Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: maio 2013 (page 1 of 7)

Muricy caiu. Marcelo Bielsa está pronto para dirigir o Santos

bielsa
Marcelo Bielsa, o técnico que pode devolver o orgulho aos santistas.

Sempre houve uma incompatibilidade clara entre a filosofia de trabalho do técnico Muricy Ramalho, que prioriza a defesa e os chamados medalhões, e a personalidade histórica do Santos Futebol Clube, time voltado ao ataque que se caracteriza por revelar jogadores de suas categorias de base.

Esse paradoxo ficou evidente há um ano e meio, quando o Santos – que teve um semestre para se preparar – entrou com um time lento e defensivo, que dependia exclusivamente de Neymar, e foi fragorosamente derrotado pelo Barcelona na final do Mundial de Clubes da Fifa. O evento mostrou que Muricy estava completamente errado em suas concepções. Mantê-lo para a temporada de 2012 foi um erro, que se agravou quando seu contrato foi renovado até o final de 2013 pelo presidente Luis Álvaro Ribeiro, que se comprometeu, pelo clube, a pagar 700 mil reais durante 18 meses ao acomodado treinador, perfazendo a fortuna de 12,6 milhões de reais.

Hoje, mesmo os mais ferrenhos defensores do técnico estão convencidos de que ele é o maior responsável pela gradual degradação do futebol santista. Depois de conquistar a Libertadores em meados de 2011, com um time formado pelos técnicos antecessores, Muricy não conseguiu impedir que o time jogasse mal no restante do ano, continuasse irregular em 2012 e iniciasse 2013 de forma preocupante.

E o pior, para o santista, nem são os resultados, mas assistir a um time que não o representa, pois joga com medo de perder, sem vontade de chegar ao gol adversário. Assim, Muricy só não foi demitido devido à precipitada renovação de seu contrato, há um ano, que previa uma multa pesada em caso de sua demissão antes do prazo. Mas agora, diante do receio de um provável rebaixamento no Campeonato Brasileiro, a paciência com o técnico que fala muito em trabalho, mas trabalha pouco, parece ter chegado ao fim.

Jornal AS, da Espanha, diz que Bielsa virá para o Santos

A notícia da provável demissão de Muricy Ramalho atravessou os mares e chegou à Espanha, onde Marcelo Bielsa estará livre a partir de junho, quando se encerrará o seu contrato com o Atlético de Bilbao. O jornal AS dá como provável a vinda dele para o Santos, mas lembra que Bielsa recebe o equivalente a 7,5 milhões de reais por ano, apenas R$ 1,5 milhão a menos do que Muricy. Diz o AS:

Las aguas del Santos bajan revueltas en los últimos días. Ya no sólo por la venta de Neymar al Barcelona, también por la atmósfera que envuelve a parte de la directiva del club paulista con el entrenador Muricy Ramalho.

El crédito del entrenador está agotado para la afición santista y empieza a levantar dudas en la cúpula de la directiva presidida por Luis Alvaro Ribeiro después de caer en la final del torneo paulista ante el Corinthians y el mal comienzo en el Brasileirao (1 punto en dos partidos). Según ha podido saber AS, el mejor colocado para suplir a Ramalho sería Marcelo Bielsa. El técnico del Athletic de Bilbao finaliza contrato este mes de junio y todavía no se ha pronunciado sobre su futuro, aunque su rueda de prensa este jueves en Lezama sonó a despedida. “Sólo me competerá hablar del futuro si estoy vinculado a un proyecto futuro que en este momento no lo estoy”, expresó el argentino.El consejo de Santos aún no ha contactado con el entorno de Bielsa porque no piensan mover ficha hasta que Ramalho sea destituido, hecho que podría darse esta misma semana debido al creciente descontento en Vila Belmiro. Para ello, Resgate (grupo del consejo de Santos) deberá convencer a Luis Álvaro Ribeiro. Encima Ramalho no se muerde la lengua y anoche, después de perder ante Botafogo, exigió fichajes para intentar olvidar de la mejor forma posible la salida de Neymar. “Tengo muy poco a mi disposición. Necesitamos plantilla. El Brasileirao es una competición sufrida, con muchos viajes, jugadores lesionados, sancionados… sé que nuestro equipo es disciplinado y no tiene sanciones, pero necesitamos más”, dijo. Económicamente el acuerdo es factible ya que Muricy Ramalho percibe tres millones de euros por temporada, medio millón más que el salario de Marcelo Bielsa en el Athletic de Bilbao, según ‘Pluriconsultoria’, empresa consultora que hace seis meses publicó un estudio de los entrenadores mejor pagados. Por poner un ejemplo, Ramalho cobra lo mismo que Cesare Prandelli (Italia), Antonio Conte (Juventus) y medio millón más que Joachim Löw (Alemania). No es la primera vez que Santos piensa en Bielsa como entrenador. En 2011, año de su fichaje por el Athletic, el equipo paulista ya valoró su contratación. Fonte: http://futbol.as.com/futbol/2013/05/30/primera/1369928127_631348.html

O leitor Ernesto Franze envia matéria sobre Gerardo Martino, 50 anos, hoje no Newll’s Old Boys, técnico que segue a mesma filosofia de Bielsa, de quem é um discípulo. Vejamos:

Gerardo Martino, 50 anos foi treinado da melhor campanha do Paraguai na Copa do Mundo de 2010, hoje no Newll’s Old Boys.

