Sonhei mais uma vez que estava jogando futebol. Como sempre, não era um jogo oficial, com estádio, torcida etc. Era mais importante, pois se tratava de uma pelada solta no tempo e no espaço (na verdade, em determinado momento foi uma partida de futebol de salão, com um goleiro e quatro na linha). Nosso time perdia por 1 a 0 e jogava mal. Tentei algumas jogadas, mas os chutes saiam fracos, sem força e profundidade. Quase tomamos o segundo gol algumas vezes. Só no finalzinho, em uma jogada desesperada, consegui um pênalti, quando pressionei o adversário e ele pegou a bola com a mão dentro da área. Mas, como em toda pelada, estava naquela negócio de bate, não bate, quando despertei. Sabe o que quer dizer este sonho?

Quer dizer que o jogo de amanhã está mais para o adversário, que joga diante de sua torcida e está com o time mais ajustado do que o nosso. Sim, temos Neymar, temos a liderança de Edu Dracena, a experiência de Durval, Léo, Arouca, a vontade de Renê Junior, a elasticidade e o sangue-frio de Rafael e podemos ter o toque mágico de Marcos Assunção. Mas ainda assim, somando-se todos os prós e contras, a vantagem é do outro alvinegro.

Por isso tenho dito, para irritação de alguns santistas, que o o empate seria um ótimo resultado amanhã. E digo isso porque na Vila confio na vitória do Glorioso Alvinegro Praiano. Acho que este é o plano do técnico Muricy Ramalho, que já o praticou com sucesso na decisão de 2011 contra o mesmo rival.

Ao contrário do que disse o técnico Tite, não creio que a decisão do título se dará necessariamente no segundo jogo. Se amanhã o Santos perder por uma diferença de dois gols, dificilmente conseguirá inverter o resultado no Urbano Caldeira. Se perder por um gol, terá, digamos, 45% de chances de vencer e ser campeão em casa; se empatar, passará a ser favorito ao tetra, e se ganhar no Pacaembu, estará a um passo do sonho.

Mesmo técnica e taticamente um pouco abaixo do time da Globo no momento, o Santos é treinado por um técnico que costuma se dar bem em clássicos, principalmente pela capacidade de anular o poder ofensivo do oponente. Temos de admitir que com Muricy o Santos é uma equipe mais equilibrado psicologicamente nos grandes momentos (com a única exceção da decisão do Mundial de Clubes da Fifa, que a gente nem faz questão de lembrar).

Preocupado em não perder nenhum jogador para o jogo decisivo contra o Boca Juniors, no meio da semana, não creio que o Alvinegro de Itaquera apreciará um confronto pegado, com entradas ríspidas, que poderá desfalcar o time para a dramática batalha esperada contra os argentinos.

Por outro lado, o Santos pode arriscar mais nesse primeiro jogo. Uma jogada individual e o rígido sistema de marcação do adversário pode vir por terra. Chutes de longe também podem ser bem-vindos, já que Cássio não tem mostrado a mesma segurança desde que voltou da contusão.

Enfim, mais uma vez “O Grande Jogo” decidirá um Campeonato Paulista. E desta vez será um dos mais importantes, pois pode representar um feito inédito no futebol profissional brasileiro, que ainda não teve nenhum tetracampeão em São Paulo. Independentemente de sonhos e prognósticos, cada jogador do Santos deve ir à luta animado e confiante, pois tem o privilégio de fazer parte de um time predestinado, que se transforma e cresce nas decisões.

Reveja o dia em que um bando de garotos ganhou o título brasileiro derrotando – com talento, vontade e muita raça – o time que vinha sendo o melhor do País:

E você, acha que um empate será um bom resultado para o Santos?