Claudinei escala os experientes contra a Ponte

Para o jogo de hoje, às 21 horas, contra a Ponte Preta, em Campinas, o técnico Claudinei Oliveira fará voltar ao time os jogadores experientes, considerados titulares, que no meio da semana não viajaram para Catalão/GO a fim de enfrentar o Crac. Assim, retornam Edu Dracena, Léo, Arouca, Cícero e Montillo e saem Gustavo Henrique, Mena, Alan Santos, Alisson, Pedro Castro e/ou Léo Citadini. A questão é que os Meninos e Mena foram muito bem contra o Crac e conseguiram vencer, o que os chamados titulares não haviam obtido na Vila Belmiro. Será que todos eles deveriam sair do time?

Por Tana Blaze, em 25 de julho de 2013

Como até hoje não houve transparência da venda do Neymar, tomo a liberdade de conjecturar como provavelmente ocorreu.

Neymar jogando a Copa de 2014 será visto por mais de 3 bilhões de espectadores e se corresponder às expectativas vai gerar um potencial de publicidade enorme bem como aumentar o valor de mercado de seus direitos. Mas os seus contratos com o Santos de agosto de 2010 e de novembro de 2011 foram de tal forma construídos que a sua saída do Santos antes da Copa do Mundo de 2014 se tornou quase inevitável, e a preço baixo, porque o jogador só queria ir para o Barcelona, o que tornava improvável qualquer leilão dos seus direitos.

1 – As renovações de contato de agosto de 2010 e de novembro de 2011 direcionadas para uma saída antes da Copa do Mundo
Em 18 de Agosto de 2010 o site oficial do Santos e toda a imprensa anunciaram que o contrato do Neymar foi prorrogado “por 5 anos”. Portanto parecendo que havia sido renovado até o dia 17 de Agosto de 2015. Mas pelo que constou depois, foi renovado até fevereiro de 2015, ou seja, na realidade por quatro anos e meio. A diferença de seis meses, embora pareça pequena, tinha grande significância, visto que permitia que o jogador pudesse assinar um contrato com um novo clube seis meses antes, em agosto de 2014, um mês depois do término da Copa do Mundo. O que na prática tornava improvável que o Santos obtivesse qualquer receita significativa na venda dos direitos do jogador, caso este pertencesse ainda ao clube durante a Copa.

É quase evidente que já em agosto de 2010 a direção do Santos tenha cedido aos representantes do Neymar, aceitando esta data de vencimento de contrato e também a multa rescisória de 45 milhões de euros, inferior à negociada por Marcelo Teixeira, de 50 milhões, quando o jogador tinha 16 anos e quase a metade da multa do Lucas, de 83 milhões de euros. Foi um primeiro passo para facilitar a saída do jogador.

Depois em novembro de 2011, após o assédio do Real e do Barcelona, o contrato com o jogador que vencia em fevereiro de 2015 foi substituído por outro com vencimento encurtado a julho de 2014, portanto com duração de 32 meses, um período que ainda por cima incluía as ausências previsíveis do jogador nas duas Copas. Mesmo aumentando o salário de Neymar, o Santos abriu mão da chance de fazer um novo contrato de cinco anos com vencimento em Novembro de 2016.

A direção certamente justificará o encurtamento do contrato com uma exigência feita pelos representantes do jogador para não sair do Santos já em novembro de 2011, mas que no caso só poderia ter sido um blefe bem sucedido, porque ao Barcelona, devido à péssima situação financeira, não estava disposto a investir muito dinheiro, sendo que eventuais ofertas milionárias feitas pelo clube catalão devem ter sido feitas mais a título de carta de intenções, para manter negociações com o Santos.

Para entender a situação é preciso fazer a) uma menção às finanças do Barcelona em novembro de 2011 e b) declinar as possíveis razões do pagamento dos 10 milhões de euros ao Neymar.