Bielsa já tentava se livrar do paradigma vigente em 1992, ainda nos primeiros anos de carreira. “O Menotti é um homem que elabora o clima para a criação porque vive de criação”, afirmou na época o atual técnico do Atlético de Bilbao. “Já o Bilardo cria o clima da obsessão, do detalhe, porque vive das minúcias. Eu, por minha vez, quero resumir ambas as coisas.”

É difícil afirmar se Bielsa conseguiu ou não obter essa síntese. O que não se discute é a profunda marca que ele deixou em jogadores e auxiliares que hoje seguem o seu próprio caminho como técnicos. Quase todos os discípulos “bielsistas” surgiram naquela equipe do Newell’s que ele começou a dirigir em 1988 com apenas 33 anos. O time foi bicampeão argentino em 1991 e 1992 e só foi derrotado pelo São Paulo na final da Libertadores daquele ano.

Um dos melhores “alunos” é Gerardo Martino, meio-campista daquela equipe e hoje técnico da seleção paraguaia. “Sempre fui admirador do Bielsa, já que o início da carreira dele coincidiu com o final da minha como jogador”, contou Martino ao FIFA.com em 2009. “Fiquei encantado com a personalidade dele como profissional e tenho orgulho das comparações”, acrescentou o treinador, que conquistou vários títulos nacionais antes de assumir a Albirroja em 2007.

Criador e criatura se enfrentaram duas vezes nas eliminatórias para a África do Sul 2010, com um triunfo para cada lado. Porém, no Mundial foi o Paraguai que teve melhor sorte ao chegar às quartas de final — o Chile de Bielsa ficou nas oitavas contra o Brasil. “Fico feliz que ele tenha voltado a trabalhar como técnico de um clube, especialmente porque não precisarei enfrentá-lo nas próximas eliminatórias”, afirmou Martino sobre a chegada de Bielsa ao Atlético de Bilbao.

A questão é: sabem trabalhar com jovens?

Por mais que tente ajudar, este blog não pode ficar fazendo o trabalho de profissionais que são muito bem-remunerados para contratar o melhor técnico e os melhores jogadores para o Santos, mas não custa nada lembrar que, além do currículo, é importante saber se o treinador que substituirá Muricy Ramalho sabe lidar com jovens valores, pois isso pode fazer toda a diferença quando se trata de ser bem-sucedido no Santos e criar a empatia necessária com o torcedor.

As gerações vitoriosas de Meninos da Vila de 1978, 1995, 2002 e 2010 foram lançadas por necessidade financeira. O clube, para variar, passava por dificuldades e promover a garotada era uma das únicas saídas. Hoje, dar espaço aos jovens também é uma obrigação tática e técnica, já que o time é limitado, sem criatividade e lento.

É preciso coragem e visão para se desfazer do jogador que não deu ou não está dando certo. O torcedor sabe que há muito jogador no Santos que só participa dos rachões, mas não tem a mínima perspectiva de ser escalado, casos de Pinga e João Pedro. Prolongar essa situação é extremamente nocivo tanto para o clube, como para os atletas, que perdem a oportunidade de tentar a chance em outras agremiações.

Como Muricy adotou, há muito tempo, a opção de empurrar com a (bela) barriga, nenhuma atitude era tomada e o clube continuou a manter uma folha de pagamentos alta, apesar do baixo nível técnico de muitos atletas. A solução agora é trazer alguém com disposição e visão para promover as dispensas e as contratações necessárias, além, é claro, de instituir um sistema de jogo que priorize o ataque.

Conheça a filosofia de Marcelo Bielsa por meio de suas frases:

Duas frases de Bielsa que mostram a sua preferência pelo futebol ofensivo:

“Conceitualmente, para mim, todos os jogos são iguais: é preciso dominar e protagonizar tudo o que se possa. A única maneira que entendo o futebol é a pressão constante, jogar no campo do adversário e ter a posse de bola”.

“Hoje sou obsessivo no ataque. Vejo vídeos para atacar, não para defender. Sabe qual é o meu trabalho defensivo? “Corremos todos”. O trabalho de recuperação tem cinco ou seis pautas e tchau, se chega ao limite. O trabalho ofensivo é infinito, interminável. Por isso é mais fácil defender do que criar. Correr é uma decisão da vontade, criar necessita do indispensável requisito do talento”.

