Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: julho 2013 (page 1 of 5)

Rodriguinho melou. Diretoria do Santos é como cantor de churrascaria…

Na Timemania, Santos continua sendo o quarto preferido do Brasil
Resultado acumulado até 30/07/2013

Posição Time UF Nº de apostas Percentual
1º FLAMENGO RJ 4.269.964 5,26%
2º CORINTHIANS SP 3.895.658 4,80%
3º SAO PAULO SP 2.946.174 3,63%
4º SANTOS SP 2.783.753 3,43%
5º GREMIO RS 2.594.440 3,20%
6º PALMEIRAS SP 2.527.223 3,11%
7º INTERNACIONAL RS 2.253.446 2,78%
8º VASCO DA GAMA RJ 2.250.351 2,77%
9º BOTAFOGO RJ 2.176.084 2,68%
10º FLUMINENSE RJ 2.035.005 2,51%

pandolfo
Claudinei Oliveira, Nei Pandolfo, Luis Fernando Barros. Será que eles se falam? (Vinicius Vieira/Santos FC).

Esta é uma piada um tanto grosseira do Fausto Silva, mas serve perfeitamente para ilustrar o comportamento da diretoria de futebol do Santos, que pesquisa o mercado, canta os jogadores e acaba apenas provocando o interesse de outros clubes que, mais competentes, acabam comen.., ou melhor, contratando o jogador paquerado. Isso está acontecendo mais uma vez no caso Rodriguinho, número 10 do América Mineiro.

Primeiro, o torcedor ficou ressabiado. Para que esse tal de Rodriguinho, se no meio de campo ainda falta dar uma oportunidade real ao garoto Leo Cittadini, além de se pensar em esquemas táticos que permitam as entradas dos meias-atacantes Victor Andrade e Gabriel?

Mas tanto se insistiu na notícia da contratação, que os santistas foram pesquisar no Youtube e ficaram bem impressionados. Passaram até a acompanhar os jogos do América Mineiro para checar o nível do jogador e finalmente aprovaram o negócio.

O próprio técnico Claudinei Oliveira, provavelmente animado com as notícias “quentes” que deve receber de Nei Pandolfo e dos outros homens do futebol, chegou a afirmar, na entrevista após a derrota para a Ponte Preta, que Rodriguinho era um dos reforços do Santos para o restante do Brasileiro.

O clube contava que o empresário Eduardo Uram, ligado à diretoria do Alvinegro Praiano, comprasse parte dos direitos do jogador, fazendo uma parceria com o Santos. Mas Uram refugou ao saber dos valores pedidos pelo América, que já tinha rechaçado propostas de Internacional e Grêmio.

Conforme noticiado no site Superesportes, “o América é dono de 60% dos direitos econômicos de Rodriguinho, que tem contrato com o clube até dezembro de 2015. O restante do percentual pertence ao Capivariano, clube do interior de São Paulo. O jogador tem uma multa rescisória de R$ 20 milhões para clubes brasileiros e 10 milhões de euros (cerca de R$ 30 milhões) para clubes do exterior”.

Na sexta-feira, um dia antes de o Santos perder da Ponte, o superintendente geral do América, Alexandre Faria, voltou a dizer que pretende manter Rodriguinho, pois ele é importante para o plano do clube mineiro de subir para a Serie A. No América desde 2011, o rapaz já disputou 97 jogos e marcou 20 gols pelo time.

Ou seja, mais uma vez o Santos divulgou o interesse por um jogador e o valorizou, sem contratá-lo. Que reação a diretoria do clube espera dos torcedores e dos formadores de opinião depois de mais esse fracasso? Como querem que o santista reaja ao sofrer uma vergonha depois da outra?

E o pior é que quando contratam – como nos casos de Cicinho e Mena –, os jogadores não têm a oportunidade de se firmar como titulares, o que prova que diretoria de futebol e técnico não se falam. Para compor elenco o clube já tem os seus Meninos. Os contratados devem vir para jogar. E os jogadores só podem ser anunciados depois do contrato assinado. Será que é tão difícil entender isso?

E você, o que achou de mais esse negócio melado da diretoria de futebol do Santos?


Santos apresenta Thiago Ribeiro; Barcelona apresenta Neymar

victor andrade e gabriel em barcelona
Victor Andrade e Gabriel em Barcelona. Será que vão voltar? – Ao negociar o passe de Neymar, o Santos deu ao clube catalão a prioridade para contratar três Meninos da Vila. Sabe-se que Victor Andrade e Gabriel estão entre eles (Foto: Vinicius Vieira/ Divulgação Santos FC).

Um tanto fora de forma, depois de ter jogado no pequeno Cagliari, da Itália, Thiago Ribeiro se apresentou ao Santos, ao mesmo tempo em que o ex-santista Neymar, perseguido pela imprensa internacional, se apresentava ao Barcelona. Na sexta-feira os dois times se encontram, no Camp Nou, na chamada crônica da goleada anunciada. Nunca antes, que eu me lembre, o Santos foi para uma partida como o boi para o matadouro. Capitão Edu Dracena deu uma boa notícia: disse que Neymar prometeu “aliviar”. Que vergonha! Por que será que o Santos e o futebol brasileiro chegaram a um nível desses?

