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Contratar Mano Menezes para técnico do Santos é o típico negócio que não cheira bem.

No Palácio de Versalhes, nos arrabaldes de Paris, a nobreza vivia sem nenhum contato com o povo e a dura realidade das ruas. Assim, quando informaram à rainha Maria Antonieta que o povo não tinha pão, ela respondeu “ora, então que comam bolo”. Lembro-me disso porque leio que o presidente Laor, que tem passado os dias no aconchego de seu lar, cercado por amigos e familiares, declarou a um jornal que se Bielsa não vier, pretende convidar Mano Menezes para ser o técnico do Santos.

Vi a demissão de Muricy Ramalho como um passo da diretoria no caminho de uma identificação maior com o torcedor santista. A vinda de Menezes criaria um abismo entre a corte e o povo, ou melhor, entre a direção do clube e seus torcedores. Muito identificado com o alvinegro de Itaquera, parceiro de Ronaldo e Andrés Sanchez, Mano Menezes é o último técnico que um dirigente santista pensaria em contratar.

Este blog não é preconceituoso, mas, modéstia à parte, entende um pouco da alma do santista. Fiz um título semelhante quando se pensou em contratar Bill, em vez de Romarinho. Mas Laor, imune aos clamores do povo, quero dizer, do torcedor, preferiu pagar 100% do passe de Bill e ignorou o santista Romarinho, que viria para o Santos por uma bagatela. Resultado: Bill foi embora sem nada fazer de útil, enquanto Romarinho é titular em um dos times mais competitivos do País no momento.

Quem poderia aconselhar Laor a contratar Mano Menezes? O amigo Andrés Sanchez? Talvez. A possibilidade é tão absurda, que só posso ver nesse plano a interferência de alguém preocupado com o desemprego do ex-técnico do alvinegro paulistano, que assumiu a seleção após a desistência de todos os favoritos para o cargo.

Meninos, sim, mas não só eles!

Tenho lido que o Santos usará o dinheiro da venda de Neymar para construir um CT para as categorias de base. Ótimo. Mas e o resto do dinheiro? Sim, porque não dá para se desfazer do melhor jogador sul-americano e não sobrar nada para comprar um outro à altura, ou ao menos um titular absoluto. A história dessa venda precisa ser melhor explicada. Os números não batem.

Um time de Meninos da Vila também precisa de jogadores mais experientes. Em 1978 havia Joãozinho, Clodoaldo, Ailton Lira; em 1995, Giovanni, Gallo, Wagner; em 2002, Fábio Costa, Léo, Renato, Alberto; em 2010, Robinho, Marquinhos, Edu Dracena, Durval… Não dá para escalar um time só com a garotada. Esta seria uma alternativa desesperada, no caso de o clube estar com o caixa realmente a zero.

Pagar fortunas por um técnico é bobagem

Imaginei que Marcelo Bielsa se encantaria por trabalhar no Santos e não quereria sangrar os cofres do clube, mas me enganei. Pelo que o professor pediu, e só a partir de janeiro, é melhor esquecê-lo. Também não está com essa bola toda. Que se procure uma opção mais razoável.

De nada adiantará economizar uma fortuna com o salário de Muricy Ramalho e trazer outro técnico nas mesmas condições. Se técnicos valessem mesmo o que pedem, não ficariam desempregados por tanto tempo. Está aí um cargo para o qual os clubes, unidos, deveriam estabelecer um teto salarial. Nenhum técnico brasileiro deveria receber mais do que 200 mil reais por mês. Se não estivessem contentes, que fossem trabalhar na Arábia, na Transilvânia, ou onde quisessem. Queria ver se em pouco tempo essa orgia financeira não estancaria.

Por enquanto, fiquemos com Claudinei Oliveira. O grande Lula e o não menos grande Formiga começaram assim, vindos das categorias de base. Torçamos para que Claudinei se firme. Está na hora de o Santos, que já revelou tantos técnicos, revelar mais um.

O caso Victor Andrade

Acabo de receber o telefonema de um amigo de infância, o Paulinho Stapait, santista fanático, indignado com o não aproveitamento do Victor Andrade. Realmente, é estranho o rapaz nunca mais ter sido escalado, depois de ser anunciado como um novo astro da Vila e assinar um contrato com uma multa milionária. Por que Victor está na geladeira? Quem souber, que se pronuncie.

Custo fixo do Santos é uma bomba-relógio

Já falei sobre isso e falarei de novo, apesar de saber que boa parte dos altos funcionários do clube me odeiem por isso: esta gestão elevou demais o custo fixo do Santos e essa política salarial corrói rapidamente o que o clube fatura, colocando-o sempre em situação delicada, principalmente em momentos como este, em que não há patrocinador máster na camisa.

Paga-se o teto salarial para muitos funcionários que foram escolhidos mais por suas convicções ideológicas do que por seu currículo profissional. Isso faz com que o Santos gaste como uma multinacional e funcione como uma empresa brasileira de fundo de quintal.

Antes esses funcionários eram terceirizados, hoje todos são registrados em carteira, com salários acima da média de mercado de Santos. O custo fixo mensal mais do que dobrou nos últimos anos e como agora o faturamento diminuiu, os “problemas de fluxo de caixa” tornaram-se terríveis. Fico imaginando a bomba que sobrará na mão de uma nova diretoria que assumir o clube nas próximas eleições.

Não foi ético administrar as finanças do clube dessa maneira, condenando as administrações posteriores a gastar fortunas se quiserem mudar o quadro de funcionários do Santos. E diante de tantos encargos, comentam que o dinheiro da venda de Neymar servirá apenas para pagar dívidas e manter a folha salarial em dia. Será? O blog está à disposição para o esclarecimento dos responsáveis.

E você, o que acha disso tudo?