gol willians jose
Dida desconsolado. Willian José comemora seu gol com Neilton e Gabriel. O novo Santos dos Meninos do Claudinei pede passagem (Foto: Ivan Storti/ Santos FC)

Se incluirmos o goleiro Rafael e o atacante Willian José, o Santos terminou a partida contra o Grêmio com seis Meninos em campo. Parabéns, Claudinei Oliveira, é isso que o torcedor espera de você. A fama do adversário, que tem jogadores conceituados, como Dida, Elano, Zé Roberto e Barcos, não intimidou o novo técnico, muito menos os novos Meninos da Vila, que dominaram a partida na maior parte do tempo, atacaram mais e conseguiram um bom empate contra o Grêmio treinado por Vanderlei Luxemburgo, time que para alguns é candidato ao título brasileiro.

Boa parte da imprensa esportiva – que, aliás, não entende nada de Santos –, criticou a demissão de Muricy Ramalho e previu um desastre para o jogo contra o tarimbado Grêmio. Isso porque analisam o futebol pelos nomes de técnicos e jogadores, e não pelo que realmente estão produzindo. Muricy estava empurrando com a barriga há algum tempo, assim como vários jogadores, mas só alguns santistas pareciam ver isso.

Como se esperava, mesmo com jogadores menos experientes, o Santos segurou o Grêmio lá atrás ao tomar a iniciativa do jogo. E mesmo que perdesse, o Alvinegro deste sábado, primeiro de junho de 2013, data que celebra seu desengessamento da tática murrinha de Muricy Ramalho, mereceria mil perdões, pois não é mesmo fácil reestruturar uma equipe que perdeu o melhor jogador sul-americano e está há um ano e meio ouvindo um treinador gritar para defender, marcar, correr atrás do adversário.

Não é fácil mudar, mas é necessário, ou não haverá esperança de ter um time forte, competitivo e menos caro no futuro. Creio que neste domingo tenha ficado evidente que a base do Santos é boa e pode gerar uma bela equipe. Até porque há outros Meninos que podem entrar nesse time, como os atacantes Giva e Victor Andrade, os zagueiros Gustavo Henrique e Jubal, os meio-campistas Lucas Otávio, Leandrinho, Léo Cittadini e Pedro Castro e o lateral Émerson Palmieri.

Não tiro os méritos acumulados dos veteranos Edu Dracena, Durval e Léo, mas o gol do Grêmio, aos 12 minutos de jogo, veio novamente de uma bola enfiada entre eles. Mal colocados e sem poder de recuperação, só puderam ficar assistindo a Vargas escolher o canto e abrir o marcador. Com Jubal e Gustavo Henrique o Santos perderá experiência, mas ganhará vitalidade e agilidade na zaga.

Santos manteve a iniciativa

Com Muricy era normal ver o Santos atrás, mesmo quando jogava na Vila, à espera da oportunidade do contra-ataque. Já deu pra perceber que com Claudinei, ao menos quando jogar em casa, o time será o protagonista. Como se esperava, mesmo com jogadores menos experientes, o Santos segurou o Grêmio lá atrás ao tomar a iniciativa do jogo. Se um time ataca, o outro só pode se defender – esta é uma lei básica, que só depende de coragem para ser seguida.

Ao contrário do que queria o torcedor, porém, Claudinei não iniciou a partida com os titulares que terminaram o jogo contra o Botafogo, mas no segundo tempo colocou Gabriel no lugar de Renê Junior, Felipe Anderson no de Montillo e ainda Alan Santos no de Galhardo. Não se pode dizer que todas as substituições deram certo – o time perdeu um pouco o poder de marcação no meio de campo nos últimos minutos – mas, em compensação, manteve a atitude ofensiva, obrigou o adversário a se preocupar também com a defesa.

Aos 33 minutos do segundo tempo, quando já merecia o empate, o Santos teve a seu favor um pênalti bem marcado pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique. Souza estava com o braço demasiadamente longe do corpo para alegar “bola na mão”, e ao interceptar a jogada impediu que um santista atrás dele, em ótima posição, cabeceasse para o gol. Acho que impedir um lance claro de gol com a mão, mesmo sem ser intencional, tem de ser punido. Felizmente foi e Willian José cobrou forte para empatar.

Surge a chance de se ter um time jovem e forte

Nem repetirei que o que é crise para alguns, é oportunidade para outros, e é nessa segunda condição que vejo o Santos hoje. As saídas de Neymar e Muricy e as propostas recebidas por Rafael, Felipe Anderson, Durval e Arouca criam a oportunidade de uma reformulação importante, que poderá originar uma nova geração de Meninos da Vila.

Estes quatro jogadores, que interessam a outros clubes, não são essenciais para o Santos. Mesmo Rafael e Arouca, recentemente convocados para a Seleção Brasileira, podem ser substituídos. Por outro lado, mantê-los significaria aumentar-lhes os salários, o que considero fora de cogitação.

A atitude de Claudinei Oliveira de nem colocar no banco de reservas os argentinos Miralles e Patito Rodríguez deve ser aplaudida. Chega de por panos quentes e escalar jogadores medianos, tirando a oportunidade de jovens revelados no clube. E do jeito que não está jogando, o outro argentino, Montillo, também não merece ser titular.

É claro que não basta se desfazer de todos os jogadores inconvincentes e promover garotos da base. Que até o final desse Campeonato Brasileiro se fique com os zagueiros Edu Dracena e Neto, o lateral Léo, os meio-campistas Renê Junior e Cícero e o centroavante Willian José, além, é claro, dos goleiros reservas. Creio ainda que alguns jogadores, como Montillo, Patito e Miralles poderiam ser trocados por outros que sejam bons, mas não estejam se dando bem em outros clubes.

Quem sabe se no mercado argentino, no qual esses três jogadores têm algum nome, não possam surgir boas oportunidades de negócio? Se Montillo tem sido freqüentemente convocado para a seleção de seu país, certamente lá há clubes que se interessam e se interessarão por ele. Não creio que seja sensato continuar esperando que ele desencante. Já teve oportunidades demais e mostrou muito pouco.

Com essa grande economia de salários e ainda com o dinheiro que sobrou da venda de Neymar, o Santos deveria contratar mais dois ou três jogadores de peso. Creio que assim seria formada uma grande equipe, que jogue pra frente, faça gols e honre as tradições do mais famoso Alvinegro do mundo.

Escalações de Santos 1 x 1 Grêmio

Santos: Rafael, Rafael Galhardo (Alan Santos), Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Júnior (Gabriel), Arouca, Cícero e Montillo (Felipe Anderson); Neílton e William José. Técnico: Claudinei Oliveira.

Grêmio: Dida, Pará, Werley, Bressan e Alex Telles; Adriano (Ramiro), Souza (Guilherme Biteco), Elano e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Kleber). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Gols: Vargas aos 11 minutos do primeiro tempo e Willian José, cobrando pênalti, aos 33 minutos do segundo.

Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique (RJ); auxiliado por Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Rodrigo F Henrique Correa (RJ). O grande erro foi não ter marcado um impedimento do ataque gremista, já nos acréscimos, que resultou em uma boa defesa de Rafael.

Cartões amarelos: Léo e Arouca (Santos); Vargas, Souza, Werley e Pará (Grêmio).

Veja os gols da partida:
http://youtu.be/W-85bli7plo

E você, o que achou do Santos dos Meninos contra o Grêmio?