Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: agosto 2013 (page 1 of 5)

Um bom jogo com o Fluminense. E o Criança Esperança?

Santos passeou no Maracanã. Se tivesse mais apetite, golearia o Fluminense

Como este humilde blogueiro previa, o Santos foi um time mais consciente e organizado do que o Fluminense e com dois gols no primeiro tempo acabou conquistando, no Maracanã, sua primeira vitória fora de São Paulo neste Campeonato Brasileiro. Com isso, a zona de rebaixamento vai ficando distante e o time começa a subir na tabela. Agora, com dois jogos a menos, o Alvinegro Praiano tem 22 pontos e ocupa a décima-primeira posição.

Notícias davam conta de que o técnico Claudinei Oliveira entraria com três jogadores no ataque – Gabriel, Thiago Ribeiro e Éverton Costa. Porém, Gabriel foi tirado do time no vestiário, devido a um problema estomacal, e Leandrinho entrou no seu lugar, completando o meio-campo com Renê Junior, Alan Santos e Cícero. Mais à frente ficaram Éverton Costa e Thiago Ribeiro, que marcaram a saída de bola do adversário.

O Fluminense começou um pouco mais atrevido, mas logo o poder de marcação do Santos passou a equilibrar a partida. O jogo estava indefinido quando o Santos chegou ao gol, aos 12 minutos. Após bela troca de passes na extrema direita entre Alan Santos e Cicinho, o lateral cruzou forte e rasteiro e Thiago Ribeiro se antecipou a um zagueiro e ao goleiro Diego Cavalieri para tocar para o fundo do gol.

O tricolor tentou reagir, mas o Alvinegro teve outra boa oportunidade aos 23 minutos: Thiago Ribeiro cobrou uma falta para a área e Éverton Costa apareceu livre para cabecear diante da meta, mas jogou para fora. Três minutos depois, ao cobrar uma falta da entrada da área, cometida sobre Leandrinho, Cícero acertou um chute forte em cima de Diego Cavalieri, que no tocou na bola, mas não conseguiu espalmar por cima do travessão: 2 a 0.

Com a boa vantagem, o Santos passou a tocar a bola e por volta de 30 minutos de jogo dominava completamente a partida. O Fluminense, já vaiado por sua torcida, tentava em lances esporádicos, como em um cruzamento perigoso aos 42 minutos, que obrigou Aranha a espalmar para fora da área.

No segundo tempo, time só tocou e segurou a bola

Ao final da primeira etapa, ainda no campo, Thiago Ribeiro disse que o Santos deveria manter a mesma postura, para não atrair o Fluminense para o seu campo. Mas, quando a bola voltou a rolar, o Santos estava mais preguiçoso. Aos 8 minutos já fazia cera até para cobrar lateral. Isso chamou o adversário para cima, como temia Thiago Ribeiro.

Com o veterano Felipe no lugar de Willian e Wagner no de Eduardo, o time carioca melhorou um pouco o toque de bola e passou a criar algumas oportunidades. Dos 13 minutos, quando Aranha defendeu com os pés um arremate à queima-roupa de Wagner, até os 22, quando Rafael Sóbis demorou e acabou chutando sem ângulo, o Fluminense rondou a área do Santos com perigo.

Porém, desde que Fred sentiu o músculo ao cobrar uma falta, aos 17 minutos, o tricolor, na prática, ficou com um jogador a menos, pois Luxemburgo já tinha feito a terceira substituição, tirando Rhayner para a entrada de Marcos Junior. A partir dos 25 minutos, quando Leandrinho saiu para a entrada de Léo, que fez sua estreia no meio de campo, o Santos passou a ter um controle maior do jogo e não permitiu mais nada ao adversário.

Aos 30 minutos o Santos só tocava a bola diante de um Fluminense entregue. Dois minutos depois Thiago Ribeiro perdeu o terceiro gol ao adiantar uma bola e ser interceptado por Diego Cavalieri quando entrava livre. Aos 34 Éverton Costa ganhou uma bola na raça pela direita, penetrou, ficou cara a cara com Cavalieri, mas tentou passar para trás e errou o passe. Melhor seria ter enchido o pé, mesmo sem muito ângulo.

No final, Claudinei tirou Thiago Ribeiro e Alan Santos para as entradas de Giva e Pedro Castro, mas foi mais para ganhar tempo e colocar dois jogadores com mais fôlego. O Santos terminou a partida sobrando. A impressão que deu é que se forçasse, faria mais gols. Poucas vezes o Fluminense pareceu tão impotente diante de um adversário.

Apenas 8.136 pessoas pagaram para ver o jogo, que teve um público total de 10.481 pessoas. Em se tratando do atual campeão brasileiro, em um dos maiores e mais tradicionais estádios do Brasil, esperava-se muito mais. Porém, percebe-se que a torcida está de birra com o time, que faz campanha ruim.

Lições dessa vitória

1 – Técnico não ganha jogo. Como temos discutido exaustivamente neste blog, não é o nome do técnico que garante as vitórias. Vanderlei Luxemburgo já foi cinco vezes campeão brasileiro, mas nesse sábado parece que ele era o interino e Claudinei, agora efetivado, o grande professor. Por isso digo e repito: nenhum técnico brasileiro merece ganhar mais do que 80 mil reais por mês. Claudinei já está no teto.

2 – Só elenco não basta. O Fluminense utilizou contra o Santos muitos dos jogadores que deram ao time o título brasileiro no ano passado: Diego Cavalieri, Fred, Rafael Sóbis, Carlinhos, Gum, Anderson, Wagner… No entanto, perdeu o jogo para jogadores ainda sem grande expressão, como Alan Santos, Leandrinho, Renê Junior, Everton Costa – que, no entanto, mostraram-se mais eficientes.

3 – Campo e torcida não ganham jogo. Esse é um conceito difícil de o jogador brasileiro assimilar, pois está arraigado na cultura do nosso futebol. Mas um campo enorme e seguro como o Maracanã, com um bom gramado, é um campo neutro. Só não joga bem lá quem não sabe. Além do mais, os times cariocas jogam e deixam jogar. Não há desculpa para matar de canela, nem motivo para tremer.

