gabriel e cícero
Gabriel e Cícero, os autores dos gols do Santos (Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Na minha coluna de sexta-feira no jornal Metro de Santos ressaltei, logo na primeira frase, que o futebol, como a vida, é cíclico. Pois veja como são as coisas: o time que estava há quatro jogos sem ganhar, agora está há seis sem perder. 2 a 0 foi pouco pelo domínio que o Santos impôs ao Vitória na Vila Belmiro. Gabriel deixou de novo a sua marca, Cícero fez o segundo. Com 19 pontos e dois jogos a menos, este renovado Santos já começa a sonhar grande.

O técnico Claudinei Oliveira surpreendeu positivamente ao escalar Alison e Leandrinho no meio e Gabriel no ataque. Na verdade, isso era o óbvio a fazer, mas o técnico vinha insistindo com Marcos Assunção e Neilton, que não estavam bem. Gabriel, apesar dos 16 anos, é mais ágil e forte que Neilton, além de chutar e se colocar melhor para receber o passe ou aproveitar um rebote da defesa. No momento, é o companheiro ideal de Thiago Ribeiro, que também está jogando melhor e merece ser o titular.

A zaga, com Edu Dracena e o garoto Gustavo Henrique, não sofreu gol. Mais do que isso: pouco permitiu ao ataque do Vitória, apesar das fragilidades pelo lado de Galhardo, substituído por Bruno Peres. Com a volta de Cicinho, a situação tende a melhorar.

Uma experiência que, mais cedo ou mais tarde, Claudinei terá de fazer, é colocar Gustavo Henrique ao lado de Jubal, companheiros desde as divisões de base. Algo me diz que podem fazer uma dupla de zaga excelente. Por enquanto, porém, a experiência e a liderança de Edu Dracena são imprescindíveis.

No meio, se Arouca renovar, deve ser escalado ao lado de Alison, Cícero (ou Renato Abreu) e Montillo, mas percebo que não é bem essa a formação que a maioria dos santistas prefere. Corrijam-me se estiver errado, mas penso que Alison, Leandrinho (ou Alan Santos), Léo Cittadini e Montillo formam o quarteto que o santista quer ver jogar. Talvez Cittadini não corresponda a toda a expectativa, mas bem que merece uma oportunidade.

No ataque, ficou fácil, é só não complicar. Thiago Ribeiro é titular e seus substitutos imediatos são, pela ordem, Giva, Willian José e Éverton Costa. Seu companheiro de momento é Gabriel, de quem Neilton e Victor Andrade são reservas.

O que os profetas do apocalipse vão dizer?

Quando, após sofrer aquele vexame diante do Barcelona, o Santos voltou ao Campeonato Brasileiro e logo de cara enfrentou o campeão do mundo, o Clube de Regatas Itaquerense, muitos previram nova goleada estrondosa. Pois o jogo terminou 1 a 1, com ligeiro predominio santista.

Depois, o Cruzeiro, no novo Mineirão, onde o time de Minas Gerais tinha vencido todos os seus jogos. Diferente da nova goleada prevista pelos profetas do apocalipse, veio novo empate, desta vez por 0 a 0. Mesmo resultado, aliás, do jogo em Salvador, contra o Bahia.

Em seguida, o Grêmio, pela Copa do Brasil, time que vinha de três vitórias consecutivas. É claro que para os eternos pessimistas o Santos perderia. Porém, já sabemos, a vitória veio dos pés de um garoto de 16 anos – como, aliás, está escrito no destino do Santos que muitos teimam em negar.

Agora, nova vitória, e ainda mais convincente, pois além dos 2 a 0 o Santos dominou de cabo a rabo. E novamente com um gol do garoto Gabriel e desta vez com cinco garotos vindos da base. Será que novamente quererão dizer que foi sorte, que o negócio de Meninos da Vila e DNA ofensivo é bobagem?

