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Faltou só um pouquinho. De coragem, competência e sorte.

Com gols de Souza, aos 9, e Werley, aos 43 minutos, ambos no segundo tempo, o Grêmio, que manteve muito mais tempo a posse de bola, venceu o Santos por 2 a 0, na Arena do Estádio Olímpico, e se classificou para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Mas, por incrível que pareça, se tivesse um pouco mais de coragem, competência e sorte, o Alvinegro Praiano é quem estaria classificado.

Primeiro, vou falar da sorte. Perder Montillo, que vinha sendo o destaque do time, logo aos 22 minutos, foi de amargar. O argentino, eu estava armando bons contra-ataques, corria livre pela esquerda, à espera do passe de Gabriel, quando sentiu a coxa, caiu, e teve de ser substituído. Léo Cittadini entrou no seu lugar. Montillo vinha se empenhando nos jogos sem nada sentir… Paciência, teríamos a chance de ver Cittadini.

E agora vou falar de competência. Pra começar, Cittadini mal tinha entrado e, aos 28 minutos, apareceu livre, na pequena área, para cabecear uma bola para o gol de Dida. Poderia repetir o gol contra o Crac, quem sabe. Mas a cabeçada saiu alta, por cima do travessão.

Aos 20 minutos o Santos já tinha perdido a chance mais clara de gol do primeiro tempo, quando Thiago Ribeiro recebeu com liberdade pela direita, penetrou na área e, em vez de chutar, preferiu passar para Gabriel, que entrava pelo meio. O garoto jogou a bola pro fundo das redes,mas o gol foi acertadamente anulado, pois estava impedido.

Antes de o Grêmio abrir o marcador, no segundo tempo, Gabriel teria outra oportunidade de ouro. Aos 6 minutos Bressan recuou mal e o atacante santista roubou a bola, driblou Dida e, com pouco ângulo, tentou cruzar nem perceber que não tinha ninguém na área. O certo seria ter batido de três dedos e tentado o gol dali mesmo. Faltou habilidade e confiança

Surgiria outra boa chance aos 37 minutos do segundo tempo. Everton Costa, que entrara no lugar de Gabriel 14 minutos antes, pôde bater a gol de dentro da área, mas o chute saiu cruzado, para fora.

Quanto à falta de um pouco mais de coragem, esse pecado ficou com o técnico Claudinei Oliveira, que aos 34 minutos do segundo tempo, diante das câimbras de Renê Junior, preferiu colocar Neto nos eu lugar e formar uma linha de zagueiros. Ora, dificilmente o Santos joga com essa tal linha de zagueiros. O resultado foi que o time ficou ainda mais recuado e o montão de zagueiros bateu cabeça no segundo gol do Grêmio, no qual Pará – ele mesmo – encontrou Werley livre quase na marca do pênalti, para erguer a cabeça e colocar no canto direito de Aranha.

O que Claudinei poderia fazer? Colocar Leandrinho, que ao menos daria um toque de bola um pouco melhor pelo meio, com possibilidades de armar alguma jogada ofensiva. Não se pode esquecer que se encaixasse apenas um ataque bem-sucedido, o Santos estaria classificado. Neto, repito, só se embolou com Durval, Gustavo Henrique e Alison lá atrás.

Sem opção ofensiva, o Santos jogou os últimos minutos à espera do fim do jogo, que levaria a decisão para os pênaltis. Mas sempre que um técnico toma essa decisão chama o adversário pra cima e sofrer ou não o gol passa a ser questão de detalhes.

De qualquer forma, apesar da má sorte da contusão de Montillo e do domínio do adversário, o Santos fez o que pôde diante das circunstâncias, teve ao menos quatro chances de gol e, caso marcasse apenas um, estaria classificado, já que ficaria com a vantagem do gol fora de casa.

Apesar na noite fria, 26.900 pessoas pagaram ingresso para ver um duelo que foi bem disputado, mas tecnicamente já teve dias melhores – pois a verdade é que esse Grêmio, apesar de ter vencido as últimas quatro partidas no Campeonato Brasileiro, é uma equipe limitada e reflete a queda de nível de todos os times grandes do Brasil.

Para o Santos, ficam as preciosas lições que uma derrota sempre traz – lições que ele poderá pôr em prática no Campeonato Brasileiro, a competição que realmente merece toda a concentração possível.

E pra você, que lições o Santos tirou dessa derrota?

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Gabriel vai pro jogo. Léo Cittadini espera a sua vez (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Enfrentar o Grêmio em Porto Alegre foi, é e sempre será uma missão difícil, que exige doação e valentia, mas também coragem e inteligência. Quando santistas e gremistas estiverem entrando em campo para o jogo que se iniciará às 21h50m, aquele frisson que antecede os grandes jogos tomará de assalto milhões de amantes do futebol. O empate classifica o Santos para a próxima fase da Copa do Brasil, mas eu nunca escreveria “apenas” o empate, pois hoje mesmo este resultado não será conseguido sem muita dedicação (o leitor Luiz Fernando informa que “o jogo será transmitido para a Baixada Santista e para o Rio Grande do Sul pela Rede Globo. Na tevê fechada passará apenas no SPORTV 4, que será aberto temporariamente em um dos canais que transmitem o PFC. Na Sky passará no 124 e nas demais operadoras os assinantes devem ligar para saber em qual canal passará.”).

