Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: junho 2013 (page 1 of 5)

Contratação de Gerardo Martino, para variar, já virou novela

Vinha, não vinha, vinha e por um valor que seria a metade do que o clube pagava a Muricy Ramalho, não vinha mais porque quer descansar. Esta última notícia tive pela manhã, no elevador de meu prédio onde santistas são maioria. Mas não me surpreendi. Essa diretoria de futebol do Santos não consegue concretizar um único bom negócio para o clube. Qual seria a grande dificuldade de se trazer Gerardo Martino para dirigir o Santos?

E esse tal de Scocco? E Cicinho, foi mesmo contratado? Bem, aconselho os santistas a não criarem grandes expectativas. Os responsáveis pelo departamento de futebol do Santos são adeptos ferrenhos da Lei de Murphy: se há uma possibilidade de dar errado, dará! Enquanto os reforços não assinarem contrato, vestirem a camisa e darem a primeira coletiva, são apenas um sonho, ou, para ser mais exato, mais um balão de ensaio desses homens que pernas de pau quando se trata de fazer negócios no futebol.

Quanto ao jogo com o Barcelona, já dissemos que é uma temeridade. Só mesmo a falta de planejamento e a ansiedade por ganhar qualquer dinheiro podem explicar o risco a que esses senhores da direção do Santos estão expondo a preciosa história do Glorioso Alvinegro Praiano. Querem mesmo jogar os Meninos às feras? Tudo bem. Mas que tenham a hombridade de colocar seus cargos à disposição caso o Santos sofra novo vexame diante do time espanhol.

Conheça a fundo Gerardo Martino (matéria de 2009):

Enquanto isso, em algum lugar de um país tropical abençoado por Deus:

O que você acha da provável (?) vinda de Gerardo Martino?


Sorry periferia, mas este Neymar ainda é o do Santos!

Neymar foi escolhido pela Fifa como o melhor jogador nas três partidas que o Brasil realizou pela Copa das Confederações, a imprensa brasileira trocou os artigos sarcásticos contra o garoto pela bajulação pura e o público, claro, agora só aplaude o Menino de Ouro da Vila. Estes são alguns dos milagres operados pela transferência de Neymar do Santos para o Barcelona, como queria Galvão Bueno e seus iguais. Mas este Neymar ainda é o resultado de tudo o que aprendeu e aperfeiçoou desde a mais tenra infância na Vila Belmiro, já que ainda não fez sequer um treino pelo Barcelona.

Porém, para a aliviada opinião pública brasileira o que parece importar mais é que o grande ídolo do nosso futebol não defende mais um time rival, não deve contribuir mais para aumentar a torcida do Santos e não colocará em risco o esquema de espanholização do futebol brasileiro.

Se Neymar pertencesse a algum outro clube brasileiro, ele teria tido um tratamento diferente do que teve sendo jogador do Santos? Acredito que sim. O Santos sempre incomodará mais porque atingiu um nível em sua história – e se manteve nele por 15 anos – do qual nenhum outro clube do País sequer chegou perto.

Imagine o futebol como o atletismo ou a natação. Pois bem. O Santos bateu um recorde que continua até hoje. Os anos passam, surgem e desaparecem campeões, o padrão de qualidade do jogo sobe e desce, mas não surge outro time como o Grande Santos de 1955 a 1969.

E Neymar e Ganso, como Robinho e Diego, contrariaram a tese – defendida pelos desprovidos de cultura e caráter – de que o Alvinegro Praiano só foi Glorioso nos tempos de Pelé. Deve ser difícil ter de defender uma tese tão absurda a vida inteira. O jeito é minimizar tudo o que o Santos e seus jogadores fazem. Esse era o motivo principal para Neymar incomodar tanto a tantos.

O torcedor do futebol, mesmo o mais limitado, sabe que o que importa mesmo nessa roda viva em busca de vitórias e títulos, é atingir um ponto inalcançável, é escalar o Everest da história, é deixar o nome gravado no tempo com letras de ouro, é atingir o ponto de transformar o time, nosso time, em uma lenda. E isso, só o Santos fez.

