neymar e monica
Na festa de Neymar e Mauricio de Sousa, uma revelação: Magali é santista!

Tinha um tio que gostava de discursar sobre a vida após a morte. Um dia me enchi e sugeri que nos preocupássemos com a única vida que temos. Se existisse outra, que premiasse os justos e os bons, ótimo, mas só teríamos certeza depois do apito, digo, suspiro final. Lembro isso agora porque o caso me faz lembrar a comoção provocada pelo último pronunciamento do sr. Neymar.

No lançamento do personagem Neymarzinho, de Mauricio de Souza, Neymar pai disse que após a Copa de 2014 terá 100% dos direitos do filho e então ambos decidirão para que clube europeu o jovem ídolo irá.

Nós, santistas, somos emotivos e sonhadores e queremos ver Neymar repetir a longa histórica de amor entre Pelé e o Alvinegro Praiano. Porém, os tempos são outros. E os pais também. Dondinho, o progenitor do Rei do Futebol, jamais insistiu ou quis que o filho abandonasse o Santos.

Católico, Dondinho acreditava na justiça divina e cultivava a gratidão, um dos sentimentos mais nobres que um homem pode ter. Jamais incentivaria o filho a virar as costas para o clube que lhe deu guarida e apoio e tornou menos áspero o seu caminho no futebol.

Hoje os tempos são outros e outra também a fé. Ensinam-se em igrejas improvisadas até em garagens que a prosperidade material é um direito e um dever do cristão. Balela! É impossível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo.

Estou dizendo com isso que o pai de Neymar é um mau cristão? Não, em absoluto. Sei que ele deixou de pagar o dízimo em sua igreja desde que o talento do filho o enriqueceu, mas não sei que destino dá aos milhões que recebe. Vai ver reserva uma parte para obras assistenciais, para ajudar pessoas como ele também foi um dia.

Vai ver ainda se lembre das vezes em que, mesmo embaixo de chuva, levava e trazia o pequeno Neymar em sua moto barata. Vai ver ainda se recorde dos tempos em que ele, a mulher e o casal de filhos viviam felizes e unidos, mesmo sem a fama e a fortuna que hoje os embala – e os separa.

Sim, quando terminar o contrato, talvez Neymar possa ir embora e deixe o fique sem um tostão. Mas veja que coisa curiosa: justo o Santos, que é uma empresa e que se programou para ser estritamente profissional, acabou deixando-se levar pelo coração, pelo sonho, pela paixão por um menino que trouxe com sua genialidade um pouco do passado de ouro construído pela geração de Pelé.

E justo o pai de Neymar, que vivia na igreja, que sabia tudo sobre os ensinamentos de Deus, um especialista em fraternidade e compaixão, uma pessoa simples que defendia a tese de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ir para o reino dos céus”, justo essa pessoa pode levar nosso herói embora e deixar o Santos com as calças na mão.

Digo que é o pai, e não o filho, porque sei que Neymar não é dinheirista. Mais influenciado pela mãe, o garoto estaria feliz mesmo que não tivesse a fortuna que tem. Seu maior tesouro é o filho, os amigos, a irmã, a presença dos pais – que, mesmo separados, vivem no mesmo prédio – e o carinho dos torcedores, principalmente dos santistas.

Neymar já afirmou que nunca sairia do Santos e deixaria o clube de mãos abanando. Eu acredito nele e creio que ninguém tem motivos para desconfiar de suas palavras, pois sempre foi ele, e mais ninguém, que decidiu recusar as muitas propostas de clubes europeus e continuar na Vila Belmiro.

Não sei se há vida depois da morte, mas posso afirmar que os jogadores passarão – por melhores e mais carismáticos que sejam – e o Santos prosseguirá, forte e eterno. E com ele prosseguirão, amadas e perenes, as pessoas que o honraram e o gratificaram.

E pra você, haverá vida depois de Neymar?