Após uma série de empates, os dois próximos jogos do Santos serão na Vila Belmiro e nenhum outro resultado será satisfatório a não ser a vitória. Tanto quarta-feira, contra o Grêmio, pela Copa do Brasil, como sábado, contra o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro, o Santos terá de esquecer seus problemas, medos e inseguranças e voltar a ser o time ofensivo e demolidor que encurrala os adversários, principalmente quando joga em casa.

Sim, é preciso atacar, fazer gols e vencer, mas aí surge uma questão que aflige o torcedor e, certamente, o técnico Claudinei Oliveira: é possível dominar e sobrepujar adversários mais organizados, experientes e, tecnicamente, melhores? Sim, a história do futebol prova isso e os grandes estrategistas sabem tirar o máximo proveito de seus jogadores, ao mesmo tempo em que têm o dom de detectar os pontos fracos do adversário e explorá-los inapelavelmente.

Ser ofensivo, jogar para vencer, não é só uma questão de se contar com um grande elenco à disposição, mas de ter a capacidade de impor uma filosofia ofensiva à equipe, preparar os jogadores, psicologicamente, para o jogo de ataque, e armar esquemas e táticas que beneficiem este jogo.

No Santos isso se conseguiria com uma saída rápida da defesa ao ataque, com jogadores de meio campo que chegassem bem à frente, atacantes rápidos que se deslocassem constantemente, dificultando a marcação adversária, bons finalizadores e bons cobradores de falta. E é possível reunir todas essas qualidades em um time, mesmo sem grandes jogadores.

O exemplo mais acabado que me vem à mente é a Portuguesa. Poucos talvez se deem conta, mas o DNA da Lusa também é o ataque. Mesmo em períodos nos quais não tinha o melhor elenco, a Portuguesa se caracterizou por adotar sistemas ofensivos, que às vezes infligiam goleadas dolorosas mesmo em seus mais tradicionais adversários.

Não sei se você sabe, mas no feriado de 15 de novembro de 1961 a Portuguesa enfiou 7 a 0 no Corinthians, em jogo do Campeonato Paulista. Isso mesmo: 7 a 0! A mesma Portuguesa goleou o São Paulo por 7 a 2 em 20 de setembro de 1998. E em 13 de novembro de 1955 foi a vez de o Santos sofrer um terrível 8 a 0, no Pacaembu, em sua caminhada para o titulo paulista.

Mesmo líder do campeonato, o Alvinegro Praiano subiu a serra para sofrer esse vira quatro, acaba oito, do valente conjunto rubro-verde, naquele dia formado por Cabeção, Mena e Hermínio; Djalma Santos, Brandãozinho e Zinho; Lierti, Ipojucã, Airton, Zé Amaro e Edmur. O técnico? O quase anônimo Décio Neves.

Enquanto isso, o Santos, que caminhava para seu segundo título estadual após 43 anos de história, jogou com os consagrados Manga, Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Alfredinho, Negri, Del Vecchio, Vasconcelos e Pepe. Técnico: Lula.

Se o Santos tinha melhor elenco e melhor técnico, como pôde perder de forma tão fragorosa? Pois é. A confiança de que poderia inverter o marcador, mesmo perdendo de 4 a 0 ao final do primeiro tempo, fez Lula enviar seus jogadores à frente na segunda etapa, o que deu ao adversário mais espaço para atacar e assim marcar mais quatro gols.

Não foi um 8 a 0 como este recentemente aplicado pelo Barcelona, em que o Santos mal fez cócegas na defesa adversária. Foi um 8 a 0 sofrido por um time que tentou atacar o tempo todo. No final das contas, porém, para a história, ficaram os dois resultados iguais…

O que é essencial recordar e aprender dessa história de 1955, porém, é que a Portuguesa provou que um time inferior no papel pode, mais do que vencer, golear seu adversário, desde que tenha a atitude, a eficiência e o sistema tático corretos. E isso só pode ser estruturado pelo técnico, por um bom técnico.

Chegamos, finalmente, ao ponto crucial: Claudinei Oliveira é este técnico? Para alguns, pode ser; para outros – e a enquete deste blog está mostrando isso – seria necessário um profissional mais experiente e de mais personalidade, que escolhesse os jogadores e montasse o esquema baseado apenas na qualidade e nas virtudes técnicas e atléticas de cada jogador, e não no grau de influência que possam ter sobre os colegas, ou junto aos diretores.

Grêmio e Vitória, ambos na Vila Belmiro, são a grande oportunidade de Claudinei provar que pode tirar desse elenco limitado do Santos um time ambicioso, ofensivo e vencedor. A história prova que isso é possível. Só é preciso ser moderno o suficiente para saber aprender com o passado.

E você, acha que é possível ser ofensivo mesmo sem ter um grande time?