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O pequeno Neilton dá uma enquadrada no grandalhão Gil, em uma cena que foi o retrato do jogo. O Santos cresceu na adversidade e o “campeão do mundo” se apequenou.
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Montillo enfia o passe perfeito, Willian José chega antes de Paulo André e toca a bola por cima de Cássio. Neilton acompanha só para conferir o gol. O Santos teve determinação para empatar e ficou mais perto da vitória. O adversário jogou fechadinho, como sempre. (Fotos: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Presssionados pela torcida, os jogadores do Santos correram mais, se entregaram com disposição às divididas, buscaram antecipar as jogadas, mostraram mais determinação no ataque, e só essa mudança de atitude já foi suficiente para o time ter mais posse de bola, jogar mais tempo no campo do adversário, ter mais faltas e escanteios a favor e deixar no observador neutro a impressão de que se o clássico alvinegro tivesse de ter um vencedor, seria o Glorioso da Vila Belmiro.

Mesmo sofrendo um gol logo aos três minutos – em uma falha coletiva dos jogadores que se colocaram na área para cortar o escanteio e permitiram que Danilo cabeceasse e a bola sobrasse livre para Paulo André marcar – o Santos não se abalou e passou a dominar a partida a partir daí.

O adversário, como é seu estilo, especulava um contra-ataque que pudesse lhe dar outro gol e uma vantagem aparentemente definitiva, mas mesmo correndo riscos, o Santos manteve a iniciativa do jogo e poderia ter empatado aos 20 minutos, quando Arouca pegou um rebote de Cássio e, mesmo da marca do pênalti, acertou as nuvens.

No final da primeira etapa, só o misto de comentarista e torcedor desvairado Neto podia ver superioridade no alvinegro de Itaquera. O time da capital voltava com os dez jogadores para sua defesa e se contentava em esperar as oportunidades para os contra-ataques, mas perdia as bolas espirradas e via sua área ser rondada o tempo todo pelos santistas. Cicinho engolia Danilo.

A justiça veio aos nove minutos do segundo tempo. Montillo, que fez ótima partida, recebeu na intermediária, penetrou e rolou sob medida para Willian José tocar na saída de Cássio. O belo gol entusiasmou ainda mais a torcida e o time, que nos momentos seguintes esteve bem próximo de conseguir a virada. Na melhor chance, Neilton penetrou livre e chutou para Cássio desviar com a ponta dos dedos.

Aos 25 minutos, uma confusão que começou com uma discussão entre Gil e Neilton, terminou com as expulsões de Willian José e Paulo André. Grosso modo, o adversário perdeu mais um zagueiro, enquanto o Santos ficou sem seu único fazedor de gol. O episódio diminuiu o perigo dos ataques santistas, apesar de o Santos continuar com mais posse de bola.

Dracena, Cicinho e Montillo foram os destaques

Com muita disposição e poucos erros, Edu Dracena e Montillo fizeram suas melhores atuações pelo Santos neste ano. O zagueiro cortou sozinho vários ataques do adversário, enquanto o argentino participou de inúmeras jogadas com garra e técnica, tabelando, chutando a gol e enfiando passes precisos, como no gol de Willian José.

Pena que Cícero, o outro do meio que avança mais, não tenha acompanhado o nível de Montillo. Apenas ciscando com aquela perninha esquerda que só sabe tocar de lado, Cícero nem ao menos chutou a gol. Algo me diz que sua posição será ocupada, com vantagem, por Léo Cittadini, ou outro Menino. Arouca e Alisson se preocuparam apenas com a marcação, e nesse quesito não foram mal.

Leandrinho, que entrou no lugar de Alisson, apoia melhor, mas com ele o time ficou um pouco mais exposto. Gostei de Cicinho, para mim titular absoluto da lateral-direita. O rapaz correu tanto, que saiu com cãibras, substituído por Galhardo, que quase comprometeu ao errar um passe na saída de bola.

Não gostei de Mena, que entrou um tanto inibido. Pelo jogo de hoje, Léo ainda foi um pouco melhor. Mas o natural é ir colocando Mena para jogar, pois Léo não tem mais pique para acompanhar os atacantes que se deslocam pelo seu setor.

Na zaga, Durval foi regular, mas quase coloca o empate a perder ao fazer uma falta em Renato Augusto que estava de costas para o gol e ainda tomado por cãibras. Aranha poderia ter feito alguma coisa diferente no gol do adversário, mas não se pode culpá-lo.

Neilton insistiu o tempo todo. Mesmo quando não faz grandes jogadas o rapaz é muito útil para o time, pois atrapalha a saída de bola do adversário e sempre se apresenta para a tabela. Willian José brigou sozinho com a defesa adversária, arrumou bate-boca com todo mundo, sofreu e fez faltas, mas não se intimidou. Teve calma e precisão na hora de gol.

Goleada? Tá bom…

Teve gente que previu outra goleada contra o Santos no jogo de ontem. A crise extra-campo e o time em formação levaram alguns comentaristas-torcedores a achar que todo adversário repetiria o desempenho do Barcelona.

Em primeiro lugar, o futebol que o time catalão joga está bem acima do apresentado por qualquer equipe sul-americana. A lógica, infelizmente, é a de que, jogando no Camp Nou, os grandes sul-americanos sejam impiedosamente sovados. Em segundo, mesmo com problemas conhecidos por todos, o Santos tem feitos jogos equilibrados no Campeonato Brasileiro e por que seria goleado por um time que baseia seu jogo no sistema defensivo e se dá por satisfeito quando faz 1 a 0?

No final, se algum time teve ao menos um tempo de posse de bola parecido com o Barcelona, foi o Santos, com 66%, praticamente o dobro do “campeão do mundo”, com apenas 34%.

Agora o Santos tem 13 pontos em 10 jogos, o que na prática não é muito diferente da campanha do adversário, que chegou a 18 pontos, mas com dois jogos a mais. No fim de semana o Santos vai a Minas enfrentar o Cruzeiro, que luta pela liderança. Mais um teste de fogo, sem dúvida.

Torcida assumiu o comando do time

Sem presidente e vice, afastados por problemas de saúde, e com o comitê gestor esfacelado depois do pedido de demissão de dois de seus integrantes, o Santos de ontem foi comandado e embalado por sua torcida – que só faltou entrar em campo para fazer o time se empenhar pela vitória.

Esse espírito deve continuar, pois só mesmo o sócio e o torcedor do Santos podem fazer o Alvinegro Praiano superar essa fase ruim e seguir em frente. Quanto à política do clube, creio que o mais sensato seria o conselho deliberativo destituir esse comitê gestor e marcar, urgentemente, novas eleições. Nesse ínterim o presidente do conselho presidiria o clube.

Não há mais nenhuma confiança do santista nos homens que dirigem o Santos. A contratação de Zinho como gerente de futebol foi mais um tapa na cara dos santistas, que nunca mais viram ídolos do passado assumir cargos de liderança no Alvinegro Praiano.

Reveja os melhores lances do jogo e a confusão:
http://youtu.be/Cr9CK2Ajmgk

E você, o que achou de Santos 1, Corinthians 1?