tinha jogadores como Elano, Paulo Henrique Ganso e Alan Kardec.

Qual dos dois Santos é melhor?

O Santos que venceu o São Paulo no ano passado jogou com Rafael, Maranhão, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Alan Kardec.

O time que deve iniciar o jogo contra o Mogi será formado por Rafael, Galhardo, Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Junior, Arouca, Cícero e Montillo; Neymar e Miralles.

Que Mogi é esse?

Um time destemido, que joga para ganhar – este é o Mogi Mirim que o Santos terá pela frente no sábado. A defesa é boa, com o goleiro Daniel; os zagueiros Mateus, Tiago, Lucas Fonseca e João Paulo; mas o forte mesmo é o meio-campo e o ataque.

Domingo, na goleada contra o Botafogo de Ribeirão Preto, jogaram Magal (depois Guto), Val, Wagner (Adilson) e Roger Gaúcho; Henrique e Ronei (Waguininho).

O técnico Dado Cavalcanti conseguiu montar uma equipe solidária, que marca forte, é muito rápida no contra-ataque e não tem medo de chutar a gol. Vários de seus jogadores batem bem de fora da área.

Jogo equilibrado

Assim como na partida contra o Palmeiras, o Santos tem jogadores mais técnicos e experientes, mas se não igualar na disputa pela bola, dificilmente sairá classificado de Mogi. Acredito que é impossível dar o favoritismo para uma das equipes. A teórica superioridade técnica do Santos é anulada pelo fato de jogar no campo do adversário, que está bastante motivado.

Reveja os gols da semifinal do Paulista do ano passado:

E você, acha que jogar em Mogi diminui as chances do Santos?


Santos terá de mostrar mais para passar pelo Mogi

Mais precisão no ataque, mais atenção na defesa – o Santos terá de ir além do que mostrou contra o Palmeiras para passar pelo Mogi Mirim, nas semifinais, e se classificar para sua quinta final consecutiva do Paulistão, aquela que pode lhe dar o histórico tetracampeonato do Estado.

Pelo irregular desempenho santista contra o Palmeiras, e pela incrível performance do Mogi na goleada de 6 a 0 sobre o Botafogo, já se pode prever um duelo equilibrado em Mogi. Mesmo com Neymar e outros jogadores de destaque, o Alvinegro Praiano terá de ser um time aplicado e determinado para alcançar a vaga na decisão.

Esse Mogi não é um time que se encolhe na defesa. Ao contrário. E essa ousadia faz dele o dono do ataque mais positivo da competição, um título, aliás, que costuma pertencer ao Santos.

Na fase de classificação o Mogi aproveitou alguns descuidos do lado esquerdo da defesa santista para empatar em 2 a 2 na Vila Belmiro, com o segundo gol no finzinho do jogo. Essas bobeadas não poderão ocorrer na semifinal.

Uma coisa é certa: não dá para ir para esse jogo decisivo sem estudar a fundo o adversário. Para dar uma humilde contribuição ao técnico Muricy Ramalho e à comissão técnica do Santos, o blog traz os melhores momentos de Santos 2, Mogi 2, na Vila Belmiro, e de Mogi 6, Botafogo 0, domingo, em Mogi. Veja você também e tire suas conclusões:

Santos 2 x 2 Mogi Mirim:
http://youtu.be/xvwqPFF-2N0

Mogi Mirim 6 x 0 Botafogo RP:
http://youtu.be/_8q01IepWD8

E pra você, como o Santos deve se preparar para enfrentar o Mogi?


Vamos Santos! Agora faltam mais três batalhas para o Tetra!

rafael - penaltisrafael defende - santos x palmeiras
Com elasticidade e muita fé Rafael pegou dois pênaltis e manteve o Santos no caminho do tetracampeonato Paulista (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC).

Como se poderia prever, não foi fácil. Mesmo com mais time no papel, mesmo com a iniciativa do jogo, mesmo com o time criando – e perdendo – várias oportunidades de gol, mesmo com a inexplicável escolha do técnico Muricy Ramalho por André, mesmo com torcida e estádio a favor, o Santos só passou pelo aguerrido Palmeiras na disputa de pênaltis, depois de sofrer o gol de empate a sete minutos para o final.

Cícero marcou aos 12 minutos, aproveitando um chute de Neymar, e a partir daí o goleiro Bruno salvou o Palmeiras em várias oportunidades, duas delas defendendo chutes à queima-roupa de Neymar (em outra oportunidade o atacante santista quis encobrir o goleiro e jogou a bola pra fora).