Obras da Copa violam direitos humanos

Recebo esta notícia que me entristece, apesar de não me causar grande surpresa. Que brasileiro não sabe que a Copa do Mundo está sendo usada para enriquecer muita gente? Pelo jeito os estádios, apesar de superfaturados, estão sendo construídos às pressas, sem a preocupação com as necessidades básicas do torcedor. Com o dinheiro que estão gastando poderiam oferecer banheiros com mármore de carrara, mas, ao contrário, nem água quente há nos chuveiros dos vestiários. Bem, mas vamos à notícia, escrita pelo amigo Fernando Gallupo:

As obras para realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 que acontecerão no Brasil estão passando por cima das comunidades e dos direitos dos cidadãos. É o que constata representantes da ONU, vítimas e ativistas que estiveram na sede das Nações Unidas na terça-feira (28), em Genebra, na Suíça, pedindo para que lideranças mundiais pressionem o Brasil a interromper obras que tenha um impacto negativo.

“Os megaeventos deveriam deixar um legado sociourbano e socioambiental positivos para as cidades que os abrigam e, principalmente, para a sociedade, de modo que sejam garantidos os direitos humanos, civis, políticos, sociais e culturais. Entretanto, o que temos visto é uma imposição do Poder Público e dos comitês promotores dos eventos de um Estado de exceção, que permite a flexibilização das leis e suspensão de direitos, antes e depois dos jogos. Os segmentos sociais mais atingidos são aqueles historicamente excluídos: moradores de assentamentos informais, moradores em situação de rua, trabalhadores informais, entre outros”, diz, Mauricléia Soares dos Santos, primeira secretaria do Conselho Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo CRESS-SP

Estima-se que cerca de 200 mil pessoas estejam passando por despejos relacionados aos eventos, o que corresponde a quase um em cada mil brasileiros, segundo a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop).”Em São Paulo, fotografaram e pintaram marcas nas casas dos moradores/as que seriam removidos/as ou despejados/as, isso sem qualquer aviso ou negociação. Tudo na base da truculência, da ameaça e da intimidação. Uma violação absurda dos direitos dos cidadãos, segundo relatos que coletamos”, denuncia Mauricléia.

A falta de transparência dos investimentos apontam para a repetição do que já ocorreu durante os Jogos Panamericanos de 2007 realizados na cidade do Rio de Janeiro, quando foram investidos cerca de R$ 3,4 bilhões em obras superfaturadas, de acordo com o Tribunal de Contas da União – TCU –, que se transformaram em elefantes brancos, mas ninguém foi responsabilizado por tais prejuízos. Além do abandono de todas as promessas que geraram expectativas na sociedade de algum legado social.

“Já temos um exemplo negativo em um passado recente. E que tem tudo para se repetir, caso as autoridades mundiais não reajam com veemência sobre a questão”, finaliza Mauricléia.

Exposição itinerante sobre jogadores brasileiros no futebol alemão

A partir de amanhã, sábado, 1.o de junho, os aficionados por futebol poderão conferir na capital paulista a exposição “Os Brasileiros na Bundesliga”, que contará a história sobre a participação de grandes craques brasileiros na liga profissional do Campeonato Alemão de futebol.

Com entrada franca, a iniciativa faz parte da programação da Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, que até junho de 2014, por meio de inúmeros eventos nos centros urbanos do Brasil, mostrará ao povo brasileiro a Alemanha autêntica e uma abrangente imagem de sua economia, cultura, educação, esporte, ciência e tecnologia para o País.

Produzida e apresentada pela Kreaktiv Mídia, a exposição mescla esporte e cultura a partir de um acervo de fotos, vídeos, matérias e entrevistas com os jogadores de futebol que fizeram fama e sucesso na Alemanha. Até o fim de novembro, a mostra poderá ser vista em centros comunitários localizados na periferia de São Paulo. Entre os dias 1 e 21 de junho, o CEU Parque Bristol será o primeiro centro comunitário a abrigar o acervo.

Até hoje, mais de 100 atletas deixaram a sua marca no futebol alemão. Entre eles, grandes jogadores como Jorginho, Paulo Sérgio, Julio Cesar, Elber, Zé Roberto, Diego, Emerson, Aílton, Lúcio, Juan, Grafite… Posteriormente, a exposição também vai desembarcar em algumas sedes da Copa do Mundo do Brasil 2014 como Porto Alegre, Salvador e Curitiba. Mais informações pelo site www.brasilnabundesliga.com.br.

Confira a programação:
1/Junho – 21/Junho
CEU Parque Bristol – R. Professor Artur Primavesi, s/n – São Paulo – Tel: 11 2334-1405

6/Junho – 21/Junho
CEU Heliópolis – Estrada das Lágrimas, 2385 – São Paulo – Tel: 11 2083-2203

24/Junho – 12/Julho
CDC Tide Setúbal – R. Mario Dallari, 170, São Miguel Pta. – São Paulo – Tel: 11 2297-5969

CEU Vila Curuçá – Av. Marechal Tito, 3.452 – São Paulo – Tel: 11 2563-6146
15/Julho – 26/Julho
CDC Jardim Noêmia – R. Francisco Antônio Meira, 447 – São Paulo – Tel: 11 2156-5455
CDC Jardim Helena – Av. Kumaki Aoki, 1140 – São Paulo – Tel: 11 9 8642-6660