Digo futebol brasileiro porque o São Paulo jogará a Copa Audi com a mesma expectativa de não perder feio. E em pensar que já houve tempo em que os times brasileiros iam para a Europa exibir o seu “belo futebol”, como diria Paulo Henrique Ganso. Mas por que será que se chegou a uma situação dessas, em que os clubes brasileiros são meros coadjuvantes no mundo do futebol?

Bem, para harmonizar com a temática do blog, nos restrinjamos ao caso Neymar. Hoje fica evidente que o Santos fez até muito e talvez tenha pagado um preço alto demais por estes pouco mais de três anos que conseguiu segurar o jogador. O Alvinegro Praiano ofereceu o mundo e um pouco mais para um garoto que representava grande visibilidade ao clube e um aumento substancial de sua torcida.

Em determinado momento pareceu que o Santos estava sozinho no afã de segurar a joia preciosa que brotou dos nossos campos de terra batida. Os patrocinadores sumiram, a tevê passou a boicotar os jogos do time, o interesse do status quo do futebol brasileiro não era ver o Santos reinar novamente movido por um Menino da Vila de Ouro.

Que outro clube brasileiro pagou três milhões de reais por mês a um atleta? Que outro clube – dirigentes, colegas, torcedores – tentaram formar uma ilha de proteção e carinho ao Menino que parecia perseguido e desrespeitado de todos os lados? Que outro blogueiro apelou até para a consciência do pai de Neymar – e se sujeitou a ouvir o latido dos cães – para que esquecesse por um momento o dinheiro e mantivesse seu filho no Santos ao menos até depois da Copa de 2014?

Tudo foi em vão, como se sabe. O sonho de Neymar de jogar no Barcelona foi maior, e não se pode culpá-lo diante da enorme diferença entre a estrutura do futebol brasileiro e a do europeu. Fomos ingênuos, nós que lutamos e usamos os argumentos que tínhamos às mãos para tentar convencê-lo a ficar? Provavelmente sim. Um jogador de futebol é um profissional que quer o melhor para si e para sua carreira. Não tem a obrigação de amar um time como nós amamos.

Não tem a obrigação de continuar jogando em um clube que não tem projetos definidos, de continuar morando em um País movido pelo populismo e pela corrupção, que distribui sua riqueza aos apaniguados e é controlado por uma emissora de tevê antiética, que já tem parceria com outro clube. Não, não se pode obrigar ninguém a viver a vida toda aqui.

A verdade é que o Santos e o Brasil não deram a Neymar um sonho maior e melhor do que o Barcelona. Há muitos anos, aliás, nossos pequenos craques não sonham mais com Pacaembus e Maracanãs. Sonham com Camp Nous… E Neymar estará realizando o seu na próxima sexta-feira, contra um Santos que já foi o melhor do planeta, já atingiu um nível jamais alcançado por um time, mas hoje é apenas um coadjuvante no grande espetáculo do futebol.

E pra você, por que hoje há tanta diferença entre Santos e Barcelona?


Contratar errado é um erro que puxa outro, e mais outro…

Montillo custou caro e recebe um alto salário. Por isso é muito mais difícil que ele saia para Léo Cittadini jogar, mesmo que o garoto tenha jogado muito bem contra o Crac e deixado nos santistas a expectativa de vê-lo entrar mais vezes no time. Cícero custou menos e ganha menos do que Montillo, por isso é mais fácil ele sair para a entrada de Cittadini. De qualquer forma, essa relação – quanto cada um custou e quanto ganha – atrapalha a renovação necessária no Santos.

Mas então a diretoria de futebol errou de novo ao contratar Montillo e pagar-lhe o mais alto salário do time? Talvez, pois poderia ter se informado melhor e descoberto que o jogador não estava rendendo bem há pelo menos um ano e muitos cruzeirenses não o queriam mais como titular. Porém, Montillo estava sendo regularmente convocado para a Seleção da Argentina, na qual mantinha um bom rendimento.

Enfim, contratar Montillo foi um erro que qualquer um de nós faria. Infelizmente, contratações equivocadas sempre foram comuns no futebol. Olhemos o São Paulo e constataremos que os últimos reforços obtidos pelo clube fracassaram – do promissor Oswaldo ao veterano Lúcio, passando pelo astro Luís Fabiano e pelo nosso Paulo Henrique Ganso – e isso explica a péssima fase do time do Morumbi.

Contratar errado é humano, mas será que quase sempre contratar errado também é? Digo isso porque, além de Montillo, o Santos trouxe recentemente Renê Junior, Neto, Henrique, Mena, Cicinho, Bill, Miralles, Patito, Galhardo, David Braz, Bruno Peres, Guilherme Santos… e nenhum desses 12 jogadores conseguiu ser titular do time.

Quando se contrata errado, o prejuízo é duplo, pois além do dinheiro investido para se fazer o negócio e os salários mensais do jogador, o técnico é obrigado a escalar o recém-contratado, ou será muito difícil passá-lo pra a frente. O Santos está nessa situação, o que torna mais difícil dar oportunidade aos Meninos.

Talvez os Meninos nem sejam tão melhores tecnicamente do que os mais experientes, porém têm mais motivação e um estado atlético e clínico mais preparado para os embates do futebol. Outra vantagem de colocá-los é que o torcedor do Santos tem mais paciência com eles e apoia mais o time quando eles estão em campo. Por fim, a grande vantagem é que ao jogarem passam a ter seus passes valorizados, o que não ocorre com alguns jogadores em fim de carreira.