2 – A péssima situação financeira do Barcelona em novembro de 2011

Mesmo que o Barcelona seja depois do Real o clube que mais fature no mundo, a sua situação financeira em novembro de 2011 continuava frágil. O investimento inútil no Ibrahimovic por 70 milhões de euros, (50 milhões à vista e 20 milhões correspondentes à cessão do Eto’o) feito em julho de 2009, e grandes investimentos em mais três jogadores, David Villa (maio 2010), Alexis Sánchez (julho 2011) e Cesc Fàbregas (agosto 2011) respectivamente por 40, 26 e 34 milhões, totalizando 100 milhões de euros, sendo que Cesc mesmo sido formado na base do Barça, acabou decepcionando, contribuíram para dilapidar o caixa do clube catalão e punham em duvida qualquer compra de direitos de jogadores de outros clubes a valores elevados. Ainda mais que em Novembro de 2011 a fama do Neymar de cai-cai e de mudar de penteado a cada semana pesava mais na sua imagem do que hoje. Lembre-se de passagem, que os direitos do Messi jamais foram comprados, o jogador foi levado ao Barcelona com 13 anos de idade a titulo de tratamento médico, sendo, portanto jogador da base do Barça. A dívida do Barcelona deve ultrapassar hoje 500 milhões de euros.

Um artigo publicado em 31 de março de 2012 no Libre Mercado e assinado pelo economista Pablo Vasquez da Ferrer Invest com o título “La inquietante situación financiera del Fútbol Club Barcelona” mostra entre outros uma página do balanço patrimonial do Barça de 30 de Junho de 2011, com um patrimônio líquido negativo de- 68,7 milhões de Euros, contrastando com os patrimônios líquidos positivos de 251 e 268 milhões de euros respectivamente do Real Madrid e do Bayern e de 222 milhões de libras do Manchester United na mesma data. Este valor negativo pode ser também conferido na página 164 do relatório anual do Barça “Memoria 2010/11“. (Não confundir com a memória da Fundación, que mostra um patrimônio positivo de 800 mil euros).

À taxa de cambio de 2,2667 de novembro de 2011, mesmo com o real extremamente sobrevalorizado, o patrimônio líquido do Barcelona correspondia a – 155 milhões de reais negativos. De fato o Barcelona estava numa situação patrimonial contábil PIOR DO QUE O SANTOS, que em Junho de 2011, tinha um patrimônio líquido negativo de -127 milhões de reais.

Qualquer diretor de clube de futebol minimamente informado deveria estar consciente que devido à péssima situação financeira, às dividas infladas por causa das aquisições milionárias feitas meses antes, o clube catalão dificilmente pagaria à vista em Novembros de 2011 um valor honesto pelos direitos do Neymar, pelo menos antes de uma eventual confirmação do seu potencial nas Copas de 2013 e 2014. Portanto a única estratégia imaginável do clube catalão só poderia ser “reservar” o Neymar e protelar a compra.

3 – O pagamento de 10 milhões de euros a Neymar pelo Barcelona em Novembro de 2011
Chega a ser comprometedor é que o pagamento foi feito ou assegurado em Novembro de 2011, coincidindo temporalmente com a data na qual foi fechado o novo contrato com o Neymar com vencimento encurtado, o que é indício de operações paralelas entre os representantes do Neymar, o Santos e o Barcelona. Algum tempo depois, no início de abril de 2012, foi anunciada a compra do iate de 25 metros pelo Neymar por 15 milhões de reais (não critico o jogador pelo iate, também compraria).

É obvio que o Barcelona só deve ter pagado 10 milhões de euros na base de garantias sólidas, que só poderiam consistir ou na promessa do Neymar de assinar com o clube catalão, e/ou numa garantia de ressarcimento dos 10 milhões com juros e eventuais penalidades, caso o Neymar não fosse ao Barça. Esta garantia só pode ter sido dada ou pelo Neymar, pelo Santos ou por um terceiro, como por exemplo, a Doyen Sports que logo depois da contratação do Neymar pelo Barcelona em 2013 comprou todos os seus direitos de imagem.

Não foi oficialmente divulgado a qual título teria sido feito este pagamento. Mas fato é que o Barcelona completou o salário do Neymar no Santos a partir de novembro de 2011 sob forma de pagamento único, o que teria permitido ao mesmo tempo satisfazer as pretensões materiais do jogador, estabelecer um vínculo com ele, seja contatual, seja emocional, e ter alavancado uma demanda paralela feita pelo representantes do Neymar, a fim de obter do Santos a redução do prazo de vencimento do seu contrato de agosto de 2015 para julho de 2014.

A imprensa espanhola informou em março de 2013 que os 10 milhões pagos ao Neymar correspondiam a um adiantamento de um montante total de 45 milhões de euros a titulo de luvas, que o Barcelona pagaria ao Neymar caso o jogador assinasse um contrato. Os artigos justificam a legalidade do contrato de luvas e do pagamento antecipado de 10 milhões de euros, ambos efetivados a mais de 6 meses do vencimento do contrato do Neymar com o Santos, por se tratar de um contrato civil. O que possivelmente seja contestável porque devem prevalecer os regulamentos da FIFA e das Federações.

