O mau desempenho e o empate com o frágil Flamengo do Piauí faz o santista se perguntar o que está havendo com este Santos. O time chegou em Teresina com tempo de descansar, reconhecer o campo, se preparar para anular a única jogada perigosa do adversário – a bola esticada para o veterano Lúcio – e mesmo assim cedeu o empate depois de estar vencendo por 2 a 0.

Mesmo sem harmonia, como se seus jogadores estivessem jogando pela primeira vez juntos, o Santos fez 2 a 0, com Giva e Montillo aproveitando passes de Neymar, aos 26 e 30 minutos do primeiro tempo. A impressão era de que, forçando um pouco mais, surgiria uma grande goleada.

Mas aí o Alvinegro Praiano começou a dar toquinho pra cá e pra lá, alguns jogadores, sem justificativa, desperdiçaram chutes de longa distância e os zagueiros Edu Dracena e Durval cismaram de ir ao ataque tentar gols de cabeça. Na lateral-esquerda Léo até que se saía bem, mas na direita Galhardo tinha mais uma de suas atuações lamentáveis. Nunca pensei que diria isso, mas Galhardo e Bruno Peres são piores do que Maranhão e Pará.

De qualquer forma, os 2 a 0 já impediriam o jogo de volta, levariam o Santos para a próxima fase e ainda dariam ao clube 60% da renda (não divulgada, mas provavelmente muito boa, pois o estádio estava cheio). Porém, não contavam com a astúcia do Lúcio…

Mesmo aos 38 anos ele tem o apelido de Lúcio Bala,imagine por quê. Na primeira bola enfiada entre Durval e Edu Dracena, sempre pelo miolo da defesa santista, Lúcio apareceu livre e, diante da indecisão de Rafael, chegou primeiro na bola e foi tocado pelo goleiro santista. Pênalti que Edson Di marcou aos 32 minutos.

Juro que eu pensei que o gol seria bom para o jogo e para o Santos, pois o Alvinegro Praiano se encheria de brios, encararia a partida com a seriedade que se exige de um jogador profissional e faria mais um monte de gols no adversário. Mas não foi bem assim…

Antes de começar o segundo tempo o técnico Josué Teixeira, do Flamengo piauiense, disse que avançaria seu time e o faria pegar mais na bola. Pensei comigo que se toda vontade de técnico desse certo, os jogos terminariam sempre empatados. Porém, eu estava errado mais uma vez.

O time local, empurrado por sua animada torcida, lutou bastante, continuou correndo além da conta e num dos ataques que, aparentemente terminaria nos pés de um jogador do Santos, Durval fez outra falta desnecessária quando o atacante estava de costas para o gol do Santos.

Bem cobrada por Edson Di, a bola entrou no ângulo, aparentemente encobrindo a mão de Rafael, quase uma cópia do gol sofrido diante do São Caetano. Eram apenas 10 minutos da segunda etapa e havia tempo suficiente para o Santos vencer com os benditos dois gols de diferença, mas o jogo mudou. O Flamengo se tornou mais confiante e o Santos, inexplicavelmente, misturou apatia com nervosismo em 35 minutos patéticos.

No final, para provar que segue a mesma cartilha do professor Muricy Ramalho, o auxiliar Tata substituiu Giva por André (que como nos últimos jogos, nada fez) e Galhardo por Patito.

Os santistas reclamaram de um pênalti no último lance do jogo, quando Cícero tentou dar um chapéu na área e a bola bateu na mão do zagueiro do Flamengo. Se não estivesse tão perto do fim do jogo, creio que o árbitro Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro, do Rio Grande do Norte, apontaria a marca da cal. Mas, provavelmente temendo a reação do time da casa – e até da torcida, já que estava muito fácil invadir o campo, como ficou provado ao final da partida –, o jovem árbitro nada marcou. De qualquer forma o empate foi o resultado mais justo. O Santos não merecia vencer.

O empate deu cem por cento da renda para o time da casa. O profissional Santos voltou de Teresina com as mãos abanando e ainda com a obrigação de jogar de novo contra o mesmo adversário na Vila Belmiro.

Quem foi bem e quem foi mal

O veterano Léo parecia ter mais pernas do que muito jogador mais jovem. Além de atacar, pelo seu lado o adversário pouco conseguiu. O mapa da mina era Galhardo e a dupla Edu Dracena e Durval, dois jogadores experientes, mas que pareciam subestimar a força do ataque do Flamengo do Piauí.

Gostei do Menino da Vila Alan Santos. Errou menos do que Renê Junior. Cícero e Montillo tiveram altos e baixos. Neymar deu os dois passes para os gols. E só. Teve um momento em que ele parou a jogada e caiu no chão contorcendo-se em dores. A maca o tirou de campo. Imaginei o pior. Depois, ele já estava de pé, pronto para voltar. Não entendi…

Novamente gostei do Giva, um atacante que procura o jogo – procura tanto que teve de recuar quase até o meio-campo para receber uma bola redonda. Quando Neymar e Montillo se aproximaram dele, as jogadas saíram. Não sei porquê pararam de fazer isso. Hoje o garoto que veio do Vitória é o atacante mais efetivo do Santos.

Para o Santos voltar a jogar futebol

Deu pra ver que no segundo tempo o Santos estava sem pernas. Para um time que está jogando só uma vez por semana, é sinal de mau condicionamento físico. Mas também há o detalhe da idade. O Santos chegou a um limiar em que é preciso começar a colocar os jovens. Talvez perca um pouco em técnica e experiência, mas ganhará em agilidade, motivação e velocidade.

Veja o que está acontecendo com os garotos do Palmeiras lançados por Gilson Kleina, ou com os jovens reservas do São Paulo, que têm jogado melhor do que os titulares. Há um momento em que todo time precisa renovar, precisa ao menos provocar disputas internas pelas posições. O problema do Santos é que alguns jogadores, por piores que rendam, têm lugares cativos no time. Isso gera uma acomodação que provoca essas performances indigentes.

Nesse jogo contra o Flamengo do Piauí o técnico santista poderia substituir quem quisesse, até Neymar. E se tivesse ousadia e visão, faria isso. Garanto que com três substituições no intervalo o interino Tata teria mexido com o time e conseguido uma vitória que dispensaria o jogo de volta. Mas parece que, como Muricy, Tata é o tipo que, demasiadamente precavido, usa cinto e suspensórios ao mesmo tempo.

E você, o que achou do desempenho do Santos em Teresina?