O mais complicado dessa situação é que os Meninos foram campeões da Copa São Paulo no início do ano e ainda hoje os titulares da zaga do Santos continuam sendo Edu Dracena e Durval, que na sexta-feira se verão frente a frente com a dupla de atacantes mais perigosa do mundo, formada por Neymar e Messi.

Como não têm mais pernas para correr atrás dos adversários, Dracena e Durval terão de jogar dentro da área do Santos, na sobra, o que fará o meio-campo e o ataque recuarem para protegê-los. Léo também não poderá avançar, pois não tem fôlego para ir e vir. Ou seja, pela insegurança e decadência física de seus zagueiros veteranos, o Santos já entrará em campo como um time acuado, que ficará na roda à espera de um contra-ataque milagroso. E tudo porque contrata muito errado e não tem coragem de colocar os Meninos para jogar.

E pra você, por que o Santos contrata tão mal?


Santos, com o time titular, perde da Ponte e não entra no G4

Descansados, já que não viajaram para Catalão no meio da semana, Edu Dracena, Léo, Arouca, Cícero e Montillo voltaram a ser titulares contra a Ponte Preta e com eles o tempo todo o Santos perdeu por 1 a 0, resultado que o impediu de entrar para o G4 e tirou o time de Campinas da zona de rebaixamento. Se o time reserva, recheado de Meninos, tem jogado melhor do que o titular, cabe a pergunta: qual deve ser o time titular do Santos?

Antes que digam que é perseguição aos veteranos, eu argumento com fatos: esses mesmos titulares só empataram com o Crac na Vila, cederam o empate para o Coritiba também na Vila e agora perdem da Ponte. Será que os Meninos, que foram tão bem contra o Crac, não teriam feito melhor?

Gustavo Henrique teria tomado aquele drible infantil que Edu Dracena tomou de Rildo, aos quatro minutos do segundo tempo, no único gol do jogo? Creio que não. Mas Dracena é o capitão do time e acaba ganhando a posição no grito. É óbvio que ele e Durval formam a pior dupla de zagueiros do Santos. Não passam uma partida sem tomar gol. Mas o jovem técnico Claudinei Oliveira não tem peito para mexer na defesa, que continua dependendo do trio centenário formado por Dracena, Durval e Léo.

No meio de campo, depois do jogo contra o Crac, Léo Cittadini tinha de entrar contra a Ponte. Ele mostrou mais categoria e visão de jogo do que Cícero e Montillo. Hoje uma afirmação dessas parece heresia. É preciso enxergar futebol para fazer. Mas com o tempo vocês me darão razão.

Essas substituições feitas por Claudinei – Galhardo por Gabriel, Leandrinho por Cicinho e Giva por Willian José – são as clássicas seis por meia dúzia. Por que não tirou Cícero e colocou Alisson, ou Alan Santos, e trocou também Montillo por Léo Cittadini? Por que os “titulares” têm mais nome e ganham salários maiores? Ora, o que importa é o futebol. Se está jogando bem, fica; se não, sai.

E o pior é que nem dá para o santista reclamar. O Alvinegro Praiano perdeu para um time na zona do rebaixamento e poderia ter sofrido mais gols, caso o árbito tivesse marcado um pênalti cometido por Léo e não tivesse anulado um gol de Willian em que o jogador da Ponte estava na mesma linha de Edu Dracena. Ou seja: a defesa do Santos voltou a ser uma peneira, o meio-campo não marcou e nem armou e o ataque foi inoperante. O Santos mereceu perder de mais.

Essa foi a terceira derrota consecutiva do Santos para a Ponte Preta. Para mim, a de hoje era anunciada. Não engoli o descanso dos experientes no meio da semana. Descansaram pra quê? Pra voltar ao joguinho modorrento de sempre? Acho que o Claudinei está comendo mosca ao manter Dracena e Durval como titulares na zaga e não substituir Léo no segundo tempo. Arouca, Cícero e Montillo também não podem ser titulares absolutos nesse time.

Estabelecer essa reserva de mercado só vai acomodar os cinco protegidos e desanimar os Meninos, que sabem que estão jogando melhor e ficam de fora só pela falta de pulso do técnico. Se Claudinei não perceber que sua única chance de se firmar como técnico do Santos é dar mais oportunidades aos Meninos, acabará voltando às divisões de base ou será demitido. Neste sábado ele teve uma amostra do que os veteranos podem fazer por ele.

O que esperar, agora, do jogo contra o Barcelona, dia 2 de agosto, próxima sexta-feira, no Camp Nou? Como não terá coragem de colocar quem está jogando melhor, Claudinei deverá repetir o time que perdeu da Ponte. É óbvio que o Santos sofrerá gols e dificilmente fará algum – até porque do outro lado estarão Neymar e Messi. Só nos resta torcer para que a derrota não seja vergonhosa.

Reveja os melhores momentos de Ponte Preta 1 x 0 Santos:
http://youtu.be/5_Ug6pR20_Y

E você, o que achou do desempenho do Santos “titular” contra a Ponte?


