Santos passeou no Maracanã. Se tivesse mais apetite, golearia o Fluminense

Como este humilde blogueiro previa, o Santos foi um time mais consciente e organizado do que o Fluminense e com dois gols no primeiro tempo acabou conquistando, no Maracanã, sua primeira vitória fora de São Paulo neste Campeonato Brasileiro. Com isso, a zona de rebaixamento vai ficando distante e o time começa a subir na tabela. Agora, com dois jogos a menos, o Alvinegro Praiano tem 22 pontos e ocupa a décima-primeira posição.

Notícias davam conta de que o técnico Claudinei Oliveira entraria com três jogadores no ataque – Gabriel, Thiago Ribeiro e Éverton Costa. Porém, Gabriel foi tirado do time no vestiário, devido a um problema estomacal, e Leandrinho entrou no seu lugar, completando o meio-campo com Renê Junior, Alan Santos e Cícero. Mais à frente ficaram Éverton Costa e Thiago Ribeiro, que marcaram a saída de bola do adversário.

O Fluminense começou um pouco mais atrevido, mas logo o poder de marcação do Santos passou a equilibrar a partida. O jogo estava indefinido quando o Santos chegou ao gol, aos 12 minutos. Após bela troca de passes na extrema direita entre Alan Santos e Cicinho, o lateral cruzou forte e rasteiro e Thiago Ribeiro se antecipou a um zagueiro e ao goleiro Diego Cavalieri para tocar para o fundo do gol.

O tricolor tentou reagir, mas o Alvinegro teve outra boa oportunidade aos 23 minutos: Thiago Ribeiro cobrou uma falta para a área e Éverton Costa apareceu livre para cabecear diante da meta, mas jogou para fora. Três minutos depois, ao cobrar uma falta da entrada da área, cometida sobre Leandrinho, Cícero acertou um chute forte em cima de Diego Cavalieri, que no tocou na bola, mas não conseguiu espalmar por cima do travessão: 2 a 0.

Com a boa vantagem, o Santos passou a tocar a bola e por volta de 30 minutos de jogo dominava completamente a partida. O Fluminense, já vaiado por sua torcida, tentava em lances esporádicos, como em um cruzamento perigoso aos 42 minutos, que obrigou Aranha a espalmar para fora da área.

No segundo tempo, time só tocou e segurou a bola

Ao final da primeira etapa, ainda no campo, Thiago Ribeiro disse que o Santos deveria manter a mesma postura, para não atrair o Fluminense para o seu campo. Mas, quando a bola voltou a rolar, o Santos estava mais preguiçoso. Aos 8 minutos já fazia cera até para cobrar lateral. Isso chamou o adversário para cima, como temia Thiago Ribeiro.

Com o veterano Felipe no lugar de Willian e Wagner no de Eduardo, o time carioca melhorou um pouco o toque de bola e passou a criar algumas oportunidades. Dos 13 minutos, quando Aranha defendeu com os pés um arremate à queima-roupa de Wagner, até os 22, quando Rafael Sóbis demorou e acabou chutando sem ângulo, o Fluminense rondou a área do Santos com perigo.

Porém, desde que Fred sentiu o músculo ao cobrar uma falta, aos 17 minutos, o tricolor, na prática, ficou com um jogador a menos, pois Luxemburgo já tinha feito a terceira substituição, tirando Rhayner para a entrada de Marcos Junior. A partir dos 25 minutos, quando Leandrinho saiu para a entrada de Léo, que fez sua estreia no meio de campo, o Santos passou a ter um controle maior do jogo e não permitiu mais nada ao adversário.

Aos 30 minutos o Santos só tocava a bola diante de um Fluminense entregue. Dois minutos depois Thiago Ribeiro perdeu o terceiro gol ao adiantar uma bola e ser interceptado por Diego Cavalieri quando entrava livre. Aos 34 Éverton Costa ganhou uma bola na raça pela direita, penetrou, ficou cara a cara com Cavalieri, mas tentou passar para trás e errou o passe. Melhor seria ter enchido o pé, mesmo sem muito ângulo.

No final, Claudinei tirou Thiago Ribeiro e Alan Santos para as entradas de Giva e Pedro Castro, mas foi mais para ganhar tempo e colocar dois jogadores com mais fôlego. O Santos terminou a partida sobrando. A impressão que deu é que se forçasse, faria mais gols. Poucas vezes o Fluminense pareceu tão impotente diante de um adversário.