Que as coisas podem e devem melhorar, não resta dúvida. Que a contração de Everton Costa e até mesmo de Renato Abreu foram mais equívocos dessa diretoria, eu creio que sim. Mas nem tudo está perdido e o time está longe de ser péssimo, se comparado aos outros deste Campeonato Brasileiro.

Por que acredito em um time com muitos Meninos

Garotos que sempre se destacaram na base, como é o caso desses que foram promovidos ao time profissional do Santos, já passaram por várias etapas seletivas e vários testes em suas carreiras. Chegar a titular de uma equipe infanto-juvenil de um clube grande, já é muito difícil. Garotos do Brasil inteiro procuram o Santos para testes, ou são selecionados em seus lugares de origem.

Depois, serem campeões paulistas e da Taça São Paulo é ainda mais complicado – tanto assim, que o Santos só venceu duas vezes esta última. Por fim, estrear no time profissional e mostrar algum valor já merece destaque, pois muitos outros sentem demais a responsabilidade e ficam travados.

Como está provado que o auge de todo atleta, em qualquer modalidade, se dá por volta de 25 anos – quando seu desenvolvimento físico, intelectual e emocional atinge o ápice – e como acredito que esses Meninos ainda têm muito a evoluir, acho que é desperdício não lhes dar a oportunidade para atingir o nível de excelência que podem alcançar.

Deixo claro que não defendo a tese de que Claudinei deva escalar um time só de Meninos. Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Mena, Montillo e Thiago Ribeiro são jogadores experientes e podem, tranquilamente, conservarem-se titulares do Santos. Porém, nas outras posições, como Claudinei já está percebendo, vale a pena contar com a força, a velocidade, a agilidade e, principalmente, a impetuosidade dos mais jovens.

Que público mixuruca é esse?

Se mesmo com ingressos a 10 reais a Vila não recebeu 8.500 pagantes – e isso em um sábado maravilhoso e depois de uma vitória no meio da semana – então para tudo. Qualquer um que realmente goste do Santos não poderá mais defender o velho Urbano Caldeira como o palco ideal para os jogos do Alvinegro Praiano.

Fica evidente que o torcedor de Santos abandonou o time. Dez reais é o preço de três cervejas (em alguns bares, de duas). Não dá para entender esse público de teatro para um jogo do Campeonato Brasileiro em que todas as circunstâncias eram favoráveis e a perspectiva de vitória era muito grande.

Como já escrevi, acredito que a única forma de o Santos voltar a demonstrar que é um time de massa é voltar a jogar mais no Pacaembu, e com preços populares. Depois de hoje, ficou provado que a única forma de lotar a Vila é pagar para os torcedores irem ao estádio.

Santos 2 x 0 Vitória – Vila Belmiro, 18h30

Santos: Aranha, Rafael Galhardo (Bruno Peres), Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison (Alan Santos), Cícero, Leandrinho e Montillo; Gabriel (Everton Costa) e Thiago Ribeiro. Técnico: Claudinei Oliveira.

Vitória: Wilson; Ayrton, Fabrício, Reniê e Euller; Luiz Alberto, Cáceres, Vander (Marquinhos) e Renato Cajá (Felipe); Maxi Biancucchi (Pedro Oldoni) e Dinei. Técnico: Caio Júnior.

Gols: Gabriel, aos 8 minutos do primeiro tempo; Cícero, aos 10 do segundo.

Arbitragem: Pablo dos Santos Alves (ES), auxiliado por Cristhian Passos Sourence (GO) e Rafael da Silva Alves (RS).

Cartões amarelos: Alison, Cícero, Aranha e Montillo (Santos); Renato Cajá (Vitória).

Público: 8.350 pagantes. Renda: R$ 157.338,00

Veja os melhores momentos de Santos 2 x 0 Vitória:
http://youtu.be/xMZHx42qj5s

Você acha que o Santos está encontrando o caminho das vitórias? O que falta?