4 – Como o Santos deve ter sido enrolado nas negociações de novembro de 2011
A situação em Novembro de 2011 era claríssima. Um observador atento deveria saber que o Barcelona não estaria disposto de igualar uma oferta à vista do Real e se houve oferta nesta ordem de grandeza por parte do Barcelona, esta teria que ser considerada antes uma carta de intenções para entrar em negociações permanentes com o Santos, do que para pagar um montante pelos direitos à vista. Se os representantes do Neymar ameaçaram uma ida para o Real, deveria ser blefe, porque o jogador não tinha a mínima intenção de jogar no time do Mourinho.

Nesta configuração o Santos, apesar de se ver bem aconselhado em aumentar o salário do jogador, não teria precisado fazer absolutamente mais nada para reter o Neymar. Poderia pro forma autorizá-lo ir ao Real, que teria oferecido 60 milhões de euros, ir para o Barça, se estes pagassem pelos direitos à vista. E possivelmente não teria acontecido nada, porque o Barça não estava disposto a disponibilizar tanto dinheiro à vista e o Neymar não queria ir para o Real. Não acontecendo nada, o Neymar teria eventualmente assinado um novo contrato de cinco anos com vencimento em 2016 para obter do Santos o aumento de salário pretendido.

Não havia qualquer razão para o Santos cair num blefe e reduzir o prazo de vencimento do contrato do Neymar, ou seja, de renunciar a um prazo de duração de cinco anos de um novo contrato com o jogador com salário aumentado.

Como as ofertas salariais do Real e do Barça devem ter despertado o apetite dos representantes do Neymar por um soldo maior, restava ao Santos definir como financiar um aumento. O que foi aparentemente solucionado com duas fontes, um aumento por parte do Santos, financiado pelo acréscimo da quota de publicidade repassada ao jogador para 90% e a outra deve ter sido compensação de salário sob forma de pagamento único ao Neymar de 10 milhões de Euros por parte do Barcelona.

Para ter certeza absoluta que jogador não jogasse pelo Santos durante a vitrine da Copa, é provável que os representantes do Neymar orientados pelos do Barcelona tenham exigido o encurtamento o vencimento do novo contrato para Julho de 2014, o que permitiria ao Barcelona fechar um contrato com o jogador 6 meses antes, ou seja, a partir de janeiro de 2014, 5 meses antes do início da Copa do Mundo.

Ou seja, segundo esta teoria, o Barcelona deu um adiantamento de 10 milhões de euros ao Neymar para que ficasse no Santos, até que com o passar do tempo o valor dos seus direitos erodissem a zero e finalmente tirá-lo do Santos a preço de abatimento. A certeza de que ganharia o jogador pode ter sido escorada por um eventual compromisso assinado pelo Neymar, conforme a imprensa espanhola, mas que o jogador e o seu pai sempre negaram.

Para manter o Neymar em novembro de 2011, a direção do Santos poderia ter feito qualquer tipo de concessão, até mesmo ter cedido parte de seus direitos, mas jamais renunciar a um novo contrato de cinco anos e muito menos conceder o encurtamento do contrato existente. Qualquer adiantamento feito pelo Barcelona ao jogador poderia ser repago pelo comprador dos direitos com juros, tal qual o Real Madrid ofereceu de fato em maio de 2013.

5 – A atitude negligente em relação ao pagamento de 10 milhões de euros
E improvável que a direção do Santos não estivesse informada a respeito e até conivente com o adiantamento de 10 milhões de euros feito pelo Barcelona ao Neymar em novembro de 2011, um mês antes da final mundial entre os dois clubes.

Haveria três alternativas para a direção do Santos se posicionar profissionalmente em relação ao adiantamento de luvas no valor de 10 milhões de euros ao Neymar feito em Novembros de 2011, a fim de preservar os interesses do clube:

A – O Santos não autorizaria qualquer pagamento do Barça ao Neymar, sob ameaça de denunciá-lo à FIFA, aceitando apenas o pagamento à vista de multa rescisória e apresentando concomitantemente ao jogador um novo contrato com salário maior e duração de cinco anos.

B – O Santos autorizaria o pagamento ao Neymar desde que em contrapartida o Barcelona assumisse o compromisso de que comprasse os direitos do Neymar antes do último dia do contrato com o Santos, pagando uma multa rescisória com valor prefixado de, digamos, 60 milhões de euros à vista, o valor oferecido pelo Real Madrid.