4 – Este Santos, pela realidade do nosso futebol, não é um time ruim. Só precisa confiar mais nele e jogar todas as partidas com a mesma confiança. O próximo jogo, contra o Atlético Paranaense, em Curitiba, será mais difícil do que o deste sábado. Não dará para fazer um gol e tocar de lado. Será preciso ir pro jogo com vontade, e sabedoria, mas sem medo de ser feliz.

Veja os primeiros gols do Santos no novo Maracanã:
http://youtu.be/UlXkjHXAWkU

E pra você, a vitória provou que o Santos pode sonhar alto? Ou não?

Finalmente o Santos fará hoje, às 21 horas, no Maracanã, contra o Fluminense, um jogo fora de casa que poderá vencer. Pelo que jogou contra o Grêmio – estável a maior parte do tempo – e pela instabilidade do time tricolor, hoje os Meninos e os Velhinhos do Claudinei Oliveira poderão dar um passo importante em busca de novas aspirações neste Campeonato Brasileiro.

Ganhar fora de casa amadurece um time e lhe dá confiança para novos embates. Este Santos já derrotou o São Paulo no Morumbi, mas ainda não venceu fora do Estado (o jogo contra o Crac foi pela Copa do Brasil). Hoje isso é possível e explico porquê.

O Santos pode montar um time jovem e rápido para a partida deste sábado e isso costuma ser decisivo em um campo das dimensões do Maracanã. Desde que a essas juventude e rapidez se somem tranqüilidade, determinação, coragem e alguma habilidade. Com Cicinho, Mena, Alison, Alan Santos, Léo Cittadini (ou Leandrinho) e Gabriel a equipe poderá imprimir um ritmo intenso ao jogo e conseguir espaços importantes para chegar ao gol do Flu.

O jogo não terá a marcação cerrada que se viu no Olímpico. O futebol carioca costuma jogar e deixar jogar. Quem é bom, se destaca. Por isso, acho precipitado Claudinei dizer que Léo Cittadini não foi bem e não deverá substituir Montillo. Cada jogo tem uma história. Hoje o garoto teria mais espaço e, por isso, maiores possibilidades de jogar bem.

O GloboEsporte.com anuncia o Santos com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Renê Júnior, Alan Santos, Leandrinho e Cícero; Thiago Ribeiro e Gabriel. Por esta escalação, Gustavo Henrique e Alison ficariam de fora, Claudinei voltaria com a dupla de zaga Edu Dracena e Durval e colocaria Renê Junior no lugar de Alan Santos e Leandrinho no de Montillo, que ainda se recuperada da lesão na coxa. Também é uma boa formação.

Por outro lado, será que hoje não é a partida ideal para uma oportunidade para o meia Renato Abreu? Já que foi contratado, e só até o final do ano, tem de ser experimentado, e nada melhor do que entrar diante de um adversário que ele conhece bem, pois nas últimas temporadas defendeu o rival Flamengo.

De qualquer forma, dou a Claudinei o direito da dúvida. Se nós aqui de fora não temos certeza, fiquemos com quem acompanha os treinos e convive com os jogadores. Creio também que este novo salário do técnico, de 80 mil reais, é justo e lhe dará mais tranqüilidade para trabalhar. Como já escrevi, não acho que nenhum técnico brasileiro devesse ganhar mais do que isso. Se fossem tão bons como se acham, não ficariam tanto tempo desempregados, como hoje estão Muricy Ramalho, Émerson Leão, Abel Braga, Ney Franco e outros.

O Fluminense do técnico Vanderlei Luxemburgo deve jogar com Diego Cavalieri, Igor Julião, Gum, Anderson e Carlinhos; Edinho, Jean, Felipe e Wagner; Rafael Sóbis e Fred. É evidente que se trata de um bom elenco, mas não tem se apresentado bem e está um ponto atrás do Santos na classificação do campeonato. A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden (RS). O jogo poderá ser assistido por pay-per-view, que hoje estará liberado para os assinantes da Net.

Se jogar o que sabe e pode, sem se inibir com o chamado fator campo, o Santos voltará no Rio com os três pontos, mas a volta de Fred é um trunfo do adversário, pois o atacante é o craque do time e marca gols em quase todos os jogos. Que Edu Dracena e/ou Durval não percam de vista o grande artilheiro.

Considero o Fluminense um adversário simpático. Contra ele Pelé fez o gol de placa, no Rio-São Paulo de 1961 e foi aplaudido de pé pela própria torcida tricolor nesse mesmo Maracanã. Também contra ele Giovanni & Cia escreveram na história aquela virada inesquecível em 1995, dia em que o oponente souber perder com dignidade, sem dar pontapés ou catimbar. E o Fluminense foi ainda um grande parceiro na luta pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, cedendo o seu salão nobre para a explanação, à imprensa do Rio, dos fatos e argumentos que levaram a uma das ações mais edificantes que a CBF já fez, que foi unificar os títulos nacionais e fazer justiça à geração de ouro do nosso futebol.

O Santos e o Criança Esperança

Sem patrocínio master, o Santos já apoiou a Ong do Neymar, divulgou a campanha Sócio Rei e no jogo desta noite anunciará em sua camisa o projeto Criança Esperança, promovido pela Rede Globo. Para boa parte dos santistas, esta submissão à rede de televisão que domina o futebol brasileiro é uma vergonha, já que o Santos tem sido preterido nas suas transmissões de canal aberto.

Para outros, porém, que devem achar que “quem pode, manda, e quem tem juízo, obedece”, esta bajulação já faz parte da estratégia do novo gerente de marketing, Fernando Montanha, de diminuir a animosidade que existe entre os santistas e a maquiavélica rede de televisão.

Será que foi apenas coincidência que depois de ter entrado em campo com a camisa do SBT, em uma final com o São Caetano, o Vasco tenha caído em desgraça, a ponto de ser rebaixado? Ou que, recentemente, o Coritiba foi prejudicado pela arbitragem contra o Itaquerense depois que Alex disse que a Globo comanda o futebol no Brasil?

Será também coincidência que os jogos do Santos tenham sido esquecidos – mesmo quando o time mantinha, a duras penas, o astro Neymar – depois que a torcida santista comemorava os títulos mandando a Globo chupar? Foi coincidência que a Globo tenha interferido na tabela da Copa Libertadores de 2011, prejudicando o Santos e favorecendo o seu time-parceiro? Enfim, Montanha quer ficar bem com a toda poderosa, e ele deve ter os seus motivos.