Mesmo dominado, o Palmeiras não deixou de acreditar no empate. Sua persistência foi premiada aos 38 minutos do segundo tempo, quando Souza driblou Renê Junior e cruzou para a pequena área. Edu Dracena, que vinha jogando bem, saiu pouco do chão e Kléber, às suas costas, meteu um cabeçasso para empatar.

Nos pênaltis, Rafael defendeu as cobranças de Leandro e Kleber. Apenas Souza e Wesley converteram para o Palmeiras. Os quatro santistas que cobraram, marcaram: Miralles, Cícero, Montillo e Renê Junior.

A próxima batalha pelo inédito tetracampeonato paulista não deverá ser menos difícil. Entrosado e ofensivo, o Mogi Mirim arrasou o Botafogo com uma goleada de 6 a 0 e agora esperará o Santos em Mogi. O time do interior, montado com muito menos dinheiro do que o Santos, mas com mais critério e sabedoria – seu presidente é Rivaldo e seu departamento de futebol é dirigido por ex-boleiros experientes –, parece melhor e mais motivado do que o Alvinegro Praiano, que, no entanto, tem os jogadores mais experientes e, teoricamente, mais técnicos.

Passando pelo Mogi, o Santos terá uma final em dois jogos, cuja segunda partida poderá ser no campo do adversário. Ou seja, não se prevê nenhuma facilidade até a esperada conquista do sonhado tetra. É hora de a torcida jogar mais com o time e empurrá-lo para este feito histórico!

Veja os gols marcados – e perdidos – e a disputa de pênaltis de Santos 1 (4) x 1 (2) Palmeiras:
http://youtu.be/tDf7kRYbJ9Y

O que você achou do jogo contra o Palmeiras e o que espera do duelo com o Mogi?


E se Neymar não puder jogar?

Mal o árbitro apitou o final do jogo da Seleção Brasileira com o Chile, na noite de quarta-feira, e Neymar levou a mão à coxa. Parecia virilha, o que requer duas semanas de recuperação, mas ele disse que foi uma pancada na coxa. De qualquer forma, talvez ele não seja escalado contra o Palmeiras no confronto deste sábado à tarde, na Vila Belmiro, que definirá uma vaga para as semifinais do Campeonato Paulista. O torcedor se pergunta: poderá o Santos vencer o aguerrido Palmeiras sem Neymar?

A não ser a partida em que derrotou o Cerro Porteño, em Assunção, por 2 a 1, no emblemático 14 de abril de 2011, não me lembro de outro jogo decisivo do Santos sem a presença do Menino de Ouro. Naquela noite paraguaia, que marcou a primeira presença do técnico Muricy Ramalho à frente do Santos, o time jogou com Rafael, Jonathan, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Adriano, Danilo e Paulo Henrique Ganso; Diogo e Keirrison. No segundo tempo entraram Pará no lugar de Arouca, Maikon Leite no de Diogo e Alex Sandro no de Keirrison.

Como já dissemos neste blog, Neymar tem sido a chamada “bola de segurança”. A partida complicou? Joga no garoto que ele resolve. Sem ele, obviamente, muita coisa muda no time. Mas não vejo só aspectos negativos na sua possível ausência.

Sem Neymar, outras individualidades terão de aparecer. Será a grande oportunidade de jogadores como Montillo, Cícero, André, Giva, Miralles, Arouca, Renê Junior e outros mostrarem que mesmo sem o grande craque e ídolo, podem formar um time forte e vencedor.

Será a hora de vermos fluir as individualidades, hoje um tanto apagadas pela hegemonia de Neymar. Por que um outro jogador não poderá partir para uma jogada pessoal e chegar ao gol adversário? O que o impedirá, já que Neymar não estará em campo disposto a receber todas as bolas (e a cobrar todas as faltas e pênaltis)?

Enfim, o lado positivo de não se ter Neymar contra o Palmeiras é que os outros jogadores do Santos terão a excelente oportunidade de provar que fazem jus ao alto salario que recebem e que merecem continuar no time no restante da temporada.

Resumindo, será uma questão de honra para seus companheiros vencer o Palmeiras sem Neymar, e talvez isso torne o Santos mais aguerrido, mais determinado do que seria caso pudesse contar com a genialidade do Menino para decidir a partida na hora que quisesse, do jeito que quisesse, passando a impressão de que o futebol é bem mais simples do que realmente é.

Está com tempo? Veja o jogo completo em que o Santos, sem Neymar, venceu o Cerro Portenõ, no Paraguai, por 2 a 1:

Agora eu lhe pergunto: e se Neymar não puder jogar?