C – Se os Santos não esteve ao par ou envolvido no suposto contrato de luvas e no pagamento de 10 milhões de euros feito pelo Barcelona em Novembro de 2011, deveria agora estudar acionar o clube catalão por ferir o regulamento da FIFA e tentar exigir uma indenização para completar no mínimo o valor da multa rescisória de 45 milhões de euros, ou seja, 45-14 =31 milhões de euros (explicação dos 14 milhões no ponto 7), senão completar a oferta do Real Madrid de 60-14= 46 milhões de euros. Custos de agenciamento de 40 milhões de euros correspondentes a “acordos prévios com outras partes”, como foram denominados na resposta do Barça ao Santos, sobre o valor de um contrato de venda de 14 milhões são uma aberração, e devem chamar a atenção de qualquer tribunal. Além do mais a possibilidade de jogadores burlarem os regulamentos e eventualmente as leis, com contratos particulares e deixar um clube de bolsos vazios seria um pesadelo para todos o clubes do mundo e também para a FIFA, sendo esta a chance do Santos no caso de uma ação judicial. Seria recomendável consultar uma advocacia conceituada com presença internacional.

6 – Mais uma precipitação em maio de 2013, mesmo que quase tudo estivesse perdido
Com o estrago enorme já feito em novembro de 2011, a declaração do pai do Neymar em abril de 2013 que o seu ciclo no Santos estaria encerrado ao fim da Copa, fez a direção do Santos cair na realidade e a levou a se empenhar para vender o Neymar antes que não recebesse nada. Reação em principio correta, sendo que a única questão seria: vendê-lo antes ou depois da Copa das Confederações? Ou seja, vendê-lo em maio ou julho de 2013?

Eu mesmo aconselhei o Neymar a decidir o seu futuro antes da Copa das Confederações, para jogar com a cabeça livre, claramente argumentando para renovar com o Santos. Mas não imaginei que o Santos pudesse fazer a besteira de vendê-lo-por 14 milhões de euros antes da Copa das Confederações, imaginei que saíssem 30 ou 40 milhões. Vi confirmada esta suposição, quando o Odílio achou em 17 de maio “que a oferta não agradou” e quando em 22 de maio“ o Santos recusou uma nova proposta do Barcelona por Neymar, de aproximadamente 20 milhões de euros”. Mas dois dias depois em 24 de maio, o vendeu assim mesmo ao preço baixo.

A decisão conveniente teria sido:

a) Se o Barcelona pagasse em maio de 2013, digamos, 35 milhões de euros à vista por 100% dos direitos, o Santos poderia fechar antes da Copa das Confederações, porque no caso do Neymar não jogasse bem nesta Copa, ainda por cima com o antecedente que as suas atuações na seleção não haviam sido tão boas como as no Santos, o valor dos direitos poderia ter teria caído sensivelmente.

b) Mas se a oferta continuasse na altura de 14 milhões havia pouco a perder. Mesmo que o jogador não convencesse na Copa das Confederações o valor não cairia muito abaixo de 14 milhões. A probabilidade de lucrar com a Copa das Confederações caso jogasse bem, seria maior do que a possibilidade do valor já baixíssimo diminuir ainda mais.

Com as boas atuações do Neymar na Copa das Confederações talvez surgissem outras ofertas interessantes de outros clubes e no mínimo o Barcelona teria que aumentar a sua oferta.

7 – A preferência do Barça sobre três jogadores do Santos
Para se entender as preferências concedidas, seria necessário conhecer os termos contratuais. Mas normalmente se tratam de opções prioritárias de compra dos direitos. Se um clube qualquer oferecer um valor pelos direitos, o Barça igualando este valor pode levar. A primeira vista parece uma transação neutra, mas não é.

O Laor deu a entender na entrevista da Globo que as “preferências” que o Barça tem sobre o Giva, Vitor Andrade e Gabriel são vantajosas para o Santos ao afirmar que “Há, ainda, a prioridade de venda de três jogadores da base. Isso também remunera o Santos”.

É difícil concordar com o presidente do Santos, porque as opções serão vantajosas apenas se não forem exercidas, neutras se o preço de venda pago pelo Barça pelos direitos corresponder ao valor do mercado, mas há uma probabilidade de que serão prejudiciais ao Santos, devido aos fatores “soft” inerentes a opções sobre os direitos de jogadores de futebol. Por exemplo, se o Gabriel valer 35 milhões de euros e o Barcelona conseguir tirá-lo por 25 milhões de euros do Santos, baseado nos fatores “soft” que podem acompanhar uma opção, esta terá sido desvantajosa para o Santos. Foram também fatores “soft” que levaram o Neymar a rejeitar oferta melhor do Real para ir ao Barcelona, para o grande prejuízo do Santos.