Como Neymar foi tirado da vitrine da Copa a preço promocional

Claudinei escala os experientes contra a Ponte

Para o jogo de hoje, às 21 horas, contra a Ponte Preta, em Campinas, o técnico Claudinei Oliveira fará voltar ao time os jogadores experientes, considerados titulares, que no meio da semana não viajaram para Catalão/GO a fim de enfrentar o Crac. Assim, retornam Edu Dracena, Léo, Arouca, Cícero e Montillo e saem Gustavo Henrique, Mena, Alan Santos, Alisson, Pedro Castro e/ou Léo Citadini. A questão é que os Meninos e Mena foram muito bem contra o Crac e conseguiram vencer, o que os chamados titulares não haviam obtido na Vila Belmiro. Será que todos eles deveriam sair do time?

Por Tana Blaze, em 25 de julho de 2013

Como até hoje não houve transparência da venda do Neymar, tomo a liberdade de conjecturar como provavelmente ocorreu.

Neymar jogando a Copa de 2014 será visto por mais de 3 bilhões de espectadores e se corresponder às expectativas vai gerar um potencial de publicidade enorme bem como aumentar o valor de mercado de seus direitos. Mas os seus contratos com o Santos de agosto de 2010 e de novembro de 2011 foram de tal forma construídos que a sua saída do Santos antes da Copa do Mundo de 2014 se tornou quase inevitável, e a preço baixo, porque o jogador só queria ir para o Barcelona, o que tornava improvável qualquer leilão dos seus direitos.

1 – As renovações de contato de agosto de 2010 e de novembro de 2011 direcionadas para uma saída antes da Copa do Mundo
Em 18 de Agosto de 2010 o site oficial do Santos e toda a imprensa anunciaram que o contrato do Neymar foi prorrogado “por 5 anos”. Portanto parecendo que havia sido renovado até o dia 17 de Agosto de 2015. Mas pelo que constou depois, foi renovado até fevereiro de 2015, ou seja, na realidade por quatro anos e meio. A diferença de seis meses, embora pareça pequena, tinha grande significância, visto que permitia que o jogador pudesse assinar um contrato com um novo clube seis meses antes, em agosto de 2014, um mês depois do término da Copa do Mundo. O que na prática tornava improvável que o Santos obtivesse qualquer receita significativa na venda dos direitos do jogador, caso este pertencesse ainda ao clube durante a Copa.

É quase evidente que já em agosto de 2010 a direção do Santos tenha cedido aos representantes do Neymar, aceitando esta data de vencimento de contrato e também a multa rescisória de 45 milhões de euros, inferior à negociada por Marcelo Teixeira, de 50 milhões, quando o jogador tinha 16 anos e quase a metade da multa do Lucas, de 83 milhões de euros. Foi um primeiro passo para facilitar a saída do jogador.

Depois em novembro de 2011, após o assédio do Real e do Barcelona, o contrato com o jogador que vencia em fevereiro de 2015 foi substituído por outro com vencimento encurtado a julho de 2014, portanto com duração de 32 meses, um período que ainda por cima incluía as ausências previsíveis do jogador nas duas Copas. Mesmo aumentando o salário de Neymar, o Santos abriu mão da chance de fazer um novo contrato de cinco anos com vencimento em Novembro de 2016.

A direção certamente justificará o encurtamento do contrato com uma exigência feita pelos representantes do jogador para não sair do Santos já em novembro de 2011, mas que no caso só poderia ter sido um blefe bem sucedido, porque ao Barcelona, devido à péssima situação financeira, não estava disposto a investir muito dinheiro, sendo que eventuais ofertas milionárias feitas pelo clube catalão devem ter sido feitas mais a título de carta de intenções, para manter negociações com o Santos.

Para entender a situação é preciso fazer a) uma menção às finanças do Barcelona em novembro de 2011 e b) declinar as possíveis razões do pagamento dos 10 milhões de euros ao Neymar.


2 – A péssima situação financeira do Barcelona em novembro de 2011

Mesmo que o Barcelona seja depois do Real o clube que mais fature no mundo, a sua situação financeira em novembro de 2011 continuava frágil. O investimento inútil no Ibrahimovic por 70 milhões de euros, (50 milhões à vista e 20 milhões correspondentes à cessão do Eto’o) feito em julho de 2009, e grandes investimentos em mais três jogadores, David Villa (maio 2010), Alexis Sánchez (julho 2011) e Cesc Fàbregas (agosto 2011) respectivamente por 40, 26 e 34 milhões, totalizando 100 milhões de euros, sendo que Cesc mesmo sido formado na base do Barça, acabou decepcionando, contribuíram para dilapidar o caixa do clube catalão e punham em duvida qualquer compra de direitos de jogadores de outros clubes a valores elevados. Ainda mais que em Novembro de 2011 a fama do Neymar de cai-cai e de mudar de penteado a cada semana pesava mais na sua imagem do que hoje. Lembre-se de passagem, que os direitos do Messi jamais foram comprados, o jogador foi levado ao Barcelona com 13 anos de idade a titulo de tratamento médico, sendo, portanto jogador da base do Barça. A dívida do Barcelona deve ultrapassar hoje 500 milhões de euros.