29/Julho – 9/Agosto
CDC Pedro José Nunes – Av. Mario Alves, 855 – São Paulo – Tel: 11 9 9847-6941
CDC Parque Veredas – R. Magnólia Azul, 94 – São Paulo – Tel: 11 9 6762-0255

12/Agosto – 23/Agosto
Clube Escola José Bonifácio – R. Ursulina D’ângelo, 536 – São Paulo – Tel: 11 9 8138-3616
Obra Social Dom Bosco – R. Álvaro de Mendonça, 456 – São Paulo – Tel: 11 2205-1106

26/Agosto – 6/Setembro
CEU Casa Blanca – R. João Damaceno, s/nº – São Paulo – Tel: 11 5519-5201
CEU Parelheiros – Rua José Pedro de Borba, 20 – São Paulo – Tel: 11 5921-4479

9/Setembro – 20/Setembro
CEU Uirapuru – Rua Nazir Miguel, s/nº – São Paulo – Tel: 11 3782-3143
CEU Vila Atlântica – Rua Coronel José Venâncio Dias, 840 – São Paulo – Tel: 11 3901-8743

23/Setembro – 10/Outubro
CEU Perus – Rua Bernardo José de Lorena, s/nº – São Paulo – Tel: 11 3915-8745
Prefeitura de Campo Limpo – Av. Aderbal da Costa Moreira, 255, Campo Limpo Pta., – Tel: 11 4039 8300

13/Outubro – 25/Outubro
CEU Rosa da China – Rua Clara Petrela, s/nº – São Paulo – Tel: 11 2701- 2300
CEU Agua Azul – Avenida dos Metalúrgicos, 1262 – São Paulo – Tel: 11 2016-4476

28/Outubro – 8/Novembro
CEU Quinta do Sol – Avenida Luiz Imparato, 564 – São Paulo – Tel: 11 3396-3430
CEU Jaçanã – Rua Antônio Cezar Neto, 105 – São Paulo – Tel: 11 3397-3979

11/Novembro – 22/Novembro
CEU Pimentas – Estrada Caminho Velho, 351- Guarulhos – Tel:11 2481 6422

Veja o site oficial: www.alemanha-e-brasil.org
Acompanhe a fan page: facebook.com/alemanha.e.brasil
No Twitter: @alemanha_BR2013

E você, quem gostaria de ver como técnico do Santos?


A era “toca pro Neymar” acabou. Agora é preciso trabalhar

O técnico podia resumir seus treinamentos a rachões, pois na hora do jogo era pedir para jogar a bola pro Neymar e ficar torcendo; a diretoria de futebol podia contratar mal, encher o time de jogadores meia-boca, pois o garoto dava um jeito de arredondar as bolas quadradas que recebia; o marketing podia ser falho e negligente, pois só a presença de Neymar já atraia os patrocinadores; o departamento social podia desprezar o sócio, pois as pessoas continuavam insistindo em permanecer ligadas ao Santos; a assessoria de comunicação não precisava ser criativa, pois todos queriam notícias de Neymar; a presidência e o comitê gestor podiam se omitir politicamente e deixar o processo de espanholização correr solto, pois o interesse do público pelo jovem ídolo contrabalançava as coisas. Agora, porém, ele não está mais entre nós e o Santos precisa se redescobrir e… trabalhar.

É preciso haver um plano com metas claras e empenho e competência para realizá-las. Um plano que comece nas categorias de base, a eterna salvação do Santos e dos clubes brasileiros. A saída de Neymar, jogador que carregava o time desde 2010, fará as pessoas se coçarem. Ou mostram a que vieram, ou justificam os altos salários que extraem do Santos, ou assinarão suas cartas de demissão. E o espelho disso tudo, como sempre, é e será o time de futebol.

A primeira experiência da nova fase ocorreu na partida contra o Botafogo, quarta-feira à noite, em que o Santos foi derrotado por 2 a 1, em Volta Redonda. Na verdade, o santista já esperava um rendimento insatisfatório da equipe – até porque em jogos fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro, o time de Muricy Ramalho mais perde do que ganha, situação que se repetia mesmo quando tinha Neymar. De qualquer forma, essa partida mostrou aspectos interessantes, que merecem ser analisados com atenção.

Perceba o amigo leitor e leitora que o Santos de Muricy, como nos jogos em que atua fora de casa, entrou com uma formação defensiva, com apenas Patito Rodríguez e o estreante Willian José mais à frente, auxiliados pelo meia Montillo. Se desse para achar um golzinho, ótimo, mas se não desse, que se garantisse o empate – resultado que, pelas circunstâncias, seria considerado bom, já que o adversário é o atual campeão carioca e jogava em casa.

A questão é criar mentalidade ofensiva

Porém, se um time joga para se defender, dificilmente ataca bem. E o que se viu foi o Botafogo chegar a 2 a 0 com facilidade, roubando duas bolas de santistas que tentavam sair no contra-ataque: a primeira de Arouca, que terminou no gol de Fellype Gabriel, aos 14 minutos, e a segunda de Montillo, que acabou no gol de Rafael Marques aos 21 minutos.

