Confesso que não sou PHD em administração financeira, mas ao menos sei o básico – ensinado por meus pais – que é não gastar mais do que se recebe. Pode parecer pouco, mas se o presidente Luis Álvaro e o comitê gestor tivessem seguido essa regra básica, hoje o Santos não estaria em situação financeira tão delicada e não seria obrigado a fazer tantas demissões.

Além de Nei Pandolfo, Felipe Faro, Henrique Schiter e Carlos Eiki Baptista, outros altos funcionários – como os gerentes de comunicação e marketing – deverão ser defenestrados nos próximos dias. O clube que se resume ao futebol e já foi definido como “apenas onze camisas”, elevou tanto sua folha de pagamentos que, segundo uma fonte segura, hoje precisa de oito milhões de reais por mês para manter os salários em dia (somando-se quem já não está no clube, como Elano, Muricy…), o que faz com que o Santos tenha um prejuízo de R$ 3 milhões por mês.

Mesmo que houvesse fontes de receita que permitissem tamanha gastança, ela não se justificaria, pois um clube de futebol brasileiro está mergulhado em um mercado altamente instável e não pode gastar tudo o que arrecada. Além de pagar suas contas, o que não fazem, deveriam manter um belo fundo de reserva, algo que todo condomínio residencial faz.

Esta gestão que assumiu o Santos jamais poderia ter elevado o nível salarial de seus funcionários – jogadores e comissão técnica inclusive – ao patamar de empresas multinacionais. Primeiro porque o clube já vinha de uma situação financeira difícil, com dívidas volumosas. Uma administração responsável teria primeiro saneado essas dívidas para só depois pensar em fazer outras, se fosse o caso.

E depois porque premiar os líderes e parceiros do movimento “O Santos pode mais” com salários elevados e registro na CLT armou uma bomba relógio que um dia explodiria. Imaginei que essa explosão se daria em outra gestão, mas já está ocorrendo um ano e meio antes das próximas eleições. Alegou-se que registrar na carteira era o correto, ao invés de se terceirizar os cargos mais importantes, como se fazia antes. Mas ao aumentar os salários e, consequentemente, os encargos trabalhistas, o Santos passou a correr contra um déficit progressivo.

Enquanto Neymar trouxe enorme visibilidade ao clube, contratos de patrocínio milionários amenizaram o problema, mas quando o mercado percebeu que o Menino de Ouro ia embora, a fonte secou. Há meses o Santos não tem patrocínio máster e hoje está diante de uma realidade que nem o melhor marketing esportivo do mundo daria jeito.

Na verdade, a primeira auditoria feita por esta gestão, no final de 2010, já havia detectado que o clube estava pagando cerca de 50% mais de folha salarial, apesar de ter reduzido o número de funcionários. Dependendo do cargo, remunerava-se com o dobro ou o triplo da gestão anterior. Ao aumentar os salários e ainda fazer os registros em carteira, a direção atual condenou as gestões posteriores a manter os funcionários atuais, ou pagar uma fortuna para dispensá-los. O que no mínimo não foi ético.

Particularmente, acho que se você quer os melhores profissionais para cada área, tem de escolhê-los pelo currículo e pela capacidade, e não porque são companheiros de chapa. E se quiser companheiros de chapa, por favor, não lhes pague o teto de mercado. Porém, infelizmente o espírito de confraria prevalece nos clubes de futebol – e se torna a causa principal do amadorismo e da péssima administração financeira.

Quando me disseram para ficar tranquilo, pois o Santos passaria a ser comandado por um conselho gestor formado por alguns banqueiros experientes, eu refleti que já tive conta no Nacional, que virou Unibanco e hoje é Itaú. Ou seja, bancos brasileiros vivem falindo ou se fundindo. Não creio que representem um mercado de gestores confiáveis.

Depois dessa experiência que tem se revelado dolorosa, chego à conclusão de que o Santos não precisa e não pode deixar o seu futuro nas mãos de especialistas no mercado financeiro. O Alvinegro Praiano tem de ser administrado por quem trate o dinheiro com o respeito que ele merece e, o que é mais importante, entenda de futebol e compreenda a alma do torcedor santista.

E você, o que acha da onda de demissões no Santos?