Um artigo publicado em 31 de março de 2012 no Libre Mercado e assinado pelo economista Pablo Vasquez da Ferrer Invest com o título “La inquietante situación financiera del Fútbol Club Barcelona” mostra entre outros uma página do balanço patrimonial do Barça de 30 de Junho de 2011, com um patrimônio líquido negativo de- 68,7 milhões de Euros, contrastando com os patrimônios líquidos positivos de 251 e 268 milhões de euros respectivamente do Real Madrid e do Bayern e de 222 milhões de libras do Manchester United na mesma data. Este valor negativo pode ser também conferido na página 164 do relatório anual do Barça “Memoria 2010/11“. (Não confundir com a memória da Fundación, que mostra um patrimônio positivo de 800 mil euros).

À taxa de cambio de 2,2667 de novembro de 2011, mesmo com o real extremamente sobrevalorizado, o patrimônio líquido do Barcelona correspondia a – 155 milhões de reais negativos. De fato o Barcelona estava numa situação patrimonial contábil PIOR DO QUE O SANTOS, que em Junho de 2011, tinha um patrimônio líquido negativo de -127 milhões de reais.

Qualquer diretor de clube de futebol minimamente informado deveria estar consciente que devido à péssima situação financeira, às dividas infladas por causa das aquisições milionárias feitas meses antes, o clube catalão dificilmente pagaria à vista em Novembros de 2011 um valor honesto pelos direitos do Neymar, pelo menos antes de uma eventual confirmação do seu potencial nas Copas de 2013 e 2014. Portanto a única estratégia imaginável do clube catalão só poderia ser “reservar” o Neymar e protelar a compra.

3 – O pagamento de 10 milhões de euros a Neymar pelo Barcelona em Novembro de 2011
Chega a ser comprometedor é que o pagamento foi feito ou assegurado em Novembro de 2011, coincidindo temporalmente com a data na qual foi fechado o novo contrato com o Neymar com vencimento encurtado, o que é indício de operações paralelas entre os representantes do Neymar, o Santos e o Barcelona. Algum tempo depois, no início de abril de 2012, foi anunciada a compra do iate de 25 metros pelo Neymar por 15 milhões de reais (não critico o jogador pelo iate, também compraria).

É obvio que o Barcelona só deve ter pagado 10 milhões de euros na base de garantias sólidas, que só poderiam consistir ou na promessa do Neymar de assinar com o clube catalão, e/ou numa garantia de ressarcimento dos 10 milhões com juros e eventuais penalidades, caso o Neymar não fosse ao Barça. Esta garantia só pode ter sido dada ou pelo Neymar, pelo Santos ou por um terceiro, como por exemplo, a Doyen Sports que logo depois da contratação do Neymar pelo Barcelona em 2013 comprou todos os seus direitos de imagem.

Não foi oficialmente divulgado a qual título teria sido feito este pagamento. Mas fato é que o Barcelona completou o salário do Neymar no Santos a partir de novembro de 2011 sob forma de pagamento único, o que teria permitido ao mesmo tempo satisfazer as pretensões materiais do jogador, estabelecer um vínculo com ele, seja contatual, seja emocional, e ter alavancado uma demanda paralela feita pelo representantes do Neymar, a fim de obter do Santos a redução do prazo de vencimento do seu contrato de agosto de 2015 para julho de 2014.

A imprensa espanhola informou em março de 2013 que os 10 milhões pagos ao Neymar correspondiam a um adiantamento de um montante total de 45 milhões de euros a titulo de luvas, que o Barcelona pagaria ao Neymar caso o jogador assinasse um contrato. Os artigos justificam a legalidade do contrato de luvas e do pagamento antecipado de 10 milhões de euros, ambos efetivados a mais de 6 meses do vencimento do contrato do Neymar com o Santos, por se tratar de um contrato civil. O que possivelmente seja contestável porque devem prevalecer os regulamentos da FIFA e das Federações.

4 – Como o Santos deve ter sido enrolado nas negociações de novembro de 2011
A situação em Novembro de 2011 era claríssima. Um observador atento deveria saber que o Barcelona não estaria disposto de igualar uma oferta à vista do Real e se houve oferta nesta ordem de grandeza por parte do Barcelona, esta teria que ser considerada antes uma carta de intenções para entrar em negociações permanentes com o Santos, do que para pagar um montante pelos direitos à vista. Se os representantes do Neymar ameaçaram uma ida para o Real, deveria ser blefe, porque o jogador não tinha a mínima intenção de jogar no time do Mourinho.

Nesta configuração o Santos, apesar de se ver bem aconselhado em aumentar o salário do jogador, não teria precisado fazer absolutamente mais nada para reter o Neymar. Poderia pro forma autorizá-lo ir ao Real, que teria oferecido 60 milhões de euros, ir para o Barça, se estes pagassem pelos direitos à vista. E possivelmente não teria acontecido nada, porque o Barça não estava disposto a disponibilizar tanto dinheiro à vista e o Neymar não queria ir para o Real. Não acontecendo nada, o Neymar teria eventualmente assinado um novo contrato de cinco anos com vencimento em 2016 para obter do Santos o aumento de salário pretendido.

Não havia qualquer razão para o Santos cair num blefe e reduzir o prazo de vencimento do contrato do Neymar, ou seja, de renunciar a um prazo de duração de cinco anos de um novo contrato com o jogador com salário aumentado.

Como as ofertas salariais do Real e do Barça devem ter despertado o apetite dos representantes do Neymar por um soldo maior, restava ao Santos definir como financiar um aumento. O que foi aparentemente solucionado com duas fontes, um aumento por parte do Santos, financiado pelo acréscimo da quota de publicidade repassada ao jogador para 90% e a outra deve ter sido compensação de salário sob forma de pagamento único ao Neymar de 10 milhões de Euros por parte do Barcelona.