Creio que um canal de tevê só do Santos, que transmita todos os jogos do Glorioso Alvinegro Praiano a um preço razoável, será a opção do futuro, mas por enquanto o clube é um devedor da Globo – pois já sacou vários adiantamentos para pagar dívidas – e ao menos nos próximos anos não terá como partir para um alternativa independente, como a utilizada com sucesso pela TV Benfica, de Lisboa.

E você, o que acha do jogo contra o Flu e da média com a Globo?


A vontade da maioria dos santistas deve ser sempre respeitada

Uma enquete que ficou meses aqui neste blog mostrou que a grande maioria dos santistas quer que o Santos mande seus jogos em São Paulo. Nesta outra que está no ar, 60% são favoráveis a uma revanche com o Barcelona. Eu pergunto: por que não fazer as vontades (exequíveis) do torcedor?

Claro que algumas são inexecutáveis, pois demandam muito dinheiro ou questões intransponíveis, como é o caso da preferência pelo técnico Marcelo Bielsa, por exemplo. Se ele não quiser vir, ou pedir uma fortuna, o que poderá se fazer?

Mas, na medida do possível, eu sou pela obediência à vontade da maioria. Não seria este, por acaso, o princípio da democracia? E se o torcedor é o responsável por manter um time de futebol vivo, não seria ele o verdadeiro mandatário dessa agremiação?

Com que direito um presidente, ou uma diretoria, ou um comitê gestor, faz o que bem entender com o objetivo do amor e do sonho de tantas pessoas? E no caso do Santos a situação ainda é mais grave, pois o eleito pela vontade popular – o presidente Luis Álvaro Ribeiro – nem está mais no clube, que vem sendo tocado por pessoas que não receberam o voto e nem o aval do sócio.

Bem, mas o que quero dizer é que apoio totalmente a parceria com o Pacaembu para ser o estádio mais utilizado pelo Santos. Com um estádio maior, encravado na praça mais rica do País, as possibilidades de patrocínio, marketing e, principalmente, de maiores arrecadações, aumentarão geometricamente. É uma oportunidade que cai do céu no colo do Santos e não pode ser desperdiçada.

Com relação à revanche com o Barcelona, também sou favorável, mas não agora. Que se marque a partida para depois do Campeonato Brasileiro, ou em uma data em que o Alvinegro Praiano não tenha de se desviar do seu objetivo principal este ano, que é montar aos poucos um time competitivo e se manter na Série A do Brasileiro.

E você, acha que a opinião da maioria dos santistas deve ser sempre respeitada? Ou não?


Força Santos! O duelo no Sul vale muito para o Alvinegro Praiano

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Faltou só um pouquinho. De coragem, competência e sorte.

Com gols de Souza, aos 9, e Werley, aos 43 minutos, ambos no segundo tempo, o Grêmio, que manteve muito mais tempo a posse de bola, venceu o Santos por 2 a 0, na Arena do Estádio Olímpico, e se classificou para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Mas, por incrível que pareça, se tivesse um pouco mais de coragem, competência e sorte, o Alvinegro Praiano é quem estaria classificado.

Primeiro, vou falar da sorte. Perder Montillo, que vinha sendo o destaque do time, logo aos 22 minutos, foi de amargar. O argentino, eu estava armando bons contra-ataques, corria livre pela esquerda, à espera do passe de Gabriel, quando sentiu a coxa, caiu, e teve de ser substituído. Léo Cittadini entrou no seu lugar. Montillo vinha se empenhando nos jogos sem nada sentir… Paciência, teríamos a chance de ver Cittadini.

E agora vou falar de competência. Pra começar, Cittadini mal tinha entrado e, aos 28 minutos, apareceu livre, na pequena área, para cabecear uma bola para o gol de Dida. Poderia repetir o gol contra o Crac, quem sabe. Mas a cabeçada saiu alta, por cima do travessão.

Aos 20 minutos o Santos já tinha perdido a chance mais clara de gol do primeiro tempo, quando Thiago Ribeiro recebeu com liberdade pela direita, penetrou na área e, em vez de chutar, preferiu passar para Gabriel, que entrava pelo meio. O garoto jogou a bola pro fundo das redes,mas o gol foi acertadamente anulado, pois estava impedido.

Antes de o Grêmio abrir o marcador, no segundo tempo, Gabriel teria outra oportunidade de ouro. Aos 6 minutos Bressan recuou mal e o atacante santista roubou a bola, driblou Dida e, com pouco ângulo, tentou cruzar nem perceber que não tinha ninguém na área. O certo seria ter batido de três dedos e tentado o gol dali mesmo. Faltou habilidade e confiança

Surgiria outra boa chance aos 37 minutos do segundo tempo. Everton Costa, que entrara no lugar de Gabriel 14 minutos antes, pôde bater a gol de dentro da área, mas o chute saiu cruzado, para fora.

Quanto à falta de um pouco mais de coragem, esse pecado ficou com o técnico Claudinei Oliveira, que aos 34 minutos do segundo tempo, diante das câimbras de Renê Junior, preferiu colocar Neto nos eu lugar e formar uma linha de zagueiros. Ora, dificilmente o Santos joga com essa tal linha de zagueiros. O resultado foi que o time ficou ainda mais recuado e o montão de zagueiros bateu cabeça no segundo gol do Grêmio, no qual Pará – ele mesmo – encontrou Werley livre quase na marca do pênalti, para erguer a cabeça e colocar no canto direito de Aranha.

O que Claudinei poderia fazer? Colocar Leandrinho, que ao menos daria um toque de bola um pouco melhor pelo meio, com possibilidades de armar alguma jogada ofensiva. Não se pode esquecer que se encaixasse apenas um ataque bem-sucedido, o Santos estaria classificado. Neto, repito, só se embolou com Durval, Gustavo Henrique e Alison lá atrás.

Sem opção ofensiva, o Santos jogou os últimos minutos à espera do fim do jogo, que levaria a decisão para os pênaltis. Mas sempre que um técnico toma essa decisão chama o adversário pra cima e sofrer ou não o gol passa a ser questão de detalhes.

De qualquer forma, apesar da má sorte da contusão de Montillo e do domínio do adversário, o Santos fez o que pôde diante das circunstâncias, teve ao menos quatro chances de gol e, caso marcasse apenas um, estaria classificado, já que ficaria com a vantagem do gol fora de casa.