Na verdade, o time que joga pelo empate jamais deve jogar apenas pelo empate, pois isso tolheria sua ambição ofensiva de tal forma, que se veria pressionado o tempo todo pelo adversário. O Santos deve estar preparado para se defender, sim, mas com mentalidade ofensiva.

Um time que pode contar com a habilidade e a visão de jogo de Montillo, a experiência e o bom chute de fora da área de Thiago Ribeiro, a veloz impetuosidade de Gabriel e ainda as avançadas de Montillo, não pode se abster de marcar gols (eu havia informado que o Marcos Assunção deveria ser escalado no lugar de Alan Santos, que machucou os dedos do pé em um ensaio de teatro, mas as últimas informações dão conta de que Renê Junior é que deverá entrar, já que o time terEa de marcar bem no meio-campo. Gosto da voluntariedade do Renê, mas ele deve tomar cuidado, pois chega muito pesado e o jogo de hoje poderá ser catimbado, o que provocará muitos cartões).

Não, não sou um otimista babaca. Sei das limitações do Santos e do perigo que o time correrá hoje, diante de tão tradicional adversário. Mas acredito no sucesso do Santos nessa quarta-feira, pois o esporte já me deu – como torcedor, jornalista e praticamente – exemplos suficientes para jamais aceitar uma derrota, ainda mais na véspera.

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A bela arena do Grêmio sendo preparada para o jogo desta noite (Foto: Omar Freitas/ Agência RBS).

O ágil Santos contra o milionário tricolor do Sul

Com Galhardo pela direita e Mena pela esquerda; Alison, Cícero e Montillo no meio e Gabriel e Thiago Ribeiro no ataque, o Santos de Claudinei Oliveira está se tornando mais leve, mais rápido na saída da defesa para o ataque. Essas alternativas ofensivas serão importantes, pois um gol obrigará o Grêmio a marcar três para se classificar.

Sem Elano e Zé Roberto, o tricolor do Sul – que mesmo enxugando a folha de pagamentos, ainda a estabilizou em R$ 6,7 milhões atuais – dependerá muito de dois atacantes fixos, Kléber e Barcos. No mais, com exceção do goleiro Dida, o elenco dessa partida é no máximo de qualidade similar à do Santos.

Se não der 15 minutos de bobeira – daqueles em que saem mais de um gol e decidem a partida – e mantiver o jogo equilibrado o tempo todo, o Alvinegro Praiano terá boas chances de sair de Porto Alegre com uma classificação importante, pois dará mais confiança ao grupo também no Campeonato Brasileiro.

O Santos deverá jogar com Aranha, Galhardo, Durval, Gustavo Henrique e Mena; RenIe Junior, Alison, Cícero e Montillo; Thiago Ribeiro e Gabriel. O Grêmio, com Dida, Werley, Rhodolfo e Bressan; Pará, Souza, Ramiro, Riveros e Alex Telles; Kleber e Barcos. A arbitragem será de Felipe Gomes da Silva (PR).

Meus Santos x Grêmio inesquecíveis

Os confrontos mais significativos entre Santos e Grêmio – até porque revelaram ao Brasil o grande time do Sul – ocorreram na semifinal da Taça Brasil de 1964. Na primeira partida, em 16 de janeiro, cerca de 50 mil pessoas proporcionaram um recorde de público no estádio Olímpico para ver o Grêmio sair na frente, com gol de Paulo Lumumba, mas depois assistir ao Santos dar um show e virar para 3 a 1, com jogadas mirabolantes de Pelé e Coutinho. Em um delas, ambos tabelaram de cabeça desde o meio de campo, até que a bola foi defendida pelo goleiro Alberto, em jogada aplaudida pela torcida contrária.

No jogo de volta, no Pacaembu, Pepe marcou, de falta, aos seis minutos, mas o Grêmio virou para 3 a 1, com mais dois gols de Paulo Lumumba. Pele diminuiu ainda no primeiro tempo e marcou mais dois na segunda etapa, em uma daquelas viradas espetaculares. No final, para completar, Gylmar foi expulso aos 41 minutos e Pelé foi para o gol a tempo de se consagrar com duas intervenções.

Em tempos mais recentes, adorei os 3 a 0 e o show de Robinho e Alberto na primeira partida da semifinal do Brasileiro de 2002; os golaços de Ganso, Robinho e Wesley na vitória por 3 a 1 na semifinal da Copa do Brasil de 2010 e aquele empate no final da partida, com um petardo de Molina.

Reveja essa preciosidade garimpada por Wesley Miranda. Grêmio 1 x 3 Santos, primeiro jogo da semifinal da Taça Brasil de 1964, recorde de público no Rio Grande do Sul:

Veja agora o sensacional jogo de volta, no Pacaembu, em outra pesquisa de Wesley Miranda:

Eu falei e não mostrei. Estão aí os gols de Grêmio 1 x 1 Santos, pela primeira rodada do Brasileiro de 2009. Rever marcou no fim e parecia que a derrota santista era certa. Mas aí o colombiano Molina acertou um balaço no ângulo do goleiro Victor. Veja:

E você, o que diz de Santos e Grêmio? Qual foi seu jogo inesquecível?