Para ter certeza absoluta que jogador não jogasse pelo Santos durante a vitrine da Copa, é provável que os representantes do Neymar orientados pelos do Barcelona tenham exigido o encurtamento o vencimento do novo contrato para Julho de 2014, o que permitiria ao Barcelona fechar um contrato com o jogador 6 meses antes, ou seja, a partir de janeiro de 2014, 5 meses antes do início da Copa do Mundo.

Ou seja, segundo esta teoria, o Barcelona deu um adiantamento de 10 milhões de euros ao Neymar para que ficasse no Santos, até que com o passar do tempo o valor dos seus direitos erodissem a zero e finalmente tirá-lo do Santos a preço de abatimento. A certeza de que ganharia o jogador pode ter sido escorada por um eventual compromisso assinado pelo Neymar, conforme a imprensa espanhola, mas que o jogador e o seu pai sempre negaram.

Para manter o Neymar em novembro de 2011, a direção do Santos poderia ter feito qualquer tipo de concessão, até mesmo ter cedido parte de seus direitos, mas jamais renunciar a um novo contrato de cinco anos e muito menos conceder o encurtamento do contrato existente. Qualquer adiantamento feito pelo Barcelona ao jogador poderia ser repago pelo comprador dos direitos com juros, tal qual o Real Madrid ofereceu de fato em maio de 2013.

5 – A atitude negligente em relação ao pagamento de 10 milhões de euros
E improvável que a direção do Santos não estivesse informada a respeito e até conivente com o adiantamento de 10 milhões de euros feito pelo Barcelona ao Neymar em novembro de 2011, um mês antes da final mundial entre os dois clubes.

Haveria três alternativas para a direção do Santos se posicionar profissionalmente em relação ao adiantamento de luvas no valor de 10 milhões de euros ao Neymar feito em Novembros de 2011, a fim de preservar os interesses do clube:

A – O Santos não autorizaria qualquer pagamento do Barça ao Neymar, sob ameaça de denunciá-lo à FIFA, aceitando apenas o pagamento à vista de multa rescisória e apresentando concomitantemente ao jogador um novo contrato com salário maior e duração de cinco anos.

B – O Santos autorizaria o pagamento ao Neymar desde que em contrapartida o Barcelona assumisse o compromisso de que comprasse os direitos do Neymar antes do último dia do contrato com o Santos, pagando uma multa rescisória com valor prefixado de, digamos, 60 milhões de euros à vista, o valor oferecido pelo Real Madrid.

C – Se os Santos não esteve ao par ou envolvido no suposto contrato de luvas e no pagamento de 10 milhões de euros feito pelo Barcelona em Novembro de 2011, deveria agora estudar acionar o clube catalão por ferir o regulamento da FIFA e tentar exigir uma indenização para completar no mínimo o valor da multa rescisória de 45 milhões de euros, ou seja, 45-14 =31 milhões de euros (explicação dos 14 milhões no ponto 7), senão completar a oferta do Real Madrid de 60-14= 46 milhões de euros. Custos de agenciamento de 40 milhões de euros correspondentes a “acordos prévios com outras partes”, como foram denominados na resposta do Barça ao Santos, sobre o valor de um contrato de venda de 14 milhões são uma aberração, e devem chamar a atenção de qualquer tribunal. Além do mais a possibilidade de jogadores burlarem os regulamentos e eventualmente as leis, com contratos particulares e deixar um clube de bolsos vazios seria um pesadelo para todos o clubes do mundo e também para a FIFA, sendo esta a chance do Santos no caso de uma ação judicial. Seria recomendável consultar uma advocacia conceituada com presença internacional.

6 – Mais uma precipitação em maio de 2013, mesmo que quase tudo estivesse perdido
Com o estrago enorme já feito em novembro de 2011, a declaração do pai do Neymar em abril de 2013 que o seu ciclo no Santos estaria encerrado ao fim da Copa, fez a direção do Santos cair na realidade e a levou a se empenhar para vender o Neymar antes que não recebesse nada. Reação em principio correta, sendo que a única questão seria: vendê-lo antes ou depois da Copa das Confederações? Ou seja, vendê-lo em maio ou julho de 2013?

Eu mesmo aconselhei o Neymar a decidir o seu futuro antes da Copa das Confederações, para jogar com a cabeça livre, claramente argumentando para renovar com o Santos. Mas não imaginei que o Santos pudesse fazer a besteira de vendê-lo-por 14 milhões de euros antes da Copa das Confederações, imaginei que saíssem 30 ou 40 milhões. Vi confirmada esta suposição, quando o Odílio achou em 17 de maio “que a oferta não agradou” e quando em 22 de maio“ o Santos recusou uma nova proposta do Barcelona por Neymar, de aproximadamente 20 milhões de euros”. Mas dois dias depois em 24 de maio, o vendeu assim mesmo ao preço baixo.