Tentei explicar em 5 pontos, como funcionam os fatores “soft” no comentário “Se for verdade oque o vice do Barça disse, os futuros excepcionais da base pouco tempo ficarão no Santos.”, publicado tardiamente em 11 de junho de 2013 às 12:37 pm no post do Odir “Torcedor santista, tem hora que gol é vitória e vitória é título” do mesmo dia.

Evidentemente as opções sobre os três jogadores foram cedidas a um valor que não foi divulgado. Mas o Odir Cunha em sua resposta a um comentário do MSR feito em 5 de julho de 2013 às 12:33 am revelou “Pelo que sei, só o fato de dar a preferência valeu 3 milhões de euros ao Santos”. Como o Santos não anunciou nenhum valor recebido pela concessão das opções e assumindo-se o valor no caso seja o mencionado pelo Odir, dos 17 milhões pagos pelo Barça ao Santos, 14 milhões seriam pelos direitos do Neymar e 3 milhões pelas três opções. Portanto preço de venda do Neymar teria sido de 14 milhões de Euros.

Aos que não estão habituados a opções, bastaria lembrar que se alguém paga 3 milhões ou outra quantia por uma opção, espera colher muito mais, não vai ser burro em presentear o Santos com 3 milhões. Tampouco o Santos não seria irresponsável a ponto de ceder opções sobre os seus jogadores gratuitamente.

8 – A diferença de 30 milhões de euros não explicada
A matéria da Rádio Globo de 9/7/2013 sugere que a diferença entre 57 milhões de euros anunciados como investimento pelo Barcelona e os 17 milhões recebidos pelo Santos corresponderia a “luvas do Neymar, além de comissões de empresários”. Fato é que o Barça disse que não poderia dar detalhes sobre a composição dos 57 milhões de euros devido a um acordo de confidencialidade com as outras partes.

A suposição do Globo é semelhante à de alguns internautas espanhóis, que chegaram a achar que os 30 milhões de euros diferença corresponderiam uma “prima de traspasso” para o Neymar. Alguns internautas acham que o Neymar pai e filho teriam fundado uma sociedade N&N, receptora do montante, pelo que os 30 milhões poderiam estar contabilizados como comissões de intermediação. Seja lá como for, no caso do valor ter sido destinado ao Neymar e valorizando as opções por 3 milhões contidos no pagamento de 17 milhões, os 57 milhões de euros anunciados pelo Barcelona se desmembrariam da seguinte forma:

3 milhões para os Santos pelas opções pelo Giva, Gabriel e Vitor Andrade.
14 milhões para os Santos pelos direitos do Neymar, a serem repartidos com a DIS e a Teisa.
10 milhões de adiantamento feito em novembro de 2011 ao Neymar.
30 milhões de luvas supostamente ao Neymar.

O Santos teria então recebido 14×55%= 7,7 milhões de euros pelos direitos do Neymar. Ao passo que o Neymar, que não tinha nenhuma participação nos seus direitos, teria levado (10+30) 40 milhões de euros em adiantamentos e luvas.

9 – Conclusão
A síntese de que o Santos não teria dinheiro para manter o Neymar a longo prazo pode proceder, mas não justifica a imprudência cometida para não mantê-lo pelo até menos 12 meses depois do termino da Copa do Mundo.

Estamos de acordo com o Laor que a permanência do Neymar no clube por mais 18 meses, de Novembro de 2011 a maio de 2013, TROUXE MUITOS BENEFÍCIOS AO SANTOS. Mas teria sido factível ampliar estes benefícios mantendo-o até o fim da Copa de 2014 com um contrato até 2016 e obter um efeito monetário na venda muito maior.

A receita do Santos de uma venda em novembro de 2011 ao valor da multa rescisória já extremamente baixa para a qualidade do jogador e inferior à oferta do Real Madrid, teria sido de 24,7 milhões de euros (45x 55%). Como a venda rendeu apenas 7,7 milhões, Santos deixou de faturar 17 milhões de euros (24,7-7,7), uma soma maior do que os 10 milhões adiantados ao Neymar. Teria sido muito mais vantajoso o Santos arranjar os 10 milhões de euros por conta própria em novembro d e2011 e ter assegurado em troca um contrato até 2016. Ainda mais que o adiantamento de 10 milhões não foi concebido para 18 meses de nov. de 2011 a maio de 2013, mas para 32 meses de nov. de 2011 a julho de 2014.

