andre e neymar no treino de quarta
André e Neymar no treino desta quarta-feira (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

Na longínqua noite terça-feira, 12 de março de 1996, em que o Santos empatou com o Atlético Paranaense em 1 a 1, na Vila Belmiro, pela Copa do Brasil, vivi uma experiência que me marcou. Comentarista da Rádio Record, atuei ao lado do narrador Jarbas Duarte e, após o jogo, atravessei o gramado para sair onde o carro nos esperava. Lembro-me, então, de ter sentido o ar pesado, o clima hostil dos torcedores raivosos, e imaginei a enorme pressão que os adversários sentem ao jogar na Vila.

Não é à toa que as grandes vitórias e as goleadas acachapantes do Santos foram obtidas naquele caldeirão. Lá a Ponte Preta sofreu um impagável 12 a 1 de um Santos sem Pelé; o Botafogo de Ribeirão Preto perdeu por terríveis 11 a 0 e o Naviraiense, há pouco tempo, sofreu uma dezena de gols.

O técnico Vanderley Luxemburgo já disse que todos os times, principalmente os grandes de São Paulo, têm receio de jogar na Vila. Se pudessem, levariam os clássicos para a capital, como conseguiram durante duas décadas. Segurar um time que se agiganta quando joga em casa, empurrado por uma torcida fanática, determinada e agressiva, não é nada fácil.

Creio que o primeiro ano em que o Santos mostrou uma força sobrenatural quando jogava da Vila Belmiro foi 1918. Antes do Campeonato Paulista enfrentou pela primeira vez o Botafogo, líder do campeonato carioca e, sem se incomodar com a fama do adversário, sapecou-lhe implacáveis 8 a 2. Depois, pelo Paulista, conseguiu a proeza de derrotar o então imbatível esquadrão do Paulistano por 1 a 0, gol de Haroldo. A partida impressionou a imprensa paulistana pela volúpia ofensiva do Alvinegro Praiano e pelo entusiasmo de seus torcedores.

Mestre de Educação Física, o amigo Saul Gallegos, em tese que prepara para a USP, comprova a influência dos gritos dos torcedores na velocidade dos times locais e, conseqüentemente, no predomínio de seus atletas sobre os visitantes. O incentivo dá forças, fôlego, confiança e sebo nas canelas… Ao mesmo tempo em que inibe os forasteiros.

Por tudo isso, eu não prevejo, mas afirmo que o Santos será outro no dia da decisão de seu tetracampeonato. Os velhos fantasmas da Vila mais famosa do mundo estarão todos despertos, alucinados, sedentos por uma vitória que remonta desde os primórdios do velho e encantado estádio Urbano Caldeira. Os vivos – e os mortos – verão!

No Mato Grosso do Sul foi apenas 1 a 0. Mas ainda havia o jogo no Alçapão…

Você também não acha que a Vila fará o time correr mais pelo tetra?