santos a maior torcida em 1969

A matéria acima foi publicada em uma revista especial sobre o Santos editada pelo Lance. Seu autor, o jornalista Mauro Cezar Pereira, nada tem de santista. Ao contrário. É simpatizante ferrenho do Flamengo.

Realmente, quem é daquele tempo, ou ao menos têm o hábito de se informar sobre a história do futebol antes de ter uma opinião formada, sabe que em 1969, depois de ganhar a média de dois títulos oficiais por ano, realizar dezenas de partidas espetaculares, manter-se como o time-base da Seleção Brasileira (que nesse período fez três jogos com oito titulares santistas) e ter, acima de tudo, o Rei Pelé, o Santos chegou o mais perto que um time brasileiro já chegou de ser uma unanimidade nacional.

É impressionantes constatar que a soma das torcidas de Flamengo e Corinthians não chegava perto do contingente de santistas em todo o Brasil. Enquanto o Santos tinha 49% das preferências, a soma de flamenguistas, com 20%, e corintianos, com 14%, dava 34%, 15% a menos do que o líder.

Vitórias, títulos, futebol bonito, ídolos…

Essa pesquisa do Ibope em 1969 mostra que a receita para se formar uma grande torcida não passa por misticismos, religiosidades e outras bobagens que alguns usam para iludir o povo incauto. Não há outra forma a não ser vencer belos jogos, conquistar títulos e ter e manter ídolos de expressão nacional e, se possível, internacional.

Enquanto preencheu esses requisitos, a torcida do Santos cresceu, ou ao menos se manteve entre as maiores do País. A queda começou a ocorrer sentidamente a partir de meados dos anos 80, quando o elenco campeão paulista de 1984 foi desmanchado e o time deixou de lutar pelos títulos.

“Dei uma olhada do túnel e vi que tinha mais santista do que corintiano no Morumbi naquele dia. Voltei para o vestiário e incentivei meus companheiros. A torcida tinha feito sua parte, a gente tinha de fazer a nossa. Entrei em campo com a certeza de que seríamos campeões”, afirma Serginho Chulapa, lembrando o último jogo do campeonato Paulista de 1984, em que o Santos venceu por 1 a 0 – gol dele, Serginho – e impediu o rival de se tornar tricampeão do Estado.

Vacas magras. Magérrimas…

Um pai que ama seu filho, quer que ele sofra? Obviamente, não, e por isso não há como fazer uma torcida crescer, ou deixar de diminuir, em um longo período de vacas magras. Isso que palmeirenses e vascaínos estão sofrendo agora os santistas sofreram de 1985 a 2002.

Tudo bem que nesse período Márcio Rezende de Freitas surrupiou o título brasileiro de 1995 e o Santos ainda foi campeão do Rio-São Paulo em 1997 e da Conmebol em 1998, mas era muito pouco para uma torcida acostumada a comemorar duas taças por temporada. Nesse período, temos de admitir, a torcida do Santos regrediu. Mesmo em São Paulo acabou superada pelos outros três grandes.

Os novos Meninos e o renascimento

O título brasileiro de 2002, conquistado em uma final memorável por um bando de novos Meninos da Vila liderados por Diego e Robinho, começou, naturalmente, a atrair torcedores mirins para as fileiras santistas.

O melhor é que não se tratou de uma conquista isolada. A partir daí o Santos se colocaria entre os primeiros e geralmente brigaria pelo título em qualquer competição da qual participasse. Vice-brasileiro e vice da Libertadores em 2003, campeão Brasileiro em 2004, bicampeão paulista em 2006/07, campeão da Copa do Brasil em 2010, da Libertadores em 2011, tricampeão paulista em 2010/11/12, da Recopa em 2012, vice Mundial em 2011…

O futebol também voltou a ser espetacular, mormente no primeiro semestre de 2010. E também surgiram ídolos, como Paulo Henrique Ganso e Neymar, este último o grande ídolo brasileiro do momento.

Todas essas circunstâncias dão ao santista o direito de sonhar com um aumento exponencial de sua torcida. Não creio, porém, que nenhum time brasileiro possa atingir os altíssimos índices de preferência que o Santos alcançou em 1969, quando completou 12 anos de domínio absoluto no futebol nacional. Mas quem já chegou lá, tem o direito de sonhar…

E você, o que pensa sobre isso?