Agora que assinou com o Barcelona, apesar de nunca ter jogado lá, Neymar já não representa um fator de desestabilização no mercado do futebol brasileiro e é olhado e tratado de outra maneira pela grande maioria dos torcedores rivais e da imprensa esportiva. Porém, a verdade é que este garoto que está carregando o Brasil nas costas nesta Copa das Confederações, ainda é 100% Menino da Vila.

E você, percebeu como mudaram o tratamento ao Neymar “espanhol”?


Luis Álvaro quer dissolver o Comitê Gestor. E a fria contra o Barça…

Cansado de fazer o papel de rainha da Inglaterra, que na teoria é a líder, mas na prática não manda em quase nada, Luis Álvaro Ribeiro tem dito que pretende dissolver o Comitê Gestor que governa o Santos e, finalmente, exercer a função de presidente do clube com plenos poderes.

Para que os integrantes do CG sejam demitidos , basta Luis Álvaro levar a proposta ao Conselho Deliberativo do clube e obter dele ao menos metade dos 300 votos, o que não será difícil, pois os conselheiros estão descontentes com a atuação do Comitê.

O próximo passo seria extinguir definitivamente o Comitê Gestor e fazer o Santos voltar ao regime presidencialista. Para isso, Luis Álvaro terá de entrar com um pedido de alteração do estatuto, que será votado em uma assembleia geral 30 dias depois do pedido. Se o pedido obtiver metade dos votos mais um, a alteração será aprovada e o Santos voltará a ser dirigido apenas por um presidente.

Hoje, pelo que se comenta em Santos e no Santos, quem comanda o clube é o trio formado por Pedro Nunes da Conceição, Caio Stéfano e Moita, apelidos de “Vila Rica” por morarem em um condomínio residencial do mesmo nome, na cidade.

Mais uma promessa de campanha esquecida

Particularmente, acho que a ideia do Comitê Gestor não deu certo. Um clube de futebol exige decisões rápidas e dedicação absoluta de seus administradores. Um grupo que, apesar de contar com empresários experientes, como Álvaro de Souza e Eduardo Vassimon, se reunia no máximo duas vezes por semana e no qual seus membros encaravam as atividades no Santos como um bico, não poderia ser eficiente e tornar o clube competitivo. Enquanto Neymar atraiu patrocinadores, mídia e trouxe títulos, ainda deu para maquear os problemas. Depois, eles afloraram.

Porém, o que assusta nessa intenção de Luís Álvaro, é que com a extinção do comitê mais uma promessa de campanha, anunciada como grande modernidade no futebol, será esquecida, ou seja, a decantada gestão corporativa. Ela vai pro mesmo buraco negro para onde se encaminharam o fundo de 40 milhões de reais e a promessa de que o Santos venderia o espetáculo, não os artistas.

Por outro lado não dá para jogar toda a responsabilidade pelas péssimas decisões da direção do Santos apenas nas costas do quase anônimo comitê. Não foi ele quem decidiu a hora de ficar, como negociar e o momento de vender os jogadores. Não foi ele quem decidiu renovar com Muricy Ramalho por um ano e meio, quando era evidente que o técnico não tinha nada a ver com a alma do Santos; não foi ele quem preferiu Bill a Romarinho… Enfim, Luis Álvaro tomou muitas decisões, apesar do comitê, e não foi feliz na maioria delas.

Marcar novas eleições seria ideal

Afastado do clube por um bom tempo devido a graves problemas cardíacos, Luis Álvaro tem sido substituído pelo vice Odilio Rodrigues, e quem tem acompanhado a atuação dos dois considera Odilio mais bem informado, mais tratável, mais produtivo, enquanto Luis Álvaro tem um estilo que pende para a prepotência sem argumentos. Hoje, entre os dois, muitos santistas prefeririam o vice.

Como a extinção do Comitê Gestor gera uma situação nova no Santos, que não foi prevista pela chapa eleita e nem por seus eleitores, não seria mais ético convocar novas eleições presidenciais, dando ao sócio a oportunidade de escolher o melhor caminho para o clube diante dessa nova realidade?

