Sim, este blog é do Santos. Mas, assim como um homem, um time não é uma ilha. Os bons e maus exemplos existem para serem copiados ou evitados. E os meninos do Palmeiras, ao vencerem o Libertad e garantirem a surpreendente classificação antecipada para a próxima fase da Libertadores, mostraram mais uma vez que no futebol a alma impulsiona o corpo. E é justamente essa alma, esse espírito irresistível e vencedor que o santista quer ver novamente levando o Alvinegro Praiano a novas e empolgantes conquistas.

Espero que o exemplo do Palmeiras mexa com os brios de Neymar & Cia. Quem daria um tostão furado pelos palestrinos depois daquela coça tenística sofrida diante do Mirassol? E quem poderia supor que, desfalcado de dez jogadores, o Palmeiras venceria o Tigre e iniciaria um caminho que substituiria a vergonha pelo orgulho, o desânimo pela esperança?

Como imaginar que diante do experiente Libertad, e com apenas 10 jogadores – já que o badalado Wesley acabou expulso – o time vencesse e garantisse a vaga em um Pacaembu multicolorido? Tudo bem, nem todos eram garotos. O autor do gol, Charles, é aquele jogador já rodado que passou pelo Santos e pouco fez. Porém, quando foi preciso, todos se transformaram novamente em meninos correndo atrás da bola em um terreno baldio, em busca de uma vitória para guardar para sempre.

Enquanto isso, nosso Santos é o avesso do avesso do avesso. Nunca o clube que nasceu sem dinheiro até para pagar as passagens de trem até São Paulo, viveu situação de tamanha abastança. Fala-se em salários de 150, 200, 300 mil reais nos corredores da Vila com a mesma naturalidade com que eu e você reclamamos do preço do quilo do tomate. Porém, se é verdade que jamais o Santos teve um time de milionários, como agora, também é correto dizer que em tempo algum praticou um futebol tão pobre – de técnica e imaginação.

Seria o remédio para seus males a mesma força da juventude que bafejou o Palmeiras, ou o espírito vencedor – que insufla indistintamente jovens e veteranos – está apenas esperando chegar o momento oportuno para aflorar com toda sua energia?

Devemos ainda esperar que veteranos como Edu Dracena, Durval e Léo ganhem pernas e ares para perseguir o rápido adversário nas finais do Paulista, ou jovens menos experientes, porém mais cheios de fôlego, velocidade e sonhos, como Gustavo Henrique, Jubal e Émerson Palmieri, devem começar a assumir os seus lugares no destino alvinegro?

Do que sabemos do precavido comandante Ramalho, não creio que justo nesta reta final ele abandone a modorrenta guerra de trincheiras para se expor em campo aberto. O Santos virou um time cauteloso e metódico, que não faz mais do que o suficiente. Essa, positivamente, não pode ser a filosofia de uma equipe atavicamente jovem, que não teme os perigos e tem sua essência no afrontamento dos desafios.

Talvez o Palmeiras nem chegue à final da Libertadores, mas nessa quinta-feira seus jogadores, sua comissão técnica, sua diretoria e, principalmente, sua torcida, viveram um lindo momento de redenção e harmonia no Pacaembu. Momento de ser feliz apenas por ter coragem! Momento que os santistas têm esperado a cada semana… em vão.

E você, o que você achou do exemplo dos meninos do Palmeiras?