Apesar na noite fria, 26.900 pessoas pagaram ingresso para ver um duelo que foi bem disputado, mas tecnicamente já teve dias melhores – pois a verdade é que esse Grêmio, apesar de ter vencido as últimas quatro partidas no Campeonato Brasileiro, é uma equipe limitada e reflete a queda de nível de todos os times grandes do Brasil.

Para o Santos, ficam as preciosas lições que uma derrota sempre traz – lições que ele poderá pôr em prática no Campeonato Brasileiro, a competição que realmente merece toda a concentração possível.

E pra você, que lições o Santos tirou dessa derrota?

gabriel e cittadini
Gabriel vai pro jogo. Léo Cittadini espera a sua vez (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Enfrentar o Grêmio em Porto Alegre foi, é e sempre será uma missão difícil, que exige doação e valentia, mas também coragem e inteligência. Quando santistas e gremistas estiverem entrando em campo para o jogo que se iniciará às 21h50m, aquele frisson que antecede os grandes jogos tomará de assalto milhões de amantes do futebol. O empate classifica o Santos para a próxima fase da Copa do Brasil, mas eu nunca escreveria “apenas” o empate, pois hoje mesmo este resultado não será conseguido sem muita dedicação (o leitor Luiz Fernando informa que “o jogo será transmitido para a Baixada Santista e para o Rio Grande do Sul pela Rede Globo. Na tevê fechada passará apenas no SPORTV 4, que será aberto temporariamente em um dos canais que transmitem o PFC. Na Sky passará no 124 e nas demais operadoras os assinantes devem ligar para saber em qual canal passará.”).

Na verdade, o time que joga pelo empate jamais deve jogar apenas pelo empate, pois isso tolheria sua ambição ofensiva de tal forma, que se veria pressionado o tempo todo pelo adversário. O Santos deve estar preparado para se defender, sim, mas com mentalidade ofensiva.

Um time que pode contar com a habilidade e a visão de jogo de Montillo, a experiência e o bom chute de fora da área de Thiago Ribeiro, a veloz impetuosidade de Gabriel e ainda as avançadas de Montillo, não pode se abster de marcar gols (eu havia informado que o Marcos Assunção deveria ser escalado no lugar de Alan Santos, que machucou os dedos do pé em um ensaio de teatro, mas as últimas informações dão conta de que Renê Junior é que deverá entrar, já que o time terEa de marcar bem no meio-campo. Gosto da voluntariedade do Renê, mas ele deve tomar cuidado, pois chega muito pesado e o jogo de hoje poderá ser catimbado, o que provocará muitos cartões).

Não, não sou um otimista babaca. Sei das limitações do Santos e do perigo que o time correrá hoje, diante de tão tradicional adversário. Mas acredito no sucesso do Santos nessa quarta-feira, pois o esporte já me deu – como torcedor, jornalista e praticamente – exemplos suficientes para jamais aceitar uma derrota, ainda mais na véspera.

arena do gremio
A bela arena do Grêmio sendo preparada para o jogo desta noite (Foto: Omar Freitas/ Agência RBS).

O ágil Santos contra o milionário tricolor do Sul

Com Galhardo pela direita e Mena pela esquerda; Alison, Cícero e Montillo no meio e Gabriel e Thiago Ribeiro no ataque, o Santos de Claudinei Oliveira está se tornando mais leve, mais rápido na saída da defesa para o ataque. Essas alternativas ofensivas serão importantes, pois um gol obrigará o Grêmio a marcar três para se classificar.

Sem Elano e Zé Roberto, o tricolor do Sul – que mesmo enxugando a folha de pagamentos, ainda a estabilizou em R$ 6,7 milhões atuais – dependerá muito de dois atacantes fixos, Kléber e Barcos. No mais, com exceção do goleiro Dida, o elenco dessa partida é no máximo de qualidade similar à do Santos.

Se não der 15 minutos de bobeira – daqueles em que saem mais de um gol e decidem a partida – e mantiver o jogo equilibrado o tempo todo, o Alvinegro Praiano terá boas chances de sair de Porto Alegre com uma classificação importante, pois dará mais confiança ao grupo também no Campeonato Brasileiro.

O Santos deverá jogar com Aranha, Galhardo, Durval, Gustavo Henrique e Mena; RenIe Junior, Alison, Cícero e Montillo; Thiago Ribeiro e Gabriel. O Grêmio, com Dida, Werley, Rhodolfo e Bressan; Pará, Souza, Ramiro, Riveros e Alex Telles; Kleber e Barcos. A arbitragem será de Felipe Gomes da Silva (PR).

Meus Santos x Grêmio inesquecíveis

Os confrontos mais significativos entre Santos e Grêmio – até porque revelaram ao Brasil o grande time do Sul – ocorreram na semifinal da Taça Brasil de 1964. Na primeira partida, em 16 de janeiro, cerca de 50 mil pessoas proporcionaram um recorde de público no estádio Olímpico para ver o Grêmio sair na frente, com gol de Paulo Lumumba, mas depois assistir ao Santos dar um show e virar para 3 a 1, com jogadas mirabolantes de Pelé e Coutinho. Em um delas, ambos tabelaram de cabeça desde o meio de campo, até que a bola foi defendida pelo goleiro Alberto, em jogada aplaudida pela torcida contrária.

No jogo de volta, no Pacaembu, Pepe marcou, de falta, aos seis minutos, mas o Grêmio virou para 3 a 1, com mais dois gols de Paulo Lumumba. Pele diminuiu ainda no primeiro tempo e marcou mais dois na segunda etapa, em uma daquelas viradas espetaculares. No final, para completar, Gylmar foi expulso aos 41 minutos e Pelé foi para o gol a tempo de se consagrar com duas intervenções.

Em tempos mais recentes, adorei os 3 a 0 e o show de Robinho e Alberto na primeira partida da semifinal do Brasileiro de 2002; os golaços de Ganso, Robinho e Wesley na vitória por 3 a 1 na semifinal da Copa do Brasil de 2010 e aquele empate no final da partida, com um petardo de Molina.