Assim, na metade do primeiro tempo a partida já parecia definida, com o alvinegro carioca ameaçando uma goleada. Foi aí, entretanto, que surgiu o milagre do amor-próprio, um sentimento que, independentemente das ordens conservadoras do técnico, impulsionou os santistas para a frente, em direção ao gol defendido por Renan.

Tímida no primeiro tempo, a reação ganhou força no segundo, quando Neilton entrou no lugar de Patito e Gabriel substituiu Renê Junior. Com três atacantes – Neilton, Willian José e Gabriel – o Santos voltou a ser um time à procura do gol, que acabou surgindo aos 23 minutos, em ótima jogada de Neilton e conclusão de Montillo. Um minuto depois Montillo teve o empate nos pés, porém chutou pra fora.

O que essa partida mostrou mais uma vez – e espero que Muricy Ramalho tenha prestado atenção – é que não é necessário ter um elenco de craques para montar um esquema ofensivo. Jogar para marcar gols é uma questão de mentalidade, algo que o Santos sempre teve e por isso, ao estudar a história do Alvinegro Praiano, usei a expressão “DNA ofensivo” no livro Time dos Sonhos, e a considero extremamente válida hoje e sempre.

Em um fórum de debates sobre o Santos na Internet, li que um torcedor se referiu a mim “como um cara legal, que já fez alguns livros do Santos, mas que parou nos anos 60 porque acredita na história do DNA ofensivo”. Mesmo que eu pareça um tanto preconceituoso, responderei a este torcedor e a outros que pensam como ele, que se alguém não acredita no DNA ofensivo, não tem motivo para ser santista. Vai acreditar no quê? Na força da defesa?

O Santos não é o time que fez mais gols na história por acaso, e também não é por acaso que revelou tantos atacantes. Está no sangue, na alma do santista ir pra cima dos adversários. Tudo bem que é melhor ter um time equilibrado, que se defenda e ataque com igual eficiência, mas se um setor da equipe tem de ter prioridade, este é o ataque. Sempre foi assim e isso explica o sucesso do Glorioso Alvinegro Praiano através dos tempos.

O Santos precisa de um técnico que tenha essa mentalidade e que a incuta nos jogadores. “Pense no gol, tenha fome de gol, alegre-se pelo prazer de buscar o gol, lute pelo gol” – estas ideias passaram pela mente dos grandes jogadores do Santos o tempo todo, e não “defenda, marque, chute pra frente, alivie o perigo, mate a jogada…”.

Quando se libertou dos pensamentos defensivistas, o Santos foi pra cima do Botafogo e, ao menos por alguns minutos, mostrou que pode haver vida e esperança sem Neymar. Galhardo arriscou um chute que raspou a trave; Neilton jogou como se estivesse no sub-20 e Montillo, pela primeira vez em muito tempo, assumiu a responsabilidade de ser o craque do time.

Se um time está no ataque, o outro só pode estar na defesa – esta é uma máxima do futebol que acabei de criar. Mas é a mais absoluta verdade, não é mesmo? Como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, ao atacar o Santos fazia o Botafogo retroceder, e como o jogador brasileiro é melhor com a bola nos pés do que marcando, o domínio passou a ser santista.

Se prestou atenção, Muricy percebeu que não adianta colocar três, quatro, cinco, seis volantes… Se o Santos continuar jogando recuado, de nada valerá roubar a bola do adversário e não saber, ou ter, o que fazer com ela. A primeira medida será eliminar um volante e passar a escalar três jogadores no ataque. Mas isso é só a ponta do iceberg. Há muito mais a ser feito…

Está na hora de uma mudança radical

Se tivesse a coragem e a visão de futebol de um Chico Formiga, Muricy Ramalho poderia promover uma revolução no Santos, pois os titulares experientes decaíram tanto do ponto de vista técnico e físico que já podem ser gradativamente substituídos pelos jovens, com enormes vantagens para o time.

Dizem que do exterior chegam propostas para Arouca, o goleiro Rafael e o meia Felipe Anderson. É preciso ter coragem para tomar uma decisão dessas, mas eu venderia os três. Que o dinheiro seja usado para se contratar um titular absoluto, um craque, mão de obra especializada que está rara no Santos.

Que venham Robinho (por um salário bem menor do que o milhão que ele pede) e mais um fora de série; que fiquem por mais um tempo Edu Dracena, Cícero e Montillo, até para passar experiência aos mais jovens. No mais, que os garotos assumam o comando.

Note que o Santos pode montar um time todo de Meninos que não ficaria devendo nada ao que está jogando: Gabriel Gasparotto, Galhardo, Gustavo Henrique, Jubal e Émerson Palmieri; Alan Santos, Leandrinho e Lucas Otávio; Neilton, Giva e Gabriel. E olhe que ainda não inclui Victor Andrade, Pedro Castro, Léo Cittadini, Bruno Peres…

Hoje o Santos tem a felicidade de, mantendo três ou quatro jogadores mais experientes, montar uma equipe jovem, rápida, habilidosa e com fome de gol. Este é o tipo de time que empolga o torcedor, que aumenta o seu entusiasmo e sua tolerância. Se for inteligente, Muricy tratará de montar uma equipe assim, voltada para fazer gols, e não apenas para impedir os gols do adversário. Se não for, seus dias estarão contados na Vila Belmiro.