A temeridade desse jogo do Santos com o Barcelona, lá

Com o time ainda em formação, recheado de jogadores inexperientes e muito mal colocado no Campeonato Brasileiro, a última coisa que o Santos deveria fazer é se arriscar em uma partida contra o melhor time do mundo, no campo do adversário e ainda com Neymar do outro lado. Enfrentar o Barcelona dia 2 de agosto é quase uma loucura. E ainda mais se o Santos não receber nada da arrecadação.

A mensagem que o Barcelona passará ao mundo com esse jogo será esta: vejam como somos os melhores da Terra, ainda mais fortes agora que temos Neymar. Somos bem superiores a este Santos, que já teve Pelé, Robinho, Neymar, mas hoje, comparado ao Barcelona, é um time medíocre.

Evitar esse vexame é muito fácil: basta transferir a partida para os feriados de final de ano/começo de 2014. Qualquer um que enxergue um milímetro de futebol percebe neste momento não há a menor possibilidade de o Santos conseguir ao menos um empate. É derrota na certa, com direito a olé.

E pra você, como e por quem o Santos deve ser dirigido?


O meu lado, o seu lado, o nosso lado

amigos - 4 criancas

Nestes dias, além de discutir as questões primordiais do clube, os santistas – e demais leitores deste blog – estão divididos pelas manifestações de rua que sacodem o País. A maioria está a favor do povo que protesta, mas há os que vêem nisso o interesse de desestabilizar o governo. Ocorre que, infelizmente, a sociedade ainda se divide em tribos e as regras, a ética, as noções de competência e honestidade não são as mesmas para o nosso grupo e para o grupo dos outros.

Todos têm uma tendência de serem mais tolerantes com as pessoas de sua turma, do seu lado. A corrupção, por exemplo, não deveria ser defendida por ninguém. Se alguém corrompeu ou foi corrompido, deve pagar por isso, mesmo que seja alguém do nosso grupo. Mas não é assim que funciona na prática. Arrumam-se mil desculpas para as falhas dos companheiros, ao mesmo tempo em que se é implacável com o mínimo desvio dos outros.

Uma sociedade realmente civilizada deveria ter valores claros e segui-los acima de qualquer partidarismo. O meu grupo, por exemplo, é o das pessoas éticas e honestas. E, se for um grupo profissional, também das pessoas competentes. Se você, meu caro, demonstrou que não tem ou não compactua com essas qualidades, então, sinto muito, não será da minha turma. No dia em que um País inteiro pensar assim, não fecharemos mais os olhos para alguns crimes e deixaremos de ser os primeiros a apontar o dedo para os culpados de outros. Crime será crime, independentemente de quem o pratica.

Reconheço que há forças poderosas que agem contra o senso de justiça absoluto. Quem fez parte da chapa, foi empregado no Santos com um bom salário, pouca exigência profissional e condições incomparáveis de trabalho, certamente defenderá com unhas e dentes a administração que está aí. Pois a derrota nas urnas poderá representar demissão e a volta às condições antigas de sobrevivência.

O mesmo ocorre com seguidores do partido político que hoje controla o Brasil. O poder dá e espalha dinheiro e melhores condições de vida entre os que o desfrutam. Por isso poucos aceitam passivamente a hora de perdê-lo. Se for preciso, jogam a sujeira comprometedora dos amigos para baixo do tapete, enquanto fazem questão de expor a dos inimigos. É a regra suja que todos eles seguem.

Por isso não tenho partido, nem no Santos, nem na política brasileira. Gosto e desgosto de alguma coisa de cada um. Acho, por exemplo, que numa emergência social, distribuir uma bolsa que permita a milhões de brasileiros sair da miséria absoluta, é plenamente válido. Mas manter essa esmola indefinidamente, sem ajudar essas pessoas – por meio da educação e do emprego –, a galgar outros degraus na sociedade, é o mesmo que comprá-las.

Gostei da energia e do otimismo com que Luis Álvaro assumiu o Santos, mas fui me desgostando com suas promessas não cumpridas, suas frases vazias, suas decisões ditatoriais e o seu desmesurado apego ao cargo, mesmo quando ficou claro que não tinha mais condições de exercê-lo plenamente. Se sofre de uma doença grave, vá se cuidar e deixe o clube seguir sua vida. O Santos não precisa de mártires. Precisa de administradores capazes, algo que Luis Álvaro ainda não conseguiu ser.