Apenas 8.136 pessoas pagaram para ver o jogo, que teve um público total de 10.481 pessoas. Em se tratando do atual campeão brasileiro, em um dos maiores e mais tradicionais estádios do Brasil, esperava-se muito mais. Porém, percebe-se que a torcida está de birra com o time, que faz campanha ruim.

Lições dessa vitória

1 – Técnico não ganha jogo. Como temos discutido exaustivamente neste blog, não é o nome do técnico que garante as vitórias. Vanderlei Luxemburgo já foi cinco vezes campeão brasileiro, mas nesse sábado parece que ele era o interino e Claudinei, agora efetivado, o grande professor. Por isso digo e repito: nenhum técnico brasileiro merece ganhar mais do que 80 mil reais por mês. Claudinei já está no teto.

2 – Só elenco não basta. O Fluminense utilizou contra o Santos muitos dos jogadores que deram ao time o título brasileiro no ano passado: Diego Cavalieri, Fred, Rafael Sóbis, Carlinhos, Gum, Anderson, Wagner… No entanto, perdeu o jogo para jogadores ainda sem grande expressão, como Alan Santos, Leandrinho, Renê Junior, Everton Costa – que, no entanto, mostraram-se mais eficientes.

3 – Campo e torcida não ganham jogo. Esse é um conceito difícil de o jogador brasileiro assimilar, pois está arraigado na cultura do nosso futebol. Mas um campo enorme e seguro como o Maracanã, com um bom gramado, é um campo neutro. Só não joga bem lá quem não sabe. Além do mais, os times cariocas jogam e deixam jogar. Não há desculpa para matar de canela, nem motivo para tremer.

4 – Este Santos, pela realidade do nosso futebol, não é um time ruim. Só precisa confiar mais nele e jogar todas as partidas com a mesma confiança. O próximo jogo, contra o Atlético Paranaense, em Curitiba, será mais difícil do que o deste sábado. Não dará para fazer um gol e tocar de lado. Será preciso ir pro jogo com vontade, e sabedoria, mas sem medo de ser feliz.

Veja os primeiros gols do Santos no novo Maracanã:
http://youtu.be/UlXkjHXAWkU

E pra você, a vitória provou que o Santos pode sonhar alto? Ou não?

Finalmente o Santos fará hoje, às 21 horas, no Maracanã, contra o Fluminense, um jogo fora de casa que poderá vencer. Pelo que jogou contra o Grêmio – estável a maior parte do tempo – e pela instabilidade do time tricolor, hoje os Meninos e os Velhinhos do Claudinei Oliveira poderão dar um passo importante em busca de novas aspirações neste Campeonato Brasileiro.

Ganhar fora de casa amadurece um time e lhe dá confiança para novos embates. Este Santos já derrotou o São Paulo no Morumbi, mas ainda não venceu fora do Estado (o jogo contra o Crac foi pela Copa do Brasil). Hoje isso é possível e explico porquê.

O Santos pode montar um time jovem e rápido para a partida deste sábado e isso costuma ser decisivo em um campo das dimensões do Maracanã. Desde que a essas juventude e rapidez se somem tranqüilidade, determinação, coragem e alguma habilidade. Com Cicinho, Mena, Alison, Alan Santos, Léo Cittadini (ou Leandrinho) e Gabriel a equipe poderá imprimir um ritmo intenso ao jogo e conseguir espaços importantes para chegar ao gol do Flu.

O jogo não terá a marcação cerrada que se viu no Olímpico. O futebol carioca costuma jogar e deixar jogar. Quem é bom, se destaca. Por isso, acho precipitado Claudinei dizer que Léo Cittadini não foi bem e não deverá substituir Montillo. Cada jogo tem uma história. Hoje o garoto teria mais espaço e, por isso, maiores possibilidades de jogar bem.

O GloboEsporte.com anuncia o Santos com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Renê Júnior, Alan Santos, Leandrinho e Cícero; Thiago Ribeiro e Gabriel. Por esta escalação, Gustavo Henrique e Alison ficariam de fora, Claudinei voltaria com a dupla de zaga Edu Dracena e Durval e colocaria Renê Junior no lugar de Alan Santos e Leandrinho no de Montillo, que ainda se recuperada da lesão na coxa. Também é uma boa formação.