Reveja essa preciosidade garimpada por Wesley Miranda. Grêmio 1 x 3 Santos, primeiro jogo da semifinal da Taça Brasil de 1964, recorde de público no Rio Grande do Sul:

Veja agora o sensacional jogo de volta, no Pacaembu, em outra pesquisa de Wesley Miranda:

Eu falei e não mostrei. Estão aí os gols de Grêmio 1 x 1 Santos, pela primeira rodada do Brasileiro de 2009. Rever marcou no fim e parecia que a derrota santista era certa. Mas aí o colombiano Molina acertou um balaço no ângulo do goleiro Victor. Veja:

E você, o que diz de Santos e Grêmio? Qual foi seu jogo inesquecível?


Gylmar, o ídolo que encontrou a felicidade no Santos

Nova enquete no ar: Santos deve fazer o jogo de volta contra o Barcelona?

Se fizer o jogo de volta contra o Barcelona, no Brasil, o Santos terá direito à bilheteria e aos demais rendimentos que o evento trouxer. Será a primeira vez que este Barcelona de Messi – e Neymar – jogará na América do Sul, o que dará ao jogo uma relevância mundial. Se o time espanhol se recusar a vir, terá de pagar uma multa de 4,5 milhões de euros.

Por outro lado, depois de sofrer uma goleada na final do Mundial de Clubes de 2011 (4 a 0) e outra, ainda maior, no último confronto entre ambos, no Camp Nou (8 a 0), o Santos correrá o risco de ser humilhado em seu próprio País, e isso faz com que alguns membros da diretoria do clube sejam contrários ao jogo no Brasil.

Mas e se jogar e ao menos fizer uma partida equilibrada, o Santos recuperará um pouco do prestígio perdido e mostrará que ainda é um clube que merece respeito internacional. Além, é claro, de ganhar dinheiro e projeção em um duelo que será assistido em todo o mundo. O que você acha? Vale a pena desafiar novamente o melhor time dos últimos tempos?

Um evento bem planejado, com o time bem preparado para o confronto, poderá ao menos melhorar a imagem do clube, arranhada pelo último vexame diante dos espanhóis? Sim ou Não? Vá à enquete na coluna à direita e dê sua opinião. Ela é muito importante para ajudar o Santos a se decidir.

Na enquete anterior, deu Marcelo Bielsa, disparado

Na enquete que acaba de sair do ar, o argentino Marcelo Bielsa ganhou disparado como o técnico preferido pelos santistas: teve 58% dos votos, contra 18% de Émerson Leão. Aqui fica evidente que boa parte dos santistas querem um treinador que valorize os jovens e seja mais autoritário, a fim de impedir o “domínio” dos veteranos sobre o elenco.

O interino Claudinei Oliveira ficou em terceiro, com 9%, mas se a enquete prosseguisse essa porcentagem provavelmente aumentaria, pois o time jogou bem contra o Vitória e o técnico tem tomado decisões que se harmonizam com a vontade do torcedor. Em quarto ficou Ney Franco, com 6%; em quinto, “Outro”, com 5% e em sexto e último, Abel Braga, com 4%.

Gylmar
Gylmar dos Santos Neves, nenhum goleiro foi tão nobre.

Neste domingo, às 18h15m, após sofrer um infarto, o homem número um do grande Santos nos deixou. Gylmar dos Santos Neves, 83 anos completados na quinta-feira passada, goleiro mais vitorioso do futebol mundial, estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e já enfrentava complicações geradas por um acidente vascular cerebral (AVC) ocorrido em 2000. Em cadeira de rodas, sem falar, o goleiro, no entanto, se emocionava com o carinho dos torcedores que cativou em sua longa carreira.

Seu corpo está sendo velado desde as seis horas desta segunda-feira no Cemitério do Morumbi, onde será enterrado às 15 horas.

Bicampeão mundial pelo Santos e pela Seleção Brasileira, Gylmar vestiu a camisa do Alvinegro Praiano 331 vezes, de dezembro de 1961 a dezembro de 1969. Elegante, frio, altivo e elástico, o “Girafa”, como era chamado pelos colegas, criou um novo paradigma para os goleiros, que depois dele deixaram de ser cabisbaixos e melancólicos após sofrer um gol. Gylmar estava acima de falhas eventuais. A segurança que transmitia foi um dos segredos do sucesso do Santos e da Seleção Brasileira na era de ouro do nosso futebol, de 1958 a 1970.

Tive o prazer de conversar várias vezes com Gylmar – para o Jornal da Tarde, a Revista do Futebol e os livros do Santos, entre eles o Time dos Sonhos. Tudo que existe de nobreza e elegância em um jogador de futebol, se concentrou em Gylmar. Um time que começava com um goleiro como ele, passava por Mauro Ramos de Oliveira, Zito e Pelé e terminava em um ponta-esquerda como Pepe, só poderia ter sido o melhor de todos os tempos.

Nascido no bairro do Macuco, em Santos, em 1930, Gylmar jogou no Portuários, assinou seu primeiro contrato profissional com o Jabaquara, acabou contratado pelo Corinthians no começo de 1951 – como contra-peso no negócio com o quarto-zagueiro Cicia –, mas dez anos depois, escorraçado pelo clube do parque São Jorge, finalmente foi feliz no futebol, transferindo-se para o Santos.

Seu primeiro problema no Corinthians ocorreu em novembro de 1951, quando o time perdeu por 7 a 3 para a Portuguesa e levantaram a suspeita de que ele teria “amolecido”. Sem poder provar sua inocência, foi afastado do time por seis meses.

“Passei um período muito difícil”, contou-me ele quando o entrevistei para o livro Time dos Sonhos. “Não podia nem entrar no clube. Eu não tinha como provar, porque as coisas foram feitas fora, sem que eu soubesse. Só sei que no dia do jogo havia muitas promessas de prêmios para mim. Pensei que estivesse abafando, mas não era nada disso. A intenção deles era outra.”

Ele só foi perdoado e voltou a jogar pelo Corinthians porque em 1952 o time estava para embarcar em uma excursão e não tinha goleiro, já que Cabeção fora convocado para a Seleção Paulista. Depois de tentar conseguir, sem sucesso, um jogador emprestado, o diretor Manoel dos Santos propôs o nome de Gylmar, aceito com resistência. Após uma viagem exaustiva de três dias, o time estreou na Turquia e perdeu. Depois, foram 11 vitórias consecutivas, com Gylmar fechando o gol:

“Foi o dedo de Deus que me deu aquela oportunidade. Joguei muito bem. Na partida contra a Seleção da Dinamarca cheguei a defender três pênaltis. Voltei novamente como herói. Joguei todo o Campeonato Paulista de 1952, quando o Corinthians foi campeão”, lembrou ele.