Enfim, vivemos uma era em que as relações entre grupos diferentes podem ser definidas por uma frase saída da sabedoria popular: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”. É claro que não pode haver justiça enquanto se pensar assim, e sem justiça não há democracia.

Ainda não sei o que é viver em um país desenvolvido, em meio a um povo desenvolvido. Mas sinto que nós, santistas e brasileiros, estamos a caminho, apesar dos percalços. E teremos chegado lá quando considerarmos o nosso lado mais importante do que o meu ou o seu.

Veja agora o filme produzido pelo Rachid que mostra momento em que o povo na avenida Paulista impediu que partidos políticos assumissem a paternidade das manifestações:

E você, é tolerante com o lado dos outros?


Vem aí 1.o de julho, o “Dia Sem Globo”

globo

Está nas redes sociais: dia 1.o de julho haverá um boicote nacional contra a Rede Globo e suas afiliadas. Ninguém deve ligar a tevê nesse canal. O povo detectou a Globo como a emissora de tevê parceira desse governo corrupto e oligárquico que domina o País. Este blog, que é movido pela vontade da maioria, nunca poderia ser contrário a esse legítimo movimento popular.

Estou certo de que não só os santistas, mas torcedores de todas as cores apoiarão em massa esse boicote que, em suma, é mais a favor da democracia e da defesa dos direitos do povo – obrigações que deveriam ser prioritárias em emissoras de tevê concedidas pelo governo – do que contra uma empresa ou seus profissionais. A Globo foi escolhida porque é a maior, a mais representativa, mas isso não quer dizer que Record, Bandeirantes ou Rede TV sejam melhores. Na verdade, a tevê aberta brasileira não satisfaz as necessidades de um povo em desenvolvimento.

Tecnicamente, a Globo é uma das melhores emissoras de tevê do mundo, mas ética e ideologicamente não inspira nenhuma confiança, pois invariavelmente está do lado do poder e dos poderosos. O departamento de marketing comanda as ações da empresa, o que pode ser muito bom para os lucros, mas é péssimo para a credibilidade. O jornalismo que pratica é o chamado “chapa branca”, que se baseia nas versões oficiais e evita reportagens investigativas que mexam com o chamado alto escalão do governo.

As manifestações anárquicas que estão ocorrendo pelo País certamente mudarão muita coisa. Quisera poder mudar toda a estrutura política, pois é evidente que este sistema atual não agrada ninguém. Um bando de privilegiados se enriquece e legisla em causa própria, enquanto o povo trabalha muito, paga muitos impostos e não tem uma vida digna.

Se hoje houvesse um plebiscito para saber se o Brasil deve ter governo, a maioria diria não. Que tivesse administradores profissionais especializados, mas não políticos eternos e corruptos, como os conhecemos. Essa revolta era evidente há muito tempo, mas vinha sendo ignorada. Se 200 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado para impedir que Renan Calheiros assumisse a presidência do Senado, por que isso foi ignorado? Não restou outra alternativa, a não ser ir para as ruas.

E agora, ao perceber que essa atitude dá resultado, duvido que os brasileiros e brasileiras fiquem em casa engolindo tanto sapo, quietinhos. Se a Fifa disse que basta mais uma manifestação contra seus representantes para a Copa das Confederações ser cancelada, então é bem provável que isso ocorra. A maioria dos brasileiros não quer a Copa das Confederações e nem a Copa do Mundo. Conseguir que sejam canceladas será uma histórica vitória popular.

Uma coisa é certa: o Brasil não será o mesmo depois desses dias que estamos vivendo. Os déspotas mais esclarecidos terão de rever suas condutas, se der tempo… A tevê em geral, e a Globo em particular, serão obrigadas a mudar sua forma de se relacionar com o Estado e a sociedade. A verdade é que a Internet, em pouco tempo, despertou nas pessoas um nível de esclarecimento que centenas de novelas, programas de auditório e Big Brothers faziam questão de manter amortecidos. Agora a rolha não cabe mais na garrafa.

E você, o que fará no dia 1.o de julho?


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