Reveja os melhores momentos de Botafogo 2 x 1 Santos:
http://youtu.be/H0728tfVH8Y

E você, não acha que o Santos tem de voltar às suas origens ofensivas?


Sem Neymar, o futebol brasileiro encara suas misérias

Willian José chega e já vai pra fogueira
william josé Mal chegou e o atacante Willian José (foto) está escalado para jogar ao lado de Patito Rodríguez nesta quarta-feira, às 19h30m, em Volta Redonda, contra o campeão carioca Botafogo (Sportv). Sem Bruno Peres e Edu Dracena, machucados, e Léo, poupado, o Santos deverá iniciar a partida com Rafael, Galhardo, Gustavo Henrique, Durval e Emerson; Renê Júnior, Arouca, Cícero e Montillo; Patito Rodriguez e Willian José. Hoje, se empatar em 0 a 0, até que será bom. Depois do jogo a gente volta aqui pra comentar.

Fico sabendo, por meio de uma pesquisa da Pluri Consultoria, que sem Neymar o Campeonato Brasileiro foi desvalorizado em 6% e está estagnado em oitavo lugar entre as competições nacionais do mundo, atrás de Rússia e Turquia e agora caindo para perto de Portugal, Ucrânia e a Segunda Divisão da Inglaterra. Só não entendo porque os jornalistas esportivos do Brasil queriam tanto que Neymar fosse embora. Será que não percebiam que o êxodo do craque empobreceria o mercado no qual trabalham e, por extensão, diminuiria ainda mais a importância da atividade que exercem?

Ajude-me, amigo e amiga, a entender por que um formador de opinião da mídia esportiva brasileira, o ancestral locutor da Rede Globo, defendeu com tanta ênfase a ida de Neymar para a Europa, se isso diminuiu os ganhos de sua própria emissora, que agora não conseguirá vender os direitos de transmissão do Brasileiro pelos mesmos valores de 2012…

Aliás, em 2012 o valor do Brasileiro já tinha diminuído em 8% com relação ao ano anterior, devido às saídas de Oscar e Lucas e a desvalorização de Paulo Henrique Ganso. De um total avaliado em 1,020 bilhão de euros no início de 2012 – que o colocava em sétimo, à frente da Turquia – o Campeonato Brasileiro caiu agora para 880 milhões com a saída de Neymar.

O Barcelona prepara dias e dias de festa para receber o eterno Menino de Ouro da Vila. O Camp Nou estará repleto, feliz e caloroso para abraçar o jovem craque que saiu do Brasil embaixo de vaias e xingamentos. Não há dúvida de que a maneira como as pessoas tratam os seus ídolos diz muito da índole e do grau de desenvolvimento de um povo. Dói muito admitir isso, mas os espanhóis estão muitos passos à frente no quesito civilização. Recebem com carinho extremo o craque que o Brasil – com exceção dos santistas – enxotou.

Ainda estou tentando entender, mas só encontro duas razões para alguém fazer campanha para o maior ídolo de futebol do País ir para o estrangeiro: 1 – Imaginar, ingenuamente, que o jogador só poderá se desenvolver tecnicamente se jogar em um centro mais adiantado do futebol; 2 – Incomodar-se com o sucesso deste jogador e com a popularidade que ele traz a seu time.

Infelizmente, no caso do Brasil, a segunda hipótese é a mais viável. Seria bom acreditar que nosso País é repleto de pessoas de sentimentos nobres, que amam e compreendem Neymar, se preocupam com ele e querem o seu bem. Seria bom acreditar que não foram estas mesmas pessoas que lhe criaram o estigma de cai-cai, o responsabilizaram pelos recentes fracassos da Seleção Brasileira e do Santos e semearam, com caprichosa crueldade, o ódio e o escárnio que se via na boca e nos olhos dos torcedores rivais.

O povo que não pensa, esse povo que permite que a tevê diga o que deve fazer, foi levado a ver em Neymar um inimigo, quando na verdade ele é uma benção para um futebol que vive de “jornalistas” fanfarrões, jogadores medíocres e um público sórdido, que exprime em suas palavras e gestos a falta de caráter que o identifica.

A inveja fez com que quisessem o exílio de Neymar? Queriam que sua saída impedisse o processo de popularização do Santos? Não importa. Qualquer que seja o sentimento inferior que fez com que muitos torcessem pelo desterro de um Menino de 21 anos, agora terão de conviver com a ausência do único jogador que fazia o brasileiro se lembrar de que aqui, um dia, já foi o País do Futebol.

Veja as jogadas de Neymar mais uma vez, neste vídeo produzido pelo Barcelona, e me diga se o mundinho do futebol brasileiro merecia um jogador assim:

E pra você, o que é o futebol brasileiro sem Neymar?


