Willian José chega e já vai pra fogueira
william josé Mal chegou e o atacante Willian José (foto) está escalado para jogar ao lado de Patito Rodríguez nesta quarta-feira, às 19h30m, em Volta Redonda, contra o campeão carioca Botafogo (Sportv). Sem Bruno Peres e Edu Dracena, machucados, e Léo, poupado, o Santos deverá iniciar a partida com Rafael, Galhardo, Gustavo Henrique, Durval e Emerson; Renê Júnior, Arouca, Cícero e Montillo; Patito Rodriguez e Willian José. Hoje, se empatar em 0 a 0, até que será bom. Depois do jogo a gente volta aqui pra comentar.

Fico sabendo, por meio de uma pesquisa da Pluri Consultoria, que sem Neymar o Campeonato Brasileiro foi desvalorizado em 6% e está estagnado em oitavo lugar entre as competições nacionais do mundo, atrás de Rússia e Turquia e agora caindo para perto de Portugal, Ucrânia e a Segunda Divisão da Inglaterra. Só não entendo porque os jornalistas esportivos do Brasil queriam tanto que Neymar fosse embora. Será que não percebiam que o êxodo do craque empobreceria o mercado no qual trabalham e, por extensão, diminuiria ainda mais a importância da atividade que exercem?

Ajude-me, amigo e amiga, a entender por que um formador de opinião da mídia esportiva brasileira, o ancestral locutor da Rede Globo, defendeu com tanta ênfase a ida de Neymar para a Europa, se isso diminuiu os ganhos de sua própria emissora, que agora não conseguirá vender os direitos de transmissão do Brasileiro pelos mesmos valores de 2012…

Aliás, em 2012 o valor do Brasileiro já tinha diminuído em 8% com relação ao ano anterior, devido às saídas de Oscar e Lucas e a desvalorização de Paulo Henrique Ganso. De um total avaliado em 1,020 bilhão de euros no início de 2012 – que o colocava em sétimo, à frente da Turquia – o Campeonato Brasileiro caiu agora para 880 milhões com a saída de Neymar.

O Barcelona prepara dias e dias de festa para receber o eterno Menino de Ouro da Vila. O Camp Nou estará repleto, feliz e caloroso para abraçar o jovem craque que saiu do Brasil embaixo de vaias e xingamentos. Não há dúvida de que a maneira como as pessoas tratam os seus ídolos diz muito da índole e do grau de desenvolvimento de um povo. Dói muito admitir isso, mas os espanhóis estão muitos passos à frente no quesito civilização. Recebem com carinho extremo o craque que o Brasil – com exceção dos santistas – enxotou.

Ainda estou tentando entender, mas só encontro duas razões para alguém fazer campanha para o maior ídolo de futebol do País ir para o estrangeiro: 1 – Imaginar, ingenuamente, que o jogador só poderá se desenvolver tecnicamente se jogar em um centro mais adiantado do futebol; 2 – Incomodar-se com o sucesso deste jogador e com a popularidade que ele traz a seu time.

Infelizmente, no caso do Brasil, a segunda hipótese é a mais viável. Seria bom acreditar que nosso País é repleto de pessoas de sentimentos nobres, que amam e compreendem Neymar, se preocupam com ele e querem o seu bem. Seria bom acreditar que não foram estas mesmas pessoas que lhe criaram o estigma de cai-cai, o responsabilizaram pelos recentes fracassos da Seleção Brasileira e do Santos e semearam, com caprichosa crueldade, o ódio e o escárnio que se via na boca e nos olhos dos torcedores rivais.

O povo que não pensa, esse povo que permite que a tevê diga o que deve fazer, foi levado a ver em Neymar um inimigo, quando na verdade ele é uma benção para um futebol que vive de “jornalistas” fanfarrões, jogadores medíocres e um público sórdido, que exprime em suas palavras e gestos a falta de caráter que o identifica.

A inveja fez com que quisessem o exílio de Neymar? Queriam que sua saída impedisse o processo de popularização do Santos? Não importa. Qualquer que seja o sentimento inferior que fez com que muitos torcessem pelo desterro de um Menino de 21 anos, agora terão de conviver com a ausência do único jogador que fazia o brasileiro se lembrar de que aqui, um dia, já foi o País do Futebol.

Veja as jogadas de Neymar mais uma vez, neste vídeo produzido pelo Barcelona, e me diga se o mundinho do futebol brasileiro merecia um jogador assim:

E pra você, o que é o futebol brasileiro sem Neymar?