Gylmar foi muito importante na conquista do título paulista do IV Centenário, em 1954. O time fazia 1 a 0 e ele segurava o resultado. Vivia uma fase excepcional, que quatro anos depois o levou à Copa do Mundo da Suécia e o fez sentir a maior alegria de sua carreira:

“A emoção de ganhar uma Copa é indescritível. Você fica meio bobo. Com exceção do Castilho, Didi e Nilton Santos, ninguém ali havia estado em Copas do Mundo.”

O goleiro novamente voltou como herói, mas aos poucos foi reduzido à única estrela de um Corinthians que perdera Cláudio, Luisinho e Baltazar e não estava contratando jogadores à altura dos que saíam. A fase negativa não tardou. Gylmar passou a ser apontado como o culpado pelas derrotas. Mesmo quando se queixou de dores no braço, não lhe deram ouvidos. O médico do clube disse que ele estava fazendo corpo mole para sair do Corinthians.

Num treino, ao se atirar nos pés de um atacante, o goleiro sentiu uma dor aguda no cotovelo, que inchou imediatamente. Tirou a cotoveleira e, enquanto se dirigia para o vestiário, mostrou o braço para os diretores que assistiam o treino.

“Vieram conversar comigo, mas eu disse que não queria nada, que tinha um seguro particular e no dia seguinte iria procurar um hospital para me operar. Fui para casa louco de dor. Tratei com água quente, sal e vinagre para desinchar e três dias depois estava operando no Hospital Santa Catarina, com o doutor João de Vicenzo. Minha mulher, que tem curso de enfermagem, assistiu a cirurgia. Imaginou-se que seria simples, por se tratar de uma bursite, ou algo assim, mas a operação demorou duas horas e meia. Eu tinha um tendão partido no braço e não sabia. Isso é o que causava a dor. Se demorasse mais um pouco para operar, o tendão estaria tão retraído que seria impossível emendar novamente.”

No dia seguinte, ainda sonolento pela anestesia, Gylmar recebeu o repórter Milton Reina, da Gazeta Esportiva, e admitiu que sua situação no Corinthians ficara difícil. A entrevista gerou a manchete: “Gylmar diz que não joga mais no Corinthians”. Em resposta, o presidente do clube, Vadi Helu, retrucou dizendo que agora era o Corinthians que não queria mais Gylmar e estipulou o passe do goleiro em 10 milhões de cruzeiros.

“Era uma fortuna. A transferência mais alta daquela época tinha sido a de Mauro, do São Paulo para o Santos, que custou cinco milhões de cruzeiros. Um goleiro por dez milhões era para não vender. Talvez a idéia fosse que eu terminasse a carreira ali. Mas, como eu já tinha meu emprego como chefe de seção da Secretaria da Fazenda, não estava desamparado. E eu trabalhava mesmo, todas as tardes.”

Nesse meio tempo surgiu o interesse do Santos, mas este não dispunha de todo o valor. Foi preciso fazer um empréstimo da Federação Paulista de Futebol e ainda receber uma doação do empresário José Ermírio de Moraes. Gylmar não ganhou nenhuma porcentagem, tampouco luvas de seu novo clube. Melhor negócio para ele seria ter aceitado uma proposta do Peñarol, de Montevidéu, mas o goleiro não quis:

“O Peñarol ofereceu uns 12 milhões para o Corinthians, mais uma fortuna na minha mão, mas resolvi não ir. Não queria dar mais nenhum tostão para o Corinthians. Eles me judiaram demais.”

O contrato com o Santos foi assinado em dezembro de 1961. Logo em seguida o time iniciou uma excursão à América Central. Quanto voltou, Gylmar já era o titular. Em 1962, no melhor ano de sua carreira, foi campeão paulista, brasileiro, da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes. Convocado novamente para a Seleção Brasileira, tornou-se bicampeão mundial no Chile.

Nessa Copa de 62, contra a Espanha, realizou a defesa mais importante de sua vida. O Brasil perdia por 1 a 0 e seria desclassificado com este resultado. Em um ataque pela esquerda, Gento driblou Djalma Santos – jogando a bola por dentro e saindo correndo pela pista de atletismo – e cruzou. Puskas vinha entrando, enquanto Gylmar e o zagueiro Mauro saíram para cortar o cruzamento. O goleiro conseguiu socar a bola, mas ele, Mauro e Puskas trombaram e caíram. A bola sobrou para Peiró, que vinha na corrida e bateu de primeira, num chute a um metro do chão. Gylmar só teve tempo de erguer o braço e espalmar para escanteio. Em seguida, no contra-ataque, o Brasil empatou o jogo (e acabou vencendo por 2 a 1, com gols de Amarildo em centros de Garrincha). Os espanhóis creditaram sua eliminação na Copa àquela defesa do goleiro brasileiro.

No Santos, Gylmar finalmente pôde viver um tempo feliz, de tranqüilidade e profundo respeito. O time era como uma família e nunca foi maltratado por dirigentes. Ao contrário: era o clube que melhor remunerava seus jogadores. Em uma excursão à Europa, Gylmar se recorda de que as delegações de Santos, Botafogo (de Garrincha, Didi, Nilton Santos…) e Corinthians se encontraram no mesmo hotel. Em conversas informais com os jogadores dos outros times, ficou sabendo que o “bicho” (prêmios em dinheiro) que os santistas ganhavam por partida era o dobro dos botafoguenses e cinco vezes maior do que o dos corinthianos.

Gylmar acha que o Santos seria um dos melhores do mundo até hoje caso seus diretores tivessem tido maior visão e soubessem administrar bem o clube, mas, pessoalmente, não tem queixas:

“Se o Santos tinha condição de pagar ou não, eu não sei, só sei que pagou todo mundo e nunca atrasou. Todos queriam ver o Santos jogar. Onde jogavam, enchia. Começou a chover dinheiro. O Santos era uma equipe vencedora, com grandes valores, que ficou no auge por 13 anos. O ambiente era ótimo. Nunca tivemos uma discussão entre os jogadores.”