Combater a violência é reduzir a ignorância

Muitos me pediram para escrever sobre a morte de Victor Hugo Deppmann, 19 anos, assassinado na noite de 9 de abril por um menor interessado em lhe roubar o celular novo. Estudante de rádio e TV na Faculdade Cásper Líbero, estagiário na RedeTV, Victor era um rapaz forte e saudável que fazia musculação e jogava futebol. Ele chegava à portaria de seu prédio, no bairro de Belém, São Paulo, quando foi abordado pelo assaltante que acabou lhe dando um tiro na cabeça.

Santista fervoroso, Victor guardava na memória o dia em que, ainda criança, entrou no campo da Vila Belmiro segurando a mão do ídolo Robinho. Mesmo tão jovem, sua paixão pelo Santos era tamanha que seus pais resolveram estender a bandeira do Alvinegro Praiano sobre seu caixão.

Foi um santista, como poderia ter sido um são-paulino, corintiano, palmeirense, flamenguista… Nessa hora, há algo bem maior em jogo do que o time de coração de cada um. O jovem brasileiro não pode viver com medo, estressado pela possibilidade da violência e da morte a cada vez que sai de casa.

A morte de Victor Hugo reacendeu as discussões sobre a redução da maioridade penal para 16 anos. Há forte pressão da sociedade para que desta vez a lei passe. Creio que esta possa ser uma das medidas para reduzir a espantosa violência que aflige a população brasileira, principalmente os jovens. Mas acho que de nada vale aprovar leis se elas não são conhecidas e muito menos respeitadas. O que quero dizer é que a impunidade está diretamente relacionada à ignorância das leis.

Desconhecer as penas incentiva a impunidade

Lembra-se de quando fomos obrigados a usar cinto de segurança? No começo muitos eram contra, falavam até de invasão de privacidade e outras baboseiras. Foi preciso um grande trabalho de esclarecimento – e por meio dele ficamos sabendo que a multa para quem desobedecesse a lei era bem pesada. No final, o resultado não poderia ter sido melhor. Hoje usamos o cinto de segurança automaticamente, o hábito acabou sendo incorporado ao ato de dirigir.

O mesmo processo ocorreu com as várias leis que tornam a vida em países de primeiro mundo mais segura e confortável. No começo as penas para jogar objetos na rua, destruir patrimônio público atravessar fora da faixa etc tiveram de ser divulgadas e esclarecidas exaustivamente. Muita multa teve de ser paga até que a população pegasse o espírito da coisa.

O exemplo da segurança dos estádios europeus é o mais sintomático. Não há fossos ou alambrados para impedir que o torcedor invada o campo. Mas há um obstáculo bem maior, que é a consciência de todos a respeito das penas sofridas caso cometam essa infração: além de multa e/ou prisão, ficarão anos, talvez a vida toda, sem poder voltar a um estádio.

Por que não passar a divulgar, no Brasil, as leis e as penas relacionadas a cada infração, a cada crime cometido pelos torcedores? Qual a consequência de se brigar no estádio ou em seus arredores? De atirar objetos no campo, ou invadi-lo? De invadir a área destinada à torcida adversária? De entoar cânticos incentivando a violência? De ferir gravemente ou matar alguém?

Por que não inundar os estádios e seus arredores com câmeras de segurança? Por que não aplicar as leis que já existem e preveem o afastamento dos infratores dos jogos de futebol? Por que não promover uma investigação rigorosa em todas as torcidas organizadas e, se não houver remédio, extingui-las todas? Por que não iniciar uma campanha de denúncias contra os criminosos, incentivando as população a usar o telefone 181?

Além dos variados veículos de comunicação, há a possibilidade de se distribuir filipeta nos estádios, usar o serviço de som dos mesmos para reforçar a campanha… Enfim, chegou o momento de tolerância zero nos estádios de futebol… e na sociedade brasileira.

A ignorância das leis facilita a entrada de menores no mundo do crime. E uma vez que entram, não saem mais. Portanto, é mesmo essencial que a maioridade penal seja reduzida para, no mínimo, 16 anos. Mas isso não basta. Será preciso construir lugares apropriados para receber essa multidão de novos infratores (se bem que um país que gasta tanto com estádios, pode muito bem investir em presídios e ambientes correcionais).

Tudo começará, porém, com a simples, barata e eficaz divulgação das leis ligadas ao combate à violência. Conhecê-las ajudará os pais a orientar e prevenir seus filhos. Está comprovado que o mero conhecimento das consequências de seus atos pode inibir muitos dos prováveis infratores. Parece pouco, mas é o que está ao nosso alcance. Façamos…

E você, o que você sugere para combater a violência?


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