A decisão conveniente teria sido:

a) Se o Barcelona pagasse em maio de 2013, digamos, 35 milhões de euros à vista por 100% dos direitos, o Santos poderia fechar antes da Copa das Confederações, porque no caso do Neymar não jogasse bem nesta Copa, ainda por cima com o antecedente que as suas atuações na seleção não haviam sido tão boas como as no Santos, o valor dos direitos poderia ter teria caído sensivelmente.

b) Mas se a oferta continuasse na altura de 14 milhões havia pouco a perder. Mesmo que o jogador não convencesse na Copa das Confederações o valor não cairia muito abaixo de 14 milhões. A probabilidade de lucrar com a Copa das Confederações caso jogasse bem, seria maior do que a possibilidade do valor já baixíssimo diminuir ainda mais.

Com as boas atuações do Neymar na Copa das Confederações talvez surgissem outras ofertas interessantes de outros clubes e no mínimo o Barcelona teria que aumentar a sua oferta.

7 – A preferência do Barça sobre três jogadores do Santos
Para se entender as preferências concedidas, seria necessário conhecer os termos contratuais. Mas normalmente se tratam de opções prioritárias de compra dos direitos. Se um clube qualquer oferecer um valor pelos direitos, o Barça igualando este valor pode levar. A primeira vista parece uma transação neutra, mas não é.

O Laor deu a entender na entrevista da Globo que as “preferências” que o Barça tem sobre o Giva, Vitor Andrade e Gabriel são vantajosas para o Santos ao afirmar que “Há, ainda, a prioridade de venda de três jogadores da base. Isso também remunera o Santos”.

É difícil concordar com o presidente do Santos, porque as opções serão vantajosas apenas se não forem exercidas, neutras se o preço de venda pago pelo Barça pelos direitos corresponder ao valor do mercado, mas há uma probabilidade de que serão prejudiciais ao Santos, devido aos fatores “soft” inerentes a opções sobre os direitos de jogadores de futebol. Por exemplo, se o Gabriel valer 35 milhões de euros e o Barcelona conseguir tirá-lo por 25 milhões de euros do Santos, baseado nos fatores “soft” que podem acompanhar uma opção, esta terá sido desvantajosa para o Santos. Foram também fatores “soft” que levaram o Neymar a rejeitar oferta melhor do Real para ir ao Barcelona, para o grande prejuízo do Santos.

Tentei explicar em 5 pontos, como funcionam os fatores “soft” no comentário “Se for verdade oque o vice do Barça disse, os futuros excepcionais da base pouco tempo ficarão no Santos.”, publicado tardiamente em 11 de junho de 2013 às 12:37 pm no post do Odir “Torcedor santista, tem hora que gol é vitória e vitória é título” do mesmo dia.

Evidentemente as opções sobre os três jogadores foram cedidas a um valor que não foi divulgado. Mas o Odir Cunha em sua resposta a um comentário do MSR feito em 5 de julho de 2013 às 12:33 am revelou “Pelo que sei, só o fato de dar a preferência valeu 3 milhões de euros ao Santos”. Como o Santos não anunciou nenhum valor recebido pela concessão das opções e assumindo-se o valor no caso seja o mencionado pelo Odir, dos 17 milhões pagos pelo Barça ao Santos, 14 milhões seriam pelos direitos do Neymar e 3 milhões pelas três opções. Portanto preço de venda do Neymar teria sido de 14 milhões de Euros.

Aos que não estão habituados a opções, bastaria lembrar que se alguém paga 3 milhões ou outra quantia por uma opção, espera colher muito mais, não vai ser burro em presentear o Santos com 3 milhões. Tampouco o Santos não seria irresponsável a ponto de ceder opções sobre os seus jogadores gratuitamente.

8 – A diferença de 30 milhões de euros não explicada
A matéria da Rádio Globo de 9/7/2013 sugere que a diferença entre 57 milhões de euros anunciados como investimento pelo Barcelona e os 17 milhões recebidos pelo Santos corresponderia a “luvas do Neymar, além de comissões de empresários”. Fato é que o Barça disse que não poderia dar detalhes sobre a composição dos 57 milhões de euros devido a um acordo de confidencialidade com as outras partes.

A suposição do Globo é semelhante à de alguns internautas espanhóis, que chegaram a achar que os 30 milhões de euros diferença corresponderiam uma “prima de traspasso” para o Neymar. Alguns internautas acham que o Neymar pai e filho teriam fundado uma sociedade N&N, receptora do montante, pelo que os 30 milhões poderiam estar contabilizados como comissões de intermediação. Seja lá como for, no caso do valor ter sido destinado ao Neymar e valorizando as opções por 3 milhões contidos no pagamento de 17 milhões, os 57 milhões de euros anunciados pelo Barcelona se desmembrariam da seguinte forma:

3 milhões para os Santos pelas opções pelo Giva, Gabriel e Vitor Andrade.
14 milhões para os Santos pelos direitos do Neymar, a serem repartidos com a DIS e a Teisa.
10 milhões de adiantamento feito em novembro de 2011 ao Neymar.
30 milhões de luvas supostamente ao Neymar.

O Santos teria então recebido 14×55%= 7,7 milhões de euros pelos direitos do Neymar. Ao passo que o Neymar, que não tinha nenhuma participação nos seus direitos, teria levado (10+30) 40 milhões de euros em adiantamentos e luvas.

9 – Conclusão
A síntese de que o Santos não teria dinheiro para manter o Neymar a longo prazo pode proceder, mas não justifica a imprudência cometida para não mantê-lo pelo até menos 12 meses depois do termino da Copa do Mundo.

