Gostaria de saber se foi o vice-presidente Odílio Rodrigues, o presidente Luís Álvaro, o influente Álvaro de Souza, o marketing dirigido pelo Armênio Neto ou o comitê gestor em peso que aceitou esse jogo humilhante em Brasília, no qual o maior ídolo do Santos depois de Pelé despediu-se do time embaixo de vaias e xingamentos. E pela bagatela de 800 mil reais… Desculpem-me a expressão, mas que merda, senhores! É esse o Santos que pode mais? Pode mais o quê? Ser subserviente?

O Santos não só vendeu o mando de campo de um jogo que poderia lhe dar três pontos, como se tornou um visitante hostilizado, acuado pela equipe limitada do Flamengo. E Neymar, que sempre despertou a ira e a inveja dos outros torcedores, foi mais uma vez servido de bandeja à sanha enraivecida dos energúmenos. Lamentável, senhores…

Cadê um pinguinho só de coragem para dizer não aos organizadores desse festival macabro em que o Santos entrou como mandante, com o astro principal, e se tornou apenas um coadjuvante inexpressivo? Seria difícil acionar os profissionais do marketing e do departamento de eventos do Santos para fazer um jogo decente no Pacaembu, que estava vazio no domingo, e poderia ter se vestido de Alvinegro Praiano para receber a despedida de Neymar em grande estilo?

De que vale o clube pagar tão altos salários a tantos profissionais, se na hora em que estes precisam demonstrar competência e capacidade de trabalho se omitem e permitem que o Santos se pareça com um timeco sem eira nem beira?

E se o clube precisava desesperadamente de dinheiro, por que fez o segundo jogo da final do Campeonato Paulista na acanhada Vila Belmiro? Jogasse no Pacaembu, ou no Morumbi. Uma hora deixa de faturar o dobro para tentar ganhar um título paulista e na outra abre mão de um evento histórico, como a despedida do melhor jogador sul-americano…

Por que, senhor Odílio, enquanto muitos santistas lutam heroicamente contra a espanholização que grassa no futebol brasileiro, o senhor dá uma entrevista dizendo que acha justo que dois times sejam privilegiados, pois têm mais torcida?

Um santista de verdade sabe que a história do Alvinegro Praiano, suas conquistas, seus ídolos, seu impacto no futebol mundial, sua contribuição decisiva para a Seleção Brasileira que conquistou a Jules Rimet, sua fortuna de ter revelado Pelé, Coutinho, Pagão, Pepe, Robinho, Neymar, vale muito mais do que arrebanhar uma multidão vítima da lavagem cerebral de uma mídia manipuladora.

Jamais um dirigente do Santos pode concordar com a divisão de cotas de tevê. Aquele que quiser ter essa opinião, que deixe claro que ela não representa a opinião dos santistas. Nós somos pelo mérito esportivo, pela cota maior a quem proporciona melhor espetáculo. Se for o adversário, ótimo, mas que o número de torcedores nunca seja o motivo determinante. Esse modo de pensar faz parte de um populismo barato que abominamos. Gostaríamos que nossos dirigentes não babassem o ovo do poder, por favor.

Por que, depois de ter escolhido como slogan do Centenário a frase “Meninos para Sempre”, o Santos continua priorizando jogadores veteranos e um técnico que tem dificuldades crônicas de lidar com os mais jovens? Muricy Ramalho conseguiu convencê-los de que nossa base é fraca? Então perguntem a ele por que dispensou Oscar do São Paulo e hoje o rapaz é titular do Chelsea e da Seleção Brasileira…

O torcedor quer ver os meninos da Sub-20 em campo. Vão perder, vão ser dominados? Paciência. Os que estão jogando não estão fazendo nada melhor. Ao menos os jovens têm pernas, sonhos e coração. E não é preciso mudar todo mundo, claro. Deixe cinco ou seis do quadro titular atual e mude o resto. O santista quer sangue novo nesse time.

O torcedor já percebeu que neste Campeonato Brasileiro o nosso Santos, na melhor das hipóteses, ficará lá pelo meio da tabela, entre o décimo e o décimo-segundo lugares, como nos últimos anos, aliás. Qual o grande risco de se começar a dar espaço para os garotos? Sinto dizer-lhes, mas Edu Dracena, Durval e Léo não são imortais. Ao contrário. Logo mais terão dificuldade até para andar em campo. Poupe-nos de testemunhar essa agonia.

E, finalmente, por que, mesmo contra a opinião da maioria dos santistas, vocês querem trazer Robinho e Diego, que já estão em fim de carreira e viriam aqui apenas para enrolar um pouco até pendurar as chuteiras? E ainda com salários de um milhão de reais por mês… Brincadeira!!!

Há grandes times do Brasil, hoje mais competitivos do que o Santos, que foram formados com jogadores de equipes menores e garotos revelados da base. Por que o Santos não segue a mesma receita, que é a preferida do seu torcedor? Dá trabalho? Sim, claro. É preciso entender de futebol para selecionar os jogadores certos e também para preparar e motivar os jovens. Mas por que um técnico recebe 700 mil reais por mês e tem uma comissão técnica igualmente cara? Não é para saber selecionar jogadores e montar um time? Ou é para apenas fazer uma lista de medalhões a serem contratados e sair chorando pelos cantos quando eles não vêm?

Parem de se apegar ao passado, senhores. Até agora estão fazendo o Santos viver das sobras do passado. Vocês já trouxeram de volta Elano, André, e adiantou alguma coisa? O time campeão brasileiro de 2002 já era, ponham isso na cabeça. O time que encantou o Brasil em 2010 também já era. O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém… Mostrem que são capazes de montar o seu próprio time, o grande time que represente tudo o que o Santos pode e não conseguiu. Os senhores não defendem a idéia de que o Santos pode mais? Chegou a hora de provar isso.

Os torcedores da Torcida Jovem que viajaram para Brasília foram barrados pela Polícia Militar e não puderam ver a despedida de Neymar no Estádio Mané Garrincha. Depois do jogo ficou constatado que nos vestiários os chuveiros não tinham água quente e os pontos de Internet não funcionavam. Este é mais um estádio superfaturado para a Copa de 2014.
http://youtu.be/ZitXbfwyuS0

Por que será que a diretoria do Santos não respeita a voz do torcedor santista?