Sei que um time é um time, que todas os seus departamentos devem render harmoniosamente e que as deficiências de um acabam comprometendo o outro. Mas, se analisarmos bem, o que ocorreu no jogo contra o Criciúma é que os garotos, apesar da falta de maturidade, fizeram um gol e levaram perigo à meta adversária, enquanto os jogadores mais experientes, responsáveis por salvaguardar a defesa e o meio-campo do Santos, tiveram responsabilidade nos três gols sofridos pela equipe.

O jogo estava equilibrado até os 15 minutos, quando Cícero tentou dar um passe rasteiro atravessando o campo – coisa que qualquer jogador de várzea sabe que é desaconselhável – e entregou a bola para o adversário. Na sequência, Marcel, aquele que atuou no Santos em 2010, fez a barreira para o chute de João Vitor, enquanto Renê Junior se aproximava lentamente do lance.

No segundo tempo, o Criciúma estava melhor, mas o Santos tinha as suas chances quando o péssimo árbitro Pablo dos Santos Alves transformou um corte legal do Léo em pênalti, convertido por Giancarlo aos 15 minutos. Cinco minutos depois, em falta cobrada para a área, três jogadores do Criciúma entraram livres e Matheus Ferraz cabeceou para fazer 3 a 0.

Ou seja, em nenhum dos gols sofridos pelo Santos houve culpa de um Menino promovido do Sub-20. Por outro lado, eles se viraram até que bem lá na frente. Felipe Anderson, Leandrinho e Neilton desperdiçaram boas chances até que Neilton, no finzinho do jogo, após perfeito cruzamento de Gabriel, fez o seu primeiro gol como profissional.

O técnico Claudinei Oliveira tem dado aos jogadores mais experientes a incumbência de atuar na defesa e no meio-campo, deixando as funções ofensivas para a garotada, no que está muito certo. Mas Claudinei não podia prever que justamente os jogadores mais rodados fracassariam. Mesmo com três volantes, a defesa do Santos parecia sempre desprotegida.

Cícero e Renê Junior estavam realmente mal e mereceram ser substituídos por Pedro Castro e Gabriel. Mas Arouca e Felipe Anderson também não estavam muito bem. Pelo jeito, o técnico terá de rejuvenescer também o meio-campo.

Talvez uma tentativa válida seja, quando jogar na Vila, entrar com Alan Santos, Leandrinho e Pedro Castro no meio, mantendo Gabriel, Willian José e Neilton no ataque. Ou, se for o caso de optar por uma tática menos agressiva, manter Arouca e tirar Willian José, adiantando um pouco mais o meio-campo.

Estou curioso para ver também Lucas Otávio e Léo Citadini estreando nesse time. Creio que o pequeno gigante Lucas pode ser o guerreiro, e Citadini um bom candidato a maestro nessa jovem meiúca da Vila. Não custa nada dar-lhes uma oportunidade.

À espera de reforços

Ao mesmo tempo que confio plenamente na capacidade técnica dos Meninos da Vila, sei que, psicologicamente, seria temerário dar a um time exclusivamente de garotos a missão de salvar o Santos do rebaixamento. O ideal é mesclar juventude com experiência.

Se os jogadores mais tarimbados estivessem bem, se estivessem segurando a defesa e a vitória fosse questão de os Meninos encaixarem uma bola lá na frente, eu não teria qualquer preocupação quanto ao rebaixamento. Mas não é o que acontece. Por isso o Santos precisa de jogadores que somem experiência e técnica. Se o clube contratar ao menos um titular absoluto para a defesa, um para o meio-campo e outro para o ataque, esse time ainda nos dará boas alegrias este ano. Do contrário…

Reveja os melhores momentos de Criciúma 3 x 1 Santos:

E você, como montaria o Santos para fugir do rebaixamento?