Por que a diretoria do Santos contraria tanto o torcedor santista?

Gostaria de saber se foi o vice-presidente Odílio Rodrigues, o presidente Luís Álvaro, o influente Álvaro de Souza, o marketing dirigido pelo Armênio Neto ou o comitê gestor em peso que aceitou esse jogo humilhante em Brasília, no qual o maior ídolo do Santos depois de Pelé despediu-se do time embaixo de vaias e xingamentos. E pela bagatela de 800 mil reais… Desculpem-me a expressão, mas que merda, senhores! É esse o Santos que pode mais? Pode mais o quê? Ser subserviente?

O Santos não só vendeu o mando de campo de um jogo que poderia lhe dar três pontos, como se tornou um visitante hostilizado, acuado pela equipe limitada do Flamengo. E Neymar, que sempre despertou a ira e a inveja dos outros torcedores, foi mais uma vez servido de bandeja à sanha enraivecida dos energúmenos. Lamentável, senhores…

Cadê um pinguinho só de coragem para dizer não aos organizadores desse festival macabro em que o Santos entrou como mandante, com o astro principal, e se tornou apenas um coadjuvante inexpressivo? Seria difícil acionar os profissionais do marketing e do departamento de eventos do Santos para fazer um jogo decente no Pacaembu, que estava vazio no domingo, e poderia ter se vestido de Alvinegro Praiano para receber a despedida de Neymar em grande estilo?

De que vale o clube pagar tão altos salários a tantos profissionais, se na hora em que estes precisam demonstrar competência e capacidade de trabalho se omitem e permitem que o Santos se pareça com um timeco sem eira nem beira?

E se o clube precisava desesperadamente de dinheiro, por que fez o segundo jogo da final do Campeonato Paulista na acanhada Vila Belmiro? Jogasse no Pacaembu, ou no Morumbi. Uma hora deixa de faturar o dobro para tentar ganhar um título paulista e na outra abre mão de um evento histórico, como a despedida do melhor jogador sul-americano…

Por que, senhor Odílio, enquanto muitos santistas lutam heroicamente contra a espanholização que grassa no futebol brasileiro, o senhor dá uma entrevista dizendo que acha justo que dois times sejam privilegiados, pois têm mais torcida?

Um santista de verdade sabe que a história do Alvinegro Praiano, suas conquistas, seus ídolos, seu impacto no futebol mundial, sua contribuição decisiva para a Seleção Brasileira que conquistou a Jules Rimet, sua fortuna de ter revelado Pelé, Coutinho, Pagão, Pepe, Robinho, Neymar, vale muito mais do que arrebanhar uma multidão vítima da lavagem cerebral de uma mídia manipuladora.

Jamais um dirigente do Santos pode concordar com a divisão de cotas de tevê. Aquele que quiser ter essa opinião, que deixe claro que ela não representa a opinião dos santistas. Nós somos pelo mérito esportivo, pela cota maior a quem proporciona melhor espetáculo. Se for o adversário, ótimo, mas que o número de torcedores nunca seja o motivo determinante. Esse modo de pensar faz parte de um populismo barato que abominamos. Gostaríamos que nossos dirigentes não babassem o ovo do poder, por favor.

Por que, depois de ter escolhido como slogan do Centenário a frase “Meninos para Sempre”, o Santos continua priorizando jogadores veteranos e um técnico que tem dificuldades crônicas de lidar com os mais jovens? Muricy Ramalho conseguiu convencê-los de que nossa base é fraca? Então perguntem a ele por que dispensou Oscar do São Paulo e hoje o rapaz é titular do Chelsea e da Seleção Brasileira…

O torcedor quer ver os meninos da Sub-20 em campo. Vão perder, vão ser dominados? Paciência. Os que estão jogando não estão fazendo nada melhor. Ao menos os jovens têm pernas, sonhos e coração. E não é preciso mudar todo mundo, claro. Deixe cinco ou seis do quadro titular atual e mude o resto. O santista quer sangue novo nesse time.

O torcedor já percebeu que neste Campeonato Brasileiro o nosso Santos, na melhor das hipóteses, ficará lá pelo meio da tabela, entre o décimo e o décimo-segundo lugares, como nos últimos anos, aliás. Qual o grande risco de se começar a dar espaço para os garotos? Sinto dizer-lhes, mas Edu Dracena, Durval e Léo não são imortais. Ao contrário. Logo mais terão dificuldade até para andar em campo. Poupe-nos de testemunhar essa agonia.

E, finalmente, por que, mesmo contra a opinião da maioria dos santistas, vocês querem trazer Robinho e Diego, que já estão em fim de carreira e viriam aqui apenas para enrolar um pouco até pendurar as chuteiras? E ainda com salários de um milhão de reais por mês… Brincadeira!!!