Por outro lado, será que hoje não é a partida ideal para uma oportunidade para o meia Renato Abreu? Já que foi contratado, e só até o final do ano, tem de ser experimentado, e nada melhor do que entrar diante de um adversário que ele conhece bem, pois nas últimas temporadas defendeu o rival Flamengo.

De qualquer forma, dou a Claudinei o direito da dúvida. Se nós aqui de fora não temos certeza, fiquemos com quem acompanha os treinos e convive com os jogadores. Creio também que este novo salário do técnico, de 80 mil reais, é justo e lhe dará mais tranqüilidade para trabalhar. Como já escrevi, não acho que nenhum técnico brasileiro devesse ganhar mais do que isso. Se fossem tão bons como se acham, não ficariam tanto tempo desempregados, como hoje estão Muricy Ramalho, Émerson Leão, Abel Braga, Ney Franco e outros.

O Fluminense do técnico Vanderlei Luxemburgo deve jogar com Diego Cavalieri, Igor Julião, Gum, Anderson e Carlinhos; Edinho, Jean, Felipe e Wagner; Rafael Sóbis e Fred. É evidente que se trata de um bom elenco, mas não tem se apresentado bem e está um ponto atrás do Santos na classificação do campeonato. A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden (RS). O jogo poderá ser assistido por pay-per-view, que hoje estará liberado para os assinantes da Net.

Se jogar o que sabe e pode, sem se inibir com o chamado fator campo, o Santos voltará no Rio com os três pontos, mas a volta de Fred é um trunfo do adversário, pois o atacante é o craque do time e marca gols em quase todos os jogos. Que Edu Dracena e/ou Durval não percam de vista o grande artilheiro.

Considero o Fluminense um adversário simpático. Contra ele Pelé fez o gol de placa, no Rio-São Paulo de 1961 e foi aplaudido de pé pela própria torcida tricolor nesse mesmo Maracanã. Também contra ele Giovanni & Cia escreveram na história aquela virada inesquecível em 1995, dia em que o oponente souber perder com dignidade, sem dar pontapés ou catimbar. E o Fluminense foi ainda um grande parceiro na luta pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, cedendo o seu salão nobre para a explanação, à imprensa do Rio, dos fatos e argumentos que levaram a uma das ações mais edificantes que a CBF já fez, que foi unificar os títulos nacionais e fazer justiça à geração de ouro do nosso futebol.

O Santos e o Criança Esperança

Sem patrocínio master, o Santos já apoiou a Ong do Neymar, divulgou a campanha Sócio Rei e no jogo desta noite anunciará em sua camisa o projeto Criança Esperança, promovido pela Rede Globo. Para boa parte dos santistas, esta submissão à rede de televisão que domina o futebol brasileiro é uma vergonha, já que o Santos tem sido preterido nas suas transmissões de canal aberto.

Para outros, porém, que devem achar que “quem pode, manda, e quem tem juízo, obedece”, esta bajulação já faz parte da estratégia do novo gerente de marketing, Fernando Montanha, de diminuir a animosidade que existe entre os santistas e a maquiavélica rede de televisão.

Será que foi apenas coincidência que depois de ter entrado em campo com a camisa do SBT, em uma final com o São Caetano, o Vasco tenha caído em desgraça, a ponto de ser rebaixado? Ou que, recentemente, o Coritiba foi prejudicado pela arbitragem contra o Itaquerense depois que Alex disse que a Globo comanda o futebol no Brasil?

Será também coincidência que os jogos do Santos tenham sido esquecidos – mesmo quando o time mantinha, a duras penas, o astro Neymar – depois que a torcida santista comemorava os títulos mandando a Globo chupar? Foi coincidência que a Globo tenha interferido na tabela da Copa Libertadores de 2011, prejudicando o Santos e favorecendo o seu time-parceiro? Enfim, Montanha quer ficar bem com a toda poderosa, e ele deve ter os seus motivos.

Creio que um canal de tevê só do Santos, que transmita todos os jogos do Glorioso Alvinegro Praiano a um preço razoável, será a opção do futuro, mas por enquanto o clube é um devedor da Globo – pois já sacou vários adiantamentos para pagar dívidas – e ao menos nos próximos anos não terá como partir para um alternativa independente, como a utilizada com sucesso pela TV Benfica, de Lisboa.

E você, o que acha do jogo contra o Flu e da média com a Globo?