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Claudinei Oliveira mantém o veterano Léo no time. Por enquanto… (Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

A única chance que Claudinei Oliveira tem de ser efetivado como técnico do time profissional do Santos é promover a tão esperada renovação. Como ex-técnico do Sub-20, espera-se que ele reproduza o movimento que tantas vezes já deu certo na história do clube, ou seja, que ponha os Meninos pra jogar e monte um time vibrante e fazedor de gols. Mas sua estreia hoje, às 16h20m, contra o Grêmio, na Vila Belmiro, deverá ser tímida. Dos garotos, só Neilton foi efetivado como titular, e jogará no ataque ao lado de William José, um Menino que veio de fora.

O zagueiro Edu Dracena volta de contusão e faz dupla com Durval. Na lateral-esquerda Léo também volta ao time, ou seja, os jovens Gustavo Henrique e Émerson, que jogaram contra o Botafogo, no Rio, cederão seus lugares. Creio que o retorno de Dracena, se estiver totalmente recuperado, é positivo, pois somando-se técnica e experiência é o zagueiro mais completo que o Santos tem, mas já não vejo como imprescindível o retorno de Léo, que não tem tido fôlego para jogar os 90 minutos com a mesma intensidade.

Admito que não deve ser fácil para um técnico de divisão de base assumir o time profissional e já promover mudanças radicais. Como chegar para um Dracena e um Léo e dizer que hoje eles não começarão jogando? Um tem sido o capitão do time, o erguedor de taças dos últimos três anos, enquanto Léo é considerado um dos melhores laterais-esquerdos da história do Santos, o jogador mais vitorioso depois da era Pelé. Porém, Claudinei não está no cargo para fazer média com os veteranos. Isso Muricy já fazia, e muito bem.

Houve um momento em que Zito em pessoa tirou sua camisa e entregou ao Menino Clodoaldo, que lembra desta cena até hoje. “Se ele não tivesse feito isso, que técnico teria coragem de barrar o Zito?”, confidencia Corró para os amigos. Um dia também Edu tomou o lugar de Pepe, o maior artilheiro do Santos depois de Pelé. E assim a vida seguiu, com o Santos renovado e mais forte.

Porém, hoje o jogo é difícil, contra um Grêmio bem montado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, e talvez o ideal seja mesmo tornar a defesa mais experiente. Mas o torcedor santista gostaria que ao menos do meio-campo para a frente o time fosse mais agressivo. Apenas Neilton e Willian José parecem pouco para formar o ataque de um time que joga em casa.

Está certo que Montillo, escalado no meio, terá mais liberdade para avançar, e Cícero também poderá encostar mais nos atacantes. Como volantes-volantes ficarão Renê Junior e Arouca. É uma tática previdente, mas não se pode dizer que seja defensiva.

Entretanto, se fizesse entrar Victor Andrade no lugar de Renê Junior, com ordem de atacar pela direita, recuasse Arouca para a posição de primeiro volante e colocasse Cícero como segundo, o Santos teria um time ofensivo, que prenderia o Grêmio em sua defesa, justamente o ponto fraco do time gaúcho.

É estratégia. Não importa que no todo o Grêmio seja, hoje, mais time do que o Santos. Se o ataque santista é superior à defesa do adversário, e se o Alvinegro Praiano conseguir manter o jogo no campo do oponente, então acabará levando vantagem, como aconteceu no ano passado – quando venceu o tricolor do Sul por 4 a 2. depois de obter uma vantagem de 4 a 0.

No papel o Grêmio também jogará com dois atacantes – Vargas e Barcos – e terá quatro no meio de campo: Adriano, Souza, Elano e Zé Roberto. Destes, apenas Adriano, o ex-santista, não costuma avançar. Os outros três não são especializados na marcação. Elano, a gente conhece bem, só gosta de jogar com a bola no pé, enquanto Zé Roberto é o mais ativo do setor.

Se for pressionado, o Grêmio terá de recuar e, mesmo que recupere a bola, não terá tanta velocidade no contra-ataque, já que seus jogadores de meio são lentos. Porém, se puderem manter o domínio da partida, os gremistas girarão a bola em torno da área do Santos até que uma bola sobre para Barcos ou Vargas colocarem para dentro. Haverá, ainda, o perigo de um chute de Elano, ou uma infiltração rápida de Zé Roberto.

Na defesa, Luxemburgo escalou Dida, Pará, Bressan, Werley e Alex Telles. Confesso que não conheço bem todos esses jogadores, mas ainda tenho a sensação de que, pressionados, confessarão. Sinto que Felipe Anderson e Victor Andrade, que atuaram na partida do ano passado, desta vez não estejam escalados. O chute de fora da área de Felipe e a velocidade de Victor seriam armas importantes para alcançar a vitória.

No ano passado o Santos jogou com Rafael, Bruno Peres, Edu Dracena (Bruno Rodrigo), Durval e Juan; Adriano, Arouca, Henrique e Felipe Anderson (Éwerthon Páscoa); Victor Andrade (Geuvânio) e Neymar. O Grêmio, com Marcelo Grohe; Vilson, Werley e Gilberto Silva; Tony (Gabriel), Fernando, Souza (Marquinhos), Marco Antônio (Marcelo Moreno) e Zé Roberto; Kleber.

Hoje o Santos iniciará a partida com Rafael, Galhardo, Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Junior, Arouca, Cícero e Montillo; Neilton e Willian José. O Grêmio terá Dida, Pará, Bressan, Werley e Alex Telles; Adriano, Souza, Elano e Zé Roberto; Vargas e Barcos.

A arbitragem será de Marcelo de Lima Henrique, da Federação Carioca de Futebol. E o público… bem o público dará uma boa idéia da reação do santista diante da saída de Muricy Ramalho. Espero que compareça e apóie este Santos em busca do seu renascimento.

Reveja os gols de Santos 4 x 2 Grêmio, no Brasileiro do ano passado:

E você, o que espera desse primeiro jogo do Santos de Claudinei?