leandrinho com neilton
Neilton festeja com Leandrinho, o autor do gol santista (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Como eu ia dizendo, jogar como favorito é bem diferente de ser a zebra. Contra Atlético Mineiro e São Paulo os santistas se multiplicaram em campo. Ontem, contra o Crac, eles acharam que venceriam sem fazer força e permitiram que a garra e a determinação do adversário equilibrasse o jogo.

Quando se é favorito, é preciso mostrar quem manda logo de cara. Não se pode perder chances de gol, como Willian José perdeu, ou se mostrar quase indiferente diante da possibilidade de marcar, como é o caso do blasé Montillo. É preciso chegar chegando, determinado, com fome de gol. Mas, em vez disso, o Santos tocou, tocou, tocou a bola e pouco exigiu do goleiro do Crac.

O golaço de Leandrinho, ainda no primeiro tempo, caiu do céu e deveria acordar o time, mas o Santos continuou em ritmo de treino e errando muito. Neilton não conseguia driblar, Montillo não conseguia tabelar, Arouca e Cícero não conseguiam dar o último passe e Willian José não conseguia pegar na bola.

O técnico Claudinei Oliveira não conseguiu armar um sistema tático que, mais do que manter a bola no campo do adversário, criasse mais oportunidades de marcar. Manter Willian José sozinho entre três zagueiros é pedir para não fazer gol. Aliás, por que Willian José e não Giva, que saiu do clássico de domingo como herói?

E por que manter Montillo até o fim do jogo se o argentino voltou às suas jornadas nulas? Não se pode escalar ou manter um jogador em campo só pelo nome. Vimos em Minas Gerais Cuca tirar Bernard e Diego Tardelli de uma só vez e fazer entrar outros dois menos afamados, um deles Guilherme, que acabou fazendo o segundo gol que levou para os pênaltis e que mais uma vez consagrou Vítor.

Faltou a Claudinei a coragem de tirar Montillo e colocar Pedro Castro, ou Léo Cittadini, ou Victor Andrade, ou Gabriel, ou qualquer um que estivesse disposto a criar chances de gol ou fazer um gol mesmo de canela. Tem hora que o que decide é apenas atitude!

Mas, dirão alguns, o Atlético jogava uma vaga na final da Libertadores para um estádio lotado e apaixonado, enquanto o Santos disputava apenas a terceira rodada da Copa do Brasil contra o desconhecido Crac, diante de meia dúzia de gatos pingados na Vila Belmiro. Tudo bem, mas e daí? Para esse Novo Santos, para esses Meninos que buscam se firmar no futebol, o jogo contra o Crac valia muito, pois o futuro deles está sempre em jogo quando entram em campo.

Faltou experiência? A culpa pelo empate foi dos jovens? Positivamente não. Léo fez a linha de impedimento em um lance que acabou na trave de Aranha, além de errar um passe no meio-campo que gerou um contra-ataque perigoso para o Crac; Arouca levou o drible manjado que terminou no cruzamento para o gol do adversário; Aranha falhou no gol ao não cortar o cruzamento; Montillo e Cícero tiveram muitos altos e baixos; Durval viveu dos seus chutões de sempre…

Enfim, não acho, mas não acho mesmo, que o time inteiro que foi campeão da Copa São Paulo teria feito pior. Ao menos se jogaria pra cima do adversário como um leão pra cima de alguns quilos de picanha. Às vezes acho que os veteranos, ao invés de ensinar, estão fazendo os Meninos desaprenderem de jogar futebol. Contra o Crac o time perdeu a empolgação, jogou em câmara lenta.

Com esse empate de 1 a 1 o Santos terá de vencer o jogo de volta ou empatar com mais de um gol para passar pelo Crac. Ficou difícil, mas é uma tarefa que está longe de ser impossível para um time de personalidade, que confia na força de sua camisa. Espero que em Catalão o Santos mostre essas qualidades que ficaram adormecidas na Vila Belmiro.

O engraçado é que a bola só não queimou nos pés de Leandrinho, o que soube melhor o que fazer com ela. O garoto marcou, armou e ainda acertou um chute que fez inveja aos centroavantes do Santos. Para mim, foi o melhor do time.

Reveja os melhores momentos de Santos 1 x 1 Crac:
http://youtu.be/riDFglt2usk

Robinho

Se Robinho viesse, ficaria mais fácil conseguir um patrocinador máster? Sim. Mas se ele ganhasse 12 milhões por ano e o patrocinador máster pagasse 16 milhões, sobraria muito pouco, não? O que o clube precisa ter é um planejamento sério para a formação de um elenco. Nõ adianta contratar na louca. Com as vendas de Rafael, Felipe Anderson e, principalmente, Neymar, deveria haver dinheiro em caixa para boas contratações pontuais. Esperemos…

E você, como engoliu esse empate com o Crac?