As duas falhas imperdoáveis da direção do Santos, foram primeiro a renuncia a um novo contrato de cinco anos com vencimento em 2016 permitindo até o encurtamento do contrato vigente e segundo, caso tiver tido conhecimento do adiantamento de 10 milhões de euros ao Neymar, não ter exigido do Barcelona um compromisso de compra dos direitos a valor prefixado. Possivelmente tolerando o pagamento se 10 milhões, o Santos selou praticamente a venda do jogador em novembro de 2011, sem ter nada em mãos do Barcelona. Se não soube do pagamento deveria agora processar o Barcelona.

O Laor acha que a venda do Neymar se deu quando o jogador disse na casa dele que não queria mais jogar no Santos „foi ali a virada da mesa definitiva” (Globo 1/7/2013). Na verdade a virada da mesa foi configurada antecipadamente nas barbas da direção do Santos em novembro de 2011.

Mas o presidente do Santos talvez esteja convencido que o fiasco da venda do Neymar seja compensado com a miragem de uma “fábrica de craques” que resultaria de uma cooperação com o Barcelona. A meu ver esta cooperação, que nem foi divulgada à torcida, poderá ser o maior prejuízo de toda a negociação. Seria a opção que o Barcelona, segundo o seu vice-presidente, teria sobre todos os jogadores da base futura do Santos treinada pelo método Barcelona. Se for assim, os futuros excepcionais da base do Santos, como foram o Pelé, Robinho e o Neymar, que permitiram os três agigantamentos históricos do clube, pouco tempo ficarão no Santos, sairão com 17 anos. E o Santos não poderá se agigantar mais. Se for verdade, um ato de entreguismo mais danoso do que foi a concessão de porcentagens elevadas de direitos de jogadores à DIS. A contrapartida para o Santos seria a disponibilização do método de treinamento da base do Barcelona, que na minha opinião deve ser muito bom, porém não valendo muito mais do que um manual para as escolinhas “nasce um peixe”.

Os erros da condução do caso Neymar se assemelham aos do caso Ganso. No caso Ganso foi dado sinal verde ao diretor do São Paulo Adalberto Baptista e permissão ao jogador negociar com o São Paulo sendo que se esqueceu de cobrar antes o essencial, uma oferta formalizada do tricolor no mínimo na altura da multa rescisória. O São Paulo aproveitou a deixa, aliciou o jogador e ofereceu 10,7 milhões de reais ao Santos. Depois de um mês de conflitos desgastantes foi finalmente oferecido o valor da multa rescisória. No caso Neymar o Santos se esqueceu da importância da duração do contrato e no caso em que houve informação sobre o pagamento de 10 milhões se esqueceu de exigir do Barcelona um compromisso para pagar um montante estipulado pelos direitos do jogador. No caso Ganso o Santos foi protegido pela duração do contrato. No caso Neymar a direção havia detonado o vencimento do contrato e se quedou a mercê do Barcelona.

Parece que o Rosell deu um “coup” fácil e de enormes proporções. Em vez de pagar o Santos, resolveu pagar o Neymar, desde que em contrapartida a duração do contrato fosse reduzida, tirando-o da vitrine da Copa do Mundo, assim pulverizando o valor da multa rescisória.

O Neymar valia cerca de 60 milhões de euros antes da Copa das Confederações e cerca de 75 milhões depois. Se ficasse até 2016 e se as suas atuações na Copa do Mundo fossem condizentes com a capa da revista Time, o Santos poderia fazer uma transação histórica. O dinheiro que o Santos deixou de ganhar poderia ter financiado o CT ou repago as dívidas, catapultando o clube para uma nova era.

Se estas conjecturas não retratarem o que de fato ocorreu, que o Santos, o pai do Neymar e o Barcelona expliquem a) o enredo contratual do adiantamento de 10 milhões de euros ao Neymar, b) a diferença de 30 milhões de euros entre o montante declarado pelo Barcelona e o montante pago ao Santos, c)os termos exatos e o valor pago pelas preferências sobre três jogadores e se este é parte dos 17 milhões pagos ao Santos e d) os termos exatos do acordo sobre a base futura do Santos.

O que você tem a dizer sobre a ida de Neymar para o Barcelona?