O Santos foi o melhor time de todos os tempos? Gylmar responde a essa pergunta comparando a equipe com o Real Madri, o melhor time do mundo antes da fase áurea do Santos:

“Há uma celeuma sobre quem foi o melhor time de todos os tempos. Uns dizem que foi o Real Madrid, outros o Santos. Acho que cada um teve a sua época. Que eu me lembre, os dois só se enfrentaram uma vez, em 1959, na Europa, quando o Santos estava começando a ser o grande time que foi, e o Real ganhou (5 a 3). Quando o Santos começou sua evolução e o Real iniciou sua fase regressiva, ele nunca mais quis jogar com o Santos, sempre evitou. Chegou ao cúmulo de abrir mão de jogar a final de um torneio na Argentina para não nos enfrentar. Foi um quadrangular, em 1965, com Santos, Real, Boca Juniors e River Plate. Ficaram Santos e Real para decidir o título, mas eles não quiseram jogar, preferiram deixar o título para nós do que correr o risco de perder pra gente. Queriam manter aquela imagem de ter sido o único time a vencer o Santos” (o Santos venceu o Boca Juniors por 4 a 1, no dia 8 de agosto, e o River Plate por 2 a 1, quatro dias depois. A decisão seria contra o Real Madri, que se recusou a jogar).

Gylmar jogou no Santos até dezembro de 1969. Em sua despedida pela Seleção, em 12/06/1969, na vitória de 2 a 1 sobre a Inglaterra, no Maracanã, o Brasil tinha oito titulares do Santos. Ao abandonar o futebol, aceitou o convite para ser relações públicas de uma concessionária Chevrolet. Depois montou a sua, na Vila Prudente, em São Paulo. Em 1983 foi convencido a tornar-se supervisor da Seleção Brasileira, cujo técnico era Carlos Alberto Parreira. Ficou decepcionado com o que viu. O marketing comandava tudo. “Talvez eu fosse o errado, pois trazia a mentalidade do tempo em que eu era jogador, em que não se exigia dinheiro para ganhar jogo.”

Na verdade, nem tudo Gylmar fez conforme seu tempo. Numa época em que a maioria dos jogadores de futebol adorava cair na noite, ele sempre foi um jogador de ir pra cama mais cedo, mesmo sofrendo de insônia. Quando saía, chegava ao extremo de – coisa de cinema – pedir leite em boate. Paradoxalmente, era o melhor companheiro de quarto do boêmio Dorval, que por mais tarde que chegasse, ainda encontrava o goleiro acordado, tentando ler para atrair o sono.

De saúde perfeita até 2000, Gylmar sofreu um acidente vascular cerebral e hoje não consegue falar e vive em uma cadeira de rodas. Mas, lúcido, compreende tudo e certamente se emocionará com essa demonstração de carinho dos santistas, os torcedores que o fizeram recuperar o amor pelo futebol.

Gylmar dos Santos Neves
Goleiro
Nascimento e morte: 22 de agosto de 1930, bairro do Macuco, Santos – 24 de agosto de 2013, em São Paulo.
Altura: 1,81m.
Peso: 69 quilos.
Chuteira: 41.
Formação escolar: Cursou até o quarto ano colegial, com especialização em contabilidade.
Clubes que defendeu: Jabaquara, Corinthians e Santos.
Jogos pelo Santos: 331.
Primeiro time em que jogou: Portuários (Companhia Docas de Santos).
Filiação: João dos Santos Neves (era chefe dos porteiros do antigo Cassino Atlântica, em Santos) e Maria da Conceição dos Santos Neves. Gylmar é o filho único do segundo casamento de João dos Santos, que teve quatro filhos do primeiro casamento: Geraldo, Alcides, Lourdes e Mercedes.
Vezes em que vestiu a camisa da Seleção Brasileira: 103.
Família: Casado com Rachel Izar Neves (em 17/09/1960). Pai de Rogério Izar Neves, médico cirurgião de plástica corretiva, e Marcelo Izar Neves, economista.
Títulos mais importantes: Campeão paulista em 1951, 52 e 54 pelo Corinthians e em 1962, 64, 65, 67 e 68 pelo Santos; do Torneio Rio-São Paulo em 1953 e 54 pelo Corinthians e em 1963, 64 e 66 pelo Santos; da Taça Brasil em 1962, 63, 64 e 65 pelo Santos; da Libertadores da América em 1962 e 63 pelo Santos; do Mundial Interclubes em 1962 e 63 pelo Santos; do Campeonato Brasileiro inter seleções em 1954, 55 e 57 pelo Estado de São Paulo; das Copas do Mundo de 1958 e 1963 pela Seleção Brasileira.
Bens: Apartamento onde vive, em São Paulo; terreno, chácara, imóveis alugados, automóveis, deu um apartamento para cada filho, montou um consultório para um deles.

Veja essas duas belas matérias sobre Gylmar:

O que você sabe de Gylmar? O que ele representou para o Santos e para o futebol?


O caminho é por aí, Claudinei. Outra boa vitória do Santos!

gabriel e cícero
Gabriel e Cícero, os autores dos gols do Santos (Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Na minha coluna de sexta-feira no jornal Metro de Santos ressaltei, logo na primeira frase, que o futebol, como a vida, é cíclico. Pois veja como são as coisas: o time que estava há quatro jogos sem ganhar, agora está há seis sem perder. 2 a 0 foi pouco pelo domínio que o Santos impôs ao Vitória na Vila Belmiro. Gabriel deixou de novo a sua marca, Cícero fez o segundo. Com 19 pontos e dois jogos a menos, este renovado Santos já começa a sonhar grande.

O técnico Claudinei Oliveira surpreendeu positivamente ao escalar Alison e Leandrinho no meio e Gabriel no ataque. Na verdade, isso era o óbvio a fazer, mas o técnico vinha insistindo com Marcos Assunção e Neilton, que não estavam bem. Gabriel, apesar dos 16 anos, é mais ágil e forte que Neilton, além de chutar e se colocar melhor para receber o passe ou aproveitar um rebote da defesa. No momento, é o companheiro ideal de Thiago Ribeiro, que também está jogando melhor e merece ser o titular.

A zaga, com Edu Dracena e o garoto Gustavo Henrique, não sofreu gol. Mais do que isso: pouco permitiu ao ataque do Vitória, apesar das fragilidades pelo lado de Galhardo, substituído por Bruno Peres. Com a volta de Cicinho, a situação tende a melhorar.

