Cansado de fazer o papel de rainha da Inglaterra, que na teoria é a líder, mas na prática não manda em quase nada, Luis Álvaro Ribeiro tem dito que pretende dissolver o Comitê Gestor que governa o Santos e, finalmente, exercer a função de presidente do clube com plenos poderes.

Para que os integrantes do CG sejam demitidos , basta Luis Álvaro levar a proposta ao Conselho Deliberativo do clube e obter dele ao menos metade dos 300 votos, o que não será difícil, pois os conselheiros estão descontentes com a atuação do Comitê.

O próximo passo seria extinguir definitivamente o Comitê Gestor e fazer o Santos voltar ao regime presidencialista. Para isso, Luis Álvaro terá de entrar com um pedido de alteração do estatuto, que será votado em uma assembleia geral 30 dias depois do pedido. Se o pedido obtiver metade dos votos mais um, a alteração será aprovada e o Santos voltará a ser dirigido apenas por um presidente.

Hoje, pelo que se comenta em Santos e no Santos, quem comanda o clube é o trio formado por Pedro Nunes da Conceição, Caio Stéfano e Moita, apelidos de “Vila Rica” por morarem em um condomínio residencial do mesmo nome, na cidade.

Mais uma promessa de campanha esquecida

Particularmente, acho que a ideia do Comitê Gestor não deu certo. Um clube de futebol exige decisões rápidas e dedicação absoluta de seus administradores. Um grupo que, apesar de contar com empresários experientes, como Álvaro de Souza e Eduardo Vassimon, se reunia no máximo duas vezes por semana e no qual seus membros encaravam as atividades no Santos como um bico, não poderia ser eficiente e tornar o clube competitivo. Enquanto Neymar atraiu patrocinadores, mídia e trouxe títulos, ainda deu para maquear os problemas. Depois, eles afloraram.

Porém, o que assusta nessa intenção de Luís Álvaro, é que com a extinção do comitê mais uma promessa de campanha, anunciada como grande modernidade no futebol, será esquecida, ou seja, a decantada gestão corporativa. Ela vai pro mesmo buraco negro para onde se encaminharam o fundo de 40 milhões de reais e a promessa de que o Santos venderia o espetáculo, não os artistas.

Por outro lado não dá para jogar toda a responsabilidade pelas péssimas decisões da direção do Santos apenas nas costas do quase anônimo comitê. Não foi ele quem decidiu a hora de ficar, como negociar e o momento de vender os jogadores. Não foi ele quem decidiu renovar com Muricy Ramalho por um ano e meio, quando era evidente que o técnico não tinha nada a ver com a alma do Santos; não foi ele quem preferiu Bill a Romarinho… Enfim, Luis Álvaro tomou muitas decisões, apesar do comitê, e não foi feliz na maioria delas.

Marcar novas eleições seria ideal

Afastado do clube por um bom tempo devido a graves problemas cardíacos, Luis Álvaro tem sido substituído pelo vice Odilio Rodrigues, e quem tem acompanhado a atuação dos dois considera Odilio mais bem informado, mais tratável, mais produtivo, enquanto Luis Álvaro tem um estilo que pende para a prepotência sem argumentos. Hoje, entre os dois, muitos santistas prefeririam o vice.

Como a extinção do Comitê Gestor gera uma situação nova no Santos, que não foi prevista pela chapa eleita e nem por seus eleitores, não seria mais ético convocar novas eleições presidenciais, dando ao sócio a oportunidade de escolher o melhor caminho para o clube diante dessa nova realidade?

A temeridade desse jogo do Santos com o Barcelona, lá

Com o time ainda em formação, recheado de jogadores inexperientes e muito mal colocado no Campeonato Brasileiro, a última coisa que o Santos deveria fazer é se arriscar em uma partida contra o melhor time do mundo, no campo do adversário e ainda com Neymar do outro lado. Enfrentar o Barcelona dia 2 de agosto é quase uma loucura. E ainda mais se o Santos não receber nada da arrecadação.

A mensagem que o Barcelona passará ao mundo com esse jogo será esta: vejam como somos os melhores da Terra, ainda mais fortes agora que temos Neymar. Somos bem superiores a este Santos, que já teve Pelé, Robinho, Neymar, mas hoje, comparado ao Barcelona, é um time medíocre.

Evitar esse vexame é muito fácil: basta transferir a partida para os feriados de final de ano/começo de 2014. Qualquer um que enxergue um milímetro de futebol percebe neste momento não há a menor possibilidade de o Santos conseguir ao menos um empate. É derrota na certa, com direito a olé.

E pra você, como e por quem o Santos deve ser dirigido?