A chacoalhada que o Bayern deu no Barcelona ontem, enfiando 4 a 0 nos espanhóis, deve ter deixado um gordo percevejo atrás da orelha dos baba-ovos do time catalão que abundam no Brasil. Doutores de futebol que só conhecem o esporte a partir da geração Dunga e Zinho, já tinham decretado que este mesmo Barça que ontem correu o tempo todo como uma cucaracha tonta atrás dos chucrutes, é o melhor time de todos os tempos e Messi – segurem-se – mais completo que Pelé.

Uma marcação mais dura, um pouco menos de espaço, e o argentino e o Barça sumiram. O jogo solidário, determinado, destemido, e a consciência das fraquezas do time espanhol explicam o resultado. Os dois primeiros gols saíram de bolas cruzadas da direita no chamado segundo pau, onde qualquer um que saltasse com Daniel Alves levaria vantagem. No primeiro gol o máximo que o brasileiro conseguiu foi alcançar o umbigo de outro brasileiro, Dante, que apenas tocou de cabeça para Thomas Muller, também de cabeça, abrir o marcador.

No segundo tempo, quando se imaginava que o Bayern iria respeitar o Barcelona e recuar para garantir o resultado, ocorreu o contrário. Como um tubarão que sentisse cheiro de sangue, ou um touro que percebesse o medo nos olhos do toureiro, o grande time alemão continuou fustigando, e veio o segundo, em um escanteio da direita direto para a posição de Daniel Alves (Mario Gomes), o terceiro (Robben) e o quarto (Muller). Só não veio mais porque o Bayern deve ter considerado a classificação garantida.

Sofrer uma goleada não faz do Barcelona um time qualquer. Agora jogará em casa e tentará o improvável. Mas, de qualquer forma, uma derrota como essa, em uma semifinal de Liga dos Campeões, é vergonhosa. Ainda mais para um time que alguns diziam ser o melhor que já pisou em um campo de futebol.

Santos, nove títulos seguidos em apenas dois anos!

Base da Seleção Brasileira bicampeã mundial em 1958 e 1962, time do Rei Pelé, o Santos conseguiu a proeza de conquistar nove títulos seguidos entre meados de 1961 e o final de 1963. Nesse período foi duas vezes campeão paulista, duas brasileiro (Taça Brasil), duas da Libertadores e duas Mundial. De quebra ainda ganhou um Torneio Rio-São Paulo. Só esses dois anos, em meio à decada dourada dos 60, já coloca o Alvinegro Praiano em um patamar acima de qualquer outro time na história.

E mesmo quando perdeu uma partida internacional decisiva, jamais aquele Santos tomou uma piaba dessas. Caiu diante do Independiente da Argentina na semifinal da Libertadores de 1964 por apertados 3 a 2 no Brasil e 2 a 1 na Argentina, e nesses jogos atuou sem Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pelé.

Não passou pelo Peñarol na semifinal da Libertadores de 1965, mas venceu no Brasil (5 a 4), perdeu no Uruguai com gol nos últimos instantes (3 a 2), numa noite de roubalheira explícita, e só foi eliminado na terceira partida (2 a 1), com um gol na prorrogação, quando tinha um jogador a menos, pois Zito se arrastava em campo e não podia ser substituído.

Por isso, mesmo não disputando mais a Libertadores nos anos 60 – apesar de ter o direito de fazê-lo em 1966, 1967 e 1969 –, o Santos manteve o prestígio de melhor time do mundo e espalhou sua arte pelo planeta em troca das bolsas mais caras pagas para um time na época.

Outro detalhe é que o Santos dependia menos de Pelé do que o Barcelona de Messi. Na decisão da Libertadores de 1962, mesmo sem o Rei do Futebol, machucado, o Alvinegro Praiano foi a Montevidéu enfrentar o Peñarol, então campeão do mundo, e venceu por 2 a 1, com dois gols de Coutinho.

Reveja alguns lances do histórico Peñarol 1, Santos 2:

E você, acha que dá pra comparar este Barcelona com o Santos de Pelé?