Há grandes times do Brasil, hoje mais competitivos do que o Santos, que foram formados com jogadores de equipes menores e garotos revelados da base. Por que o Santos não segue a mesma receita, que é a preferida do seu torcedor? Dá trabalho? Sim, claro. É preciso entender de futebol para selecionar os jogadores certos e também para preparar e motivar os jovens. Mas por que um técnico recebe 700 mil reais por mês e tem uma comissão técnica igualmente cara? Não é para saber selecionar jogadores e montar um time? Ou é para apenas fazer uma lista de medalhões a serem contratados e sair chorando pelos cantos quando eles não vêm?

Parem de se apegar ao passado, senhores. Até agora estão fazendo o Santos viver das sobras do passado. Vocês já trouxeram de volta Elano, André, e adiantou alguma coisa? O time campeão brasileiro de 2002 já era, ponham isso na cabeça. O time que encantou o Brasil em 2010 também já era. O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém… Mostrem que são capazes de montar o seu próprio time, o grande time que represente tudo o que o Santos pode e não conseguiu. Os senhores não defendem a idéia de que o Santos pode mais? Chegou a hora de provar isso.

Os torcedores da Torcida Jovem que viajaram para Brasília foram barrados pela Polícia Militar e não puderam ver a despedida de Neymar no Estádio Mané Garrincha. Depois do jogo ficou constatado que nos vestiários os chuveiros não tinham água quente e os pontos de Internet não funcionavam. Este é mais um estádio superfaturado para a Copa de 2014.
http://youtu.be/ZitXbfwyuS0

Por que será que a diretoria do Santos não respeita a voz do torcedor santista?


Neymar vai, mas promete voltar ao Santos

Alguns veículos de imprensa estão dando destaque ao fato de Neymar dizer que será “uma honra” jogar ao lado de Messi, Xavi e Iniesta, mas para nós, santistas, o que ele falou de mais importante logo após o empate sem gols contra o Flamengo, em Brasília, é que logo, logo, estará de volta.

“Foi uma grande satisfação, uma grande honra ter passado por este time maravilhoso que é o Santos… Só tenho a agradecer e dizer até logo, que já, já, estaremos de volta”, afirmou minutos depois de repetir as atuações apagadas dos últimos jogos, ver o Santos ser dominado pelo limitado rubro-negro carioca e, graças ao goleiro Rafael, sair do estádio Mané Garrincha com um empate medroso.

Um dia, em um estúdio de tevê, tive a oportunidade de dizer a Neymar que no Brasil ele era muito mais importante do que seria na Europa, pois, entre outras razões, em nossa terra ele é um exemplo de superação para as crianças. Quando ele chorou ao ouvir o Hino Nacional, cercado de crianças, não pude deixar de pensar no que eu lhe disse e ele ouviu com atenção.

Mas nos últimos tempos os seus ouvidos foram ocupados com discursos bem mais convincentes que falavam de fama mundial e cifras milionárias. Nos cinco anos de contrato com o Barcelona ele receberá o equivalente a 2,5 milhões de reais por mês só de salário, mas poderá manter todos os seus patrocinadores, o que deverá lhe garantir mais quatro milhões de reais por mês.

Alguns patrocinadores pagam 20% a mais se o jogador atua em um grande clube europeu. Perceba por aí que dificilmente um clube brasileiro poderá manter os seus craques, a não ser que eles mesmos entendam que dinheiro não é tudo. O jamaicano Usain Bolt recusou propostas irrecusáveis de grandes marcas do esporte para poder continuar treinando na sua Jamaica, ao lado da família e dos amigos. Mas o atletismo é um esporte individual, enquanto no futebol o jogador depende do resto do time.

Pelé ficou no Brasil porque, além a legislação da época dar mais poder aos clubes, o centro do futebol do planeta era aqui e ele tinha ao seu lado alguns dos melhores jogadores do mundo, como Pagão, Coutinho, Zito, Mengálvio, Pepe, Mauro, Gylmar…

Hoje, temos de admitir, Neymar é um craque solitário no Santos. Ele fala uma língua que seus companheiros não entendem e que talvez jamais consigam traduzir. O Santos precisa contratar, ou correrá sério risco de apenas brigar para não ser rebaixado. Isso é muito pouco para um time que quer manter um dos mais cobiçados jogadores do planeta.

Mesmo assim, Neymar demonstra gratidão aos santistas e isso nos faz ter esperanças de que volte um dia e que o time e o clube estejam mais preparados para recebê-lo. Aos 26 anos terminará o seu contrato com o Barcelona. Quem sabe…

Uma coisa é certa: Neymar jamais se iludiu com relação aos que gostam e aos que não gostam dele, aos que queriam verdadeiramente sua felicidade, ou não passavam de falsos amigos e conselheiros. Em outra frase que dificilmente os veículos de comunicação irão repercutir, ele enfatizou: “A torcida do Santos é a única que sempre torceu de verdade por mim”.

E continuaremos torcendo, Neymar. Vá, seja feliz, mate a lombriga e depois volte pra casa. O Santos e os santistas estarão esperando de braços abertos.

Reveja os melhores lances do 0 a 0 que ficou barato para o Santos:
http://youtu.be/BYh3qAza2sQ

Obrigado Neymar!

E você, acha que Neymar voltará um dia?


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