Um dos objetivos deste blog é fazer as pessoas enxergarem as intenções jornalísticas por trás das notícias. No caso de Neymar, todo mundo já percebeu os motivos de quem está interessado em ver o garoto longe do Santos e do Brasil. Não há nada de edificante nisso. Mas agora peço que percebam a campanha de alguns veículos – como o UOL e a ESPN – contra José Maria Marin, o presidente da CBF.

Que Marin é flor que não se cheira já se sabia há muito tempo. Mas agora há uma verdadeira campanha para tirar o homem do comando da CBF. Até sua cumplicidade com a ditadura militar foi revivida. A ordem é pintá-lo como o pior dirigente possível para o futebol brasileiro. Até aí tudo bem. Imprensa existe para investigar a vida dos dirigentes mesmo, já que é recomendável que tenham, no mínimo, bons antecedentes e nada que os desabone…

Porém, será que a intenção é apenas destituir Marin? Claro que não. O objetivo maior é guindar ao cargo Andres Sanchez, parceiro do ex-presidente Lula, nome trabalhado nos bastidores para assumir a CBF nesses tempos gordos de Copa das Confederações e Copa do Mundo.

Agora, se Sanchez é um candidato natural ao cargo mais importante do futebol brasileiro, será que não seria igualmente jornalístico sabermos um pouco mais do passado do ex-presidente corintiano? Sabemos que ele foi um dos fundadores da torcida organizada “Pavilhão 9” – dado nome em homenagem ao pavilhão mais violento do Carandiru –, que mantinha um cargo não remunerado nas divisões de base do Corinthians, tornou-se vice-presidente do clube na gestão de Alberto Dualib e assumiu o poder com a desgraça do titular.

Da mesma forma que a vida de Marin tem sido devassada em nome do bom jornalístico investigativo, não seria justo tentar descobrir um pouco mais do passado de Sanchez, de seus negócios e de como ganhou a vida até aqui? Pois é. Desconfie de campanhas da imprensa contra ou a favor de alguém. Elas sempre escondem segundas intenções.

Se o objetivo fosse tirar a CBF de mãos interesseiras, suspeitas e parciais e entregá-la para administradores honestos, éticos e competentes, outros nomes deveriam estar entre os cogitados. Sanchez é mais do mesmo. Pior: é mais um instrumento da espanholização do futebol brasileiro.

A aula de PVC no caso Neymar

Depois de tentar, por cinco minutos, assistir ao programa “Bem Amigos” e ouvir seguidos elogios a Galvão Bueno – todos vindos dele mesmo –, pulei para a ESPN, onde José Trajano, PVC e outros dois participantes juntavam-se em torno de uma mesa para discutir os grandes temas do nosso futebol.

Um senhor alfinetou dizendo que Neymar deveria estar desanimado de jogar o Campeonato Paulista e assistir, pela tevê, a Champions League, onde deveria estar se já tivesse ido para a Europa. Foi a deixa para levar uma aula tão precisa do sempre bem-informado PVC que o senhor quase encostou o queixo na mesa, como se quisesse enterrar-se nela.

Se for para o Barcelona agora, lembrou PVC, Neymar terá de ceder ao clube espanhol 50% de toda a verba que recebe de seus patrocinadores. Outro detalhe, corroborado por Trajano, é que pela diferença do calendário futebolístico entre o Brasil e a Europa, Neymar estará descansado durante a Copa de 2014, enquanto os europeus estarão exaustos, o que aumentará a chance de o brasileiro se sair bem no Mundial e ter o seu passe ainda mais valorizado.

Antes de uma Copa o caminho natural para o jogador brasileiro que está no exterior é voltar ao Brasil, e não o inverso. Até porque há um período de adaptação para o jogador que sai do País e Neymar não pode correr o risco de abandonar o conforto do Santos e enfrentar as diferenças de estilo de jogo, clima, comida e idioma que encontrará na Europa.

E você, tem percebido os lobbies da imprensa esportiva?