Estamos de acordo com o Laor que a permanência do Neymar no clube por mais 18 meses, de Novembro de 2011 a maio de 2013, TROUXE MUITOS BENEFÍCIOS AO SANTOS. Mas teria sido factível ampliar estes benefícios mantendo-o até o fim da Copa de 2014 com um contrato até 2016 e obter um efeito monetário na venda muito maior.

A receita do Santos de uma venda em novembro de 2011 ao valor da multa rescisória já extremamente baixa para a qualidade do jogador e inferior à oferta do Real Madrid, teria sido de 24,7 milhões de euros (45x 55%). Como a venda rendeu apenas 7,7 milhões, Santos deixou de faturar 17 milhões de euros (24,7-7,7), uma soma maior do que os 10 milhões adiantados ao Neymar. Teria sido muito mais vantajoso o Santos arranjar os 10 milhões de euros por conta própria em novembro d e2011 e ter assegurado em troca um contrato até 2016. Ainda mais que o adiantamento de 10 milhões não foi concebido para 18 meses de nov. de 2011 a maio de 2013, mas para 32 meses de nov. de 2011 a julho de 2014.

As duas falhas imperdoáveis da direção do Santos, foram primeiro a renuncia a um novo contrato de cinco anos com vencimento em 2016 permitindo até o encurtamento do contrato vigente e segundo, caso tiver tido conhecimento do adiantamento de 10 milhões de euros ao Neymar, não ter exigido do Barcelona um compromisso de compra dos direitos a valor prefixado. Possivelmente tolerando o pagamento se 10 milhões, o Santos selou praticamente a venda do jogador em novembro de 2011, sem ter nada em mãos do Barcelona. Se não soube do pagamento deveria agora processar o Barcelona.

O Laor acha que a venda do Neymar se deu quando o jogador disse na casa dele que não queria mais jogar no Santos „foi ali a virada da mesa definitiva” (Globo 1/7/2013). Na verdade a virada da mesa foi configurada antecipadamente nas barbas da direção do Santos em novembro de 2011.

Mas o presidente do Santos talvez esteja convencido que o fiasco da venda do Neymar seja compensado com a miragem de uma “fábrica de craques” que resultaria de uma cooperação com o Barcelona. A meu ver esta cooperação, que nem foi divulgada à torcida, poderá ser o maior prejuízo de toda a negociação. Seria a opção que o Barcelona, segundo o seu vice-presidente, teria sobre todos os jogadores da base futura do Santos treinada pelo método Barcelona. Se for assim, os futuros excepcionais da base do Santos, como foram o Pelé, Robinho e o Neymar, que permitiram os três agigantamentos históricos do clube, pouco tempo ficarão no Santos, sairão com 17 anos. E o Santos não poderá se agigantar mais. Se for verdade, um ato de entreguismo mais danoso do que foi a concessão de porcentagens elevadas de direitos de jogadores à DIS. A contrapartida para o Santos seria a disponibilização do método de treinamento da base do Barcelona, que na minha opinião deve ser muito bom, porém não valendo muito mais do que um manual para as escolinhas “nasce um peixe”.

Os erros da condução do caso Neymar se assemelham aos do caso Ganso. No caso Ganso foi dado sinal verde ao diretor do São Paulo Adalberto Baptista e permissão ao jogador negociar com o São Paulo sendo que se esqueceu de cobrar antes o essencial, uma oferta formalizada do tricolor no mínimo na altura da multa rescisória. O São Paulo aproveitou a deixa, aliciou o jogador e ofereceu 10,7 milhões de reais ao Santos. Depois de um mês de conflitos desgastantes foi finalmente oferecido o valor da multa rescisória. No caso Neymar o Santos se esqueceu da importância da duração do contrato e no caso em que houve informação sobre o pagamento de 10 milhões se esqueceu de exigir do Barcelona um compromisso para pagar um montante estipulado pelos direitos do jogador. No caso Ganso o Santos foi protegido pela duração do contrato. No caso Neymar a direção havia detonado o vencimento do contrato e se quedou a mercê do Barcelona.

Parece que o Rosell deu um “coup” fácil e de enormes proporções. Em vez de pagar o Santos, resolveu pagar o Neymar, desde que em contrapartida a duração do contrato fosse reduzida, tirando-o da vitrine da Copa do Mundo, assim pulverizando o valor da multa rescisória.

O Neymar valia cerca de 60 milhões de euros antes da Copa das Confederações e cerca de 75 milhões depois. Se ficasse até 2016 e se as suas atuações na Copa do Mundo fossem condizentes com a capa da revista Time, o Santos poderia fazer uma transação histórica. O dinheiro que o Santos deixou de ganhar poderia ter financiado o CT ou repago as dívidas, catapultando o clube para uma nova era.

Se estas conjecturas não retratarem o que de fato ocorreu, que o Santos, o pai do Neymar e o Barcelona expliquem a) o enredo contratual do adiantamento de 10 milhões de euros ao Neymar, b) a diferença de 30 milhões de euros entre o montante declarado pelo Barcelona e o montante pago ao Santos, c)os termos exatos e o valor pago pelas preferências sobre três jogadores e se este é parte dos 17 milhões pagos ao Santos e d) os termos exatos do acordo sobre a base futura do Santos.

O que você tem a dizer sobre a ida de Neymar para o Barcelona?


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