Desculpe-me, mas não há muito o que falar depois dessa que foi a maior humilhação internacional que o Santos sofreu em sua história, maior ainda do que os 4 a 0 frente a este mesmo Barcelona na decisão do Mundial de 2011. E o pior é que um resultado assim já era previsível. Quem leu minha coluna no jornal Metro de Santos de sexta-feira, intitulada “Jogado às Feras”, sabe que aconteceu o que qualquer um que enxergue um milímetro de futebol já tinha previsto.

Pena que as pessoas que dirigem o Santos, justo elas que tinham a obrigação de se empenhar para proteger a imagem do clube, são as primeiras a jogar o passado do Glorioso Alvinegro Praiano na lama. Gostaria de saber quais exatamente foram os dirigentes que aceitaram esse suicídio em Camp Nou?

Um time em formação, que ainda tenta a fórmula ideal entre garotos imberbes e veteranos em fim de carreira, jamais – eu disse jamais! – poderia ter sido exposto dessa maneira. E só o foi porque o Santos, hoje, é dirigido por pessoas que não entendem absolutamente nada de futebol e nem ao menos são humildes para admitir isso. Permitir esse “amistoso” foi o mesmo que tentar jogar no lixo todo o prestígio que o Santos amealhou em dezenas de anos atuando no exterior.

Amadores, ingênuos, incompetentes, os dirigentes santistas, capitaneados pelo boquirroto Luis Álvaro Ribeiro, serviram a história do Santos de bandeja para uma equipe que é a melhor do mundo e só na cabeça dos cartolas da Vila Belmiro perderia a chance de humilhar, ao vivo, para 40 países, um time que na era de ouro do futebol também humilhou a muitos grandes europeus, entre eles o próprio Barcelona, goleado na primeira partida que realizou contra o Santos, nesse mesmo Camp Nou, por 5 a 1.

Não analisarei atuações, nem sistemas táticos, pois o elenco e o sistema de jogo do Barcelona não são apenas muito superiores aos do Santos, mas estão bem acima de qualquer elenco ou sistema de jogo de uma equipe sul-americana. Pouparei atletas e o técnico Claudinei Oliveira desse fracasso anunciado, que não poderia ter sido evitado por eles, mas apenas e tão somente pelos homens que negligentemente dirigem o Santos. Há veteranos que não podiam mais atuar, há garotos que deveriam ter tido mais oportunidades, há contratados apenas medianos, mas quem decide pelo elenco e pelo time não são eles.

Se tivessem hombridade, os responsáveis por essa vergonha mundial pediriam demissão e permitiriam que outras pessoas, competentes e conhecedoras das coisas do futebol, assumissem o clube e impedissem o pior. Mas, assim como contra minha vontade previ essa desgraça que vimos hoje, prevejo que a arrogância e a ausência do verdadeiro amor ao Santos impedirá essas pessoas de agirem com a hombridade que o momento merece. Elas se deram bons empregos e salários incompatíveis com sua competência e só largarão seus cargos à força. Provaram com esse episódio que estão pouco se lixando para o clube.

Em outros tempos não permaneceriam uma semana na Vila Belmiro. Mas agora as torcidas organizadas do Santos comem na mão dos cartolas. Deixaram de representar o torcedor para agir como seguranças de quem está no poder. A verdade, porém, é que quem apoia e defende essa diretoria não pode gostar do Santos. Se as organizadas querem ainda ter algum crédito, terão de mostrar alguma atitude nesse momento em que o Santos vive um dos capítulos mais sombrios de sua história.

E pra você, quais serão as consequências desse vexame?