Uma experiência que, mais cedo ou mais tarde, Claudinei terá de fazer, é colocar Gustavo Henrique ao lado de Jubal, companheiros desde as divisões de base. Algo me diz que podem fazer uma dupla de zaga excelente. Por enquanto, porém, a experiência e a liderança de Edu Dracena são imprescindíveis.

No meio, se Arouca renovar, deve ser escalado ao lado de Alison, Cícero (ou Renato Abreu) e Montillo, mas percebo que não é bem essa a formação que a maioria dos santistas prefere. Corrijam-me se estiver errado, mas penso que Alison, Leandrinho (ou Alan Santos), Léo Cittadini e Montillo formam o quarteto que o santista quer ver jogar. Talvez Cittadini não corresponda a toda a expectativa, mas bem que merece uma oportunidade.

No ataque, ficou fácil, é só não complicar. Thiago Ribeiro é titular e seus substitutos imediatos são, pela ordem, Giva, Willian José e Éverton Costa. Seu companheiro de momento é Gabriel, de quem Neilton e Victor Andrade são reservas.

O que os profetas do apocalipse vão dizer?

Quando, após sofrer aquele vexame diante do Barcelona, o Santos voltou ao Campeonato Brasileiro e logo de cara enfrentou o campeão do mundo, o Clube de Regatas Itaquerense, muitos previram nova goleada estrondosa. Pois o jogo terminou 1 a 1, com ligeiro predominio santista.

Depois, o Cruzeiro, no novo Mineirão, onde o time de Minas Gerais tinha vencido todos os seus jogos. Diferente da nova goleada prevista pelos profetas do apocalipse, veio novo empate, desta vez por 0 a 0. Mesmo resultado, aliás, do jogo em Salvador, contra o Bahia.

Em seguida, o Grêmio, pela Copa do Brasil, time que vinha de três vitórias consecutivas. É claro que para os eternos pessimistas o Santos perderia. Porém, já sabemos, a vitória veio dos pés de um garoto de 16 anos – como, aliás, está escrito no destino do Santos que muitos teimam em negar.

Agora, nova vitória, e ainda mais convincente, pois além dos 2 a 0 o Santos dominou de cabo a rabo. E novamente com um gol do garoto Gabriel e desta vez com cinco garotos vindos da base. Será que novamente quererão dizer que foi sorte, que o negócio de Meninos da Vila e DNA ofensivo é bobagem?

Que as coisas podem e devem melhorar, não resta dúvida. Que a contração de Everton Costa e até mesmo de Renato Abreu foram mais equívocos dessa diretoria, eu creio que sim. Mas nem tudo está perdido e o time está longe de ser péssimo, se comparado aos outros deste Campeonato Brasileiro.

Por que acredito em um time com muitos Meninos

Garotos que sempre se destacaram na base, como é o caso desses que foram promovidos ao time profissional do Santos, já passaram por várias etapas seletivas e vários testes em suas carreiras. Chegar a titular de uma equipe infanto-juvenil de um clube grande, já é muito difícil. Garotos do Brasil inteiro procuram o Santos para testes, ou são selecionados em seus lugares de origem.

Depois, serem campeões paulistas e da Taça São Paulo é ainda mais complicado – tanto assim, que o Santos só venceu duas vezes esta última. Por fim, estrear no time profissional e mostrar algum valor já merece destaque, pois muitos outros sentem demais a responsabilidade e ficam travados.

Como está provado que o auge de todo atleta, em qualquer modalidade, se dá por volta de 25 anos – quando seu desenvolvimento físico, intelectual e emocional atinge o ápice – e como acredito que esses Meninos ainda têm muito a evoluir, acho que é desperdício não lhes dar a oportunidade para atingir o nível de excelência que podem alcançar.

Deixo claro que não defendo a tese de que Claudinei deva escalar um time só de Meninos. Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Mena, Montillo e Thiago Ribeiro são jogadores experientes e podem, tranquilamente, conservarem-se titulares do Santos. Porém, nas outras posições, como Claudinei já está percebendo, vale a pena contar com a força, a velocidade, a agilidade e, principalmente, a impetuosidade dos mais jovens.

Que público mixuruca é esse?

Se mesmo com ingressos a 10 reais a Vila não recebeu 8.500 pagantes – e isso em um sábado maravilhoso e depois de uma vitória no meio da semana – então para tudo. Qualquer um que realmente goste do Santos não poderá mais defender o velho Urbano Caldeira como o palco ideal para os jogos do Alvinegro Praiano.

Fica evidente que o torcedor de Santos abandonou o time. Dez reais é o preço de três cervejas (em alguns bares, de duas). Não dá para entender esse público de teatro para um jogo do Campeonato Brasileiro em que todas as circunstâncias eram favoráveis e a perspectiva de vitória era muito grande.

Como já escrevi, acredito que a única forma de o Santos voltar a demonstrar que é um time de massa é voltar a jogar mais no Pacaembu, e com preços populares. Depois de hoje, ficou provado que a única forma de lotar a Vila é pagar para os torcedores irem ao estádio.

Santos 2 x 0 Vitória – Vila Belmiro, 18h30

Santos: Aranha, Rafael Galhardo (Bruno Peres), Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison (Alan Santos), Cícero, Leandrinho e Montillo; Gabriel (Everton Costa) e Thiago Ribeiro. Técnico: Claudinei Oliveira.

Vitória: Wilson; Ayrton, Fabrício, Reniê e Euller; Luiz Alberto, Cáceres, Vander (Marquinhos) e Renato Cajá (Felipe); Maxi Biancucchi (Pedro Oldoni) e Dinei. Técnico: Caio Júnior.

Gols: Gabriel, aos 8 minutos do primeiro tempo; Cícero, aos 10 do segundo.

Arbitragem: Pablo dos Santos Alves (ES), auxiliado por Cristhian Passos Sourence (GO) e Rafael da Silva Alves (RS).

Cartões amarelos: Alison, Cícero, Aranha e Montillo (Santos); Renato Cajá (Vitória).

Público: 8.350 pagantes. Renda: R$ 157.338,00

Veja os melhores momentos de Santos 2 x 0 Vitória:
http://youtu.be/xMZHx42qj5s

Você acha que o Santos está encontrando o caminho das vitórias? O que falta?


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