estadio borussia
A espantosa fidelidade dos torcedores do Borussia Dortmund é retratada na frequência de seu estádio, cuja capacidade é de 80 mil pessoas e registrou média de 79.151 pessoas na última temporada.

Como diria meu amigo e grande texto do jornalismo esportivo Roberto Avallone, futebol é o momento. E o momento é todo alemão, com o Bayern sapecando 7 a 0 em dois jogos contra o decantado Barcelona do machucadinho Messi e o Borussia passando pelo empolado Real Madrid dos vaidosos portugueses Mourinho e Cristiano Ronaldo.

Mas fazer a final da Liga dos Campeões não é todo o mérito que o futebol da Alemanha tem hoje. Rico e organizado, ele é um exemplo em vários aspectos, a começar pela divisão igualitária das cotas de tevê. Lá, todos os 36 times da Primeira e Segunda Divisão recebem em princípio verbas idênticas da tevê, que aumentam de acordo com a classificação do time nos campeonatos.

No fim da temporada passada, o poderoso Bayern de Munique recebeu 29,96 milhões de euros da tevê, enquanto o humilde Saint Pauli, rebaixado para a Segunda Divisão, recebeu 13,2 milhões, ou 44% da cota paga ao Bayern.

Na Espanha, onde se aposta na fórmula que privilegia apenas dois times, Barcelona e Real Madrid recebem mais do que o triplo do terceiro. Real e Barça ganham 140 milhões de euros por temporada, enquanto o Valencia recebe 40 milhões, ou 30% dos dois queridinhos. Essa divisão desigual tirou toda a competitividade do Campeonato Espanhol, que, assim como o Gaúcho ou o Mineiro, ficou restrito à disputa particular entre duas equipes.

No Brasil, em que a Rede Globo, aproveitando-se da implosão do clube dos Treze, adotou a negociação individual com os clubes e passou a destinar as maiores verbas para Corinthians e Flamengo, numa política semelhante à adotada na Espanha, a desigualdade já atinge níveis alarmantes.

Enquanto o Alvinegro de Itaquera recebe 112 milhões de reais por ano, o Fluminense, duas vezes campeão brasileiro nas ultimas três temporadas, fica com apenas 29 milhões, ou 25%; e o Bahia duas vezes campeão brasileiro e primeiro representante do Brasil na Copa Libertadores, recebe 15 milhões, ou 13,3%.

Esse desequilíbrio pode acabar justamente com o que o futebol brasileiro tem de mais precioso, e que é a competitividade, hoje uma dádiva pretendida também pela Espanha, que já percebeu a ineficiência de seu modelo.

Na Alemanha, nove clubes grandes!

Muito diferente dos países cujo futebol vive de uma eterna polarização, na Alemanha há noves clubes considerados grandes. São eles:

Bayern de Munique, 171.345 sócios e média de público em seu estádio de 69 mil pessoas;
FC Schalke, 100.426 sócios e média de público de 61.320;
Hamburgo SV, 70.920 sócios e média de 54.446;
Borussia Dortmund, 60.000 sócios e média de 79.151;
Colônia, 53.987 sócios;
Borussia Mönchengladbach, 50.000 sócios;
VfB Stuttgart, 43.866 sócios;
Werder Bremen, 40.400 sócios e
Hertha BSC, 29.330 sócios.

Para maiores informações sobre o futebol alemão, entre aqui:
http://sinopsedofutebol.blogspot.com.br/2012/04/maiores-da-alemanha.html

Enfim, está mais do que evidente que o modelo espanhol é um equívoco, tanto assim que já está sendo abandonado pela própria Espanha. Jogar todas as fichas em apenas dois clubes é temerário e desanimador, pois prejudica o nível geral das competições e diminui o interesse nacional pelo esporte – o que influi diretamente na queda das arrecadações e na verba de patrocínio.

E na Europa ainda há a vantagem de se jogar competições internacionais de enorme visibilidade e altíssimas premiações, o que não ocorre no Brasil e na América do Sul, em que competições regionais, como os Estaduais de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul pagam mais do que a Libertadores.

E você, acha que a espanholização está com os dias contados?