Tudo atrai para a Vitória

gabriel treinando
Gabriel, o herói do meio da semana, volta pro banco.

Sábado ensolarado, ingressos a 10 reais, o Santos vem de uma vitória e o adversário se chama Vitória. Se alguém pensar em derrota, hoje, eu dou um peteleco. Se a Vila não lotar, será um caso para Freud. Não há como não exercer o simples e fundamental papel de torcedor que se espera do santista.

O zagueirão Gustavo Henrique, futuro tirular da Seleção Brasileira (talvez eu esteja exagerando, mas o garoto é bom!), entra no lugar de Durval. Fará dupla com o capitão Edu Dracena. Na lateral-direita, Galhardo entra no lugar de Cicinho, suspenso, e na esquerda continua o uruguaio Mena, agora o titular.

No meio Claudinei continua insistindo com Marcos Assunção, para desespero da maioria dos torcedores. Alan Santos é mais eficiente. Mas torço para uma boa exibição do veterano, consagrada com um gol de falta. O bom é que o garoto Alison continua no time. O rapaz tem jogado pacas. É outro que um dia vestirá a camisa do Escrete.

Creio que, se fosse mais ouado e se ouvisse mais a opinião sábia dos torcedores, Claudinei tentaria Léo Cittadini, ou mesmo Gabriel, no lugar de Cícero. Mas talvez faça isso no transcorrer do jogo.

No ataque continuam Neilton e Thiago Ribeiro, que iniciaram a partida contra o Grêmio. Aí o torcedor pergunta, com razão: Se Gabriel entrou tão bem e em pouco tempo criou mais jogadas – e fez um gol! – no meio da semana, por que não aproveitar a motivação do garoto e escalá-lo desde o início?

Dirigido por Caio Júnior, o Vitória, que hoje estreia o lateral Ayrton, tem um time equilibrado e um bom ataque, com Maxi Biancucchi, um dos artilheiros do campeonato, e Dinei. Não se pode bobear com eles.

Santos X Vitória – Vila Belmiro, neste sábado às 18h30.

Santos: Aranha, Galhardo, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena;
Alison, Marcos Assunção, Cícero e Montillo; Neilton e Thiago Ribeiro.
Técnico: Claudinei Oliveira.

Vitória: Wilson, Ayrton, Fabrício, Reniê e Euller; Luís Alberto, Cáceres, Renato Cajá e Vander; Maxi Biancucchi e Dinei. Técnico: Caio Júnior.

Arbitragem: Pablo dos Santos Alves (ES), auxiliado por Cristhian Passos Sorence (GO) e Rafael da Silva Alves (RS).

Ernesto Franze, especial para o Blog do Odir

A verdade é que o nosso futebol doméstico está a uma distância transamazônica do futebol europeu. Utilizando uma metáfora da moda, somos (os times brasileiros) ainda aquele cirquinho de lona todo empoeirado no terreno da esquina, enquanto eles, os europeus, têm nos seus principais times o famoso “cirque du soleil”.

Essa distância não está apenas na questão da modernidade dos estádios, na grana que o marketing poderoso arrecada, nos principais jogadores que contratam, na organização e no calendário que privilegia os atletas e o espetáculo.

A distância absurda que verificamos hoje está, também, e especialmente, no futebol praticado dentro do campo.

É público e notório que na Europa utilizam de metodologia de treinamento que ainda não chegou por aqui. A ciência, a estatística está há anos a serviço do treinamento de futebol no velho continente.

Veja no link abaixo a escola de treinadores holandesa, vídeos em português:

http://pt.uefa.com/trainingground/coaches/video/videoid=1613947.html

E a pergunta que não quer calar:

Que formação possuem os nossos treinadores?

A conclusão é que na Europa o futebol é profissional em todos os sentidos, inclusive dentro do campo, e nós ainda somos amadores, embora digamos que somos profissionais a mais de meio século, precisamente há 80 anos.

http://www.lancenet.com.br/fluminense/Fluminense-inaugurava-futebol-profissional-Brasil_0_902309898.html

Temos de avançar rumo ao profissionalismo

A atual administração do Santos deu passos importantes no sentido da profissionalização quando mudou seu estatuto, e especialmente quando acabou com inúmeros cargos estatutários de diretores de gerentes previstos no estatuto anterior, hoje são apenas nove, do presidente e do vice, e de mais sete membros do conselho gestor.

Os demais cargos importantes dentro do clube são profissionais.

Se na pratica as coisas não aconteceram exatamente como esperávamos, pelo menos podemos dizer que, do ponto de vista de administração, saímos da idade da pedra lascada.

Diga-se de passagem, vêm dos dirigentes estatutários as principais frustrações do torcedor alvinegro nesse ano. Ao invés de entregarem o futebol nas mãos de profissionais competentes, tentaram eles mesmos tocarem o futebol.

Cargo estatutário, nos clubes, é o retrato mais fiel do amadorismo. O Santos, e os clubes brasileiros, precisam livrar-se definitivamente desse atraso, se é que pretendem começar a tirar essa distância que nos separa dos grandes europeus.

O torcedor tem a falsa impressão de que um apaixonado pelo clube é capaz de desempenhar melhor uma função, dizem: “Tem é que colocar santista que ama o clube”. A verdade é que mesmo que seja sua mãe, se ela não for uma excelente administradora, só por amor, você, certamente, não a contrataria para administrar a sua empresa.

E pra você, por que o futebol brasileiro está tão distante do europeu?